“It is not lupus” (“Não é lúpus”) se tornou um bordão que estampa até
camiseta de alguns mais descolados. É uma brincadeira com o fato de que o
doutor House, da série House M.D., sempre sugeria que os sintomas
misteriosos de seus pacientes poderiam indicar essa doença autoimune –
mas, no final, era sempre outra coisa. Agora, lúpus virou assunto também
da novela Amor à Vida.
A variedade de sintomas e o fato de que
pode se manifestar em qualquer órgão talvez explique por que lúpus era
frequentemente uma possibilidade na série de TV. Os principais são
mal-estar, febre, dor e inchaço nas articulações, queda de cabelo,
feridas na boca, manchas na pele, entre outros.
A doença não tem cura, mas pode ser controlada
Existem
dois tipos de lúpus. O primeiro, o eritematoso, atinge apenas a pele,
provocando manchas avermelhadas em áreas mais expostas à luz solar, como
braços, orelhas, rosto e colo. Já o segundo, o sistêmico, pode
prejudicar coração, rins e pulmões.
– A incidência é mais comum
em mulheres jovens, entre 20 e 45 anos, com maior frequência em mestiços
e afrodescendentes – diz o reumatologista Gustavo Lamego de Barros
Costa.
Rara, a doença pode surgir em qualquer época da vida e não
tem cura. Ainda assim, é possível conviver com ela, desde que o
paciente siga o tratamento. Segundo Barros Costa, o lúpus surge em
qualquer fase da vida, sem motivos aparentes. Questões genéticas podem
ou não influenciar o aparecimento da doença, mas, em geral, a causa
ainda é desconhecida.
– Às vezes, há uma desregulação no sistema
imunológico. Ele passa a atacar algumas células do organismo. É o que
chamamos de doença autoimune. O lúpus não é causado por infecção ou
bactéria, é o próprio organismo que o desenvolve – afirma.
RARA, MAS REAL
COMO SABER
A
doença se manifesta de diferentes formas, podendo ser de maneira leve
ou mais grave. Na maioria dos casos, surgem lesões na pele,
especificamente nas bochechas e no nariz, formando um desenho semelhante
ao de “asa de borboleta”. Além disso, muitos doentes têm sensibilidade à
luz do sol. Alterações no sangue e dores ou inchaços nas juntas são
comuns. Em casos mais graves, pode afetar os rins ou causar inflamações
nas membranas do pulmão e do coração.
Gustavo Barros Costa
explica que o diagnóstico é feito após uma análise criteriosa das
manifestações apresentadas pelo paciente no exame denominado FAN (fator
ou anticorpo antinuclear), obtido no exame de sangue.
– Quase
100% dos pacientes com lúpus têm o FAN positivo. Mas muita gente que tem
o FAN positivo não necessariamente vai desenvolver a doença – explica.
COMO TRATAR
O
lúpus não tem cura, mas, sim, controle. Segundo o médico, os remédios
com corticoide, cloroquina e os imunossupressores são os mais indicados,
mas a recomendação varia de pessoa para pessoa.
– O tratamento é
à base de medicamentos que vão modular o sistema imunológico. Vai
depender da manifestação de cada paciente – diz o médico.
Já os
sintomas mais leves podem ser tratados com analgésicos e
anti-inflamatórios. Segundo o Ministério da Saúde, dois medicamentos
indicados para o lúpus – a azatioprina e a ciclosporina – são ofertados
gratuitamente na rede pública.
"ÀS VEZES É LÚPUS"
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