tag:blogger.com,1999:blog-98375782008-07-23T20:38:18.380+01:00ONDAKA USONGO!Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comBlogger63125tag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-83923490465579058632008-05-09T07:42:00.003+01:002008-05-19T16:00:50.647+01:00CUSTO SOCIAL DA BANCARIZAÇÃO DOS SALÁRIOS<div align="justify">De um tempo a esta parte, assiste-se a um movimento acelerado de bancarização dos salários da função pública. O banco escolhido para o desafio é o BPC, que se tem mostra estar há anos luz da empreitada. </div><div align="justify">Basta pensar que a província de Benguela possui nove municípios, dos quais apenas cinco ou seis estão contemplados com agências do BPC: Benguela, Lobito e Baía Farta (litoral) e Ganda e Balombo e talvez Cubal(interior). Até aqui, tudo é normal.</div><div align="justify">Mas se pensarmos que o Lobito possui apenas três agências para assistir os inúmeros professores, enfermeiros, polícias, militares, pensionistas e funcionários de outras repartições públicas mais os muitos do município do Bocoio, então a coisa muda de figura.</div><div align="justify">Já faz parte do quotidiano lobitanga passar pelas ruas das agências do BPC e ver filas humanas no exterior, a espera da sua vez de entrar e aguentar outra fila no interior do banco e depois ser atendido. Os trabalhadores podem esperar três a cinco dias para, finalmente, chegar o grande dia de levar o salário à casa. Quando tal acontece, muitos já faltaram ao seu dever profissional vezes sem conta. </div><div align="justify">O resultado é bastante agressivo para a sociedade: crianças que ficam sem aulas; aumento das horas de espera no hospital e noutras repartições públicas; diminuição do poder de compra porque os dias de espera vão consumindo o próprio salário e se pensarmos naqueles trabalhadores que caminham mais de 100kms e têm de acampar algures no Lobito, então o problema mais que se agudiza.</div><div align="justify">Quando questionados sobre o problema, os responsáveis bancários escudam-se no velho jargão: falta de cultura bancária dos clientes!!! Descubriram a causa do problema. Como fica a escassez de agências? Com mais agências, a falta de cultura bancária será ainda uma explicação válida?</div><div align="justify">Francamente!!!Francamente!!!Francamente!!!!</div><div align="justify">Melhor seria aceitar a sua ineficiência e abraçar a proposta do Governo: permitir que alguns bancos privados habilitem-se ao processamento dos salários da função pública até o BPC ter capacidade à altura da empreitada.</div><div align="justify">Até lá, coragem!!!</div><div align="justify">Força!</div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-14359189982272669332008-02-28T22:28:00.002Z2008-02-28T22:38:12.884ZUM POUCO DE LUZ<div align="justify">Chega ao fim o segundo mês de 2008 e com ele a vontade de continuar a escrever. Espero que desta vez seja para ficar com alguma regularidade aceitável.</div><div align="justify">O país soma e segue com sinal mais na estabilidade macroeconómina e no crescimento da economia. A estabilidade política vai sendo uma realidade. Com o anuncio das eleições legislativas para 5 e 6 de Setembro, os partidos políticos vão arrumando a casa para estarem prontos. </div><div align="justify">Nesse capítulo especial, precisamos aprender com os erros de 1992 e os acontecimentos recentes do Kenya. Quando líderes sem escrúpolos querem satisfazer os seus desejos sem medir meios, o povo paga muito caro. Então, que haja um esforço concertado e elevado para termos um pleito eleitoral de que nos possamos orgulhar é o nosso voto.</div><div align="justify">Atenção aos líderes predadores. Como se diz por cá «o sandji yomeke yipayela ava valya!!!»</div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-62205065590939405632007-11-16T15:50:00.000Z2007-11-16T16:19:56.161Z11 de Novembro<div align="justify">A ausência do Chefe de Estado nas comemorações do 32º aniversário da Independência de Angola foi o grande acontentecimento marcante. Contrariamente ao espectável, foi o menos comentado. Notícias Oficiais davam conta que o Chefe de Estado se encontrava em terras Espanholas, em viagem privada...</div><div align="justify">Se estivessemos noutras paragens, a ausência do Chefe de Estado, na efeméride mais importante de um país, os nacionais seriam informados sobre as motivações verdadeiras dessa ausência. Diga-se em abono da verdade, cidadãos habituados a serem informados pelos seus Governantes especulam pouco e comentam factos ou notícias verdadeiras.</div><div align="justify">Por cá, o melhor é "calar-se para não ser incoveniente"!!!</div><div align="justify">Ainda assim, 32 anos depois, Angola soma e segue. Os últimos 5 anos de paz, o país avançou mais e em quase todos os domínios, do que nos outros anteriores. Acreditem ou não, a partir do nosso Lobito sentimos o pulsar do país, transformado em canteiro de obras, onde o Lobito é o pomar!!!</div><div align="justify">Como dizia alguém, os sacrifícios de hoje, são os benefícios de amanhã. Coragem, "pacato cidadão da revolução".</div><div align="justify">O futuro - que já começou - será melhor!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-15102339484121498222007-11-03T12:30:00.000Z2007-11-03T12:32:20.496ZQuando a Vontade é GrandeCaros amigos e amigas, a vontade de continuar é maior do que as difiucldades e contariedades do dia-a-dia.<br />Estou de volta.Aquele abraço.<br /><br />Até breve!<br /><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-90492486292822112062007-06-30T15:35:00.000+01:002007-06-30T15:44:37.736+01:00DO LOBITOA vida na nossa cidade portuária do Lobito continua na mesma pasmaceira. Destaca-se o fim das obras na estrada que sobe para a Bela-Vista. Informação oficial não houve, mas sabe-se que as obras visavam melhorar as margens da estrada "dambas" e dar-lhes um passeio com currimão e seguro para os pedestres...<br />Por se tratar de uma estrada nacional, o esfalto fica a guardar pelas outras obras de grande vulto. Até lá, vamos circundando as crateras na estrada, com risco elevado de acidentes, devido aos zig-zag...<br />Quanto a cidade tudo continua na mesma, isto é, muita poeira e buracos a mistura, mas tamos a ficar habituados... Mesmo com o Afro-basket à 30 km do Lobito, não se vislumbram sinais de alguma melhoria...<br />Coragem lobitangas...<br />Até breve!<br /><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-9119995227677891882007-06-01T18:12:00.000+01:002007-06-01T18:25:15.683+01:00O NOSSO LOBITOCada dia passado na nossa cidade querida é um autentico teste à nossa pobre paciência. As obras de melhoramento dos serviços e das estradas somam e seguem. Os desafios são gigantescos, a paciência do pacato cidadão é míngua.<br />Continuamos com as crateiras nas estradas; a terraplanagem e a poeira, com a consequente ameaça para a saúde pública de quem não tem carro com ar condicionado e tem que aguentar o ar comissionado!!! E quem vive e trabalho nos grandes lugares de obras, portanto autenticas fábricas de poeira... que Deus o proteja e salve!!!<br />Mas vamos indo mesmo assim...na esperança de dias melhores.<br />O curioso e toda gente sabe mas ninguém fala, é que quando se desloca uma individualidade de Luanda para Benguela/Lobito, as obras ganham uma intensidade frenética. Então, habituados aos efeitos cosméticos, não precisamos de ouvir as notícias nos órgãos oficiais, porque sabe-se logo que vem gente.