Novidade na ciência 04/01/2013
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Estudo traz novo enfoque para tentar decifrar por que algumas infecções são tão difíceis de eliminar.Descoberta pode ajudar a desenvolver novos tratamentos para doenças como a tuberculose.
Pesquisadores refutaram uma teoria defendida há muito tempo sobre
como algumas bactérias sobrevivem aos antibióticos e abriram as portas
para novos tratamentos para combater as bactérias resistentes, segundo
estudo publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos.
Utilizando uma técnica chamada "microfluidos", os cientistas
revelaram que, ao contrário da explicação existente há mais de 50 anos, a
bactéria resistente continua se dividindo e crescendo e, que, às vezes,
morre.
A velha teoria indicava que as bactérias que sobreviviam eram aquelas individuais que paravam de crescer e de se dividir.
— A população bacteriana que persiste, no entanto, é muito dinâmica, e
as células que a constituem estão em constante mutação, apesar de o
número total de células se manter — explicou o microbiólogo Neerak Dhar.
Esta é uma informação crucial, enfatizam os autores do estudo, e
poderá ajudar os cientistas a desenvolver novas terapias para cepas
bacterianas mais difíceis de combater, como a tuberculose
multirresistente.
— Uma população geneticamente idêntica se compõe de bactérias
individuais com um comportamento amplamente variável — afirmou o
pesquisador que liderou o trabalho, John McKinney.
Os pesquisadores da Escola Politécnica Federal Suíça, em Lausanne,
estudaram uma bactéria relacionada com outra causadora da tuberculose e a
submergiram em um fluido que continha isoniácidos, um agente que acaba
com essa doença. Descobriram, então, que a bactéria produzia apenas uma
enzima chamada de KatG, necessária para o antibiótico trabalhar contra
ela, de uma forma intermitente.
O fato de quando e como a bactéria deixa de se dividir não está
relacionado de maneira estreita com o momento em que ela morre,
afirmaram os cientistas. No entanto, a sobrevivência da bactéria em
qualquer momento é determinada pelo fato de produzir ou não a enzima em
questão. Como em algum momento certas bactérias não produziam esta
enzima, a população inteira de bactérias era capaz de sobreviver.
Futuras pesquisas se centrarão em outros micróbios, incluindo a
bactéria que causa a tuberculose e a Escherichia coli, assim como, de
forma diferente, em certas células cancerígenas que resistem ao
tratamento.
— Este é um novo enfoque para tentar decifrar por que algumas
infecções são tão difíceis de eliminar — afirmou McKinney, assegurando
que as técnicas já estão em uso em colaboração com empresas
farmacêuticas, para desenvolver novos antibióticos.
"ESTUDO REFUTA TEORIA DEFENDIDA HÁ MAIS DE 50 ANOS SOBRE RESISTÊNCIA DAS BACTÉRIAS"
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