Para muitos praticantes de atividade física, essa ideia soaria
ridícula a primeira vista: escolha justamente a máquina de exercícios
cardiovasculares menos popular de toda a academia – uma que envolva
sentar-se e escorregar interminavelmente para frente e para trás – e
faça uma aula só disso. Sim, a velha e empoeirada máquina de remar acaba
de ser tirada do canto da sala, ressurgindo em exercícios de grupo e
academias especializadas em todo os Estados Unidos, atraindo multidões e
defensores leais, muitos dos quais nunca pegaram em um remo.
Em
Nova Jersey, Ericka Sullivan resistiu por um ano aos chamados do marido,
um executivo de marketing, para que fizessem uma aula.
– Não há
absolutamente nada de animador em ficar entediado, e remar parecia ser
uma atividade bastante entediante – afirmou Ericka, 35 anos, que acabou
por aceitar o desafio. – Mas os intervalos passam bastante rápido.
Seus medos de ficar com ombros gigantes de remador nunca se materializaram:
– Estou mais comprida e mais magra.
Em
uma academia em Greenville, Carolina do Sul, operada por Lowell Caylor,
72 anos, um grupo composto especialmente de mulheres com mais de 45
anos se juntou às sessões de remo. Já foram registrados 137 milhões de
metros remados (isso equivale a três voltas e meia ao redor da Terra),
superando todos os rankings registrados pela fabricante de máquinas de
remo Concept 2, pelo quarto ano seguido, afirmou Caylor.
– Todas
essas pessoas que vêm para cá achando que não levam jeito para
atividades físicas e competição descobrem justamente o contrário –
afirmou Caylor. u Mais calorias queimadas do que no spinning Sua
“equipe”, como chama os clientes, inclui ex-corredores que tiveram
tornozelos e joelhos lesionados e que gostam do fato de que o remo seja
puxado, mas não coloque peso sobre as pernas. Uma vez que ele usa
praticamente todos os grupos musculares, remar a 8 km/h queima a mesma
quantidade de calorias que correr a 10,7 km/h, afirmou Michele Olson, 52
anos, professora de ciências dos exercícios físicos na Universidade
Auburn. Sim, afirmou, a atividade queima mais calorias do que o
spinning.
Ainda assim, remar na máquina nem sempre é uma ideia
fácil de vender. A música não ajuda a distrair e é impossível remar
conforme o ritmo. Além disso, diferentemente de outras máquinas
cardiovasculares, o remo não é intuitivo. A técnica apropriada precisa
ser ensinada, mas muitos treinadores não a conhecem.
Charles
Anderson, 30 anos, toca a música Push It, de Salt-N-Pepa, como uma
brincadeira para ajudar os clientes a se lembrarem da técnica.
– A
maior parte das pessoas acredita que o remo é um exercício para os
braços e crê que seja um movimento de puxar. Na verdade, o principal
movimento é o de empurrar. Você empurra com as pernas. COURTNEY RUBIN | The New York Times
UMA ONDA DE EXERCÍCIOS EM NOVA YORK
Terry
Smythe, remadora experiente de 56 anos, viaja pelos Estados Unidos para
dar certificados de remo indoor a instrutores. Ela afirmou que os
negócios mais que duplicaram nos últimos três anos. Também existe uma
nova onda de novos exercícios de remo chegando a Nova York. A Brooklyn
Crew, primeira academia da cidade dedicada exclusivamente ao remo
indoor, começou a funcionar em abril com aulas de 45 minutos dadas por
ex-treinadores de remo. Outras estão a caminho da inauguração.
Juliana
Garofalo, professora de inglês de 28 anos, não quer largar a prática
depois de perder 4,5 quilos em um mês com aulas quatro vezes por semana.
–
Durante anos eu não achava a coisa certa para fazer e que me desse os
resultados que esperava – afirmou Juliana, que tentou spinning, ioga e
os DVDs da Jillian Michaels (uma personal trainer americana que tem um
reality show).
Seu histórico recente de (falta de) exercício
incluiu entrar para uma academia a duas quadras de casa, aonde foi uma
única vez em oito meses, de forma que ela temia que as seis quadras até a
Brooklyn Crew “fossem demais”.
"MEU TREINADOR, MEU TIMONEIRO"
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