Muito além da boca 11/05/2013
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Há pelo menos 30 sintomas diferentes causados pelo mau posicionamento dos dentes e da arcada dentária. Equilíbrio bucal pode corrigir problemas posturais, acabar com a dor de cabeça ou até melhorar o desempenho de atletas.
A dor é na cabeça, mas a causa pode estar na boca. Ela pode ser a
responsável também por mudanças de humor, problemas na coluna e
distúrbios do sono. Além disso, através dela, é possível otimizar
inclusive o desempenho físico. Os estudos são diversos, mas a maioria
indica que problemas na mandíbula, em especial na articulação
temporomandibular (ATM), que liga a boca ao crânio, podem ser os
responsáveis por muitas disfunções no organismo. Eles apontam também que
o equilíbrio bucal vai mais além de fatores estéticos, pois pode ajudar
desde a correção de problemas posturais até o rendimento de um atleta.
— As duas articulações temporomandibulares que temos na boca são tão
importantes que, quando se desequilibram, podem atrapalhar a passagem de
ar, provocar problemas na coluna cervical, e isso acarreta diversos
distúrbios em diferentes regiões do corpo— explica a cirurgiã-dentista e
especialista em ortopedia funcional dos maxilares, Lídia Sabbadini.
De fato, há pelo menos 30 sintomas diferentes causados pelo mau
posicionamento dos dentes e também da arcada dentária. Isso porque a
mandíbula faz parte de um sistema que envolve diversos músculos e
órgãos, e que está diretamente ligado à coluna. As disfunções nas
articulações da boca podem, muitas vezes, provocar dores e complicações
no restante do corpo.
Para o cirurgião-dentista e professor do curso de
especialização de disfunção temporomandibular (DTM) e dor orofacial da
Associação Brasileira de Odontologia, Fabricio Finamor de Oliveira, é
preciso entender o posicionamento da mandíbula para poder realizar o
diagnóstico de problemas que vão muito além da boca. O especialista
pondera que os estudos na área ainda são conclusivos. Entretanto, o
dia-a-dia dos consultórios dentários vêm acumulando uma série de bons
resultados.
Mudança nos dentes, alívio no ombro Esse foi o caso da dona de casa Irene Velho Fagherazzi, de 58 anos,
que descreve seu dentista como um "bruxo". Isso porque, no primeiro dia
que visitou seu consultório para tratar de um problema relacionado
diretamente com os dentes, o cirurgião-dentista e especialista em
prótese dentária, Paulo Pittas do Canto, colocou a mão em seu ombro e
perguntou se ela não sentia dores naquele local:
— Eu disse pra ele que sim, e fiquei impressionada. Ele me comentou
que soube disso na hora porque minha boca estava toda descompensada.
De fato, Irene sofria de dores no ombro há 14 anos, e já havia
inclusive desistido de procurar ajuda. Sua "peregrinação" por diferentes
médicos incluiu visitas a fisioterapeutas, ortopedistas e uma gama de
especialistas durante mais de uma década. Segundo ela, nenhum deles
havia conseguido resolver o problema.
Foi depois um tratamento odontológico, que durou cerca de dois anos e
envolveu uma série de procedimentos, como implantes, cirurgias e
realinhamento da mandíbula, que Irene se viu livre da dor.
Canto explica que a paciente tinha muitas próteses dentárias, feitas
ao longo da vida por diferentes profissionais, e que isso causou um
desequilíbrio em sua boca, gerando um desalinhamento da mandíbula.
— Dessa forma, ela tinha muita tensão nos músculos da boca e, como
esses músculos estão todos inter-relacionados com a coluna cervical,
isso acabou culminando em um problema no ombro.
— O doutor alinhou minha mordida, e desde então não sinto mais dor. Estou curada — desabafa a dona de casa.
E o alinhamento da mandíbula pode também resolver problemas conjugais.
Boca alinhada, sono tranquilo Hoje em dia o ronco e a apneia, que é a interrupção da respiração
durante a noite, figuram entre os principais distúrbios do sono. Eles
causam, além de cansaço, problemas que vão desde a falta de concentração
até a depressão, e podem inclusive prejudicar a vida pessoal. Afinal,
quem dorme ao lado de alguém que sofre destes distúrbios também passa
por noites mal dormidas. Mas, quando o problema é causado por um
desalinhamento da boca, ele pode ser rapidamente tratado em um
consultório odontológico.
Foi o que aconteceu com o médico João Wenner Falk, de 56 anos. Depois
de sofrer com o ronco por muitos anos, Falk decidiu buscar ajuda para
solucionar o problema. Ele passou por algumas especialidades médicas,
mas foi parar na cadeira do ortodontista Bernardo Fróes Godolphim,
especialista em ortopedia funcional dos maxilares. Uma tomografia
constatou que o responsável pelo ronco de Falk era um deslocamento em
sua mandíbula. Por ficar posicionada mais para trás do que o normal, ela
deixava um espaço pequeno para a passagem de ar pela traqueia. O que
parecia um problema complicado, teve uma solução simples. Godolphim
desenvolveu um aparelho que é usado durante a noite pelo médico, e que
obriga a mandíbula a ficar posicionada para frente. Dessa forma, a
passagem de ar fica livre, e as noites de sono se tornaram mais
tranquilas para ele e sua esposa:
— Desde que coloquei o aparelho, não ronquei mais, e minha mulher passou a dormir mais tranquila ao meu lado.
Da mordida ao equilíbrio É também um aparelho bucal, ou dispositivo intra-oral, que está
conquistando atletas profissionais, amadores e frequentadores de
academias de ginástica. O fisiculturista e tricampeão gaúcho de natação
Netto Antônio Bonotto, de 30 anos, é um dos que se beneficiou com a
novidade. Acostumado treinar na academia com um amigo, ele conta que
passou a notar uma melhora "repentina" no desempenho do companheiro.
— Levantávamos peso juntos e tínhamos o mesmo rendimento, depois que
ele passou a usar o dispositivo, o rendimento dele ficou muito melhor.
Por causa disso, fui atrás do aparelho bucal — conta.
Quem o atendeu foi o cirurgião-dentista e especialista em disfunção
temporomandibular Luis Daniel Yavich Mattos. Por meio de uma série de
exames de alta tecnologia, o especialista desenvolve um dispositivo
específico para cada paciente, focado no desempenho físico.
— Esse dispositivo funciona para realinhar os músculos da boca, e a
partir daí determina a posição ideal da mandíbula. Com esse
reposicionamento, o restante do corpo sente os efeitos. Ele aumenta a
flexibilidade, melhora a contração muscular e alivia a tensão muscular —
explica Mattos.
Depois de completar três meses usando a placa, Bonotto já identificou as mudanças em sua agitada vida de atleta:
— Desde que passei a utilizar o dispositivo, consigo fazer o mesmo
treino na academia em menos tempo e com mais eficácia, estou sentido
mais facilidade para executar as braçadas na natação, e sinto que
consigo me equilibrar muito melhor nas aulas de Pilates.
"PROBLEMAS NA MANDÍBULA PODEM SER RESPONSÁVEIS POR DISFUNÇÕES NO ORGANISMO"
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