<br />Então, fica a pergunta: há capacidade para se trabalhar mais e melhor? Se sim, porque se espera por ilustres visitantes de Luanda para mstrar serviço? Como vai a fiscalização dessas obras?<br />Olhem o que se passa na estrada que sobe para a Bela - Vista, sff!!!<br />Até breve,<br />Upindi Pacatolo.Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-46739038333409762322007-05-10T11:54:00.000+01:002007-05-10T11:57:50.161+01:00LOBITO, CIDADE EM REGRESSÃOCrescemos e habituamo-nos a chamar o Lobito de "Cidade em Marcha". De há algum tempo a esta parte, fica muito difícil defender o repetir esse slogan. Basta vir ao Lobito para perceber como a "Marcha é para trás". O estado das crateiras nas estradas e a violência urbana, lembram-nos dias sem memória...<br />Voltaremos!!!<br /><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1176467451092867722007-04-13T13:25:00.000+01:002007-04-13T13:30:51.103+01:00DE VOLTADepois de alguma ausência justificada, acreditamos ter chegado o momento de quebrar o silêncio e voltar a dialogarmos sobre aquilo que nos interessa.<br />Estou na cidade Portuária do Lobito há quase três meses. Com dor e profunda mágoa, constato a degradação dessa bela cidade que me viu nascer e crescer. Lobito, quem te viu e te ve não acredita. Pudesses transformar-te num viveiro de obras!!! Mas não.<br />Voltaremos!!!<br /><br />Até breve,<br /><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1169226340014892592007-01-19T16:01:00.000Z2007-01-19T17:05:40.193ZO MEU PROTESTO!!!<div align="justify">"Ó taxistas, que brincadeira é esta?"( pag. 35, Jornal Agora, Edição nº 510, 13 de Janeiro de 2007); " A nossa nova guerra" (pag.22, Semanário Angolense, Edição nº 197, 13 a 20 de Janeiro de 2007). </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Aparentemente esses títulos nada têm em comum. Foram publicados naqueles dois semanários editados naquela que é para uns a cidade da confusão, para outros cidade da Kianda e par grande maioria cidade de Luanda. Fazem alusão a sinistralidade que vai tendo lugar nas estradas de Angola. É crença comum que a maioria desses acidentes é causada pela péssima condução dos taxistas de hiace. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Talvez por essa razão, aqueles títulos fazem-se acompanhar de imagens chocantes, resultantes de uma acidente ocorrido entre um hiace e um autocarro. Perderam a vida quatro ocupantes do hiace, incluindo o motorista, enquanto outros passageiros ficaram gravemente feridos. Do autocarro não houve nem feridos nem mortos. Então os jornais insurgem-se contra a péssima condução dos taxistas em defesa da vida. Até aqui tudo bem!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Mas apresentar os mortos desfigurados como sinal de chamar atenção aos taxistas ou de protestar contra a morte a favor da vida, parece-me uma opção perversa. Embora a vida seja o supremo valor e a sua defesa inapelável, o morto possui também dignidade. Ou então não estamos em Angola?</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Mesmo porque o tempo da lógica da guerra, onde exibir o corpo desfeito do inimigo é sinal de vitória e grandeza já lá se foi!!! Ou então a guerra era apenas uma desculpa.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Parece-me que podia-se falar do acontecimento e chamar a atenção sobre a irresponsabilidade dos taxistas e de outros condutores sem usar aquelas imagens desfeitas e chocantes. Havendo mesmo necessidade, então que fossem cobertos os corpos e mostrado o carro desfeito. Aliás o que vemos e lemos nos canais televisivos e jornais de outros países, onde o horror da morte ou a o morto não tem rosto. Fala-se ou apresenta-se a sinistralidade, mas sem expôr o morto ou os mortos!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Alguém tem visto as imagens dos mortos nas estradas dos países da UE ou das americas (USA ou Canada)? Alguém já viu as imagens ou rostos ou corpos de mortos de alguma catástrofe humana ou natural dos países da UE ou da américa(USA ou Canadá)? Sabem porque???</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Será que os nossos mortos perdem dignidade??? Não têm direito a protecção da sua imagem???</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Seguramente, alguns perguntarão: mas de que galáxia vem esse escriba?!!! Se os vivos são tratados sem dignidade, quanto mais os mortos?!!! Acorda!!! </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Têm razão em questionar!!! </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Mas é preciso começar a dignificar o que tem de ser dignificado! É preciso dizer alto e em bom som: estamos juntos, mas não estamos misturados!!! É preciso dar um basta a essa cultura da indignidade. Cada um de nós precisa fazer a sua parte e manisfestar o seu desagrado. Aqui fica o meu!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1169138559352856442007-01-18T15:47:00.000Z2007-01-18T16:42:39.430ZO MINISTRO ENGANOU-SE<div align="justify">O Kota "Gigi", o tal de Virgílio de Fontes Pereira, é um dos poucos ministros que carbura bem no GURN, segundo as más línguas. Talvés por essa razão lhe tenham sido atribuidas muitas responsabilidades. É ele o coordenador da Comissão - Interministerial para o Processo Eleitoral (CIPE), dentre outros papeis que o vimos desempenhar nesses seis lindos meses em Angola.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">A 30 de Agosto de 2006, no comunicado de Imprensa saído da 6ª reunião ordinário do Conselho de Ministros lia-se<em><strong>:"O Governo aprovou uma Resolução que estabelece o período de registo eleitoral normal,que terá o seu início no dia 15 de Novembro de 2006 e terminará no dia 15 de Junho de 2007. O período de registo eleitoral terá a duração de 6 meses,já que sofrerá um interregno no período que vai de 15 de Dezembro de 2006 à 15 de Janeiro de 2007"</strong></em>.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Desde essa altura até ao dia 20 de Dezembro de 2006, ouvimos o Kota Gigi a falar da fase normal do registo eleitoral naqueles períodos. Nesse mesmo dia, o Kota Gigi admitiu a possibilidade de ser necessária uma segunda fase do registo eleitoral a ser definida pelo Conselho de Ministros, nos termos do artigo 26º da Lei do Registo Eleitoral. Essa 2ªa fase, é para aqueles que por diversas razões não conseguiram registar-se na primeira.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Chegados a 2007, o Kota Gigi e a Imprensa da capital ou esta e o Kota Gigi mudaram o disco. Em vez de falarem da segunda etapa ou do segundo período da primeira fase do Registo Eleitoral, começaram todos a falar do início da segunda fase do registo a 15 de Janeiro de 2007.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Ou sofremos todos de amnésia colectiva, o que é pior; ou então os jornalistas lêem pouco para não terem se apercebido do engano do Kota; ou então, o que é pior, como o Kota tem a fama de carburar bem deixou-se dormir na forma, na certeza de estar a lidar com amnésicos. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Bom! Que me lembre o Conselho de Ministro não voltou a anunciar nenhuma outra fase do Registo Eleitoral para falarmos já duma segunda. Estamos em vigência da primeira, que sofreu o interregno previsto de um mês. Portanto, a primeira fase ou fase normal do Registo Eleitoral tem duas etapas ou dois períodos, sendo de 15 de Novembro a 15 de Dezembro de 2006 e 15 de Janeiro a 15 de Junho de 2007. Depois o Conselho de Ministro poderá anunciar uma segunda fase ou fase extraordinária, a que se seguirá a fase da actualização permanente.