A cura pelo novo 20/02/2013
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Descoberta pode acelerar a extinção de respostas do medo.Embora a pesquisa seja baseada em uma evidência já conhecida, esta é a primeira vez que o tema é comprovado cientificamente.
Apresentar uma novidade horas antes do início de uma sessão de
terapia. Essa pode ser uma tática para a extinção da memória de medo ou
de um trauma, segundo revelou uma pesquisa do Centro de Memória da PUCRS
publicada no final do ano passado.
O estudo comprovou, por meio de testes em laboratório, que uma nova
informação induz a síntese de proteínas no hipocampo, a região cerebral
mais envolvida na formação de memórias, fixando o aprendizado — no caso,
a extinção da memória de medo.
Publicado em 31 de dezembro na revista científica americana
Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o artigo
intitulado Behavioral Tagging of Extinction Learning (em português,
Marcação Comportamental de Aprendizagem da Extinção) já teve mais de 4,5
mil acessos ou downloads até a última quinta-feira, o que mostra o
impacto e relevância do tema em nível internacional.
A autora da pesquisa, Jociane Myskiw, criou um protocolo no qual a
novidade é capaz de facilitar a formação da memória de extinção em
ratos. Ela identificou que a introdução de uma novidade, duas horas
antes da sessão de extinção (ou de terapia), foi capaz de influenciar,
de forma positiva, na formação dessa memória.
Embora a pesquisa seja baseada em uma evidência já conhecida — a
ideia de que uma novidade ajuda a esquecer um problema — essa é a
primeira vez que o tema é comprovado cientificamente.
— Isso pode servir para acelerar a extinção de respostas do medo — destaca o neurocientista Iván Izquierdo, coautor da pesquisa.
No estudo, usa-se a extinção no tratamento do estresse
pós-traumático. Submete-se o paciente a estímulos que remetem ao trauma,
sem o motivo causador. O tratamento psíquico é a extinção do trauma, e
consiste em fazer o indivíduo aprender a diferença entre o estímulo
causador do medo e o fato em si.
O estudo levou cerca de dois anos para ser concluído e agora avançará
para uma nova etapa, que consiste na análise farmacológica e
comportamental dos ratos. Izquierdo explica que, por meio de cânulas
colocadas no hipocampo cerebral dos animais, serão aplicadas drogas e
testados os neurotransmissores envolvidos no processo de extinção do
medo. Por enquanto, o teste em pacientes não será feito.
— Essa pesquisa será utilizada por profissionais com prática clínica e técnica, como psiquiatras ou psicólogos — afirma Jociane.
Além de Izquierdo e Jociane, o estudo tem participação de Fernando
Benetti, bolsista de pós-doutorado no Centro de Memória. Todos os testes
foram desenvolvidos na PUCRS e seguiram as normas do Comitê de Ética em
Pesquisa e os direitos e cuidados com os animais foram respeitados,
observam os cientistas.,
"ESTUDO GAÚCHO IDENTIFICA A NOVIDADE COMO FATOR DO ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO"
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