Saúde na ponta dos dedos 02/11/2013
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Rafaela Cassel, de 11 anos, utiliza o celular para ajudar no controle da diabetes. Eles vêm trazendo soluções inovadoras para
pessoas que sofrem com doenças, problemas para dormir ou que querem
apenas cultivar hábitos mais saudáveis.
Aos que têm dificuldade de dormir, eles prometem noites tranquilas de
sono. Aos que sofrem para acordar, despertam no horário adequado. Aos
que querem fazer as pazes com a balança, oferecem opções de dietas,
contam as calorias consumidas e até montam planos alimentares conforme
os objetivos de cada um.
Para os que não estão enxergando muito
bem, podem detectar alterações na retina. Para as que querem engravidar,
oferecem gráficos que indicam o período fértil. E para as que não
querem, lembram, diariamente, o horário de tomar a pílula
anticoncepcional. Não, eles não são hospitais móveis, nem “personal
doctors”. Estes e muitos outros serviços, que podem ser alcançados ao
toque do celular, são aplicativos voltados à saúde e ao bem-estar, uma
nova febre que conquista cada vez mais os adeptos de smartphones.
Batizados de m-Health (ou mobile Health — em português, Saúde Móvel),
estes apps vêm auxiliando muitas pessoas a manter a saúde em dia. E
ainda ajudam os médicos a monitorar seus pacientes ao permitir o
compartilhamento de informações.
Um diabético, por exemplo, pode enviar a quantidade de glicose no
sangue e insulina injetada para conferência do seu médico. Os
nutricionistas podem ter acesso ao registro do consumo de alimentos
diário do paciente. Os educadores físicos podem controlar o treino dos
alunos mesmo sem estar presente durante a atividade.
Além da
praticidade de oferecer diversos serviços na palma da mão, os apps vêm
trazendo soluções inovadoras para pessoas que sofrem com doenças
crônicas, ajudando a controlar as enfermidades e a diminuir os riscos
trazidos pelos transtornos. Alguns deles são possíveis com soluções
simples que aproveitam a tecnologia do próprio celular, como é o caso de
um aplicativo criado para proteger portadores da doença de Alzheimer.
Através do GPS do dispositivo, o programa grava a posição geográfica do
paciente a cada três minutos. A informação, com o registro da
localização, é enviada ao médico e aos familiares. Caso o indivíduo
ultrapasse uma área predeterminada, um alarme soa nos smartphones de
todos eles.
Em outros casos, o casamento entre o celular e novas
tecnologias permite realizar exames e até consultas médicas à distância.
Um exemplo é o aplicativo que mede a pressão arterial e a pulsação.
Para fazer a medição, uma braçadeira é conectada ao smartphone e realiza
o registro no momento em que o usuário pressiona um botão do
aplicativo. Os resultados do exame são registrados em um gráfico, que
pode ser enviado ao médico em tempo real.
Tecnologia com bom senso O
mercado de aplicativos voltados à saúde cresce a cada dia e tem gerado
milhões de downloads ao redor do mundo. A força do fenômeno é tamanha
que muitas universidades estão começando a construir centros
especializados em m-Heatlh. Diante de tantas ofertas, como saber quais
apps são confiáveis? No Brasil, os usuários devem aplicar o bom senso,
pois o país ainda não tem um programa de governo que faça a avaliação
dessas ferramentas, explica Ivan Torres Pisa, professor do Departamento
de Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Nos
Estados Unidos, com o crescimento exponencial dos m-health, a agência
norte-americana que regula alimentos e medicamentos (FDA) começou a
auditá-los. Aprovados ou não pelos órgãos reguladores, a recomendação é
sempre consultar um especialista antes de adotá-los.
— Nenhum
aplicativo, por melhor que seja, substitui uma boa orientação médica —
garante o cardiologista Rogério Sarmento Leite, diretor-técnico do
Laboratório de Hemodinâmica do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do
Sul.
