04 de abril de 2015
[Image]
QUANDO O PACIENTE DEPRESSIVO
NÃO RESPONDE BEM AOS REMÉDIOS, UM TRATAMENTO QUASE SEM EFEITOS
COLATERAIS PODE AJUDAR A MELHORAR OS SINTOMAS. CONHEÇA A EMT COMBINAÇÃO
DE TRÊS NOVOS MEDICAMENTOS, APROVADOS NESTE ANO NO PAÍS, AUMENTA CHANCES
DE CURA E DIMINUI EFEITOS COLATERAIS
Técnica
não invasiva e quase isenta de efeitos adversos, a estimulação
magnética transcraniana (EMT) é regulamentada para uso clínico desde
2008 nos EUA, há pouco no Brasil, e tem eficácia comprovada para casos
em que pacientes depressivos não respondem bem aos remédios. Mas o
tratamento – aprovado também para o alívio de alucinações auditivas
causados por esquizofrenia – ainda custa caro, não é coberto por planos
de saúde e é desconhecido da maioria dos pacientes e até mesmo de muitos
profissionais.
– Em geral, é indicada (a EMT) para aquelas
depressões que não respondem bem a pelo menos dois ciclos de tratamentos
com fármacos. São os casos que a gente chama de depressão resistente ou
refratária – afirma o psiquiatra Eduardo Martini, que aplica a técnica
desde dezembro do ano passado em Porto Alegre.
A EMT é diferente
de outra já existente, mais antiga e também aprovada para uso clínico no
Brasil: a eletroconvulsoterapia (ECT). As duas se baseiam em
estimulação cerebral, mas a ECT costuma levar consigo o preconceito de
“tratamento de choque”.
– Apesar de ser uma técnica bastante
segura (a ECT), há um certo estigma, e de fato pode trazer alguns
efeitos colaterais, alterações cognitivas e de memória no longo prazo. E
a preparação é mais trabalhosa (o paciente deve ser anestesiado). É
usada em casos mais graves e agudos, de ideação suicida, de apresentação
de psicoses, quando a pessoa perde o contato com a realidade – explica o
psiquiatra André Russowsky Brunoni, pesquisador do Instituto de
Psiquiatria da USP.
Já na EMT, o trabalho é praticamente indolor, sem anestesia, e o paciente pode ficar acordado durante as sessões.
–
Acho que a confusão que se dá por ser um método aplicado na cabeça, no
crânio, mas a EMT não induz convulsão. Existe o risco de induzir? Sim,
existe, mas apenas se a gente não seguir os parâmetros de segurança.
Depois que se estabeleceram esses parâmetros, nunca mais se ouviu falar
em convulsão por EMT – ressalta Martini.
- Método revolucionário em estudo na USP
Hoje,
os valores de uma sessão de EMT giram em torno de R$ 300 –
principalmente pelo custo da máquina (cerca de R$ 200 mil) e da
necessidade de médico acompanhando –, e são necessárias de 15 a 30
diárias para uma reavaliação dos resultados. Uma alternativa ainda em
estudo pode baixar os custos: a estimulação transcraniana por corrente
contínua (ETCC).
– Em vez de um campo magnético, usamos uma
corrente elétrica de intensidade mais baixa (entenda melhor no quadro
abaixo). O aparelho da ETCC é portátil, do tamanho de um livro de mão e
poderia ser usado, em casa mesmo, com orientações – relata Brunoni.
Com
verba da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), uma
grande pesquisa está em andamento no Instituto de Psiquiatria da USP.
–
Se comprovarmos a eficácia (da ETCC), será revoluvionário, pois o
aparelho é bem mais barato (cerca de R$ 2 mil) e a aplicação é ainda
mais simples – diz Brunoni.
Sessões e possíveis aplicações
Na
EMT, a primeira sessão é de avaliação, quando se busca descobrir se o
paciente apresenta contraindicações. Os parâmetros são medidos, assim
como o cérebro, para localizar a região específica a ser estimulada, que
fica marcada em uma touca. Então, são marcadas as sessões.
