São José do Rio Preto, 1 de Abril, 2014
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Há diferentes causas, mas também maneiras de tratamento para a incontinência urinária, problema que afeta a vida social.
Controlar
a vontade de urinar: para mais de 9 milhões de brasileiros, vítimas da
incontinência urinária, não é uma coisa tão simples. O problema, apesar
de simples solução, traz uma série de transtornos que afetam a qualidade
de vida. E sua ocorrência não se dá só em idosos, como se pensa.
De acordo com a Sociedade Internacional de Incontinência Urinária, o
mal pode afetar homens e mulheres em qualquer faixa etária. Em todo o
mundo, atinge 4,4% da população mundial; desse universo, 75% são
mulheres e 25% são homens.
“Embora aumente a porcentagem de incontinentes quanto mais idosa é a
população, o fato não implica que se considere isto normal em idade
alguma”, explica a enfermeira Maria Alice Lélis, especialista em
incontinência urinária, e consultora, no Brasil, da multinacional sueca
SCA, empresa que fabrica produtos para incontinência urinária.
O mecanismo que faz com que o organismo funcione de maneira correta
envolve uma complexa rede de neurônios e músculos que têm a necessidade
de trabalhar em total sintonia, caso contrário a micção ou o
armazenamento de urina se tornam comprometidos.
Efeito social
Para a geriatra Liha Bogaz, de Rio Preto, quando a pessoa já está
com um pouco mais de idade, começa a sofrer alterações que comprometem
este funcionamento. A geriatra lembra também que a principal
consequência da incontinência urinária é baixa qualidade de vida da
pessoa. “Uma vez que interfere até na socialização, pois, com medo, as
pessoas acabam por se isolar, e saem cada vez menos de casa", afirma
Liha.
Mas viver com a incontinência sem buscar ajuda é algo sem sentido,
já que existem inúmeras possibilidades de tratar o problema, desde o
método farmacológico, fisioterapêutico ao cirúrgico. Até mesmo o
controle alimentar pode ser útil, conforme demonstrou a pesquisadora
Nídia Daiane Lino, em Ciências e Saúde, da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Ela defendeu uma tese sobre o risco do consumo exagerado
de substâncias que são irritantes vesicais, tais como café, frutas
cítricas e outros, que podem ser suprimidos da dieta como forma de
auxiliar no tratamento conservador.
Além disso, há no mercado uma série de produtos específicos que
ajudam a controlar o transtorno, evitando que as pessoas sejam alvo de
afastamento social. "Já é possível encontrar suportes que absorvem o
odor, além da urina", diz Maria Alice. É importante saber que a primeira
forma de tratar é identificar em que estágio o distúrbio se encontra.
Há uma série de situações que podem desencadear a incontinência, dentre
elas as doenças neurológicas, como o traumatismo da medula espinhal, a
esclerose múltipla, a doença de Parkinson e o Acidente Vascular Cerebral
(AVC).
De acordo com o urologista Caio Cesar Cintra, da Faculdade de
Medicina do ABC e responsável pelo setor de urodinâmica da AACD, em São
Paulo, nestas situações a alteração do comportamento vesical recebe o
nome de bexiga neurogênica. Cesar Cintra observa que, além da terapia
comportamental, alguns medicamentos orais, toxina botulínica e
alternativa cirúrgica são opções para o tratamento. “Em casos não
tratados adequadamente o paciente com bexiga neurogênica pode sofrer com
danos no rim após três anos da lesão, chegando a necessitar de
diálise”, diz.
Você sabia? - No Brasil há mais de 9 milhões de pessoas que sofrem de
incontinência urinária. O distúrbio é mais frequente no sexo feminino e
pode surgir a partir dos 50 anos e atingir, independentemente, da idade,
as mulheres grávidas
Causas:
- Flacidez da musculatura do assoalho pélvico em geral, mas especialmente em idosas que tiveram partos normais no passado
- Compressão da bexiga urinária por algo intra-abdominal (exemplo, tumor)
- Uso de medicações, principalmente diuréticos, são agravantes da incontinência urinária nos idosos
- Doenças neurodegenerativas que podem comprometer o esfíncter (por
exemplo, demência avançada, que, por ser uma consequência da evolução da
doença, dificilmente existe melhora ou tratamento)
Tipos:
- De esforço: quando tosse, ri, faz esforço ou exercício físico por exemplo
- De urgência: vontade súbita de urinar que não dá tempo de chegar ao toalete
- Mista: os dois tipos juntos
Fonte: Liha Bogaz, geriatra, de Rio Preto Fortaleça o assoalho pélvico
Vítima da incontinência há muitos anos, a aposentada D.J.L, 75 anos,
relata que aprendeu a conviver com a situação. "Já fiz exercícios,
tomei remédio, só não fiz a cirurgia porque o médico disse que na minha
idade não quer arriscar. Vivo melhor desde que passei a usar um
absorvente apropriado. Já consigo sair de casa sem tanto receio, mas
antes era muito difícil", conta.
A fisioterapeuta Josiane Santana, de Rio Preto, observa que os
exercícios que fortalecem a musculatura pélvica demoram para ter efeito:
depende da gravidade da incontinência. Nos casos mais graves, quando os
exercícios são realizados corretamente, e no mínimo 3 vezes por dia, os
resultados podem ser percebidos entre 3 meses e 1 ano. Nos casos mais
simples, em que a perda involuntária de urina é pouca, os resultados
podem ser percebidos mais rapidamente. "Os benefícios dos exercícios
consistem na melhora da contração da musculatura do períneo, tornando-a
mais forte e rápida, de forma que o suporte estrutural dessa região
fique mais eficiente, impedindo assim as perdas urinárias", explica.
Entenda:
- Para melhor compreender a incontinência urinária, é importante
saber como funciona o trato urinário e como nós controlamos a micção. A
urina é formada por água e resíduos removidos do nosso corpo pelos rins.
A urina excretada pelos rins desce por um par de tubos, chamados de
ureter, até chegar na bexiga. A bexiga é um reservatório similar a um
balão que armazena urina. Assim como um balão, a bexiga é elástica,
podendo ser enchida e esvaziada. Na maioria das pessoas, existe completo
controle sobre esse armazenamento e esvaziamento. A pessoa permite um
enchimento de aproximadamente 400 ml e depois esvazia a bexiga em um
local adequado, sem que ocorram perdas. A urina deixa a bexiga por um
outro canal, chamado de uretra
Fonte: Unifesp
Exercício de Kegel
- Os exercícios mais conhecidos para a prevenção e o tratamento da
incontinência urinária de esforço são aqueles criados pelo ginecologista
norte-americano Arnold Kegel. Eles têm por finalidade fortalecer a
musculatura pélvica e melhorar os mecanismos de continência urinária. O
mais conhecido é chamado de exercício de Kegel, que consiste em contrair
os músculos do assoalho pélvico por 10 segundos e, em seguida, relaxar
por 10 segundos, com repetições de 10 a 15 vezes, três vezes por dia. O
exercício de Kegel pode ser praticado em qualquer lugar e a qualquer
momento. Para localizar os músculos pélvicos e praticar os exercícios,
interrompa o fluxo de urina em meio ao ato de urinar. Os músculos
necessários para esse procedimento são os músculos do assoalho pélvico
"INCONTINÊNCIA URINÁRIA GERA TRANSTORNOS SOCIAIS"
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