29 de setembro de 2012
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Bursites, tendinites, problemas de coluna, artrose e atrite reumatoide são apenas alguns tipos dessa doença
Os
incômodos nos dedos foram os primeiros sinais de que algo não ia bem
com a saúde de Nelson Kumai, 63 anos. Porém, as dicas que o corpo dava
foram ignoradas durante cerca de um ano.
Foi só depois de
fraturar um dos pulsos que o aposentado descobriu ter artrite
reumatoide. O diagnóstico, há 11 anos, veio acompanhado por um termo
assustador: incurável. Palavra que hoje Kumai prefere substituir por
controlável.
A demora no diagnóstico, segundo especialistas, é o principal vilão no tratamento de doenças reumáticas.
–
A imensa maioria protela (a ida ao médico). Como no começo não é uma
dor muito forte, o paciente acaba se automedicando com paliativos. Vai
mascarando a doença – avalia Kumai, que atualmente integra a diretoria
do Grupo de Apoio aos Pacientes Artríticos de São Paulo (Grupasp).
Conforme
o Ministério da Saúde, há mais de uma centena de doenças reumáticas –
cada uma com diferentes subtipos. As mais comuns são as bursites,
tendinites, problemas de coluna, além de doenças como a artrose, a
osteoartrite, a artrite reumatoide, a osteoporose e a fibromialgia. E,
ao contrário do que muitos pensam, atingem gente de todas as idades – de
crianças a idosos –, em ambos os sexos.
– Pensar que reumatismo é
“coisa de velho” não é sabedoria popular, mas uma crença que deve ser
esclarecida, desmistificada. Os reumatismos podem aparecer na infância
ou em pessoas bem idosas – explica o ex-presidente da Sociedade
Brasileira de Reumatologia, Fernando Neubarth.
O susto do diagnóstico
Moradora
de Pelotas, no sul do Estado, Ângela Marina Macalossi descobriu o
problema aos 21 anos. Ela tem espondilite anquilosante, conhecida como a
“doença do bambu” por agredir a coluna e, em casos extremos, deixá-la
curvada. Mais comum em homens, costuma aparecer em jovens com idades
entre 15 e 30 anos. Para ela, foi um susto:
– Eu não conseguia
levantar da cama. Aos 21 anos, ouvi de um médico que teria de me
acostumar com a dor. Tu vês pessoas em estado terminal e não quer isso
para tua vida – conta.
Aos 31 anos, a estudante de restauro e
especialista em patrimônio cultural vive com mais qualidade de vida. Faz
tratamento com medicação biológica (feita a partir de moléculas
humanas) e pratica pilates. Admite que aprendeu a conviver com os
limites:
– A minha profissão de restauro exige um pouco da minha
postura. Também tem a repetição de movimentos. Tenho de ser
disciplinada. Não posso esquecer da medicação nem deixar a atividade
física e os alongamentos.
Como a espondilite é uma doença
autoimune (é como se o corpo agredisse o próprio corpo), ela redobra os
cuidados durante o inverno.
– A imunidade pode baixar, então um simples resfriado precisa de atenção – atenta a restauradora.
carla.dutra@zerohora.com.br
*A editora acompanhou o Congresso Anual da Liga Europeia Contra o Reumatismo (Eular), a convite do Abbott, em Berlim (Alemanha)
CARLA DUTRA*
Só lesões e envenenamentos afastam mais do trabalho
Conforme
dados do Ministério da Previdência Social, as doenças reumáticas são as
que mais afastam funcionários do trabalho no Brasil. Dados de janeiro a
março deste ano mostram que, de 511.564 auxílios-doença concedidos pelo
governo (com mais de 15 dias de afastamento), 93.703 foram por doenças
reumáticas – o correspondente a 18,31%. Só as lesões (como traumatismos)
e envenenamentos tiram mais trabalhadores do serviço.
A artrite
reumatoide afastou do trabalho Silvana Spinatto Schereshewsky, 54 anos.
Ela descobriu a doença depois do parto do filho, há 19 anos. Na época,
era professora em escola de educação infantil. As dores, a vermelhidão e
o inchaço nos pés, tornozelos e joelhos dificultavam a locomoção. A
doença também a fez ser barrada em dois concursos públicos.
