Estudo realizado em 20 países identificou que com diagnóstico prematuro o
nível de incapacidade física provocada pela doença se manteve baixo...
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Aos 25 anos, a estudante Ilana Castro sentia um formigamento estranho do
lado direito do corpo. Rosto e dentes também doíam muito desse lado e a
mão direita experimentava um peso constante. Em algumas das suas idas
aos médicos em busca de um diagnóstico e tratamento, ela ouviu que o
problema era odontológico ou resultado de crises de sinusite. Depois de
uma consulta com um neurologista e muitos exames, finalmente, a jovem
descobriu a causa dessa pane no lado direito: a esclerose múltipla (EM).
Apesar
do assombro do diagnóstico, o tratamento feito com uma substância
imunorreguladora chamada de Interferon tem permitido que a jovem dê
continuidade à formação universitária e leve uma vida bem próxima da
normalidade. “Na verdade, quem não me conhece, não desconfia que haja
nada de errado, por isso mesmo, é necessário que as pessoas conheçam e
saibam que é possível viver com esclerose múltipla”, completa.
O
exemplo de Ilana ilustra o resultado de um estudo dos Comitês Americano e
Europeu para Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla em Boston,
Massachusetts, que, ao longo de 11 anos, comprovou que o tratamento
precoce com betainterferona-1b diminui os efeitos das complicações
motoras e sensitivas dos pacientes em estágio inicial da doença, que
atinge o sistema nervoso central e afeta o cérebro e a medula espinhal,
interferindo na capacidade de controlar funções como andar, falar,
urinar e outras. A Associação Brasileira de Esclerose Múlti pla(Abem)
estima que, atualmente, existam 35 mil brasileiros com essa doença
crônica que costuma acometer mais mulheres que homens, entre os 20 e os
50 anos. Estudo O estudo, realizado
em 20 países com 278 pacientes, identificou que, com diagnóstico
prematuro e tratamento precoce, o nível de incapacidade física provocada
pela doença se manteve baixo e estável, com média de 2.0, o que
caracteriza incapacidade mínima. Além disso, a taxa de recaídas também
foi reduzida. Os resultados mostraram que o início do tratamento nestes
pacientes adiou o desenvolvimento da esclerose múltipla clinicamente
definida (CDMS) - e desacelerou o declínio cognitivo mensurado com o
Pasat (Paced Auditory Serial Addition Test – Pasat), uma medida da
função cognitiva que avalia a velocidade e flexibilidade do
processamento de informação auditiva, assim como habilidade de cálculo.
Esses dados sinalizam que quanto mais cedo for iniciado o tratamento da
doença, maior será o retorno positivo para os portadores.
De
acordo com o neurologista e professor da Universidade Federal da Bahia
Ailton Melo, a grande vantagem dessa medicação que, no Brasil, é
distribuída pelo Sistema Único de Saúde, reside no fato de impedir que o
paciente tenha muitos surtos da doença. “A cada surto, o paciente sofre
mais danos no sistema nervoso central, com esses danos, há uma chance
grande dele ter comprometimentos definitivos como a perda da visão ou
até mesmo dos movimentos de pernas e braços”, diz.
Atualmente, a
evolução da esclerose múltipla pode ser medida pelo grau de inabilidade
física, como na Escala Expandida do Estado de Incapacidade de Kurtzke
(EDSS), que se utiliza de oito sistemas funcionais para a classificação.
Os sistemas são: piramidal, cerebelo, tronco cerebral, sistema
sensorial, intestino e bexiga, visão, cérebro, outros. A partir da
avaliação desses, os neurologistas determinam uma pontuação que vai de 0
– exame neurológico normal – a 10 – paciente totalmente incapacitado no
leito, que não comunica, não come nem deglute, resultando morte por
esclerose múltipla.
Causas
A esclerose múltipla é uma doença autoimune onde células do próprio
organismo (células T) agridem o sistema nervoso. Embora a medicina não
consiga dizer com precisão, acredita-se que ela possa ter um fundo
genético, ambiental ou parasitária.
"TRATAMENTO PRECOCE ASSEGURA QUALIDADE DE VIDA PARA PORTADORES DE ESCLEROSE MÚLTIPLA..."
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