05 de novembro de 2012 Uma terapia baseada em células-tronco embrionárias para
degeneração macular relacionada à idade (DMRI) - principal causa de
cegueira entre idosos - começará a ser testada em humanos no início de
2013. O anúncio foi feito pelo cientista britânico Pete Coffey, da
University College London, durante o 7º Congresso Brasileiro de
Células-Tronco e Terapia Celular, realizado em São Paulo em outubro. A pesquisa britânica está sendo conduzida no âmbito do London Project
to Cure Blindness, uma parceria entre Coffey e o cirurgião Lyndon da
Cruz, do Hospital Moorfields Eye, de Londres.
A técnica, que consiste em aplicar na região afetada da retina uma
espécie de curativo contendo células-tronco embrionárias já
diferenciadas em células da retina, foi testada com sucesso em ratos,
camundongos e porcos. "Agora, vamos testá-la em dez pacientes. Um grupo
pequeno e bem específico no início, pois o objetivo é avaliar a
segurança do tratamento", disse Coffey.
Segundo o pesquisador, a DMRI acomete a região central da retina,
conhecida como mácula, onde há grande concentração de fotorreceptores
responsáveis pela visão de cores e detalhes. Abaixo dessa camada de
fotorreceptores, existe o epitélio pigmentado e, ainda mais abaixo, a
membrana de Bruch. Com o envelhecimento, nos indivíduos predispostos restos celulares
começam a formar cristais no fundo do olho conhecidos como drusas, que
destroem os fotorreceptores e provocam proliferação anormal de vasos
sanguíneos sob a retina. Isso afeta a integridade da mácula e compromete
a visão central e a capacidade de distinguir cores.
A doença é comum em pacientes com mais de 55 anos e chega a atingir
mais de 25% das pessoas acima de 75 anos. Cerca de 90% dos casos
correspondem à forma seca da doença, de evolução lenta e ainda sem
tratamento.
Os demais pacientes apresentam a forma úmida, bem mais agressiva e
caracterizada por hemorragias que comprometem o tecido da retina. O
tratamento atual consiste em aplicação de lasers ou injeção de drogas
que inibem a formação de novos vasos sanguíneos na região. "Nos casos
mais graves, a camada intermediária da retina (epitélio pigmentado) se
rompe levando à perda de visão nesse ponto. Esses casos são os que
pretendemos tratar", disse Coffey.
Inicialmente, a equipe do projeto inglês desenvolveu uma técnica
cirúrgica que consistia em retirar células saudáveis do epitélio
pigmentado do próprio paciente e transplantá-las para a região afetada.
"Tivemos bons resultados, mas a cirurgia é demorada, pode durar até três
horas, o que aumenta muito os riscos", disse Coffey.
Para diminuir o tempo e o risco da operação - e poder beneficiar
pacientes com estágios menos avançados da doença -, os cientistas
tiveram a ideia de aplicar na camada intermediária da retina uma
membrana previamente preparada em laboratório contendo células de
epitélio pigmentado obtidas a partir de células-tronco embrionárias
humanas. "Nos testes em animais não registramos formação de tumores,
pois o processo de diferenciação celular ocorre em laboratório. Se a
terapia também se mostrar segura em humanos e se conseguirmos manter uma
boa visão em três ou quatro dos dez primeiros pacientes, os testes
clínicos serão considerados bem-sucedidos", disse Coffey.
"CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS SERÃO TESTADAS EM TRATAMENTO DE RETINA"
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