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Nota: se fossemos habituados a ouvir o Kota Gigi a falar em período normal do registo ou primeiro período, então dividi-lo-iamos em duas fases ou etapas e estaria tudo bem. Mas não é o caso. Ouvimos sempre primeira fase com as datas referidas acima. Talvez estejamos equivocados, o que é normal!!! Ou não seríamos humanos e moradores dessas bandas!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Até breve!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo </div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1169134973042753482007-01-18T15:31:00.000Z2007-01-18T15:46:15.953ZTENTAR É MELHOR<div align="justify">Em dezembro passado fizemos dois anos! Quando pensavamos desistir, eis que aparecem pessoas como a Cristina Galhardo que nos dizem "nem pensar". Peço imensas desculpas a todos amigos e amigas que nos visitam e deixam palavras de incentivo e encorajamento, mas cujos nomes não menciono.<br /><br />A Cristina Galhardo deu-nos a oportunidade de sermos lidos em italiano. Traduziu as duas crónicas "Costangueiro I e II" em italiano e publico-as na revista <a href="http://www.buran.it/materiale.html">www.buran.it/materiale.html</a> .<br /><br />Por "todos voces", razão da nossa alegria, decidimos continuar a escrever por mais algum tempo. Não prometemos ser regulares, porque o acesso a internet cá na terra ainda é um luxo.<br /><br />Estamos todos de parabéns e bom ano a todos!!!<br /><br />Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1165599467474110182006-12-08T16:37:00.000Z2006-12-08T17:42:32.623ZROBOTEIROS<div align="justify">Depois de uma ausência forçada, eis-nos de volta para partilharmos o dia-a-dia da nossa terra.</div><div align="justify">Durante o mês de Novembro andámos por Benguela, Lubango e Huambo. O regresso a esta última cidade, dez anos depois, foi emocionalmente forte e não estávamos preparados. Mas deu para rever amigos e lugares que marcaram a nossa história de vida pessoal nos anos em que sobrevivemos, graças a Deus, às investidas militares do Governo do MPLA e da UNITA, na cidade de Wambu Kalunga.... São outros quinhetos...</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Como sugere o título desta crónica, a conversa hoje é sobre os nossos irmãos "Roboteiros", que sobrevivem e vão vivendo graças a sua força física e muita inépcia dos serviços do terminal de cargas do nosso aeroporto 4 de Fevereiro ( Ainda bem, porque seria difícil sobreviver e viver sem emprego e espaço para exercer legalmente a actividade de "Roboteiroa").</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Mas que coisa é um "Roboteiro"? "Roboteiro" é o nome que se dá a pessoa que ajuda a transportar uma carga pesada, levando-a à cabeça ou entre o pescoço e os ombros ( no calumbebe ou capepe) segundo a capacidade física e a distância. O "Roboteiro" também ajuda a carregar e/ou a arrumar a carga das paletas ou contentor para o armazém ou camião... No Lubango, o "Roboteiro" é conhecido como "Tio António"! Será da música de Sam Ngwana? ( Tio António quando trabalhava nas obras d'uma plantação, que pertencia ao colono...). No Lobito e Benguela, é conhecido como ajudeiro. Noutros lugares, onde o respito pelas profissões ainda existe, é chamado de "Estivador".</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">O nome que se dá não está em causa. Entretanto, a forma como os vi trabalhar e fazer dinheiro no terminal de cargas do aeroporto 4 de Fevereiro deixa muito a desejar. Sem exagero, o cenário assemelha-se mais a um assalto e roubo do que a um trabalho honesto. Vejamos:</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">No último final de semana, o terminal de cargas estava podre de cargas, que nem se quer cabiam nos armazéns e não havia capacidade em meios rolantes para transpotar tanta mercadoria. Resultado: a mercadoria chegou a atinger a placa. Aliás, compreende-se perfeitamente, não estivessemos em Dezembro e num país que ainda vive de importações até de capim para cobrir "Ondjangos". São outros quinhetos...</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Desculpem-nos a divagação!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Bom, voltemos ao que interessa. Como o processo da alfândega ainda é muito burrocrático, aliás como o são quase todos públicos ou público - privados. Menos mal que a moda dos televisores e das parabólicas nos locais de serviço para ver as novelas da Globo e da Record ainda não chegou a alfândega. Ainda assim, se por azar a tua mercadoria estiver na placa para tira-la de lá até ao caminhão ou carrinha tens poucas opções: pagar a fortuna que eles pedem ou continuares a espera e pagares o frete do camião que também cobra por hora. É preciso lembrar que estamos em época de chuva e pode chover estragando a mercadoria. Se te despachas e pagas, eles vão fazendo o trabalho ao seu rítmo sem poderes reclamar. Caso o faças, eles podem parar sem mais nem menos já que a procura dos seus serviços é incomensurável. Passado esse teste, espera-te o trânsito, que por essa altura do ano e com as obras de ocasião, sabe Deus!!!...</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Lá conseguimos uma boa negociação. Passadas algumas horas, tinhamos a mercadoria no camião e começava outro teste de paciência: aguentar e aturar o trânsito... Que são outros quinhetos.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Lembrei-me dos meus tempos de menino no Lobito, onde o preço do ajudeiro variava segundo o estatuto ou apresentação do cliente. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Fica um conselho: se decidires trazer mercadoria ou carga via aeroporto 4 de Fevereiro, por essa altura do ano, prepara o bolso e o coração, porque só pelos "Roboteiros" e o camião fretado podes pagar metade ou mesmo quase o preço de compra da mercadoria.</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1162077804135697382006-10-29T00:08:00.000+01:002006-10-29T00:23:24.146+01:00DIZEM AS MÁS LÍNGUASQuero partilhar convosco uma inquietação da nossa operadora móvel UNITEL. Acontece que pela segunda vez, num espaço de quinze dias, ficamos com sinal fraco para não dizer sem sinal de telefone. Para conseguir-se uma ligação na mesma rede é preciso um exercício de paciência e persistência.<br /><br />Há quase duas semanas encontrava-me no Namibe e vi-me privado do sinal telefónico. Imaginem meus amigos e minhas amigas alguém que depende do telemóvel para trabalhar e vir-se de repente privado desse precioso bem, sem mais nem menos. O mais aborrecido é que ninguém diz absolutamente nada. Falha técnica ou de sinal... Nada de nadica!!! E o pessoal lá vai tentando até conseguir uma ligação que por sorte não cai no número errado...<br /><br />Encontrando-me em Benguela, volta a acontecer a mesma situação. De novo vejo-me aflito para trabalhar já que dependo dos contactos telefónicos. E mais uma vez, ninguém diz nada.<br /><br />Como me sinto em casa, ganhei coragem e comecei a comentar o facto com pessoas amigas. Acreditem ou não, mas as respostas foram unânimes: está em Benguela algum manda chuva! Isso aqui é sempre assim. Quando vem um mandão de Luanda o sinal da UNITEL fica impossível.