–
Mudei meu ritmo. O que eu levava 15 minutos para fazer, hoje levo duas
horas. Mas sempre penso que amanhã vou estar melhor – afirma Silvana.
Diagnosticada
logo depois da primeira crise, ela preferiu adiar o começo do uso dos
anti-inflamatórios para poder amamentar. Desde então, passou por
diferentes tratamentos e, há cerca de três meses, usa o Humira, um dos
remédios biológicos disponibilizados pelo SUS, aplicado a cada 15 dias.
A
estimativa é de que as doenças dos ossos e das juntas, como a artrite,
causem a incapacidade de 4% a 5% da população adulta. A importância do
diagnóstico e do tratamento precoces foram abordados durante o Congresso
Anual da Liga Europeia Contra o Reumatismo (Eular), neste ano, em
Berlim. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais chances de retardar a
progressão da doença. O reumatologista Fernando Neubarth destaca que há
reumatismos que, quando tratados, podem entrar em remissão (não
progredir mais):
– O problema é que, muitas vezes, deixam sequelas ou deformidades que podem comprometer o bem estar do paciente por toda a vida.
Osteoartrite atinge 15 milhões no Brasil
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Somente uma das doenças reumáticas, a osteoartrite (que causa dor nas articulações), atinge 16,5% da população maior de 45 anos e até 65% das pessoas acima de 60 anos
Para lidar melhor com o reumatismo
> Aceitar a doença.
> Procurar informações sobre a doença e orientações, se possível, de uma associação ou de um grupo de apoio.
> Entender que, embora incurável, a doença é controlável.
> Aderir aos tratamentos e segui-los à risca.
> Sob orientação médica, usar tratamentos medicamentos que retardem a aceleração da doença.
O valor de compartilhar experiências
Grupos
de apoio são apontados por reumatologistas e pacientes como componentes
importantes no tratamento de quem sofre com doenças reumáticas.
Costumam ser um porto seguro para quem busca informações sobre
reabilitação ou para quem se vê obrigado a conviver com uma doença
crônica – que, em muitos casos, causa depressão.
Criado há 28
anos, o Grupo de Pacientes Artríticos de Porto Alegre (Grupal) é um dos
pioneiros na América Latina. Com 678 associados, ajuda não apenas em
questões médicas, mas também burocráticas. A ONG sobrevive com doações
de empresas e contribuições de pessoas físicas. Sócios que têm condições
financeiras contribuem de forma espontânea.
– Começou no consultório de um reumatologista, na sala de espera – diz a gerente-administrativa Roberta Reis.
Atendimento
psicológico e de uma nutricionista, pilates, ioga, dança, atividade
física direcionada a pacientes de espondilites e de artrites reumatoides
estão entre os serviços oferecidos – todos gratuitos. Além disso, o
Grupal conta com uma assessoria jurídica que orienta associados sobre a
documentação necessária para se conseguir, junto ao governo,
medicamentos ofertados pela rede pública.
Foi por sugestão da
reumatologista que a acompanha que Ângela Marina Macalossi procurou o
grupo. Os anti-inflamatórios não faziam os sintomas cessarem, e a
recomendação era mudar a medicação – que custa cerca de R$ 7 mil por
mês. No Grupal, ela recebeu orientação sobre como buscar, na Justiça, o
direito de receber gratuitamente, pelo SUS, o remédio que necessitava.
– Atualmente, não tenho as dores horríveis. Há desconforto e, muitas vezes, cansaço – relata.
O Grupal > Endereço: Rua dos Andradas, 1.332, 6º andar, centro de Porto Alegre
> Telefone: (51) 3028-5646
> E-mail: contato@grupal.org.br
> Site: www.grupal.org.br
Problema atinge mais mulheres
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O impacto de uma artrite reumatoide (AR) pode ir além das articulações. Dor, depressão e risco de doenças cardiovasculares, em muitos casos, acompanham a doença, conforme destaca Klaus Krüger, do departamento de Reumatologia da Universidade de Munique, na Alemanha. Segundo ele, 1% da população mundial tem AR, e a maioria dos pacientes é diagnosticada entre os 40 e 60 anos. Do total, 70% são mulheres.
FONTE:http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a3900854.xml&template=3898.dwt&edition=20506
postado por André Ponce da Silva às 07:40 em 29 de set. de 2012
"AS DORES DO REUMATISMO"
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