Com a chegada do verão, muitos acreditam que estarão protegidos contra
gripes, resfriados e pneumonia, enfermidades consideradas típicas do
inverno. Porém, todo o cuidado é pouco, pois as doenças pneumocócicas
ameaçam a saúde em qualquer época do ano. A doença é a principal causa
de morte prevenível por vacinação em crianças, sendo responsável por
cerca de 20% de 8,8 milhões de óbitos em todo o mundo.
O vírus
influenza também preocupa. Responsável pela gripe, ele atinge anualmente
entre 5% e 10% da população mundial, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS). Embora seja considerada uma doença benigna, a
gripe também pode apresentar complicações. Outro problema é que, por ter
sintomas parecidos, pode comprometer o diagnóstico da pneumonia. A
elevação da temperatura merece atenção redobrada, uma vez que, no verão,
o uso de ar-condicionado e ventilador costuma aumentar. Esses
equipamentos, quando não higienizados corretamente, são propagadores de
agentes causadores de problemas respiratórios, como a Legionella
pneumophila e as bactérias Haemophilus. O tempo seco deixa ainda a
mucosa mais seca e vulnerável.
O clínico-geral Breno Figueiredo
Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica/Regional
Minas Gerais e diretor técnico do Hospital Felício Rocho, em Belo
Horizonte, explica que a gripe, a virose, o resfriado e a pneumonia são
infecções das vias aéreas.
– A gripe e o resfriado são viroses
(causadas por vírus). A gripe é causada pelo influenza e é mais forte
que o resfriado (causado por centenas de outros vírus). A pneumonia é
uma infecção das vias aéreas baixas (pulmões) e pode ser provocada por
bactérias ou vírus – diferencia.
Gomes alerta que a pneumonia é uma doença perigosa, que, se não for tratada adequadamente, pode levar o paciente à morte:
–
Ela aparece em qualquer idade e a cura geralmente é feita com o uso de
antibióticos. Apenas o médico, depois de uma avaliação clínica detalhada
e de exames, se necessários, pode precisar se o paciente está com
pneumonia.
MAIORIA DOS CASOS É CAUSADA POR BACTÉRIAS
O
limiar entre a gripe e a pneumonia pode ser tênue porque as gripes
podem predispor a infecções bacterianas, que levam à infecção dos
pulmões. Ou seja, um quadro gripal pode, sim, transformar-se em uma
pneumonia. A contaminação ocorre com a exposição direta aos vírus e às
bactérias de uma pessoa infectada geralmente por meio da saliva ou de
secreções nasais. As mãos são os principais meios de transmissão das
infecções.
– Por isso, devem ser lavadas ao longo do dia, várias vezes. E bem lavadas – alerta o médico Breno Figueiredo Gomes.
De
acordo com Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infecções da Sociedade
Paulista de Pneumologia e Tisiologia e professor da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a maioria dos casos de
pneumonia é causada por bactérias, mas também pode ser ocasionada por
vírus, como aqueles que provocam a gripe.
– O vírus da gripe
normalmente se manifesta em áreas localizadas na face e, algumas vezes,
pode descer para o interior dos pulmões, especialmente em algumas
situações em que há comprometimento da imunidade do paciente. Por isso, é
fundamental a prevenção da gripe para reduzir o número de mortes por
pneumonia – aconselha o médico.
Grupos dos extremos populacionais
– pessoas com menos de cinco anos e mais de 60 – são os mais acometidos
pela pneumonia. Segundo a OMS, a doença mata 1,5 milhão de crianças
nessa faixa etária por ano no mundo. O Ministério da Saúde contabilizou
300 óbitos de meninos e meninas, de janeiro a dezembro de 2012, em
decorrência de complicações da infecção respiratória.
ANTIBIÓTICOS
Segundo
o médico Flávio Andrade, a pneumonia geralmente é tratada com
medicamentos para combater os sintomas e antibióticos que contêm a
infecção por bactéria. No caso de infecção por vírus influenza, a
medicação é específica. O pneumologista salienta que a pneumonia pode
ser contraída por inalação, aspiração, via hematogênica (pelo sangue),
contiguidade a partir de focos infecciosos da parede torácica e
reativação de focos, principalmente em pacientes imunossuprimidos.
–
Um quadro gripal pode favorecer a infecção bacteriana por reduzir
fatores locais e sistêmicos de defesa do organismo – esclarece o médico.
Andrade ressalta a importância de evitar a automedicação, que pode ofuscar a gravidade do quadro infeccioso:
–
As pessoas nunca devem se automedicar, principalmente com antibióticos.
A banalização dos sintomas pode ser muito perigosa. A evolução da
pneumonia é diretamente relacionada ao início precoce do uso de
antibióticos. Além disso, o atraso no tratamento pode ser fatal em
alguns casos.
"PNEUMONIA EM QUALQUER TEMPO"
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