Férias sem preocupação 08/02/2014
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Previna-se da trombose, causada pela
imobilidade prolongada, comum em viagens que obrigam a pessoa a ficar
sentada por horas na mesma posição.
Rodar estradas e olhar as paisagens. Voar rumo ao descanso. É difícil
que algum contratempo estrague o prazer de viajar nas férias de verão.
Mas fique atento se você é portador de doença cardíaca, tem varizes e
não costuma dar aquela paradinha para esticar as pernas. A trombose pode
ser a lembrança ruim de um de seus passeios.
Causada pela imobilidade prolongada, comum em viagens aéreas e
terrestres que obrigam a pessoa a ficar sentada por horas na mesma
posição, a trombose venosa profunda é causada por pequenas lesões nos
vasos das pernas. Também é comum em casos de repouso longo por doença e
após cirurgias.
— Acontece muito nessa época do ano, quando as pessoas colocam os
pais mais idosos no carro, em viagens de seis a oito horas. É importante
saber que tem de parar a cada duas horas, fazer exercícios, evitar
álcool e sedativos e tomar água — diz Regis Angnes, cirurgião vascular
do Sistema de Saúde Mãe de Deus.
Paradas para caminhar são importantes na viagem
Segundo ele, fazer uma paradinha e caminhar por cinco minutos, em
média, ajuda a estimular a panturrilha, que faz a função de coração
periférico. Ou seja: quando a pessoa se movimenta, impulsiona o sangue
em direção ao coração. No caso de pacientes que se encontram em repouso
prolongado, a recomendação é iniciar caminhadas e fazer fisioterapia o
quanto antes. A dica vale não só para idosos: os mais jovens também
devem se cuidar. Principalmente se, além de problemas cardíacos,
ortopédicos e varizes, a pessoa tiver alterações hormonais, diabetes ou
for gestante. Em todos esses casos, é recomendado usar a meia elástica.
O motivo para a preocupação, explica Angnes, é que o coágulo em uma
veia da perna pode subir para o pulmão e pode causar uma embolia fatal. A
aposentada Maria Manoela Nunes, 64 anos, conhece bem o assunto. Há 13
anos, ela passou 14 dias na UTI. Depois do susto, mudou para sempre o
cuidado com as pernas. Tudo começou com uma dor repentina, que ela
acreditava ser muscular, na barriga da perna:
— Ficou doendo quase uma semana. Eu colocava embaixo da água quente e
não parava. Até que desmaiei. Tive uma complicação e fui hospitalizada
imediatamente.
Pela gravidade do caso, Maria teve de tomar anticoagulante para
melhorar. Desde então, ela monitora a cada quatro meses e realiza
exames. Também faz exercícios e usa meia elástica. Entre as sequelas,
diz que os quatro centímetros de diâmetro a mais na perna e um problema
para calçar o sapato do pé esquerdo são as que mais incomodam.
Pílula pode causar trombose?
Professor de medicina ginecológica da UFRGS, Paulo Naud explica que
atualmente as pílulas têm baixa dosagem de hormônios e, de modo geral,
em pessoas saudáveis e não fumantes, não há risco de trombose.
— A contraindicação é se a pessoa tem alguma doença tromboembólica ou
algum outro problema de saúde grave, como cirrose, hepatite, ou outras
doenças do fígado. Para a população em geral, não existe contraindicação
pela chance de tromboembolismo. Segundo Naud, o tipo de hormônio
utilizado como método contraceptivo deve ter indicação médica.
Risco de trombose
Pessoas idosas, com varizes, doença cardíaca, câncer, diabetes,
fumantes, gestantes ou que fazem reposição hormonal são potenciais
desenvolvedores de trombose e devem atentar para a prevenção.
Prevenção
Evite ficar muito tempo sentado ou em pé na mesma posição. Faça
caminhadas e repouse com as pernas elevadas. O uso da meia elástica,
trocada a cada seis meses, também é recomendado.
Sintomas
Dor, inchaço e vermelhidão.
Tratamento
Para identificação, é indicado consultar um cirurgião vascular. O
diagnóstico é feito com exame clínico com auxílio do Ecodoppler e o
tratamento é realizado com o uso de anticoagulante. Em casos graves, o
cateterismo pode ser utilizado.
"SE FOR VIAJAR EVITE TRAZER UMA TROMBOSE COMO LEMBRANÇA"
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