14/02/2013
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As queixas das associações centram-se sobretudo nos hospitais do Norte.Associações questionam utilidade da nova Comissão Nacional da Farmácia e dizem que os médicos não são livres de escolher.
A associação de doentes com artrite reumatóide questionou nesta
quinta-feira o papel da recém-criada Comissão Nacional de Farmácia e
Terapêutica, durante a apresentação pública de casos de doentes que não
têm acesso a medicação em vários hospitais.
Numa
conferência de imprensa em Lisboa, associações de doentes de diferentes
patologias queixaram-se de casos em que os doentes não têm acesso a toda
a medicação e terapêuticas, nomeadamente nos hospitais do G14 (grupo de
hospitais do Norte que se juntaram para comprar medicamentos e
conseguir preços mais baratos).
Paulo Pereira, da
Associação Todos com a Esclerose Múltipla, lamentou que os médicos não
sejam “livres de escolher” a medicação que consideram mais indicada para
o seu doente, tendo que se sujeitar aos que os hospitais
disponibilizam, que resultam de negociação entre os conselhos de
administração e os laboratórios, sublinhando que os médicos dão o “mal
menor”.
A este propósito, Arsisete Saraiva, presidente da
Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatóide (ANDAR), afirmou
que “a relação médico-doente está a ser posta em causa pela incapacidade
do clínico de tomar decisões terapêuticas face à contenção de custos
por parte dos hospitais”.
A responsável mostrou-se ainda preocupada com as perspectivas futuras mais negativas em termos de cortes orçamentais na saúde.
“Dizem
que o pior está para vir. Qual a dimensão deste pior?”, questionou,
sugerindo que são esperados mais cortes na saúde e que “os medicamentos
inovadores de uso hospitalar vão estar novamente na berlinda”.
Outra
preocupação manifestada pela presidente da ANDAR diz respeito a um novo
organismo, a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica (ligada ao
Infarmed), cuja utilidade foi questionada.
“A Direcção-Geral da
Saúde já publica normas e directivas. Não sabemos bem para que serve
esta comissão, estamos expectantes”, afirmou, acrescentando esperar que
“tenha em conta o doente” e que “não seja mais um organismo a dar força
aos hospitais do Norte” na contenção com medicamentos. Ministro “mente”
Sobre
a escassez de medicamentos, Paulo Pereira especificou que o Hospital de
Braga, um “pioneiro do G14”, só dá toda a medicação para a esclerose
múltipla a doentes anteriores a Agosto de 2011, sendo os doentes
posteriores a essa data penalizados em termos de acesso à medicação.
Outro
factor de discrepância criticado pelas associações de doentes diz
respeito à zona do país onde vivem, uma vez que os critérios de
distribuição de medicamentos não são iguais em todos os hospitais.
Emília
Rodrigues, da SOS Hepatite, apontou também casos concretos de doentes
sem acesso a medicamentos, afirmando que há doentes que “esperam mais de
seis meses pela medicação”.
Como exemplo referiu “um doente que pediu o medicamento a 25 de Outubro e que hoje desistiu daquele hospital”, farto de esperar.
A
responsável revelou ainda um outro caso passado no Curry Cabral, em
Lisboa, com um doente transplantado (fígado) e que recebeu de uma caixa
de 30 comprimidos [imunossupressores] apenas dez, sem bula e com a
indicação de ir telefonando para o hospital durante a semana para saber
quando poderia ir levantar os restantes.
Confrontadas pelos
jornalistas com declarações públicas do ministro da Saúde, segundo as
quais não tem conhecimento de doentes sem acesso a medicamentos, as
associações acusaram o governante de estar a “mentir”.
"ASSOCIAÇÕES DE DOENTES DENUNCIAM DIFICULDADES DE ACESSO A FÁRMACOS NOS HOSPITAIS"
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