12/01/15
[Image]
Farmácia de Minas, do governo estadual, sofre com a carência de 20 a 30 medicamentos por mês.Dificuldades. Fátima Pereira, 69, não conseguiu pegar o remédio necessário para tratar anemia falciforme
Desabastecida, a Farmácia de Minas não tem
conseguido atender ao menos 30% das 1.200 pessoas que diariamente tentam
retirar, na capital, remédios gratuitos para tratamento de doenças
crônicas. A unidade, localizada na avenida do Contorno, no bairro
Gutierrez, na região Oeste, também é destinada aos usuários da capital e
região metropolitana, mas registra, com frequência, a carência de 20 a
30 medicamentos por mês.
A denúncia, apresentada por um funcionário da Farmácia de Minas à reportagem de O TEMPO,
veio acompanhada de uma lista de circulação interna, na qual consta a
indicação de 27 remédios faltosos nas prateleiras da unidade no último
dia 7. Além da indicação da ausência das substâncias, consta no
documento não haver previsão de chegada de novas remessas.
As drogas não encontradas são destinadas aos pacientes com Alzheimer,
Parkinson, epilepsia, artrite reumatoide e esclerose múltipla, dentre
outras doenças. “Calculo que quase 30% das pessoas não levam os remédios
para a casa. Isso só no meu turno (tarde)”, afirmou o funcionário da
unidade, que pediu sigilo de sua identidade temendo represálias.
Vivian Aparecida Romualdo, 31, cozinheira e moradora de Contagem, era
uma dessas usuárias que não encontraram o remédio prescrito pelo médico
quando a reportagem esteve no local, na última quarta-feira. Ela
precisava retirar o medicamento interferon para sua mãe, que sofre de
esclerose múltipla. No entanto, pela segunda vez em dez dias, voltou
para casa de mãos vazias. “É difícil porque ela (mãe) não pode ficar nem
um dia sem a medicação, e eu ainda tenho que sair às pressas do
trabalho e pegar dois ônibus para ir e dois para voltar”
Na mesma fila, Fátima Antônia Pereira, 69, moradora de Betim, também
demonstrou insatisfação com o serviço. A paciente sofre de anemia
falciforme e não pode deixar de usar as substâncias sacarato hidróxido
de ferro e hydrea. “Não consegui (retirá-los na unidade). Se eu não tomo
os remédios que o médico indica, fico bamba e cansada. Tenho muitas
dores nas costas, fico sempre pálida, sinto náuseas, e meu coração
dispara. O remédio serve para controlar isso. O que tenho já está
acabando. Vou voltar depois, mas eles disseram que não há previsão de
chegada do remédio”, disse.
Resposta. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde
(SES) confirmou enfrentar problemas relacionados tanto às questões de
aquisição quanto às de logística para entrega de medicamentos que
dependem de outras esferas para ser liberados, como, por exemplo, o
amantadina.
Segundo o texto, o único laboratório fabricante do amantadina está sem o
Certificado de Boas Práticas de Fabricação para medicamentos sujeitos a
controle especial e, nesse caso, o órgão estadual tentará intervenção
junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o objetivo
de regularizar a situação. A SES recorreu ao estoque de outro Estado
para conseguir algumas unidades e oferecer aos usuários.
"FALTA DE REMÉDIO AFETA CERCA DE 30% DE USUÁRIOS DE PROGRAMA"
Não foi feito nenhum comentário até agora. -