<br /><br />É difícil acreditar nessas coincidências. Mas que as más línguas as vezes dizem a verdade ,lá isso dizem. Ou então será falsa a força do mujimbo (boato/notícia oficiosa)???!!!<br /><br />Quem por cá anda ou já andou sabe bem o quanto custa caro não dar ouvidos aos mujimbos ou às más línguas. Pensando bem, na altura em que falhou o sinal no Namibe estava por lá uma delegação de manda - chuvas vinda de Luanda.<br /><br />Coincidência ou não, alguma coisa está errada. Basta pensar que quando não há delegações de manda - chuvas o sinal não apresenta problemas. Então que se passa???!!!<br /><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1161955379275919442006-10-27T13:35:00.000+01:002006-10-27T14:50:30.636+01:00NAS ESTRADAS DE ANGOLA<div align="justify">De volta à Luanda, a cidade da Kianda e da confusão. Vim a fugir com medo de ver essa nossa página bloqueiada. Mas para nossa satisfação concederam-nos mais uma oportunidade. Os novos compromissos não nos permitem manter uma presença regular nem na net, nem na blogsfera. Ainda bem! Eu cá não me queixo, porque podia ser bem pior.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Em três meses e qualquer coisa de Angola já viajei mais do que tinha feito na minha curta vida. Nem mesmo os anos de Portugal me proporcionaram tamanhas oportunidades. Hoje quero partilhar convosco o sofrimento de muitos angolanos que fazem das viagens por terra de uma cidade a outra o seu sustento e dos seus. É uma verdadeira odisseia. É uma tarefa herculiana. Mas lá eles vão conseguindo! Como? Só Deus sabe. O pior de tudo é que as opções são bastante reduzidas.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Tive oportunidade de viajar por terra de Luanda ao Lobito, como já referi em apontamentos anteriores. Confesso: sempre que repito a odisseia, vou-me surpreendendo com o avanço das obras daquilo que seria a reconstrução da estrada. Digo seria porque as obras em muitos troços não passam de um autêntico tapa - buracos. Espero estar enganado e que se trate apenas de fase pré-preliminar dos trabalhos. De contrário, é caso para dizer cuidado com a brincadeira e atenção aos senhores da fiscalização das obras públicas... Mas dá para ver o Morro do Shingo no Sumbe...</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">O meu cepticismo aumenta quando fazemos o percurso Luanda - Ndalatando. Aqui, sim! Com o agravante de ter que se usar uma picada depois do Zenza do Itombe, porque o percurso via Morro do Binda é um autêntico Deus nos acuda! Com as chuvas, não quero imaginar como deve ser duro viajar por essa via até Malange ou às Lundas. Mas os angolanos são de uma paciência e criatividade únicas, pesa embora seja abusada e pisada todos os dias. São outros quinhentos!</div><div align="justify"></div><div align="justify">Nesses lados o estado das obras é encorajador porque há reposição de asfalto e pontes, mas a qualidade do tapete deixa muito a desejar. Aliás não dá para exigir muito porque a lógica aqui é fazer qualquer coisa que dure um ou dois anos. Asfalto doradouro pode ser subversão já que levará muitas pessoas ao desemprego porque acabam-se as justificações para obras nas estradas... Parece mentira né???!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Andando um pouco mais por aquela via encontram-se sinais evidentes de trabalho de tapa - buracos. Lá onde o asfalto do "coló" sobreviveu às investidas da guerra, da natureza e do tempo vão-se tapando os buracos que existem! O mais caricato é vermos que a terraplanagem dá sinais de auto-estradas. Mas quando apanhámos pedaços de estradas recém-asfaltadas vemo-las a "emagrecerem". Se alguém está a espera de encontrar auto-estradas nacionais por essas bandas "desengane-se"...</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Mudando de rota, viajámos do Lubango ao Namibe. Que maravilha! Ver a Serra da Leba! Isso ai não tem explicação possível. É de uma beleza indescritível! Só visto! De todas é a estrada mais bem apresentada, com um asfalto que indicia muito trabalho e algum tempo de reflexão. São obras feitas para a posteridade. O único senão é o seu tamanho... Mas quando comparadas com as outras não minto se afirmar que são as melhores do país. E está tudo dito.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Finalmente! Vamos satisfazer uma curiosidae. Quem tiver coragem que faça experiência e nos desminta! Analisemos o exemplo que se segue: viagem de Luanda à Benguela/Lobito de avião demora entre 45 minutos a1h! O que é super confortável. Mas se parar e tentar fazer as contas, rapidamente chega a conclusão que é mais rápido ir de autocarro e demorar entre 7h a 8h certas. Há dúvidas???!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify">Vejamos: quando o avião tem a previsão de sair às 7h da manhã o check-in é as 5h. Quem vive longe tem de levantar entre as 3h e as 4h! O Avião acaba por sair entra as 7h e as 8h e qualquer coisa, quando não sai duas horas depois ou é simplesmente cancelado!!! Chegados ao destino é outra espera para levantar a bagagem e as várias filas de identificação e revista. Corre-se o risco de chegar à casa entre as 12h e as 15h!!! A demora é ainda maior se o trajecto for de outra cidade qualquer para Luanda. Basta pensar que os aviões saiem de Luanda com a demora anterior e quando se chega ao aeroporto de Luanda a espera pela bagagem é de cortar a respiração!!! Isso ainda quando o tapete rolante funciona, porque se faltar a luz ou estiver avariado, então...!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Quem sai de autocarro: parte as 6h e pode chegar na paragem 5 minutos antes. Por volta das 13h ou 14h e qualquer coisa, seguramente está em casa no Lobito ou em Benguela... Parece anedota né???!!! Está lançado o desafio é só experimentar...</div><div align="justify"></div><div align="justify">Se tiver carro pessoal do tipo land cruiser ou prado, então é mil vezes melhor, não obstante o cansaço. Aliás é o que faz o pessoal do Lubando quando quer ir ao Namibe...</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Até Breve!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1158938051576466152006-09-22T15:46:00.000+01:002006-09-22T16:14:11.663+01:00ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO 1<div align="justify">Nas últimas três semanas voltamos a percorrer o país por terra para usar as "novas" estradas, obra dos chineses. Desta feita, partimos de Luanda em direcção a Ndalatando, província do Kwanza Norte. As imagens do programa "Angola em Movimento" dão-nos a ver as boas estradas que estão a ser reabilitadas e construídas pelos chineses e pela Becom (Brigada de Construção Civil da Casa Militar, cujo chefe é também o responsável da Gabinete de Reconstrução Nacioanl). Animados por aquelas imagens, é difícil resistir à tentação de viajar por terra e ter a oportunidade de rever o morro do mbinda. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Para nossa alegria, logo que se começa a deixar o trânsito caótico de Luanda, a presença de chineses é bem visível na quantidade de "estaleiros" com indicações em chinês, de camiões basculantes a ser guiados por chineses e ... de muita poeira al longo das estradas... Tudo isso indica-nos que há algum trabalho a ser feito nessa via. Depois, deparámo-nos com boas estradas, onde é possível viajar a velocidade de 120km/h e para os mais corajosos a 160km/h. O grande risco é cruzar com um camião conduzido por um chinês, já que eles têm fama de ser maus condutores.