11 de abril de 2015 [Image]
Pesquisa mostra que o cigarro é pior do que se pensava. Mas o que preocupa é que nada disso sensibiliza os fumantes...
Um
novo estudo sobre a relação entre cigarro e morte tornou ainda mais
nefasto o ato de fumar, embora sejam mínimas as chances de que essas
informações convençam milhões de pessoas a abandoná-lo. Se elas não
reagem à relação mais que bem estabelecida entre o fumo e as 21 doenças
que, juntas, causam 480 mil mortes por ano somente nos Estados Unidos,
acrescentar outras cinco enfermidades e mais 60 mil mortes a essa lista
tende a não fazer diferença. – Os efeitos na saúde não são
suficientes para diminuir o número de fumantes – afirma Brian Carter,
especialista em saúde pública da Sociedade Norte-Americana de Câncer e
autor da pesquisa.
Entretanto, ele e os colegas que participaram
do trabalho esperam que a publicação no New England Journal of Medicine
faça com que os médicos sejam mais veementes ao tentar convencer os
pacientes a acabar com o vício.
Nos EUA, 90% dos fumantes começam
antes dos 19 anos. A cada dia, quase 3,9 mil adolescentes experimentam o
primeiro cigarro, sendo que metade está destinada a manter o hábito.
Desses, quase 30% acabarão morrendo vítimas de alguma doença relacionada
ao fumo – isso representa 5,6 milhões de jovens, hoje com menos de 18
anos, que vão morrer prematuramente por causa do cigarro.
Muitos
especialistas temem que a publicidade agressiva do cigarro eletrônico, o
mais novo recurso para criar a dependência da nicotina, possa acabar
garantindo um mercado robusto para a versão real nas próximas décadas.
Não existem dados para estabelecer a segurança desse método em longo
prazo, nem provas convincentes de que ajudem os fumantes a deixarem o
hábito.
Medidas para redução
Desde que o
Surgeon General, principal órgão da saúde pública dos EUA, divulgou seu
primeiro relatório sobre fumo e saúde, em janeiro de 1964, houve um
tremendo progresso na redução do número de fumantes. Na época, 44% dos
adultos fumavam – e praticamente em todo lugar. Hoje, são 18%. Só que
essa redução vem diminuindo nos últimos anos, reforçando a crença de
que, para acabar com o vício dos mais resistentes, será necessária a
criação de novas estratégias.
Por exemplo, a sugestão de aumentar
os impostos dos cigarros sempre surge como opção eficaz, principalmente
porque inibe os jovens de começar. Entretanto, o número de fumantes é
maior entre os pobres: enquanto 17% dos norte-americanos na linha da
pobreza – ou pouco acima dela – fumam, esse número sobe para 28% entre
os que vivem abaixo desse nível. Desde 1997, a taxa de adultos fumantes
caiu 27%, mas entre os mais pobres, apenas 15%.
Possível relação de causa e efeito Milhões
de norte-americanos convivem com doenças crônicas causadas pelo
cigarro, que reduzem sua produtividade e aumentam drasticamente os
custos com a saúde. Embora doenças cardíacas, o acidente vascular
cerebral (AVC), diabetes, doenças pulmonares crônicas e 12 tipos de
câncer já estivessem relacionados ao vício, o novo estudo acrescentou a
essa lista falência renal, bloqueio dos vasos sanguíneos intestinais,
infecções, vários tipos de doenças respiratórias, hipertensão, câncer de
mama e de próstata.
Um estudo dessa natureza, que acompanhou
cerca de um milhão de homens e mulheres de 2000 a 2011, não pôde provar
que o fumo causa todos esses males, mas o fato de que o risco de
desenvolvê-las cai em proporção ao número de anos que a pessoa parou de
fumar sugere fortemente uma relação de causa e efeito.
– Essas 60
mil mortes por ano adicionais também associadas ao fumo a partir dessa
pesquisa representam o resultado de todas as vítimas de acidentes de
carro, gripes e assassinatos juntos – afirmou Brian Carter.
Ele
acrescentou que as novas conclusões não são “incrivelmente
surpreendentes”, uma vez que o cigarro contém milhares de produtos
químicos, muitos dos quais prejudicam a função imunológica. Ainda assim,
afirmou que a morbidez associada ao fumo é muito maior que a
mortalidade.
Pior mal que se pode fazer à própria saúde Ao
contrário da morte por doença causada pelo cigarro, que é um evento
único, o desenvolvimento de uma doença crônica pelo mesmo motivo pode
ter efeitos debilitantes durante décadas.
– Fumar é o pior mal
que alguém pode infligir à própria saúde. As pessoas subestimam a
eficiência viciante do cigarro – afirma Carter. E cita o caso dos
avós, que fumaram durante décadas e tentaram parar várias vezes, sem
sucesso. Os dois sofreram de insuficiência coronária congestiva e
enfisema antes de morrerem de gripe, aos 72 anos. JANE E. BRODY - THE NEW YORK TIMES FONTE:http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4737324.xml&template=3898.dwt&edition=26437
postado por André Ponce da Silva às 07:52 em 13 de abr. de 2015
"CINCO NOVAS DOENÇAS..."
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