Desconforto 07/08/2013
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Problema afeta os nervos das mãos, normalmente causando dormência, dor e desconforto.
Formigamento e dores nas mãos, dificuldade em segurar objetos ou
abotoar botões, fraqueza ou dor nos punhos, são sintomas que podem
passar despercebidos quando nos acostumamos aos movimentos repetidos
diariamente no computador. Entretanto, se constantes, eles podem ser os
primeiros sinais de uma das doenças mais frequentes nas mãos: a Síndrome
do Túnel do Carpo.
O nome pode parecer estranho, mas a doença é cada vez mais comum. A
neuropatia que causa dormência, dor e desconforto na mão afeta cerca de
75 milhões de pessoas em todo o mundo. O neurocirurgião Paulo Porto de
Melo garante que os tratamentos de STC geralmente têm sucesso. Um dos
fatores mais importantes para isso, entretanto, continua sendo o
diagnóstico precoce.
O especialista, que também é colaborador do Departamento de
Neurocirurgia da Universidade de Saint Louis e introdutor da
neurocirurgia robótica no Brasil, explica que muitas doenças
ocupacionais e inflamatórias no membro superior podem simular os
sintomas da Síndrome do Túnel do Carpo, podendo até gerar alterações no
exame.
— Uma consulta médica detalhada com um exame clínico específico é
fundamental para o diagnóstico correto e, consequentemente, um
tratamento adequado — complementa.
Conhecendo a doença
No centro do punho há um espaço
denominado túnel do carpo, onde um nervo importante — o nervo mediano
— e nove tendões estendem-se do antebraço até a mão.
A parte
superior desse túnel é formada por um forte ligamento, denominado
ligamento transverso do carpo. Quando há edema no túnel do carpo, a
pressão se acumula no nervo mediano, que fornece a maior parte da
sensibilidade e do movimento aos dedos e ao polegar. Se essa pressão for
forte o suficiente para comprimir o nervo mediano, pode ocorrer a STC.
Melo explica que a doença é comum em músicos, digitadores,
escritores, pessoas que trabalham no computador e costureiras,
justamente por serem atividades manuais ou que forçam uma mesma posição
das mãos. E aí que está uma das principais causas da doença, a Lesão por
Esforço Repetitivo (LER).
A síndrome, no entanto, também tem relação com alterações hormonais,
como doenças da tireoide, diabetes e menopausa. Os sintomas são mais
comuns à noite ou pela manhã, devido a diminuiçaõ do estrógeno, o que
causa o acúmulo de líquido na membrana dos tendões. Isso explica o
porquê da doença ser mais frequente em mulheres, especialmente após os
40 anos.
Exame clínico é fundamental para diagnóstico correto
O diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo é fundamentalmente
clínico, baseado em testes simples feitos no consultório. O exame
complementar mais indicado é a Eletroneuromiografia, que mede a
velocidade de condução elétrica dos nervos através de pequenas ondas
elétricas emitidas por agulhas.
Durante o exame, o médico pode encontrar uma série de sintomas que indicam se você sofre da doença. Entre eles, estão:
— Dormência da palma, polegar, dedo indicador, dedo médio e do lado do dedo anular mais próximo do polegar
— Movimento débil de pinça
— Percussões leves sobre nervo mediano no punho, que podem provocar dor (chamado de teste de Tinel)
— Dormência, formigamento ou fraqueza ao dobrar o punho totalmente
para frente por 60 segundos, o que é chamado de teste de Phalen
Melo explica que os tratamentos não-cirúrgicos podem abranger mudança
de hábitos, como redução ou eliminação de movimentos repetitivos das
mãos, uso de talas imobilizadoras no pulso durante a noite ou a
administração de medicamentos anti-inflamatórios por via oral ou em
injeções no túnel do carpo.
Os tratamentos cirúrgicos variam, mas os dois mais comuns são a
cirurgia aberta e a cirurgia endoscópica. Ambos os procedimentos têm o
objetivo de liberar a pressão no nervo mediano por meio do corte
cirúrgico do ligamento transverso e, assim, alargar o túnel do carpo
para oferecer mais espaço ao nervo.
O médico alerta que, embora os procedimentos sejam eficazes para a
correção do problema, a cirurgia endoscópica tem o benefício de
proporcionar um tempo de recuperação mais rápido, menos dor no
pós-operatório e uma cicatriz menor e menos perceptível.
"CONHEÇA A SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO, DOENÇA QUE ATINGE MILHÕES DE PESSOAS"
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