Autoimune 29/07/2013
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Saiba quais são os fatores de risco e as doenças relacionadas.
Muitas pesquisas ainda são necessárias para esclarecer as causas
exatas do aparecimento da artrite reumatoide. Entretanto, estudos já
conseguiram identificar algumas características e gatilhos da doença.
Confira:
01) A artrite reumatoide não impede a realização de exercícios físicos
No
passado, as pessoas com artrite reumatoide eram muito magras, pois
acreditava-se que os exercícios físicos provocavam mais danos às
articulações e atrofiavam ao músculos. Além disso, acreditava-se também
que a inflamação crônica associada com a artrite reumatoide provocava
perda de peso e perda de apetite.
— Hoje, sabemos que os medicamentos antiinflamatórios e os exercícios
físicos fazem parte do tratamento, portanto, ter artrite não significa
ter uma aparência franzina. Realizar o exercício físico pode ser difícil
(se não impossível) durante uma crise, mas, de modo geral, a atividade
física ajuda no tratamento e não agrava o estado dos pacientes com a
doença — explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti.
02) Fumar pode desencadear a artrite reumatoide
Fumar
é o gatilho ambiental mais bem compreendido e pode desempenhar um papel
importante em um terço dos casos graves de artrite reumatoide,
incluindo mais de 50% dos diagnósticos da doença entre as pessoas que
são geneticamente suscetíveis a ela.
— Os fumantes que têm uma variante genética conhecida como epítopo
compartilhado têm um risco dez vezes maior de desenvolver artrite
reumatoide. Nós sabemos que fumar provoca doenças cardiovasculares e
certos tipos de câncer e muitas outras doenças, mas para alguns, a
ligação entre o tabagismo e a artrite reumatoide é uma surpresa — diz o
reumatologista.
03) O risco de artrite reumatoide varia segundo a geografia
Quanto
mais longe da linha do Equador, maior é o risco de artrite reumatoide.
Viver em uma latitude mais elevada no início da vida — entre 15 e 30
anos — parece ser mais arriscado do que em outros momentos.
— Em um estudo de 2010, realizado com cerca de 10 mil mulheres, o
risco de artrite reumatoide foi maior para aquelas que viviam no
nordeste e no centro-oeste dos Estados Unidos, em comparação com
mulheres que viviam a oeste das montanhas rochosas. Os autores
destacaram que o risco da doença aumenta nas latitudes superiores devido
à falta de luz solar bem como a outros fatores ambientais — afirma
Lanzotti.
04) A falta de vitamina D pode estar ligada ao risco de desenvolver artrite
Um
estudo de 2004 acompanhou mais de 29 mil mulheres e descobriu que
aquelas com a menor ingestão de vitamina D apresentavam maior risco de
desenvolver artrite reumatoide.
— Não está provado que a vitamina desempenha um papel no aparecimento
da doença. No entanto, o efeito protetor da vitamina D poderia explicar
porque as pessoas que vivem em latitudes mais altas — recebendo menos
luz solar e produzindo menos vitamina D, em geral — parecem estar em
maior risco de desenvolver artrite reumatoide. Outras doenças
autoimunes, como a esclerose múltipla, também têm sido vinculadas a
déficits de vitamina D — conta o médico.
05) A poluição provocada pelo excesso de tráfego pode desempenhar um papel importante
Partículas
microscópicas geradas pela poluição podem ser inaladas profundamente
pelos pulmões e podem estar relacionadas com a inflamação provocada pela
artrite.
— Pesquisadores de Harvard realizaram um estudo em 2009 com mais de
90 mil mulheres norte-americanas para analisar a relação entre artrite
reumatoide e poluição do tráfego. Eles descobriram que as mulheres que
viviam muito próximas de uma grande estrada apresentavam um maior risco
de desenvolver artrite reumatoide em comparação com aquelas que viviam
mais longe — afirma o especialista.
06) A artrite reumatoide está em ascensão entre as mulheres
A
artrite reumatoide está em alta entre as mulheres americanas, pela
primeira vez, em 40 anos, de acordo com um estudo de 2010 de
pesquisadores da Clínica Mayo. Eles descobriram um aumento de 2,5% nas
taxas de artrite reumatoide entre as mulheres, entre 1995 e 2007,
enquanto as taxas entre os homens caíram durante esse período.