– Ele
chega e veste a touca que vai usar do início ao fim do tratamento. Com
isso, é possível posicionar a bobina sempre no mesmo lugar. Tem de
estimular sempre o mesmo ponto – conta Martini.
Cada sessão pode
variar de 15 a 30 minutos. E não há contraindicação para atividades
posteriores da pessoa em tratamento, como dirigir, por exemplo.
–
Alguns pacientes podem referir no início do tratamento um pouco de
náusea, dor de cabeça, algum desconforto por prótese dentária – enumera
Martini.
Segundo Brunoni, cada vez mais se propõem sessões de manutenção:
–
Faz as 15 diárias, depois duas vezes por semana por mais 10 ou 15
sessões, aí depois se vai reduzindo até cessar, em torno de seis a nove
meses.
Acredita-se que o tratamento também possa ser indicado
para gestantes, mas ainda se buscam mais evidências. Além disso, são
pesquisadas mais aplicações na área psiquiátrica, como ação sobre outros
sintomas de esquizofrenia, transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos
e bipolaridade.
Também a área neurológica tem futuro promissor
nas técnicas de estimulação, com possível ação em casos de síndromes
dolorosas e recuperação pós acidente vascular cerebral (AVC).
TRATAMENTO DA HEPATITE C TEM AVANÇOS NO BRASIL
Março foi um
mês de avanços na luta contra a hepatite C. A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro de mais um medicamento
via oral indicado para o tratamento da hepatite C crônica. Sofosbuvir é
o terceiro remédio aprovado para a doença desde o começo de 2015 e,
combinado a pelo menos um dos outros dois (daclatasvir ou simeprevir),
compõe um tratamento que oferece cerca de 90% de chances de cura aos
infectados com o vírus. Até então, a porcentagem não passava de 70%.
O
registro dá apenas a permissão para a comercialização do produto no
país. Para que a droga seja distribuída pela rede pública, é necessário
que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS avalie a
viabilidade. A expectativa do Ministério da Saúde é de que essa análise
seja feita até o final deste ano.
Responsável pelo Ambulatório de
HIV e Hepatites Virais da disciplina de Infectologia da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Abrão considera este um momento
revolucionário na luta contra a hepatite C:
– É uma nova era, de tratamento curto, totalmente oral e com quase inexistência de efeitos colaterais.
- Estudos clínicos investigam drogas ainda mais potentes
Junto
a isso, pela primeira vez, o país entrou na rota de estudos clínicos
que avaliarão a resposta de pacientes brasileiros a uma nova geração de
tratamento para hepatite C. Oral e livre de interferon, a medicação já
foi aprovada por agências regulatórias nos Estados Unidos, no Canadá e
na União Europeia. Além de percentual de cura acima de 90%, as drogas
elaboradas pela empresa biofarmacêutica global AbbVie conseguiram
atingir quem mais sofre as consequências da hepatite C: os pacientes em
estágio mais avançado.
– Com essas drogas novas, esses pacientes
vão ter taxas superiores a 90%. Inclusive aqueles com cirrose avançada
(um dos estágios da doença) – explica o hepatologista e professor da
UFRGS Mario Reis, coordenador do estudo no Ambulatório de Hepatites e
Transplantes de Fígado do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Os
estudos que levaram a essa nova intervenção sobre o vírus não podem ser
encarados como a descoberta da cura, lembra o professor titular de
gastroenterologia e hepatologia da UFRGS, Hugo Cheinquer. A
possibilidade de se livrar do vírus na fase crônica existia desde que
surgiu o Interferon, nas décadas de 1970 e 1980. Um dos grandes avanços
da atual fase é em relação aos efeitos colaterais.
