Ficar alguns minutos do dia exposto ao sol não é mais parte da rotina de
muita gente. O estilo de vida das grandes cidades, com escritórios
fechados e pessoas vivendo por trás de vidraças, parece que nos fez
esquecer da importância de estar em contato com a luz solar, principal
fonte de vitamina D para o organismo.
Recente estudo desenvolvido
pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) pode
servir de alerta para esse esquecimento. A pesquisa apontou que as
mulheres de Porto Alegre, acima dos 60 anos, apresentam os piores
índices de vitamina D no país: mais de 80% delas têm deficiência da
substância no organismo.
– Aprendemos muito sobre os malefícios
do sol, como o câncer de pele e o envelhecimento cutâneo, mas esquecemos
que a gente também precisa dele, justamente pela vitamina D, que é um
hormônio fundamental – explica uma das autoras do estudo, a
endocrinologista e membro da SBEM Marise Lazaretti.
A falta de
vitamina D prejudica principalmente a saúde óssea, pois o organismo tira
cálcio do osso para manter o nível da substância no sangue. Desta
forma, agrava o risco doenças como reumatismo, artrite, artrose e,
principalmente, osteoporose. Nas mulheres em fase de pós-menopausa, é
ainda maior, em função do desequilíbrio hormonal. Além disso, existem
estudos que relacionam a falta de vitamina D ao risco de outras doenças
como câncer de mama, de colo, de próstata, diabetes e doenças
cardiovasculares.
Problema presente em todo o Brasil Segundo
o endocrinologista Henrique Pierotti Arantes, outro autor do estudo, a
pesquisa aponta para uma correlação direta entre a baixa latitude de
Porto Alegre e a deficiência de vitamina D. A pele mais clara das
gaúchas é um favor que contribui:
– A incidência dos raios
solares no Sul não favorece a síntese da vitamina, o que fica ainda mais
difícil no outono e no inverno, estações com menos luz. Ainda assim,
percebemos que mesmo em cidades em latitude mais alta, como Recife, há
deficiência de vitamina D entre as mulheres, o que indica que este é um
problema presente em todo o país.
15 A 20 MINUTOS de
sol todos os dias, sem protetor solar, é o recomendado para manter o
nível adequado de vitamina D. E não pode ser qualquer sol. Segundo a
endocrinologista Marise Lazaretti, ainda não está comprovado se o sol da
manhã é suficiente. O ideal para a boa síntese é aquele que deixa a
pele avermelhada, diz ela, que aconselha passar protetor solar no rosto e
deixar braços e pernas expostos.
SUPLEMENTAÇÃO.
Para idosos, o tempo de exposição precisa ser ainda maior, pois quanto
mais envelhecida a pele, menos eficiente ela é para produzir a vitamina
D. Entretanto, o cuidado com a prevenção do câncer de pele e dos outros
malefícios do sol não pode ser deixado para trás. A saída pode ser a
suplementação de vitamina.
– Sabemos que 99% da população
brasileira não consomem a dose mínima de vitamina D pela dieta,
especialmente porque os alimentos não fornecem os índices necessários. É
preciso, portanto, rever as políticas públicas de acesso à vitamina D,
fortificando alimentos como sucos e leite ou, ainda, fornecendo
suplementos pelo Sistema Único de Saúde, especialmente para os idosos e
os pacientes de risco – defende Henrique Pierotti Arantes.
O uso
de suplementação foi a solução encontrada pela dona de casa Maria da
Graça Keiserman, 60 anos, de Porto Alegre. Diagnosticada com artrose e
osteoporose após a menopausa, um exame de sangue apontou a deficiência
da vitamina.
– Percebemos que, mesmo tomando sol regularmente,
havia uma deficiência. Optamos por tomar o suplemento e conseguimos
equilibrar – conta.
A cautela de Maria de Graça em consumir o suplemento somente com orientação médica serve de exemplo.
"SOL DE MENOS"
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