Segundo Lanzotti, não está claro o porquê, mas os pesquisadores
especulam que isso pode ser devido ao tabagismo (mulheres não deixam de
fumar tão rapidamente quanto os homens); pílulas anticoncepcionais com
baixa de estrógeno (o hormônio poderia ser protetor), e, possivelmente,
mais deficiências de vitamina D.
07) A história da artrite reumatoide é obscura
Nunca
foi registrado um caso de artrite reumatoide em múmias e não há nenhuma
evidência de que ela existia no Velho Mundo, antes de Cristóvão Colombo
descobrir a América em 1492. Isso sugere que a doença pode ser causada
por um fator ambiental, mas isso nunca foi provado.
08) Depressão e artrite reumatoide caminham juntas
Isso provavelmente está relacionado com a dor da artrite reumatoide e o estresse associado a viver com uma doença crônica.
— Além disso, níveis elevados da proteína inflamatória do fator de
necrose tumoral alfa (TNF-a) no sangue são associados com a depressão,
por isso é possível que a inflamação que provoca a artrite reumatoide
também provoque a depressão — explica Lanzotti.
09) A artrite reumatoide favorece o aparecimento de outras doenças autoimunes
As
pessoas com artrite reumatoide apresentam fatores de risco genéticos
que as tornam suscetíveis a diversas doenças autoimunes. Doenças
autoimunes da tireoide e síndrome de Sjögren são particularmente mais
comuns em pessoas com artrite reumatoide.
10) Gravidez afeta os sintomas da artrite reumatoide
Algumas
doenças autoimunes, incluindo a artrite reumatoide e o lúpus,
apresentam uma melhora de seus sintomas durante a gravidez. Algumas
estatísticas mostram que até 75% das mulheres com artrite reumatoide
irão entrar em remissão a partir do segundo mês de gravidez. Segundo o
especialista, a gestação pode fazer com que o sistema imunológico
hiperativo se comporte de outra maneira, além de aumentar a produção de
alguns hormônios que têm efeitos protetores durante o período
gestacional.
11) A artrite reumatoide pode aumentar o risco de ataque cardíaco
A
artrite reumatoide é um fator de risco independente para ataques
cardíacos, mesmo quando o nível de colesterol do paciente é normal, a
pressão arterial é baixa e o paciente não tem diabetes. Se a doença está
ativa, o risco de ataque cardíaco é triplicado. A inflamação sistêmica,
que é uma característica da artrite reumatoide, é a provável culpada
desse fato.
12) Artrite reumatoide e diabetes: uma relação complicada
A
inflamação da artrite reumatoide pode aumentar o risco de
desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Os corticosteróides utilizados
para tratar a artrite podem também aumentar o risco de diabetes tipo 2
pelo aumento do nível de açúcar no sangue. A artrite reumatoide e o
diabetes tipo 1, que também é uma desordem autoimune, compartilham
também de alguns dos mesmos fatores de risco genéticos e marcadores de
inflamação.
13) A artrite reumatoide está ligada à doença pulmonar
Doenças
pulmonares podem ser extremamente comuns em pacientes com artrite
reumatoide. A doença pulmonar grave é menos comum, mas cerca de metade
dos pacientes com artrite têm doença pulmonar subclínica. Devido à
artrite, as vias aéreas podem se tornar inflamadas também e os
medicamentos como bloqueadores de TNF podem aumentar o risco de
tuberculose. A artrite reumatoide também pode duplicar o risco de Doença
Pulmonar Obstrutiva Crônica, DPOC.
Pesquisadores estão estudando,
atualmente, se a artrite reumatoide começa nos pulmões.
14) A artrite reumatoide está vinculada à fibromialgia
Cerca
de 20 a 30% das pessoas com artrite reumatoide também têm fibromialgia.
A doença é uma desordem de dor generalizada marcada por pontos
sensíveis ao longo do corpo, fadiga extrema, depressão e problemas
cognitivos.
— Não está claro ainda porque as pessoas com artrite reumatoide estão
em maior risco de desenvolver fibromialgia também — conta o
especialista.
"CONHEÇA 14 FATOS SOBRE A ARTRITE REUMATOIDE"
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