Descoberta 29/11/2013
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No total, 121 pacientes tiveram seus exames de eletroencefalograma avaliados Segundo estudo, embora as crises sejam originais de um lado do cérebro, comprometem a memória verbal e não verbal das pessoas.
Uma pesquisa da Faculdade de Medicina (FM) da USP analisou os efeitos na
memória em pacientes que sofrem de epilepsia de difícil controle.
Os
resultados apontaram que as crises, ainda que originais de um lado do
cérebro, afetam ambos os lados do órgão, comprometendo a memória verbal e
não verbal das pessoas.
O estudo do médico Lecio Figueira Pinto
avaliou pacientes com epilepsia, acompanhados no Hospital das Clínicas
(HC) da FM. Foram escolhidos aqueles que apresentam a chamada esclerose
de hipocampo, uma lesão cortical dessa área cerebral que é a causa mais
frequente de epilepsia de difícil controle.
Para o pesquisador,
esse tipo de epilepsia consiste um bom modelo de estudo, pois os
pacientes “apresentam crises que afetam uma parte do cérebro chamada
lobo temporal, mais especificamente o hipocampo, parte crucial nos
processos cognitivos, em especial a memória, o que o torna uma estrutura
chave para que as informações sejam armazenadas e, posteriormente,
recordadas”.
No total, 121 pacientes tiveram seus exames de
eletroencefalograma avaliados, em um estudo retrospectivo que buscou
medir as funções cognitivas das pessoas, o que inclui aspectos como
memória verbal, não verbal, atenção e linguagem.
— O exame
analisado consiste no paciente ficar internado por um ou mais dias, e
durante esse período eles tem a atividade eletroencefalográfica
continuamente gravada e concomitantemente são filmados, de forma a
registrar o que acontece, tanto na hora das crises, como entre elas. Muito a ser esclarecido
Os
dados dos participantes foram estudados estatisticamente, de forma a
comparar se aqueles que apresentavam uma lesão cerebral unilateral, à
direita ou à esquerda, e que apresentaram alteração
eletroencefalográfica unilateral ou bilateral, apresentam também
diferença no desempenho nos testes neuropsicológicos, que incluiu
memória verbal, não verbal, funções executivas, linguagem, escalas de
ansiedade e depressão e questionário de queixas de memória.
Lecio ressalta que, apesar de o assunto ser muito estudado, ainda faltam esclarecimentos.
—
Nesse sentido, resolvemos investigar se, nos pacientes que apresentam
alteração elétrica medida pelo eletroencefalograma que atinge não apenas
o lado onde existe a lesão causadora da epilepsia, existiria maior
impacto sobre memória e outros aspectos cognitivos.
Ele explica
que pacientes com lesão no lado esquerdo no lobo temporal apresentam
alteração de memória que envolve conteúdo verbal, pois as estruturas
presentes neste lado do cérebro são responsáveis pela linguagem e também
pela memorização de conteúdos com significado verbal.
Por outro
lado, pacientes que possuem lesões no lado direito, apresentam
alterações na memorização de aspectos não verbais, incluindo pontos
visuais e espaciais.
Entretanto, a análise dos dados permitiu
identificar que, pacientes com lesão à esquerda têm um desempenho ainda
pior das funções não verbais, ligadas ao lado oposto do cérebro.
—
Conseguimos perceber que o outro lado, com relação à parte afetada
pelas crises, também possui importância e é afetado pelas crises.
O
pesquisador afirma que seria esperado que o paciente com lesão à
esquerda apresentasse o mesmo desempenho na função de memória verbal, já
que este era o lado afetado.
— Também esperávamos que a pessoa apresentasse alteração de memória não verbal pelo acometimento do outro lado.
"CRISES DE EPILEPSIA DE DIFÍCIL CONTROLE AFETAM OS DOIS LADOS DO CÉREBRO"
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