O ideal, segundo ele, é que a escolha dos apps seja feita
junto ao especialista. Dessa forma, o paciente é orientado sobre a
melhor forma de usar.
Foi esse tipo de controle que chamou a
atenção da designer Gabriela Cassel, 40 anos. Mãe da Rafaela, ela conta
que, quando a filha tinha oito anos, um exame de rotina detectou algo
até então imperceptível: a garota era diabética.
Desde então, a
menina passou a medir a glicemia em torno de 10 vezes por dia (por meio
de uma gotinha de sangue colocada em um aparelho) e a realizar injeções
de insulina cada vez que come. O que parecia um desafio para uma
criança, ela logo tirou de letra.
— Com orientação médica e ajuda das novas tecnologias, estamos conseguindo manter um bom controle da doença — conta a mãe.
Hoje
com 11 anos, Rafaela faz tudo isso com bastante rapidez e facilidade
por meio de um aplicativo de celular recomendado pela médica, a
endocrinologista-pediátrica Marcia Puñales. O programa, bastante comum
entre diabéticos, realiza a contagem de insulina que deve ser aplicada a
partir do que a pessoa come. Basta colocar a quantidade e o tipo de
alimento que o app faz os cálculos em poucos segundos.
— Eu me
sinto muito mais segura quando ela usa o aplicativo, pois a Rafaela é
pequena, e as chances de errar os cálculos são grandes. Com o programa,
ela fica sabendo a quantidade de insulina que deve injetar e faz tudo
sozinha, na escola ou em casa — diz a mãe.
Para a médica Marcia Puñales, a vantagem é poder acompanhar a paciente quando quiser e onde estiver:
— Este aplicativo é bom porque eu consigo ajeitar a terapia dela no ato, sem a necessidade de aguardar nova consulta. A opinião de especialistas Ana Maria Feoli, coordenadora do curso de graduação em Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
“Considero
essa inovação tecnológica uma aliada ao tratamento nutricional,
auxiliando o trabalho do profissional de saúde, nesse caso, do
nutricionista. Esses aplicativos permitem uma maior autonomia do cliente
para escolhas alimentares mais saudáveis, pois auxiliam na busca de
informações nutricionais, na substituição de alimentos, no registro dos
alimentos consumidos, alertam para horários de lanches e refeições,
transformam os resultados em gráficos evolutivos. Enfim, estimulam e
motivam as pessoas a conhecer mais sobre os alimentos, e isso promove a
saúde.” Rogério Sarmento Leite, cardiologista e
diretor-técnico do Laboratório de Hemodinâmica do Instituto de
Cardiologia do Rio Grande do Sul
“Esses aplicativos, por
melhor que sejam, servem apenas como um referência, mas jamais
substituem uma avaliação e acompanhamento de um profissional. Não se
pode substituir o médico por informações fornecidas por um programa,
pois nem sempre elas reproduzem a verdade. ” Bruno Toledo, educador físico especialista em obesidade e emagrecimento pela Universidade Gama Filho/RJ “Com
o advento tecnológico, o uso de aplicativos para smartphones e tablets é
uma excelente ferramenta para registro de dados sobre os exercícios
físicos. Sem dúvida, eles podem auxiliar os praticantes de atividades
físicas a melhorar o desempenho e proporcionar um feedback constante aos
seus usuários.” Marcia Puñales, endocrinologista-pediátrica do Instituto da Criança com Diabetes e do Hospital da Criança Conceição
“Sabemos
que muitos pacientes, em especial os mais novos, adoram mexer em novas
tecnologias, e esses aplicativos podem ajudar a engajá-los em
determinados tratamentos. Eles devem ser considerados uma ferramenta
extra para o controle de determinadas doenças. Muitos aplicativos têm
melhorado a vida dos pacientes, principalmente dos diabéticos.”
"COMO OS APLICATIVOS TÊM AJUDADO A MANTER UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL"
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