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Embalados por esses pedaços de estrada, o viajante impaciente e entusiasmado é capaz de começar a fazer as contas do tempo que se leva até chegar a Ndalatando. Mas desengane-se porque ao sair do Nzenza do Itombe entra-se por desvio de terra batida que leva mais ou menos três ou quatro horas a ser percorrido, a uma velocidade que vai desde os 20km/h a 60km/h. Tudo isso é possível porque São Pedro fechou as torneiras. Mas se por um azar ele decide regar os campos adeus picada e conforto e bem vindo o calvário do Mbinda.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Quem tem o azar de sair de Ndalatando pelo Mbinda leva 3 a 5 horas para chegar ao Dondo. O curioso das partes de estrada asfaltadas é deparar-se com pedaços por asfaltar. Quando se tem a sorte de dar boleia a um habitante local ou agente da ordem pública e pergunta-se-lhe sobre aqueles pedaços por asfaltar ou pela ausência de trabalhos nalguns lugares, a resposta pronta é desconcertante: "esse pedaço é da responsabilidade da Becom. Os trabalhos pararam antes de começar porque a máquina avariou pelo caminho. Estão a espera da peça para fazer trabalhar a máquina". Ao perguntarmos quem o responsável da Becom. A resposta sai com dificuldade: O chefe da casa civil, o mesmo que coordena o gabinete de reconstrução nacional que controla até os chineses".</div><div align="justify"> </div><div align="justify">O curioso é saber que as obras de reconstrução das estradas avançam a bom ritmo. Mas quem quer ver e observar a qualidade do asfalto que está a ser colocado pergunta-se: isto é para durar quantos dias? Faço fé que aquilo que os meus viram seja apenas uma primeira camada de alcatrão, porque se for a definitiva, é caso para dizer: onde não funciona a fiscalização das obras que se fazem até a eficiência chinesa gera inificiência e delapida o erário público.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Até lá que alguém nos ajude e que Angola continue em movimento!!!!</div><br />Upindi PacatoloUpindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1158936349870496902006-09-22T15:42:00.000+01:002006-09-22T15:45:49.886+01:00NÃO LEVE MOCHILAS QUANDO É 11 DE SETEMBRO<div align="justify">Luanda, 11/09/06, residência da Embaixadora dos Estados Unidos da América em Angola, Cynthia Efird. Mais de vinte pessoas aguardavam sentadas pela cerimónia oficial de assinatura dos acordos de financiamento de pequenos projectos de 8 ONGs nacionais, orçados em USD 140 mil. Estavam todos, entre beneficiários, pessoal do protocolo e jornalistas, menos a anfitriã, que levava mais de meia hora de atraso. E quando não se sabe onde está a diplomata, difícil ainda é saber quanto tempo mais resta esperar.</div><div align="justify"><br />O vazio ainda continuava a ocupar o lugar da representante de Jorge Bush em Angola, para a impaciência dos jornalistas encarregues de cobrir o acto. Já os beneficiários olhavam com algum nervosismo aos termos de referência sobre a mesa – que assinariam em breve aos olhos da imprensa e do “diplomaticamente recomendável”, sem que tivessem antes a oportunidade de analisá-los. As comidas e bebidas prontas a servir nos quatro cantos do quintal emprestavam ao ambiente um cenário de festa. Ainda assim, de repente, vêm-me à mente as palavras de uma amiga europeia. “Em casa da embaixadora americana, em 11 de Setembro?! Era o último lugar que eu queria estar!”. Na verdade, eu já não sabia se queria estar aí ou se era só mais um daqueles compromissos sociais inadiáveis.</div><div align="justify"><br />Instantes antes da consumação da cerimónia, cada um dos representantes das Organizações financiadas recebe do protocolo, com surpresa, um envelope e a respectiva explicação em tom baixo: “gostaríamos que voltasse às dezanove para ter um contacto com o Assistente da Secretaria de Estado para a Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho; está de visita em Angola e queria ter uma conversa breve com as ONGs”. Por volta das dezassete a embaixadora e o Assistente se despedem dos convidados num até já e “visitarei os vossos projectos!”, e desaparecem por uma das portas da misteriosa residência. </div><div align="justify"><br />Se para alguns não fazia sentido regressar dentro de 2 horas, quando até não estava programado, resolvemos, o meu colega e eu, comparecer – mesmo que não seja em trajo formal, como recomendado. Usamos meia hora de atraso como consolo. Quem trabalha/vive nisso de desenvolvimento com a sociedade civil não tem “horas nem agendas” de reunir, o que se resolve muitas vezes com uma mochila e/ou com o hábito de estar preparado para tudo e a qualquer hora. Por falar em mochilas, amo-as há mais de vinte anos, minha fiel companhia, e ainda hoje não vejo nada mais prático a usar como carteira ou como “escritório móvel”!</div><div align="justify"><br />Na portaria exibimos os convites do envelope e entramos. Era tudo, menos o anunciado. O quintal estava em festa, literalmente cheio e tão “barulhento” – com todo o mundo a falar – como as nossas praças (mercados informais). Única diferença: ali não se anunciavam preços ou produtos e o inglês substituía o Umbundu ao lado do português. Pela primeira vez na vida, éramos uma ilha rodeada de figuras públicas por todos os lados: políticos, sociedade civil, diplomatas, jornalistas, etc. De repente se tornou tão simples apertar a mão a qualquer pessoa à Embaixadora, ao presidente da Unita, etc., (como nos sonhos), entre nacionais e “expats”.</div><div align="justify"><br />O assunto “Angola, catorze anos sem eleições” era tentação sempre presente nas conversas. Afinal Os políticos desfilavam fazendo cara bonita, tal como prostitutas caçando clientes. Pouco antes das 20:15, quando: “Desculpa, posso falar consigo um minuto?”, dirigiu-se a mim um senhor. “Acho que sim!”, respondi-lhe enquanto tentava descobrir o motivo. “Epa, estás a ver, aqui vem muita gente e a mochila…” Entendi muito antes do homem terminar o sermão e facilitei: “estás a propor que lhe entregue a minha mochila?” Enquanto se engasgava esse angolano, o mesmo senhor dos envelopes – esquecido de ter subjectivamente convidado para um encontro e não para uma festa, ainda por cima sem música – vem e reforça o que para mim já estava claro. Lá entreguei a mochila ao segurança, não vá eu ser acusado de transportar bombas para importunar a pobre embaixadora e os demais ali presentes, que disfarçavam o medo do terrorismo nas bonitas roupas e nos sorrisos mecânicos que a diplomacia ensina. </div><div align="justify"><br />É verdade! As coisas chegaram a tal ponto que, ao que parece, já não dá para confiar em ninguém, até mesmo nos guardas da nossa residência. E se você for um dia conviver em ambiente americano e quiser evitar desconfortos, o melhor é não levar a sua amada mochila. Porque tem outro significado quando é 11 de Setembro. Conselho de amigo!<br /><br />Por: Gociante Patissa, Lobito.