26 de outubro de 2013 DIAS DIFÍCEIS
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Alto
estresse, junto a
maior sensibilidade
à variação hormonal
podem desencadear
o transtornoPESQUISADORES DA SUÉCIA
DESCOBREM QUE O CÉREBRO FUNCIONA DE FORMA DIFERENCIADA DURANTE A TENSÃO
PRÉ-MENSTRUAL MAIS INTENSA, O QUE PODE SER PREVISTO POR MEIO DE EXAMES
DE NEUROIMAGEM“Mas
essa tal de TPM está arruinando a minha vida, bandida, bandida. Eu não
sei quem ela é, eu não sei o que fazer. Quando chega o dia dela, minha
mulher quer me bater”, canta a irreverente banda de rock paulistana
Velhas Virgens, em Essa Tal de TPM. Mesmo de forma cômica, os músicos
captaram a percepção de quem convive com os desníveis de humor e de
comportamento que acometem cerca de 80% das mulheres. Ainda que comum, a
tensão pré-menstrual não tem explicação. A comunidade científica já
testou uma série de possibilidades sem que ao menos uma se confirmasse
por completo.
A pesquisadora Inger Poromaa, professora de
obstetrícia e ginecologia do Departamento de Saúde das Mulheres e das
Crianças da Universidade de Uppsala, na Suécia, pode estar chegando lá.
Ela apresentou os resultados de um trabalho com mulheres diagnosticadas
com o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) – uma espécie de TPM
mais intensa – no 26º Congresso Europeu de Neuropsicofarmacologia, na
Espanha.
Segundo Poromaa, durante a fase do ciclo menstrual em
que os sintomas do transtorno se manifestam, as mulheres também
apresentam uma função cerebral diferenciada. Não só isso: essa maior
reatividade no cérebro pode ser visualizada em uma fase anterior do
ciclo, prevendo uma certa vulnerabilidade ao transtorno. Para chegar às
conclusões, a ginecologista submeteu 29 mulheres (15 com TDPM e 14
saudáveis) a exames de ressonância magnética no fim da fase folicular
(primeiro dia de menstruação, quando há produção de folículos) e durante
a fase lútea (segunda fase do ciclo menstrual, quando o útero está
pronto para receber o óvulo). Progesterona faz sintomas se intensificarem rapidamente
Existem
dois principais hormônios femininos: a progesterona e o estrogênio. As
duas primeiras semanas do ciclo menstrual, a fase folicular, são
dominadas pelo estrogênio. Esse é o melhor momento do mês para as
mulheres que sofrem de TDPM. A etapa seguinte, a ovulação, dura entre um
e três dias. Logo depois, os hormônios invertem de posição. Na fase
lútea, a progesterona sobressai.
– À medida que o nível dela aumenta, os sintomas intensificam de forma rápida e com uma relação temporal – explica Poromaa.
A
equipe liderada por Inger Poromaa estudou o processamento emocional em
mulheres com TDPM exatamente nas fases folicular e lútea e, ao fazê-lo,
relacionou manifestações comportamentais diretamente com a atividade de
uma área específica do cérebro: a amígdala. Segundo Poromaa, essa região
tem relevância específica para as mulheres com a desordem porque é rica
em receptores de estrogênio e progesterona. Então, partiu da hipótese
de que a maior reatividade da amígdala se daria na fase lútea. O grupo
percebeu o oposto:
– Mulheres com a desordem tiveram esse aumento
no período em que estavam melhores, na fase folicular. Não houve
alteração durante a fase lútea.
Os dados foram interpretados como
um marcador de vulnerabilidade, como se houvesse uma linha de base na
qual, mesmo sem sintomas, elas ainda apresentassem um aumento na
reatividade da amígdala.
– Esse alto nível de atividade responde a
algum estímulo e um é, com certeza, a progesterona. Isso me diz que as
mulheres com a desordem são altamente suscetíveis aos níveis de
progesterona.
Tão logo os níveis da progesterona começam a aumentar, esses receptores da amígdala atenderão o estímulo hormonal.
– Ainda assim, ficamos com a pergunta: o que, então, acontece na fase lútea? – questiona Poromaa.
A conclusão foi a de que a alta reatividade da amígdala é moldada também pela personalidade e pelo contexto social.
AJUSTES
Os
novos resultados puderam ser obtidos ao ajustar alguns detalhes no
estudo. Inicialmente, os estímulos usados eram de reconhecimento de
face. Para o exame de ressonância magnética funcional – que mede a
atividade das áreas do cérebro –, foram usadas imagens com apelo
bastante negativo, que nem sempre provocaram essa reação nas
participantes. O material foi então substituído por estímulos sociais.
As mulheres com TDPM apresentaram aumento da reatividade da amígdala a
estímulos sociais em comparação a estímulos não sociais na fase lútea.
Segundo
o ginecologista Mário Vicente Giordano, da Sociedade de Ginecologia e
Obstetrícia do Rio de Janeiro, esse resultado está a favor dos estudos
modernos, que indicam que a TPM envolve questões genéticas e ambientais.
Hoje, os estudos estão voltados para a hereditariedade genética:
–
Mas achamos que só isso não é possível. Talvez, algumas mulheres sejam
mais suscetíveis a essa variação hormonal e desenvolvem os sintomas.
Giordano
considera que as possíveis condições devem ser unidas à forma como a
mulher vive, incluindo convívio social e profissional.
– Se uma
mulher está sob alto estresse e é mais sensível à variação hormonal,
essas duas condições juntas podem desencadear o transtorno.
Hormônios em atuação - Estrogênio:
domina na fase folicular, nas duas primeiras semanas do ciclo
menstrual. Etapa seguida da ovulação, que dura entre um e três dias.
- Progesterona: domina na fase lútea, que vem após a ovulação
SÓ PALIATIVOS
Sem
uma causa definida e comprovada, não há um tratamento curativo para a
tensão pré-menstrual (TPM) e sua versão mais grave. Hoje, mulheres
buscam formas de pelo menos amenizar os sintomas dos transtornos. Uma
vez por mês, Geruza Cássia de Oliveira, 34 anos, começa a discutir com o
computador, dar respostas atravessadas aos colegas e não tolerar
ingênuos questionamentos da família.
– Muita irritabilidade,
paciência zero. Dou umas patadas e nem percebo. Depois disso, ou tenho
uma grande euforia ou uma depressão inexplicável – relata.
A bancária considera seus sintomas totalmente emocionais, sem muito reflexo fisiológico. A reclamação é generalizada.
– Eles viram para mim e falam: “Você está de TPM”. Eu penso: “Será?”. Olho no calendário e é mesmo.
Ainda
assim, ela não considera os sintomas tão graves. A variação é comum
entre as amigas, a irmã e a mãe. Geruza chegou a conversar com a
ginecologista, que indicou uma medicação que deve ser tomada na semana
em que os sintomas são esperados.
– Como eu não gosto de remédio,
resolvi deixar para lá. Faço atividade física que me ajuda a extravasar
um pouco. Um boxe, por exemplo, para passar a vontade de bater em
alguma coisa – ri.
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Diretora do Departamento de Endocrinologia
Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia, Amanda Athayde explica que, entre os tratamentos
disponíveis, estão os serotoninérgicos.
"TPM NA CABEÇA"
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