Sistema urinário 28/10/2012 Nefrologistas alertam para a doença renal na infância, que pode levar a hemodiálise e transplante. Assintomática e sorrateira, a insuficiência renal é uma doença grave
que acomete também crianças e adolescentes, afetando o desenvolvimento
físico, intelectual, emocional e social. De acordo com a Sociedade
Brasileira de Nefrologia (SBN), o diagnóstico tardio é a principal causa
de comprometimento da função renal nessa faixa de idade.
A prevenção — diagnóstico precoce e encaminhamento imediato ao
especialista — é fundamental para evitar medidas extremas, como a
hemodiálise e o transplante de rim. De acordo com o Censo de 2011 da
SBN, dos 91.314 pacientes em hemodiálise, 778 são crianças, sendo que na
faixa etária de um a 12 anos, esse número é de 201 pacientes e de 13 a
18 anos é de 557.
— Se não for diagnosticada precocemente, a insuficiência renal pode
aumentar as chances de a criança desenvolver doenças associadas,
especialmente as de coração, causa de mortalidade mais comum entre
pacientes renais pediátricos — afirma a nefropediatra Vera Koch,
coordenadora do Departamento de Nefrologia Pediátrica da SBN.
Segundo ela, os pais devem prestar atenção a sinais e sintomas que
podem indicar a evolução da doença. Inchaço no corpo, vômitos
frequentes, infecções urinárias de repetição, atraso no crescimento e
desenvolvimento, problemas ósseos, anemias de difícil tratamento e
hipertensão arterial podem ter ligação direta com o problema.
— Lesões renais mais graves podem levar a perda progressiva e
irreversível da função dos rins, à diálise e, consequentemente, ao
transplante — alerta a nefropediatra, lembrando que a rotina de
tratamento inclui exames de sangue, de urina, visitas constantes às
clínicas e hospitais.
Grande parte das doenças do sistema urinário que acometem crianças e
adolescentes é congênita. Algumas são herdadas e outras acontecem
durante a gestação. As doenças mais frequentes são as malformações de
rins e vias urinárias. Causas e consequências podem ser diagnosticadas e
observadas desde muito cedo, até mesmo na fase intrauterina.
— A diminuição do líquido amniótico, principalmente quando
diagnosticado no segundo trimestre da gestação, geralmente está
relacionado com malformação fetal — explica a nefropediatra.
Segundo ela, a ecografia fetal realizada durante o período da
gestação pode detectar a maioria dos problemas e orientar as medidas
necessárias depois do nascimento.
Outro diagnóstico frequente na infância é a infecção urinária — causa
de 7% das febres nas crianças menores de dois anos de idade.
— Os pais não devem medicar a criança sem conhecimento e aval do
médico, seja com medicamentos industrializados ou com os chamados
remédios naturais, ervas ou chás, pois eles podem ser tóxicos para o
rim, necessitando, portanto, de uso supervisionado — explica.
Ela recomenda ainda atenção à hidratação da criança e do adolescente,
principalmente em altas temperaturas, durante o exercício físico e nas
febres. Os casos de trauma em região lombar também merecem atenção, pois
a lesão renal pode ocorrer mesmo se não houver presença de sangue na
urina.
— Um alerta ainda na infância pode evitar outras doenças no futuro,
quando a evolução da doença poderá aparecer isolada ou associada com o
diabetes, a pressão alta e as complicações cardiovasculares — afirma a
nefropediatra, destacando a importância da dieta saudável e do exercício
regular.
"DIAGNÓSTICO TARDIO PODE LEVAR CRIANÇAS E ADOLECENTES À INSUFICIÊNCIA RENAL"
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