– O bacana
mesmo é que o tempo de tratamento está cada vez menor, em 12 semanas, e
agora estão surgindo estudos de oito e até seis semanas. Além disso, as
pesquisas mostram que são baixíssimos os eventos adversos que levam à
interrupção do uso de medicamentos – explica Cheinquer, que coordena o
Ambulatório de Hepatites do Clínicas.
O estudo Topázio III,
aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será
conduzido em 16 centros de pesquisa clínica, em diferentes Estados –
Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. A
previsão é de que os pacientes, já pré-selecionados pelos centros,
comecem a receber o tratamento em maio. TÉCNICAS EM PESQUISA OU JÁ PRATICADAS Os três métodos abaixo trabalham
com a ideia de estimulação de áreas do cérebro. O uso clínico aprovado
hoje no país é apenas para EMT e ECT, em casos de depressão.
[Image]
ELETROCONVULSOTERAPIA (ECT) A mais antiga das técnicas de estimulação
em uso. Começou a ser aplicada entre os anos 1950 e 60.u Mais invasiva
do que as outras, requer anestesia e precisa ser feita em bloco
cirúrgico. É a única das três que conduz convulsões no paciente, que
podem gerar efeitos quase sempre passageiros.u Usadas para casos mais
graves e agudos, como ideias suicidas e psicoses.u Paciente precisa ser
acompanhado por alguém depois das sessões. ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA
TRANSCRANIANA (EMT) Técnica aprovada no Brasil em 2012. O paciente
passa por uma avaliação anterior para determinar as indicações e a
região que será estimulada ou inibida – depende da ação do
neurotransmissor envolvido.u A região da cabeça onde a bobina
eletromagnética será colocada é desenhada pelo médico em uma touca.u A
bobina vai gerar um campo magnético que induz uma descarga elétrica e
libera neurotransmissores. ESTIMULAÇÃO POR CORRENTE CONTÍNUA (ETCC) Eletrodos são posicionados na cabeça e, em vez de um campo magnético,
como na EMT, geram uma corrente elétrica de intensidade bem mais baixa,
mas com a mesma ideia das técnicas já em uso: diminuir ou ativar áreas
do cérebro.u O aparelho é portátil, do tamanho de um livro de mão
pequeno, com custo em torno de R$ 2 mil.u Técnica ainda está em estudo,
tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e na Europa. INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DA EMT É reservada para casos em que a medicação não deu certo ou quando ocorre metabolização rápida dos remédios. Estudos mostram que a técnica tem uma eficácia comparável aos remédios.
Pelo menos 70% dos pacientes têm um bom resultado com sessões de EMT. Quase ausência de efeitos colaterais. Extremamente segura, não traz danos a órgãos colaterais, como fármacos podem causar. Pessoas com dispositivo eletrônico ou metálicos na cabeça,
principalmente implante coclear (auditivos), não devem fazez as sessões.
O campo magnético pode de alguma forma interferir no funcionamento do
aparelho. O campo magnético chega a até 2cm de profundidade.
Pacientes com implante dentário, assim como portadores de placas de
titânio, podem fazer o tratamento sem contraindicação. A USP está selecionando pacientes, de 18 a 75 anos, de ambos sexos, com
sintomas moderados de depressão, tomando ou não medicação, para
participar de pesquisa sobre estimulação elétrica. Com 240 voluntários
previstos, é o segundo maior estudo no mundo. Segundo o psiquiatra e
pesquisador do assunto André Russowski Brunoni, se comprovada a
eficácia, a ETCC pode se tornar uma forte indicação ao tratamento de
depressão. u O tratamento é feito apenas em São Paulo, mas podem se
candidatar voluntários de todo o Brasil. Os interessados podem entrar em
contato pelo e-mail pesquisa.depressao@gmail.com. FONTE:http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4732486.xml&template=3898.dwt&edition=26393§ion=1028
postado por André Ponce da Silva às 12:30 em 4 de abr. de 2015
"REMÉDIO FÍSICO PARA DEPRESSÃO...NOVOS TRATAMENTOS..."
Não foi feito nenhum comentário até agora. -