Não tão rara assim 27/08/2013
[Image]
Na esclerose múltipla, o próprio sistema imunitário do corpo ataca
e destrói a mielina, estrutura que encapa uma parte do neurônio.Doença afeta cerca de 30 mil brasileiros e ainda está imersa em preconceito e desconhecimento.
Nesta sexta-feira, é comemorado o Dia de Conscientização sobre Esclerose
Múltipla. A oportunidade serve para elucidar uma série de questões
envolvendo essa importante doença neurológica, ainda imersa em muito
preconceito e desconhecimento por parte de médicos e da população em
geral.
Veja abaixo alguns mitos e verdades sobre esse tema,
respondidos pelo neurologista Leandro Teles, formado pela USP e membro
da Academia Brasileira de Neurologia. A esclerose múltipla é uma doença muito rara Mito.
A esclerose múltipla não é tão rara assim. Ela acomete jovens em todo o
mundo e seus sintomas iniciam-se geralmente antes dos 30 anos de idade.
Estima-se que existam cerca de 30 mil pessoas com esclerose
múltipla no Brasil e cerca de 2,5 milhões pelo mundo. Para uma doença
neurológica crônica é uma incidência bem alta, sendo uma das principais
causas de incapacidade adquirida na população jovem e produtiva,
perdendo apenas para traumatismo craniano.
Ela ocorre mais em mulheres — três para cada homem — e pode atingir, eventualmente, crianças. A esclerose múltipla é uma doença degenerativa .Mito
Muita gente acha que a esclerose múltipla é degenerativa, como o
Alzheimer ou o Parkinson, mas, na verdade, é uma doença inflamatória.
Na
esclerose múltipla ocorrem surtos de inflamação de tempos em tempos —
que é variável de paciente para paciente — no cérebro, medula ou nervo
óptico (nervo da visão). A inflamação é gerada pelo próprio sistema
imunológico da pessoa, que identifica a estrutura que encapa uma parte
do neurônio (chamada mielina) como algo a ser agredido.
Com isso
surgem focos inflamados em alguma região do sistema que passa a
funcionar com dificuldade. O sintoma do surto pode ser uma fraqueza,
perda de sensibilidade, tontura, visão borrada ou dupla, o que dependerá
do local atingido.
Trata-se de uma doença crônica, autoimune
(como a tireoidite, o diabetes tipo 1, o vitiligo, a psoríase, por
exemplo) e de evolução tipo surto-remissão, uma vez que a agressão
ocorre e depois cede, podendo deixar sequelas. Por isso, o tratamento é
com anti-inflamatórios durante um episódio agudo e com remédios que
regulam o sistema imunológico na fase de calmaria, a fim de evitar uma
agressão nova. A esclerose múltipla pode levar a alterações intelectuais
Mito.
Os focos de "esclerose" são geralmente profundos e pequenos, com isso,
raramente ocorre alteração intelectual ou de comportamento importante,
mesmo com anos e décadas de doença.
Os sintomas são
predominantemente físicos, como fraqueza, alteração visual e alteração
sensitiva. Casos de franco declínio intelectual são vistos muito
eventualmente ou depois de muito tempo de seguimento e uma carga de
lesão bem extensa.
Isso é muito importante, pois muitos
pacientes podem ter uma vida ativa e produtiva, tanto no aspecto físico,
como intelectual e social. Esclerose múltipla atinge só pessoas mais velhas Mito.
Muita gente associa o termo esclerose com idade avançada. Neste caso, é
justamento o contrário. Quem apresenta mais a doença são mulheres,
jovens (antes dos 30 anos), de pele mais clara (caucasianas).
No entanto, a doença pode acometer homens, crianças e eventualmente, pessoas acima dos 50 anos. A esclerose múltipla não atinge os nervos
Verdade.
A esclerose múltipla é uma doença predominantemente do sistema nervoso
central. Ela acomete o cérebro (qualquer região, principalmente a
substância branca, mais profunda) e a medula espinhal.
O único
nervo que é atingido com muita frequência é o nervo óptico, causando
embaçamento na região central do olho e dor à movimentação ocular. Os
outros nervos do corpo geralmente são poupados. A esclerose múltipla tem tratamento Verdade.
É uma doença inflamatória causada pela ação equivocada do sistema
imunológico. O tratamento visa reduzir o tempo e o grau de inflamação
durante um surto e, fora dele, organizar melhor o sistema imune de forma
a evitar uma ação equivocada contra o sistema nervoso.
O
tratamento crônico deve ser escolhido caso a caso e visa reduzir a taxa
anual de surtos. Caso ocorra um, o tratamento com anti-inflamatórios na
veia está indicado o quanto antes para facilitar a recuperação.
Cada
paciente evolui de um jeito, existem casos mais agressivos e casos de
evolução bem mais benigna, aonde o paciente se mantém funcional por
muitos anos e até décadas.
O diagnóstico pode ser complicado e o tratamento é caro
Verdade.
O diagnóstico exige conhecimento médico especializado, geralmente de um
neurologista clínico, e exames sofisticados escolhidos caso a caso.
Com
isso, uma parcela muito grande da população tem o diagnóstico atrasado e
fica sem tratamento. Estima-se que apenas 5 mil dos 30 mil casos no
Brasil tenham recebido diagnóstico e tratamento adequados.
É
fundamental disseminar os sintomas mais frequentes, preparar os médicos
da atenção primária e melhorar o acesso aos especialistas. Com relação
ao custo do tratamento, realmente as medicações que visam evitar os
surtos são caras. No entanto, no Brasil, são dadas integralmente pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) mediante preenchimento de protocolo
apropriado. FONTE:http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/vida/noticia/2013/08/mitos-e-verdades-sobre-a-esclerose-multipla-4247297.html
postado por André Ponce da Silva às 07:58 em 27 de ago. de 2013
"MITOS E VERDADES SOBRE A ESCLEROSE MÚLTIPLA"
Não foi feito nenhum comentário até agora. -