<br /> </div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1156525724043683502006-08-25T17:39:00.000+01:002006-08-31T18:10:31.800+01:00ANGOLA EM (IN)MOVIMENTO<div align="justify">Quem tem a sorte ou oportunidade de regressar ou passar por Angola, vindo do strange, uma das coisas de que seguramente tem saudades é ver a nossa TPA. Esta, no tempo da outra senhor, significava Televisão Popular de Angola. Com a abertura do país à democratização passou a significar Televisão Pública de Angola. Numa altura em que o lema era o "P" cai, com muito sacrifício, conseguiu manter o "P" de "Popular", embora significando "Público". Na verdade, não é fácil despir-se de "hábitos populares" simplesmente porque a moda é democratizar-se.<br /><br />Hoje, com a proliferação das parabólicas ou DSTV, como são conhecidas aqui, "o tempo da TPA já era", como dizem os Kalibrados. Por isso, já é hábito traduzir-se TPA por "Tenha Paciência Amigo". Nessa situação, a saudade transforma-se num ápice em desilusão. Mas antes que tal aconteça, dentre outros, há um programa que chama atenção ao recém - chegado "Angola em Movimento".<br /><br />"Angola em Movimento" é um programa cujo figurino lembra o saudoso "Nação Coragem". A diferença é que tenta vender um cartão postal de uma Angola em Movimento; com grandes obras públicas (fruto do empréstimo chinês, da alta do preço do petróleo e do fim do conflito armado), sobretudo no sector das vias de comunicação, escolas e hospitais ou centros de saúde... Em fim, o programa está concebido para mostrar aquilo que todos esperam ansiosamente: estradas em reabilitação ou construção, escolas e hospitais a serem contruídos e inaugurados... As imagens são tão convincentes que quem por cá passa, vindo do strange, ganha vontade de empreender uma viagem por terra para ver como o país (i)move-se. </div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify">Não querindo fugir à regra, decidimos fazer uma viagem por terra, de Luanda ao Lobito. Segundo anunciaram, essa é a via que estará totalmente reabilitada até Dezembro de 2007. Então mais um motivo para ver como (não)vão as obras de reabilitação dessa via. Mas para minha (des)consoloção nem obra, nem máquinas, nem chineses vi durante as 8 horas de viagem. Como era domingo, tentei acreditar que os trabalhadores tinham repouso ao fim de semana.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Mas então as máquinas? Os sinais de algum trabalho? E os chineses que trabalhavam até durante a noite? Para não ser acusado de nada, decidi calar-me e repetir a proeza, no meu regresso e num dia de semana.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Então, meti-me à caminho do Lobito a Luanda, numa segunda - feira. Entretanto o filme repetiu-se e chinês apenas vi 5, na cidade do Sumbe. Seguramente estariam em repouso, enquanto outros (des)trabalhavam. Mentira. Nem um, nem dois... Mas as obras (não)avançam e até Dezembro de 2007 teremos a estrada toda reabilitada... É a Angola em (in)Movimento.</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Quem tiver a ilusão de andar por terra para ver como vão as obras de reconstrução das estradas, por favor, desengane-se e prepare-se para ver Angola em (in)Movimento. Mais do que isso, prepare bem o coração e a paciência porque os buracos continuam a conviver com restos de alcatrão lá onde ainda existe... noutros lugares só mesmo poeira e buracos. </div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Imagino quando a chuva chegar!!! Nem quero pensar nas outras vias com menos publicidade e campanha!!! Talvez o anúncio da data do registo eleitoral pode acelerar os trabalhos que já começaram!!!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Até breve!!!!</div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1155662958103154892006-08-15T18:25:00.000+01:002006-08-15T18:29:18.120+01:00POR QUANTAS VEZES MAIS...???<div align="justify">Uma voz, a habitual para ser sincero, lançava ao vento palavras de consolo, equilibrando-se entre o repouso agora e um espaço melhor num futuro distantíssimo, enigmático.<br /></div><div align="justify">“Não sei quantas vezes mais terei ainda de voltar aqui, mas a chatice de cá estar é sempre a mesma”, desabafei com um amigo. Já fora, no fim de tudo, uma senhora em trajo preto desabafava impotente com uma suposta amiga (ambas para mim eram desconhecidas, sendo a viatura e a viagem a única coisa em comum entre nós): “uma gaja nunca vem aqui para relaxar… é sempre com problemas. Possas!”<br /> </div><div align="justify">Voltará a sorrir tão cedo a pobre mulher? Talvez (espero que sim!), mas o rosto transparecia abalo, com um suspiro sentido, enquanto tentava sentar-se no pára-choques traseiro empoeirado da viatura, que não sabia a quem pertencia nem o sujeito que a conduziria. Nestes momentos, qualquer carro dá, não há lugar para formalidades. No fundo todo o mundo vai ao mesmo sítio e volta já, já, à base – excepto, claro, a pessoa do dia.<br /></div><div align="justify">E os primeiros instantes no destino então são os mais ingratos, sobretudo quando no quintal – cujo branco não é sinónimo de uma paz sincera, racional, mas apenas de conformismo, face a uma derrota sem recurso impeditivo – a leitura daquele texto de costume caminha para as últimas linhas. </div><div align="justify"><br />Como sempre, já sei o que vem a seguir. Mas me retiro, e é agora, para não olhar de frente, pelo menos desta vez, o passo mais concreto de toda a cerimónia (aquele momento que põe de parte toda a natureza de aparências que normalmente norteiam o socialmente recomendável em termos de apresentação individual e de discursos em relação ao personagem único; o momento pragmático do “terra p’ra terra”). Dou dois passos à retaguarda devagarinho para não dar nas vistas (péssimo momento para um eventual show-off!). Uma obra de arte castanha, que atende pelo nome de caixa, capitaliza as atenções, disputando nalguns casos com os rostos húmidos daqueles directamente mais atingidos (oh, e há sempre!).<br /></div><div align="justify">O filme é repetido e o impacto também. Enquanto deixo o círculo em busca de forças, sinto as pernas trémulas, a cabeça doendo… Estão muito frescas as imagens de uma conversa de “amizade em trabalho” que travamos na única pensão do Cubal, há um mês. Tudo agora passa para a classe de um passado sem interacção, juntamente com os seis anos da relação de colegas de “profissão”. É mais uma repetição da triste constante: a vida um dia nos junta e, logo, logo, nos separa…!<br /></div><div align="justify">O homem da bata branca, de livro de capa azul na mão, com os olhos por detrás dos óculos, continuava a apregoar o Senhor e o descanso eterno, enquanto amigos e familiares se rendiam em segurar as poucas pás disponíveis. E cada pausa do seu discurso corajoso era preenchida por um barulho agudo, num compasso que se tornou perfeito face à peculiar frequência ao longo dos anos. O buraco tinha de ser tapado, o homem ficaria mesmo!<br /></div><div align="justify">A poucos passos, um atraente vaso na cabeceira de uma campa de humilde aparência salta à vista. É natural ou artificial? Agacho-me, arranco uma folhinha e o verde húmido entre o meu polegar e indicador, ao esmagá-la, diz tudo. De um verde nutrido e uma flor amarela sorridente, foi trazida para cá no meio de lágrimas e choros de uma família que depositava para sempre mais um ente querido, como essa, hoje, agora. Não há dúvidas. Ela, a flor, sem me dizer há quanto tempo não recebia irrigação, só mostrou que tem conseguido sobreviver, ao lado de um vasto universo de flores artificiais em vasos com água.