Quebra de paradigma 05/11/2012 |
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Estudo foi realizado com 1,9 mil diabéticos portadores de doença coronariana em estágio avançado.Pesquisa, com pacientes com média de idade
de 63 anos, apontou que a melhor opção é a angioplastia, em que as
artérias são desobstruídas com a instalação de stents. Técnicas menos invasivas, que proporcionam tempo menor de internação e
recuperação mais rápida, nem sempre são a melhor opção de tratamento
para problemas cardíacos.
Estudo com 1,9 mil diabéticos
portadores de doença coronariana em estágio avançado mostra que a
cirurgia para implante de pontes, como safena e mamária, são mais
indicadas para esses pacientes que a angioplastia, em que as artérias
são desobstruídas com a instalação de stents (pequenas próteses
metálicas, que expandem as paredes dos vasos sanguíneos).
A
pesquisa, realizada em 140 hospitais, foi publicada nesta segunda-feira
no New England Journal of Medicine e apresentada no congresso da
American Heart Association, nos Estados Unidos.
— É uma quebra
de paradigma. A medicina avança cada vez mais para evitar o sofrimento
por intervenção cirúrgica. Operava-se o estômago por úlcera, hoje
toma-se remédio. Também já não se opera amígdala. Mas, para o paciente
cardíaco diabético, a cirurgia convencional se mostrou a mais indicada —
afirmou o cardiologista Whady Hueb, coordenador da equipe de
pesquisadores no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas
da Universidade de São Paulo, instituição que incluiu o maior número de
pacientes no estudo (200), seguido pelo Mount Sinai, de Nova York, com
70.
O estudo Avaliação de Revascularização Futura em Pacientes
com Diabete (Freedom, na sigla em inglês) foi coordenado pelos
pesquisadores Michael Farkouh e Valentin Fuster, da Escola de Medicina
Mount Sinai, de Nova York. Eles levaram em conta o fato de que, só nos
Estados Unidos, 25% das 700 mil ocorrências anuais de revascularização
de múltiplas artérias envolviam pacientes diabéticos. Mesmo assim, não
havia dados científicos que abordassem a melhor tática para tratá-los.
Para
o estudo, foram selecionados 3.309, dos quais 1,9 mil aceitaram
participar da pesquisa. A idade média era de 63 anos: 71% do sexo
masculino, 40% com colesterol elevado e 83% com obstrução em múltiplas
artérias, o que caracteriza o estágio mais avançado da doença
coronariana. De forma aleatória, foram divididos em dois grupos, os que
receberam stents e os que passaram pela cirurgia convencional.
Eles
foram acompanhados por cinco anos: aqueles submetidos à cirurgia
morreram menos por causas diversas (11% contra 16,3% no grupo que
recebeu stent) ou por problemas cardíacos (7% contra 11%). Eles tiveram
menos enfarte no decorrer da evolução da doença (6% contra 14%) e
necessitaram de um número menor de novas intervenções, sejam elas
cirúrgicas ou por angioplastia (4,8% contra 12,5%).
Os pacientes que passaram por angioplastia, no entanto, tiveram menos derrames.
—
A ideia é que, quanto menos se intervém numa pessoa, melhor. A
angioplastia é um procedimento de meia hora e internação de dois dias.
Já na cirurgia, abre-se o paciente de ponta a ponta, é preciso deixá-lo
internado por 10 dias. Mas, para o diabético, o resultado da cirurgia
foi de longe melhor que a angioplastia — ressalta Hueb.
Os
pacientes ainda serão reavaliados sete anos depois de realizado o
procedimento. O cardiologista Roberto Kalil, diretor da Divisão de
Cardiologia Clínica do Incor, ressalta, no entanto, que a decisão final
sobre o tipo de intervenção tem de ser avaliada caso a caso. É uma
decisão entre médico e paciente.
— Medicina não é matemática e
nenhum estudo científico é lei. Esse estudo é interessante e serve de
alerta. Mas se você tem uma paciente de 30 anos, saudável, diabética,
com uma artéria obstruída, não vai abrir o peito dela. Coloca-se o stent
— afirma.
"ESTUDO MOSTRA QUE CIRURGIA TRAZ MELHORES RESULTADOS PARA DIABÉTICOS CARDÍACOS"
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