Ciência da mente 29/08/2013
[Image]
Pesquisa mostra que a forma de manifestação da depressão muda conforme o sexo. Pesquisa da UCPel mostra que a doença pode ter reações diferentes de acordo com cada gênero.
Quando estão deprimidas, 70% das mulheres perdem o desejo sexual. Entre
os homens, o índice é de 40%. Enquanto elas admitem que a doença tem
causas internas, eles tendem a creditar a tristeza a situações externas,
como o clima ou problemas no trabalho.
Um estudo recém publicado
pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) mostra que a forma de
manifestação da depressão muda conforme o sexo, o que aponta para
possibilidades de tratamentos específicos para homens e mulheres.
Isso
abre precedente para que os profissionais se questionem com relação ao
método a ser adotado de acordo com o sexo do paciente. A hipótese da
melhora diferenciada entrou pela primeira vez na bíblia dos psicólogos e
psiquiatras – o guia de doenças mentais, chamado Diagnostic and
Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) – só na última edição, em
junho deste ano.
E mesmo lá não há respostas concretas – apenas
um indicativo de que a questão tem que ser melhor estudada daqui para
frente. Já a tese de doutorado em saúde e comportamento da psicóloga
Mariane Lopez Molina indica alguns caminhos. O perfil traçado por ela
com base na comparação dos sintomas revela que as mulheres choram mais,
se deprimem mais e têm mais dificuldades para tomar decisões.
Mas
os dois itens que mais chamam a atenção são o da perda de libido e o
fato de os homens apontarem fatores externos como causa da depressão até
12 vezes mais do que elas. Ou seja, eles se enganam com os próprios
sintomas, dizendo que o problema não é com eles, mas tudo culpa daquele
chefe que pega no pé, da previsão do tempo horrorosa ou do excesso de
trabalho.
— As mulheres tendem a ser mais abertas e, por isso,
assumem mais facilmente a doença. Por causa da característica de falar
mais, também identificamos que um certo tipo de tratamento era mais
apropriado – afirma Mariane.
Foram testados dois tipos de
métodos. Um se chama “psicoterapia cognitiva narrativa”, em que o
paciente elege quatro episódios da vida que ele acredita serem
responsáveis pela depressão e faz uma conversa com o psicólogo para
aprender a lidar com eles. Esse foi considerado mais propício para
mulheres, justamente pela característica de conseguir se expressar
melhor.
O segundo é a “psicoterapia cognitivo comportamental”,
em que o psicólogo ajuda o paciente a identificar comportamentos
disfuncionais e ensina a readequá-los ao seu contexto. Esse tipo, em que
muitas vezes se utiliza um diário para que o paciente se dê conta de
sua realidade, foi melhor recebido pelos homens.
Psicoterapias estudadas foram pensadas para o SUS
Também
estudioso do assunto, o psicanalista Christian Dunker, professor do
Instituto de Psicologia da Uuniversidade de São Paulo (USP), aponta que
há outras terapias eficazes como a psicanálise, que é de longa duração.
Porém as psicoterapias estudadas foram analisadas justamente por serem
de curta duração (sete sessões) para serem indicadas ao uso no Sistema
Único de Saúde. No entanto, Dunker reconhece a lógica do estudo.
— A
diferença apontada ainda faz algum sentido pois no caso do homem é de
fato importante transformar os esquemas interpretativos da realidade
enquanto no caso da mulher a recuperação do déficit narrativo é muito
importante – explica.
A tese de Mariane, que faz parte da Equipe
de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em saúde e comportamento da
UCPel, foi composta por duas pesquisas, realizadas entre 2007 e 2012. O
trabalho contou com 1560 entrevistados. Durante os trabalhos, 137
pacientes realizaram a psicoterapia proposta.
[Image]
[Image]
[Image]
[Image]
[Image]
[Image]
[Image]
[Image]
"ESTUDO MOSTRA QUE MULHERES SE CULPAM POR DEPRESSÃO ENQUANTO HOMENS CREDITAM A FATORES EXTERNOS"
Não foi feito nenhum comentário até agora. -