<br /></div><div align="justify">Por mais voltas que dermos vamos lá sempre ter… no cemitério. Como é chato, principalmente quando cada visita representa sempre a partida de alguém conhecido e/ou chegado, para nunca mais se voltar a ter novidades?! Como doem as habituais irrespondíveis perguntas lançadas aos choros por órfãos, viúvos/as e familiares em geral? Como é ingrato sabermos que o fim da vida dessa pessoa é o início de um problema para muitos, o de dar seguimento ao seu projecto de vida? O hoje lá se vai, mas quem sabe o amanhã? Ou melhor, é coisa de a pessoa se perguntar: por quantas vezes mais terei de voltar ao cemitério?<br /></div><div align="justify"> </div><div align="justify">Por: Gociante Patissa, em memória de Gabriel Agostinho, o “Gaby” da Okutiuka, Lobito, 12/08/2006 </div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1154716041108692272006-08-04T18:44:00.000+01:002006-08-04T19:27:21.150+01:00GESTOS DE ÁFRICA<div align="justify">Há um ano, tive a oportunidade de conhecer as terras de MANDELA. Não sou propriamente a melhor pessoa para falar da África do Sul. Além de ter permanecido por lá noventa dias, embora não como turista, é pouco tempo para perceber muitas dinâmicas. Acresce-se o facto de ser um grande admirador dos Sul-africanos e apaixonado pelo milagre da sua transição para a democracia. O exemplo de coragem e a capacidade de aceitação e superação deles bate fundo e forte no meu pequeno coração.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Mas hoje quero partilhar convosco a beleza e expressividade de um gesto. Passando pelas ruas de JB, Pretória, Petermarsberg(?) ou Durban há um gesto feito pelas mulheres que chama atenção aos observadores atentos. Uma mulher que se preza, quando sauda alguém que não conhece ou então com quem não tem muita intimidade não dá dois pares de beijos. Antes, estende-lhe a mão direita enquanto a mão esquerda segura, ligeiramente, o pulso da mão direita. Até aqui, nada de especial. A novidade, acessível à pessoas atentas, está no movimento que faz com a perna direita. Esta fica, simultaneamente, um pouco atrás e ligeiramente flectida. É um gesto muito rápido. </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Intrigado com a situação e porque a curiosidade era muita, perguntei a uma amiga porque faziam aquilo. É sinal de respeito! A resposta foi, no mínimo surpreendente. Entei voltei à carga: mas vocês não fazem isso com toda gente? É verdade! Quando as pessoas já são da nossa intimidade nós vamos deixando de parte algumas regras de cortesia ou algumas formalidades sociais. É tão simples quanto isso. A questão não é fazer com uns e outros não, mas sim adaptar as regras sociais ao contexto. Fiquei estupefacto e sem palavras...</div><div align="justify"> </div><div align="justify">O " problema" voltou à baila quando fui ao Moxico, em meiados de Julho de 2006. No final de semana, fomos convidados a almoçar em casa do amigo do meu colega. Para meu espanto, a esposa do amigo repetiu o mesmo gesto e fiquei apreensivo. Para completar a confusão, quando fomos convidados a sentar à mesa, ela ofereceu-nos uma bacia com água morna para lavar as mãos e uma toalha. O dono de casa começou a comer com as mãos e nós seguimos o gesto. Foi, simplesmente, divino. Nunca vi coisa igual...</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Para complicar o quadro, perguntei ao nosso amigo se a esposa era sul-africana. Ele respondeu-me que era do Bié! Na minha incredulidade, dirigi-me a ela em Umbundu e fui respondido à letra. Então, perguntei: donde é o amigo? Sou do Luena! Muita confusão em tão pouco tempo.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Uma vez no hotel, interroguei o meu colega sobre os gestos que tinha presenciado e contei-lhe a minha experiência da África do Sul. Ouviu-me, pacientemente, e disse: meu irmão a África está cheia de gestos e sinais comuns. Mudam os nomes, mas dizem a mesma coisa. O gesto da saudação também encontras na Zâmbia, Zimbabwe, Moçambique... Basta que a mulher seja educada num meio conservador e, uma vez adulta, tenha coragem de apresentar a sua educação.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">E aquela de lavar as mãos com água morna e comer com as mãos, enquanto os talhares permanecem arrumados? É uma experiência que trouxemos da Zâmbia. Lá, as pessoas que se prezam, usem gravata ou não, mantêm esse gesto. Os talheres ficam arrumados à mesa, mas quase ninguém os usa.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Gostei da experiência e, sobretudo, da transnacionalidade dos gestos.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1154454815099239172006-08-01T18:15:00.000+01:002006-08-01T18:53:35.630+01:00COSTANGUEIRO II<div align="justify">Sentei pa descansar, quando apareceu um amigo completamente chateiado e aos berros. Tentei fingir que estava demasiado ocupado com os meus problemas, mas foi impossível. O meu amigo estava inconsolável. Foi assim que decidi falar com ele.</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Então mano, qual é o problema? Tas a ver aquela via que sai da rotunda do zamba II e pessa pelo bairo azul? Yá tou a ver ( tive de fingir, porque não conheço Luanda, nem estou a ver..., talvez na imaginação, mas nem ai...). Apanhei ai o hiace pa ir ao trabalho, mas inventaram de fazer obra logo naquela estrada. Resultado: cortaram uma faixa da estrada e na que resta há muito engarrafamento. Pa variar, quando decidi ir à pé pa chegar ao salu antes de me marcarem falta, doutro lado da estrada as obras deram cabo de um cano de água e a rua ta toda "alagoada"( seria alagada se fosse apenas molhada, mas como formaram-se lagos...). </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Para passar é preciso apanhar um costangueiro. Como havia muita gente apressada e poucos costangueiros, eles começaram a cobrar 100kz por cada travessia. Que absurdo! É o dobro do preço do taxi. Mas pronto né! Um gazo tem que bazar po salu e pronto, paga. Mas o pior tava pa chegar. Quando mesmo chegou a minha vez pa passar, epa quase a chegar no passeio o costangueiro começou a reclamar: Kota é muito bebucho, tem que dar 200kz, se não desce. Puto tas a gozar ou quê? Vou descer como? Então paga senão desce aqui mesmo!</div><div align="justify">Para meu azar: o puto fez-me descer! Com os sapatos e as claças entrei naquele alagoado e era uma vez: falta no salu, sapatos rebentados, e roupa molhada. Aquem devo pedir a responsabilidade pelos prejuízos?</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Será que temos que fixar também o preço dos costangueiros pa travar a concorrência desleal ou </div><div align="justify">e preciso ter cuidado com os trabalhos nas estradas? Precisa-se, com urgência, recuperar a ética da responsabilização e fiscalização das obras públicas, porque no fim da linha é o pacato cidadão que paga a factura pesada.</div><div align="justify">Até breve!!!</div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo </div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1153751154606599662006-07-24T14:44:00.001+01:002006-07-24T15:46:18.546+01:00COSTANGUEIRO<div align="justify">Desta vez, escrevo a partir de Luanda, a »cidade da confusão». Encontro-me na também cidade da Kianda desde 05 de Julho. Já estive nas cidades do Lobito e Benguela e a imagem não foge muito da confusão de Luanda. Tive também a sorte de viajar ao Luena, onde fiquei 8 dias a trabalhar na preparação e realização de uma conferência sobre o papel das eleições na promoção da democracia e da reconciliação nacional. Em próximos apontamentos, espero poder falar dessas emoções e impressões de regressar à terra e viajar pelo leste.