24/01/2013
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A Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM) pediu esta
quinta-feira esclarecimentos à Ordem dos Médicos sobre a “desigualdade”
que existe no tratamento destes doentes e apelou à tomada de uma posição
para acabar com a situação, avança a agência Lusa.
Numa carta enviada esta quinta-feira ao bastonário da Ordem dos
Médicos, José Manuel Silva, o presidente da associação refere que, desde
2011, a associação está à espera de uma resposta ou parecer do Colégio
de Neurologia da OM sobre o tratamento aos doentes de Esclerose Múltipla
(EM).
“Existe desigualdade entre doentes, independentemente do hospital em
que estão a ser tratados e em especial para os novos doentes. Todos os
tratamentos de primeira linha são diferentes pelo que o acesso ao
tratamento não deverá ser restrito, permitindo a individualidade do
tratamento”, escreve Paulo Alexandre Pereira, aludindo à suspensão de
alguns medicamentos para o tratamento daquela doença degenerativa no
Centro Hospitalar de São João, no Porto.
Adianta ainda que os neurologistas de EM estão a fazer o que podem para
que os doentes não fiquem sem nenhuma medicação, mas “infelizmente, não
está nas mãos dos médicos decidir qual a melhor medicação e a mais
adequada a dar aos doentes, mas sim aos conselhos de administração” dos
hospitais.
“Os neurologistas do Colégio de Especialidade da OM e a Ordem estão à
espera que substituam todos os medicamentos de EM por um único, o mais
barato? Será que está a funcionar o Colégio de Especialidade de
Neurologia", questiona.
Contudo, a 15 de janeiro, a OM enviou uma resposta ao presidente das
TEM, assinada pelo bastonário, a explicar que o Conselho Directivo do
Colégio de Neurologia se tem “mantido à margem dos afloramentos de
alarme social” relacionados com a suspensão de um medicamento para a
esclerose múltipla no Centro Hospitalar de São João (CHSJ), por “dever
de reserva em relação ao Conselho Nacional Executivo”.
“A avaliar pelas notícias e pelos comunicados, o modo como o CHSJ
determinou a suspensão do medicamento poderá não ter primado pela
elegância. Mas na nossa percepção, a segurança e a eficiência
terapêutica não foram comprometidas. Não recebemos queixas de médicos,
nem de doentes”, refere a nota da OM.
A OM refere que “os doentes deverão entender-se com os seus médicos
neurologistas (altamente diferenciados nesta doença). Em nossa opinião, a
transferência da relação médico-doente para a praça pública não nos
parece razoável”.
Em declarações à Lusa, o presidente da TEM lamentou esta posição e, por isso, decidiu pedir mais esclarecimentos à Ordem.
A OM disse que vai ser ouvida, a este propósito, numa comissão
parlamentar e que “não diz nada enquanto as coisas estiveram a ser
discutidas na praça pública".
"Entretanto os hospitais fazem o que querem e qualquer dia estamos todos a tomar Rennie”, afirmou.
Paulo Pereira sublinhou que “há hospitais que não estão a
disponibilizar toda a medicação aos doentes, a melhor e a mais
adequada”.
“Em Agosto de 2011, o hospital de Braga pôs um medicamento único aos
novos doentes. Todos os outros doentes continuaram com toda a medicação.
Não estamos aqui num princípio de igualdade e equidade”, acrescentou.
Em Outubro de 2012, “o Hospital de São João, por birra com o laboratório, suspendeu dois dos três interferões”, lamentou.
Em Novembro, a directora clínica do S. João, Margarida Tavares,
garantiu que "o princípio activo dos medicamentos é o mesmo e não há
nenhuma evidência neste momento que permita afirmar que são diferentes".
O HSJ informou recentemente ter pedido à Inspecção-geral de Actividades
em Saúde uma auditoria aos procedimentos que adopta para tratar a Esclerose Múltipla. FONTE:http://www.rcmpharma.com/actualidade/politica-de-saude/24-01-13/doentes-com-esclerose-multipla-pedem-explicacoes-ordem-dos-me
postado por André Ponce da Silva às 10:22 em 24 de jan. de 2013
"DOENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA PEDEM EXPLICAÇÕES Á ORDEM DOS MÉDICOS"
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