09/01/2013
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O álcool age negativamente no sistema nervoso por diversas vias.Confira entrevista com neurologista sobre as consequências do abuso de bebidas alcoólicas. Lapsos de memória, desequilíbrio, falta de coordenação motora; todos
são efeitos colatareis provocados pelo álcool, mas recuperáveis em curto
prazo de tempo. Mas o abuso no consumo de bebidas alcóolicas pode gerar
sequelas irreversíveis ao sistema nervoso. É o que explica o
neurologista Leandro Teles em entrevista.
Confira:
Todo mundo sabe que o álcool prejudica o fígado, mas... e o cérebro?
Leandro Teles- Sem dúvida nenhuma o álcool em
excesso, seja em quantidade, seja na frequência do uso, gera uma série
de alterações agudas e crônicas no sistema nervoso como um todo. O
cérebro sofre e os nervos periféricos, também. O álcool traz
comprometimento agudo e imediato da função de algumas regiões e, com o
passar dos anos, gera alterações estruturais irreversíveis podendo levar
a demência, neuropatia periférica, entre outros problemas.
Por que quando bebemos ficamos confusos e sem coordenação motora?
LT - Após ingerir o álcool esse se difunde
rapidamente para o sangue e é distribuído por todo o corpo. O cérebro
recebe cerca de 20 % do sangue que sai do coração. O impacto é imediato,
o sistema atencional localizado nos lobos frontais é o primeiro a
sofrer, ficamos desatentos, eufóricos, com respostas motoras mais lentas
e desajeitadas. A segunda região cerebral a acusar o golpe é o
cerebelo, ficamos sem coordenação, cambaleantes e com a fala mole. Por
fim surge a sonolência que se aprofunda progressivamente. Já não fixamos
nada na memória e se não houver muito cuidado a pessoa pode entrar em
coma alcoólico com risco de vida.
Como o álcool destrói os neurônios e suas conexões?
LT- O álcool age negativamente no sistema nervoso
por diversas vias. Primeiro, há uma toxicidade direta do álcool ao corpo
do neurônio e ao seu prolongamento (axônio). O álcool em excesso
destrói diretamente células, conexões e redes inteiras. O cérebro que
quem bebe demais envelhece precocemente e pode ficar atrofiado. Além do
efeito direto, que bebe está mais sujeito a traumas na região da cabeça e
a carência de algumas vitaminas fundamentais para o bom funcionamento
do cérebro como a vitamina B1 (tiamina), vitamina B3 (niacina), B6
(piridoxina) e principalmente a vitamina B12 (cianocobalamina).
Quem bebe com frequência e se abstém pode ter problemas neurológicos?
LT- O álcool vicia psíquica e fisicamente. Isso
significa dizer que a pessoa necessita cada vez mais da substância para
ter tranquilidade e sentir-se próximo do seu normal. Quando um viciado
fica sem sua droga surgem sempre sintomas de abstinência:
irritabilidade, taquicardia, pressão alta, excitação psíquica, confusão
mental e até alucinações. Neste momento é fundamental a intervenção
médica para preservar a saúde do paciente e ajudá-la na transição para a
cessação do etilismo.
Afinal, um pouco de vinho tinto faz bem ou mal ao cérebro?
LT- Consumo regular de baixas doses de vinhos
esteve relacionado a uma melhora do perfil cardiovascular. O cérebro
fica sim mais protegido quando os vasos que o nutrem ficam mais
saudáveis. A substância do vinho tinto responsável pelo efeito benéfico é
o resveratrol, presente principalmente na casca das uvas tintas. Agora,
não podemos esquecer que tem o álcool envolvido na formulação do vinho.
Algumas pessoas tem tendência ao abuso, outras doenças clínicas ou
mesmo uso de medicamentos que não combinam com a ingestão de álcool.
Essas últimas devem sim evitar essa substância. Portanto, a questão do
custo versus benefício no uso regular de vinho deve ser avaliada caso a
caso.
"ESPECIALISTA ALERTA QUE CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS TAMBÉM PREJUDICA SISTEMA NERVOSO"
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