Adolescentes 05/04/2013
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Adolescentes do sexo feminino apresentaram maior risco de desenvolver transtorno alimentar.Pesquisa da USP com adolescentes revelou
que a prática de dietas restritivas aumenta a chance de apresentar
comportamentos de risco para transtornos alimentares.
Na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, pesquisa com 1.167
adolescentes da cidade de São Paulo verificou que 12,2% apresentam
comportamentos de risco para transtornos alimentares e 31,9%
apresentaram algum tipo de prática não saudável para controle do peso.
As práticas de dieta restritiva aumentaram a chance de apresentar
comportamentos de risco para transtornos alimentares 17,26 vezes no sexo
masculino, e em 12,82 no sexo feminino. A nutricionista Greisse Viero
da Silva Leal, autora do trabalho, recomenda que os pais e os
adolescentes saibam reconhecer precocemente as atitudes que podem
desencadear transtornos alimentares na busca de sua prevenção.
Foram avaliados adolescentes, com idade média de 16 anos (de 14 a 19
anos), estudantes do ensino médio de 12 Escolas Técnicas do Centro Paula
Souza, no município de São Paulo, selecionados por meio de sorteio de
uma sala de aula de cada ano do ensino médio em cada escola.
– Para a coleta de dados utilizou-se o Questionário de Atitudes
Alimentares de Adolescentes (QAAA), adaptado do questionário utilizado
no EAT Project em Minnesota (Estados Unidos) em 2002, coordenado pela
pesquisadora americana Dianne Neumark-Sztainer, que avalia atitudes
alimentares e seus determinantes em adolescentes, acrescido de quatro
questões sobre comportamentos de risco para transtornos alimentares,
desenvolvidas pela pesquisadora australiana Phlippa Hay, em 1998, e
adaptadas por Julia Elba de Souza Ferreira e Glória Valéria da Veiga, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, e a Escala de
Silhuetas de Stunkard (1983) – explica Greice.
A pesquisa foi orientada pela professora Sonia Tucunduva Philippi, do
Departamento de Nutrição da FSP e faz parte de tese de doutorado
defendida no último dia 15 de março.
Entre os adolescentes que apresentaram comportamento de risco para transtornos alimentares, 72,5% são do sexo feminino.
– Estes comportamentos são caracterizados por compulsão alimentar
(10,3%), prática de dieta restritiva (8,7%), uso de diuréticos com o
objetivo de emagrecer (1,4%), uso de laxantes com o objetivo de
emagrecer (0,3%) e vômito autoinduzido com o objetivo de emagrecer
(0,3%) – conta a nutricionista.
Dos jovens que apresentavam alguma prática não saudável para controle do peso, 66,8% são do sexo feminino.
– Estas práticas são comer muito pouca comida com o objetivo de
perder peso (20,4%); omitir refeições com o objetivo de perda de peso
(20,6%); usar substitutos de refeições e alimentos com o objetivo de
emagrecer (7,4%); usar remédios para emagrecer (2,1%) e fumar mais
cigarros com o objetivo de emagrecer (1,6%).
Imagem corporal
De acordo com o estudo, a leitura de revistas sobre dieta para
emagrecer aumentou em 2,87 vezes a chance de apresentar práticas não
saudáveis para controle do peso, enquanto que estar satisfeita com a
imagem corporal diminuiu esta chance, ou seja, satisfação corporal foi
fator protetor.
– O que se observa é que cada vez mais as revistas voltadas para o
público feminino apresentam dietas para emagrecer e trazem corpos muito
magros como ideais de beleza. As adolescentes podem sentir-se
insatisfeitas com seus corpos quando comparados aos das modelos das
revistas e procurar métodos não saudáveis para perder peso – observa
Greisse.
Entre os adolescentes do sexo masculino, o que mais influenciou as
práticas não saudáveis para controle de peso foi o estímulo materno à
prática de dietas para emagrecer e a mídia (televisão, artistas de TV e
modelos), aumentando o desejo de mudar a aparência corporal. Os riscos
das dietas restritivas na adolescência estão relacionados ao fato de que
tais dietas são hipocalóricas, ou seja, não atendem as necessidades
nutricionais e podem comprometer o crescimento e desenvolvimento
adequados.
– Além disso, relacionado aos transtornos alimentares, dietas
restritivas causam privação física e emocional que podem desencadear
frustração, raiva, ou seja, a pessoa sente-se frustrada por não poder
comer certos tipos de alimentos, o que, em algum momento, pode levar à
compulsão alimentar e esta, por sua vez, ao sentimento de culpa e medo
de engordar, podendo desencadear comportamentos purgativos
compensatórios como vômito autoinduzido, uso de laxantes e diuréticos –
ressalta a nutricionista.
Segundo Greisse, é necessário incentivar uma alimentação balanceada,
com horários regulares e o consumo de alimentos de todos os tipos, de
forma variada e prazerosa, bem como a prática de atividade física de
acordo com a aptidão de cada um, sem que seja uma obrigação.
– Promover a satisfação corporal é primordial, ressaltando para os
adolescentes a existência de diversos tipos de corpos e a
impossibilidade de padronização de pesos e tamanhos ou medidas corporais
– observa.
– Além disso, é necessário educar os adolescentes sobre a mídia,
sobre os malefícios e a ineficência das dietas restritivas presentes em
revistas e na internet e sobre a utilização de recursos gráficos que
mostram corpos irreais, por exemplo.
"PERDA DE PESO INADEQUADA TRAZ RISCO DE TRANSTORNO ALIMENTAR"
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