Saúde do homem 16/11/2012 | 11h15
Desconhecimento e preconceito são os maiores obstáculos no tratamento de homens.
Urologistas das Américas do Sul e Central prepararam nessa
quinta-feira, durante o 1º Fórum Sul-Americano de Saúde do Homem, um
documento com sugestões de políticas públicas para o combate a doenças
masculinas, que será entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) e
aos órgãos de saúde da região.
O evento, promovido pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU),
ocorre na semana em que se lembra o Dia Mundial de Combate ao Câncer de
Próstata, segunda causa mais comum de morte por câncer entre os homens
brasileiros. De acordo com Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença
deve atingir, somente neste ano, cerca de 60 mil homens.
O desconhecimento e o preconceito são o maior obstáculo no tratamento
de doenças masculinas nas Américas do Sul e Central, diz o presidente
da SBU, Aguinaldo Nardi, que defende campanhas frequentes para estimular
o homem a fazer checkups com frequência.
— O homem latino, de maneira geral, acha que é herói, que nada vai
acontecer com ele, e tem um preconceito brutal com o exame de próstata,
que é feito por meio do toque retal, O exame dura menos de dez segundos e
não fere a masculinidade de ninguém — explica Nardi.
Por isso, a mortalidade entre os homens da região por esse tipo de
câncer é muito maior do que na Europa e nos Estados Unidos, acrescenta o
médico. Segundo ele, no evento dessa quinta, no Rio de Janeiro, juntos,
os países podem discutir meios de conscientizar os homens da
importância da prevenção.
De acordo com Nardi, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado
proporcionam a cura em 90% dos casos de câncer de próstata. Segundo ele,
é recomendável fazer o exame de toque retal a partir dos 45 anos.
Quando há casos na família, os exames devem ser feitos antes, aos 40
anos. A recomendação do Ministério da Saúde é fazer o exame na faixa de
50 a 75 anos, devido ao fato de ser baixo o índice da doença entre
homens com menos de 50 anos.
Os urologistas que participam do fórum defendem que os hospitais
públicos de seus países sejam equipados com as novas tecnologias
disponíveis no mercado, como a robótica, e que os sistemas de saúde
pública aumentem a oferta de remédios específicos para doenças
relacionadas ao sexo masculino.
Também são comuns entre os homens a hiperplasia da próstata, a
disfunção erétil, a deficiência androgênica do envelhecimento masculino
(redução gradual da testosterona no sangue), a varicocele (varizes nas
veias da região do escroto), a fimose (impossibilidade de retrair a pele
do pênis para expor a glande), o câncer de pele e o de pênis.
— No caso do câncer de pênis, cerca de mil homens têm o pênis
amputado no país, por ano, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. O
Paraguai, o Uruguai e o Peru também têm alto nível de incidência desse
tipo de câncer — diz o especialista.
"UROLOGISTAS PREPARAM DEOCUMENTO COM SUGESTÕES DE POLÍTICAS PARA COMBATE A DOENÇAS MASCULINAS"
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