Publicada em 16/01/2014 às 16:15:08h
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP)
testaram células-tronco encontradas no tecido adiposo de camundongos
com distrofia muscular, que provoca a paralisação progressiva dos
músculos até a morte. Eles descobriram que elas aumentaram a expectativa
de vida dos animais. O administrador Sérgio Santos Soares tinha 25 anos quando descobriu
que tinha Esclerose Múltipla, uma doença crônica que atinge o sistema
nervoso central. Ele ficou sem poder andar e precisou de ajuda até para
comer. “Para eu partir uma pizza, uma carne, nossa, eu ficava nervoso,
escorregava do meu prato. Não tinha força para pegar os talheres”,
conta.
No ano passado, aos 37 anos, Sérgio passou pelo transplante de
células-tronco. Ele foi um dos primeiros no Brasil. Depois disso, a
doença nunca mais se manifestou e hoje ele se locomove com a ajuda de um
andador. “Foi uma maravilha pra mim. Foi uma nova vida que Deus me deu
através dos médicos aqui na Terra”, comemora.
O Brasil tem avançado cada vez mais nos estudos das células-tronco
para o tratamento de doenças. Foi do laboratório do Centro de Pesquisas
do Genoma Humano do Instituto de Biociências da USP que saiu a mais
recente descoberta na área no Brasil.
Os pesquisadores descobriram que células-tronco adiposas, quando
transplantadas em camundongos com distrofia muscular grave, aumentavam o
tempo de vida desses animais em 30%, em média.
Eles testaram as células-tronco retiradas de vários tecidos na
região abdominal de mulheres que passaram por cirurgias. “Nós abordamos
pacientes que estavam fazendo cirurgias ginecológicas e conseguimos
obter materiais do mesmo paciente, de quatro tecidos diferentes. Nós
tiramos da gordura, do músculo, da trompa e de endométrio”, relata
Marcos Valadares, pesquisador da USP.
Somente as células de gordura implantadas nos camundongos surtiram
efeito e os animais viveram 30% a mais do tempo médio esperado pelos
pesquisadores. “Isso é um resultado muito importante, porque se a gente
conseguir transferir para o paciente, a gente tiver o mesmo resultado,
isso significa 20 anos a mais na vida da pessoa. Uma pessoa de 60 anos
vai poder viver 20 anos a mais”, explica Mayana Zatz, diretora do
Centro de Pesquisa.
Segundo os pesquisadores, em dez anos esse tratamento poderá estar disponível para humanos.
"CÉLULAS-TRONCO TÊM EFEITO POSITIVO NO TRATAMENTO DE DISTROFIA MUSCULAR"
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