18 de janeiro de 2014 MEDO DE EXAMES
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SINTOMAS TÍPICOS DE UMA CRISE DE PÂNICO SÃO DESENCADEADOS EM CERCA DE 5 A 10% DOS PACIENTES.“Esta
fobia pode desencadear uma série
de alterações clínicas de ordens
psiquíca e somática”Bruno
hochhegger, médico radiologista
A sala é levemente fria, silenciosa e pouco iluminada. Nela, apenas uma
cama, alguns equipamentos e um estreito túnel. Em poucos minutos, você
estará dentro dele, imóvel, por cerca de meia hora. A simpatia dos
médicos e profissionais que o acompanham pode aliviar um pouco a tensão
do momento. Abordam assuntos aleatórios enquanto lhe deitam na cama,
imobilizam sua cabeça e inserem tampões em seus ouvidos. Os barulhos
serão altos, alerta a enfermeira. Assim que deixam a sala, as luzes se
apagam e você se vê sozinho, parado, com os olhos voltados para o teto.
Para
a maioria, a cena acima descrita não passa de um simples e indolor
exame de ressonância magnética. Para a professora Ana Claudia Lutz, 45
anos, poderia fazer parte de um filme de terror. Conforme a cama se
movimenta para dentro do túnel, suas mãos começam a suar, o coração
dispara e a respiração fica ofegante. O desespero é tamanho que ela não
consegue permanecer imóvel. Levanta-se e sai correndo da sala, com a
sensação de que está prestes a desmaiar. Os sintomas, típicos de uma
crise de pânico, são desencadeados em cerca de 5 a 10% das pessoas que
realizam este e outros tipos de exames de imagem. São os claustrofóbicos
– aqueles que têm fobia a lugares fechados. Para eles, as crises têm
data, hora e local para ocorrer. Conforme o médico Bruno Hochhegger,
radiologista do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, as
reações ocorrem pelo tempo em que o paciente necessita permanecer dentro
do equipamento, estreito e escuro:
– Esta fobia pode desencadear
uma série de alterações clínicas de ordem psíquica, como intensa
ansiedade e senso de opressão, e de ordem somática, que ocorre devido a
uma descarga de adrenalina. Ela provoca a aceleração dos batimentos
cardíacos e da respiração, sudorese, secura na boca, tensão muscular,
vertigens, distúrbios gastrointestinais e até movimentos involuntários.
Em
situações extremas, as reações são tão intensas que podem até causar
desmaios, comenta o especialista. E o curioso é que, na maior parte dos
casos, os pacientes não sabem que possuem a fobia. Chegam tranquilos
para realizar o exame, e na hora em que a cama começa a se direcionar
para dentro do túnel, são surpreendidos pela crise de ansiedade.
–
Cerca de 90% dos pacientes não sabem que têm essa fobia. Por isso,
nossa rotina é sempre fazer uma entrevista e um teste. Eles respondem a
um questionário sobre suas vidas e entram no equipamento com um marcador
na mão. Assim que começam a se sentir mal, apertam o botão e a máquina
para.
u Sedação é indicada para exames imprescindíveis
Ainda
que a melhor forma de tratar a fobia seja por meio de uma abordagem
psicológica, nos casos em que o exame é imprescindível e precisa ser
realizado sem demora, a indicação é sedar os pacientes, explica Bruno.
Foi esta a solução encontrada pela professora Ana Claudia para seguir monitorando o coágulo que tem no cérebro:
–
Tenho de fazer o exame de seis em seis meses. Como tive essa crise na
primeira vez e não consegui de jeito nenhum ficar dentro da máquina,
cada vez que vou realizá-lo, sou sedada antes. Dessa forma fico mais
tranquila, e os médicos podem me avaliar da melhor forma.
Assim
como ela, uma média de seis pacientes dos cem que realizam o exame
diariamente no Hospital Santa Casa são sedados. Enquanto alguns
conseguem se tranquilizar com um calmante, outros precisam de anestesia
geral para permanecer os 30 minutos imóvel dentro do temido túnel.
EQUIPAMENTOS MENOS ASSUSTADORES
A
fobia ao aparelho de ressonância magnética, que está no topo da lista
da síndrome do pânico em exames, motivou empresas, hospitais e
cientistas a desenvolverem equipamentos cada vez menos assustadores aos
pacientes. Além de reduzir o barulho e deixar o túnel mais curto e
amplo, alguns locais também passaram a investir em ambientes mais
claros, quentes e aconchegantes. Em determinados hospitais, é possível
inclusive escutar música e observar um céu estrelado enquanto o exame é
realizado.
Fazem sucesso entre os pacientes fóbicos aqueles que
são denominados “Ressonância Magnética de Campo Aberto”. Neles, o
paciente pode realizar o exame em um local menos estreito, o que reduz a
sensação de sufocamento. É preciso discutir com o médico a
possibilidade de substituir o procedimento tradicional por este tipo de
equipamento, já que a definição da imagem é menor, alerta o radiologista
Bruno Hochhegger.
– Também foram desenvolvidos aparelhos com
maior espaço para o paciente, que têm uma definição de imagem muito boa,
mas ainda não são tão difundidos devido aos seus custos – explica.
Até
que as novidades satisfaçam por completo os mais temerosos, a solução é
dialogar com o médico e buscar a melhor solução para o bem-estar do
paciente e a eficácia dos exames.
DICAS PARA ESPANTAR O MEDO
Assim
como o medo do exame de ressonância magnética, outros muito comuns como
de animais, de altura, de elevador são chamados fobias, e costumam
paralisar. Outro tipo de medo bastante comum é o do julgamento do outro,
que é o centro da fobia social. A dica para espantar anseios como
estes, segundo a psicóloga Martha Ludwig, é, primeiramente, o
enfrentamento:
– Quanto mais a gente evita o medo, mais a gente reforça ele, maior ele fica.
"VENCENDO O PÂNICO DA RESSONÂNCIA"
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