Impasse nos remédios 04/10/2012
Agência alega aumento na demanda devido ao crescimento econômico e anuncia providências.
Estudo desenvolvido pela Associação de Indústria Farmacêutica de
Pesquisa (Interfarma) atribui à Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) a demora na chegada de novos medicamentos ao mercado, que pode
ser de até dois anos. Para a associação, que representa fabricantes de
78% dos medicamentos de referência (de marca) no Brasil, a agência está
com déficit de pessoal.
O estudo, feito com base em dados disponíveis no sistema Datavisa (da
Anvisa) entre agosto de 2011 e agosto de 2012, concluiu que o tempo
para a liberação do uso de remédios está aumentando progressivamente. De
acordo com a Interfarma, para medicamentos novos, sem versões genéricas
ou similares, o prazo de espera passou de sete meses para um ano e
quatro meses, no período da pesquisa.
Os medicamentos biológicos, usados no tratamento de doenças como
câncer e artrite reumatoide, podem demorar mais de um ano para terem a
comercialização liberada pela Anvisa. Remédios similares e genéricos,
alternativas mais baratas para o consumidor, são recordistas de espera,
podendo demorar quase dois anos na fila para conseguirem autorização da
Anvisa.
Em reunião na quarta-feira com a ministra da Casa Civil, Gleisi
Hoffman, representantes da Interfarma entregaram uma carta a ela sobre a
demora na liberação e pedindo uma solução. Para a associação, o ponto
crítico é a burocracia.
"Temos muito orgulho do trabalho que vem sendo desenvolvido pela
Anvisa e não queremos que a vigilância seja menor. Queremos mais
vigilância sobre o essencial, que é o exame dos produtos e a inspeção de
fábricas, com menor burocracia”, afirma, em nota, o presidente
executivo da Interfarma, Antônio Britto.
Em nota, a Anvisa atribui o aumento na demanda de registros de
medicamentos ao recente crescimento econômico. Mesmo assim, a agência
declara que o tempo de análise para registro de medicamentos no Brasil é
compatível com o das demais agências reguladoras do mundo.
A Anvisa informa que está trabalhando para compatibilizar o
crescimento na demanda por registro de medicamentos com a sua estrutura.
De acordo com a agência, a revisão dos marcos regulatórios, a
reestruturação da agência e a implantação do registro eletrônico de
medicamentos são três medidas que serão adotadas para solucionar o
aumento na demanda.
Na nota, a agência diz que já permite que medicamentos voltados para o
SUS, medicamentos inovadores e genéricos para segmentos que ainda não
tenham concorrência recebam prioridade de análise e enfatiza que, por
trás do esforço empreendido, está a segurança sanitária dos produtos
utilizados pela população brasileira.
"INDÚSTRIA FARMACÊUTICA QUESTIONA DEMORA DA ANVISA NO REGISTRO DE NOVOS REMÉDIOS"
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