27 de outubro de 2012
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Para FHC, guerra contra as drogas fracassou.Líder da Comissão Global de Políticas sobre Drogas, FHC defende que governos criem modelos de controle da planta. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, líder da Comissão Global de
Políticas sobre Drogas, defende o uso da maconha para fins medicinais,
desde que governos adotem políticas de regulação e os efeitos
científicos sejam comprovados. Nesta semana, ele levou o debate pela
primeira vez ao Leste Europeu e apontou para a crise que a região
enfrenta. Em Varsóvia, na Polônia, reuniu ex-chefes de governo,
especialistas e empresários para debater modelos que possam fazer
avançar sua constatação de que a guerra contra as drogas fracassou e
novas estratégias precisam ser encontradas. A seguir, trechos da
entrevista de FHC ao Estado. Qual a situação das drogas no Leste Europeu? Além da violência, existe forte crise de
saúde pública e abuso de direitos humanos. O problema central é o
consumo de drogas injetáveis - heroína - e sua relação com a pandemia de
HIV. Na Rússia e em outros países da região, a epidemia de HIV continua
crescendo. Hoje, 1 em cada 100 adultos é HIV positivo na Rússia e 80%
dos novos casos estão ligados ao uso de drogas injetáveis ou sexo com
parceiros que usam drogas. E faltam políticas amplas de redução de danos
e tratamento. A ONU constata que o Brasil tem se transformado em plataforma
da passagem da droga entre Andes e Europa. O governo atua de forma
suficiente? Como frear esse uso do território nacional? Isso
não é novo. O Brasil, além de ter se tornado um grande consumidor, é um
país de trânsito de drogas. A maioria dos países tem se preocupado com
suas fronteiras e investido em inteligência, mas temos visto que o foco
excessivo na redução da oferta não resolve o problema das drogas.
Enquanto houver demanda, os traficantes darão um jeito de fornecer as
drogas. Por isso defendemos uma estratégia mais equilibrada, que possa
reduzir os danos. O sr. é a favor de liberar maconha para uso medicinal? A comissão tem uma posição sobre isso?
Hoje,
17 Estados norte-americanos e países como Holanda e Israel têm
programas de fornecimento de maconha medicinal para pacientes com Esclerose Múltipla, ansiedade e efeitos colaterais como náuseas e perda
de peso causadas por quimioterapia e tratamentos para HIV. Os mais
modernos estudos demonstram que drogas lícitas como álcool e tabaco
causam mais danos à saúde que maconha. A recomendação é que os governos
experimentem com modelos de regulação da maconha para reduzir os danos
sociais de sua proibição e permitir o acesso ao medicamento nos casos
clínicos comprovados. Que impacto teria a regulação? A regulação
corta o vínculo entre traficantes e consumidores e facilita o acesso a
tratamento para os que necessitam. Regular não é liberar, mas criar
controles e restrições sobre a produção, comércio e consumo de uma
substância, para desencorajar e controlar de fato esse mercado, que hoje
está nas mãos de organizações criminosas. A espetacular redução no
consumo de tabaco na Europa e na América mostra que prevenção e
regulação são mais eficientes que proibição e punição. FONTE:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,regulacao-da-maconha-medicinal-reduziria-danos-diz-fernando-henrique,951594,0.htm
postado por André Ponce da Silva às 06:08 em 28 de out. de 2012
"REGULAÇÃO DA MACONHA MEDICINAL REDUZIRIA DANOS, DIZ FERNADO HENRIQUE CARDOSO"
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