<br /></div><div align="justify">Hoje quero partilhar convosco uma nova profissão criada pelos angolanos: "Costangueiro". Quando cheguei à casa, nas conversas com as minhas irmãs falaram-me de certo grupo de pessoas que só comem quando chove. Diante da minha indiferença, uma das minhas irmãs perguntou: « mano, sabes porquê eles só comem quando chove»? Do alto da minha sapiência respondi: « porque são agricultores e sem chuva têm dificuldades de regar os campos e conseguir alimento». Em uníssono, as minhas irmãs puseram-se a rir da tuguisse e ignorância do mano.<br /></div><div align="justify">Refeitas da piada e parvoíce do mano, a mais velha pôs-se a explicar: « mano, eles só comem quando chove porque são costangueiros»! «Costa quê»?, returqui eu. «Costangueiro, mano»! «Explica lá isso bem»! Rematei. «Mano, conheços os candongueiros né»? «Ya conheço»! «Então candongueiros e costangueiros são dois meis de transportes. Enquanto o candongueiro te leva de carro, o costangueiro te leva nas costas; enquanto o candongueiro tem sempre clientes e trabalho, o costangueiro só trabalha quando chove, porque é quando as ruas e as estradas estão cheias de água e para as pessoas passarem têm de ser levadas às costas».<br /></div><div align="justify">De regresso à Luanda e pelos lados de São Paulo deparei-me com um cenário desolador: em pleno cacimbo, isto é, quando não chove, as ruas estavam completamente alagadas e os costangueiros empregados. Então telefonei à minha irmã e disse-lhe: « mana, aqui em Luanda os costangueiros não dependem da chuva pa trabalhar. Há sempre clientes que precisam ser levados às costas para atravessar certas ruas, porque o asfalto e os canos de água não se entendem. Paga o pacato cidadão e o costangueiro ganha o seu pão». Até Dog Murras desconseguiu explicar e cantar essa verdade, já que ele só diz « nosso bairo é o mesmo... quando chove é sartar, se cair maka é teu»!!! E quando não chove? Porque precisamos de costangueiros? </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Atenção: não sou contra aqueles que ganham digna e honestamente o seu pão! Mas essa de levar os outros às costas pa atravessar os lagos ou charcos ao longo das estradas e ruas não dá.<br />Até breve!!!!<br /><br />Upindi Pacatolo </div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1145491653566141382006-04-20T01:04:00.000+01:002006-04-20T01:07:33.583+01:00«HÁ QUATRO ANOS!!!E QUATRO ANOS DEPOIS???»<div align="justify">Há quatro anos…<br />Morreu Savimbi em combate, no Leste de Angola. Foi exibida pela Televisão Pública de Angola(TPA) a imagem do corpo de Jonas Savimbi cravado de balas, moscas e profanado. Para quem tinha dúvidas ou alguma esperança no regresso do líder ou numa reviravolta, tudo ficava claro. Era chegado o fim de uma odisseia começada em 1966 no leste de Angola.<br />Há quatro anos…<br />Nasceu um duplo desafio para o General Paulo Lukamba “Gato”: 1º parar as hostilidades e devolver a paz aos angolanos; 2º salvar a UNITA de um fim inglório e transformá-la num partido político capaz de abraçar a disputa político, sem recorrer a meios militares.<br />Há quatro anos…<br />O General “Gato” mostrou-se à altura do acontecimento e das circunstancias. Por um lado, suspendeu as hostilidades e entabulou negociações com as FAA, assinando-se um cessar fogo, que teria na assinatura do memorando de entendimento, em Luanda na casa mãe das leis, o seu ponto alto. Por outro lado, o General “Gato” começou a percorrer o longo e difícil caminho da unificação e transformação da UNITA. É um caminho que teve o seu ponto alto no congresso que elegeu o Sr. Samakuva como presidente da UNITA. A unidade da UNITA permanece difícil, com altos e baixos…<br />Quatro anos depois…<br />A paz é uma realidade inquestionável. O mérito do presidente da república, o engenheiro José Eduardo dos Santos, na conquista da paz militar é incontornável. Os frutos da paz são visíveis na livre circulação de pessoas e bens, na reabilitação das infra-estruturas, na estabilização macro-económica, na corrida de investidores estrangeiros…<br />Quatro anos depois…<br />A defesa e garantia dos direitos e liberdades fundamentais dos angolanos é feita de modo tímido ou insipiente. A igualdade perante a lei é uma miragem, para a maioria dos angolanos. A juventude rural e das periferias das grandes cidades continua condenada a um desemprego crónico, quando não está sub-empregada. Os salários da função pública permanecem aquém do custo de vida…<br />Quatro anos depois…<br />Continuamos a espera da normalização das instituições políticas do país. As eleições continuam no segredo dos deuses. A oposição e o partido no poder continuam com agendas desencontradas. As grandes questões nacionais ainda são monopólio e privilégio dos “iluminados” dos partidos, “grandes intérpretes” do pensar e sentir nacional. O investimento na educação e na saúde, que mais não são senão o investimento no Homem Angolano e no futuro do país, são uma miragem.<br />Quatro anos depois…<br />A UNITA ainda vive os seus dramas e o sonho de ser o maior partido da oposição. A FNLA continua abraços com a sua crise interna de liderança. Os outros todos não inspiram segurança enquanto alternativa ao governo do MPLA… Por esse andar, quando as eleições forem anunciadas, não é muito difícil prever que sirvam para confirmar o óbvio…<br />Quatro anos depois…<br />Consola-me saber que pesa sobre a nossa geração, gravemente privada de oportunidades, o desafio de trabalhar e lutar por uma democracia pluralista em Angola e não apenas eleitoral. Esse desafio já começou e temos de procurar pelas oportunidades já que elas tardam em aparecer ou manifestar-se de forma clara e transparente. Eu acredito na nossa geração… </div><div align="justify"> </div><div align="justify">Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1144373923545728212006-04-07T01:24:00.000+01:002006-04-07T02:50:02.973+01:00O "KAIRÓS*" DA UNITA<div align="justify">De regresso à terra, tive a oportunidade de voltar às nossas conversas com a avó Cambundu, aquem o peso da idade vai vergando. Desta feita, obriguei-a ir bem fundo da sua memória e resgatar de lá alguns dados e referências históricas que me ajudassem a compreender um fenómeno que me tem intrigado de algum tempo a esta parte: A "UMBUNDIZAÇÃO" DA UNITA.<br /><br />A avó Cambundu olhou bem fundo para os meus olhos e pediu-me que a levasse ao quintal para sentar-se à sombra da mulembeira. No seu estilo maternal, convidou-me a sentar-se bem perto das suas cansadas pernas e, afagando a minha carapinha, como o fazia na minha infância vezes sem conta, constatou com surpresa que seu netinho estava a tornar-se num homem calvo!<br /><br />Depois de muita hesitação, avó Cambundu começou a narrar a sua pesada e dura história. «Em 1961, quando começou a luta de libertação nacional estava a trabalhar nas roças no "nano"(1). Tinha ido lá atrás do teu avô que já lá estava faz três anos. Com os ataques dos nossos irmãos do catanga(2) e com a resposta dos brancos, nós tivemos de fugir e conseguimos chegar mais tarde na nossa aldeia de Etunda Mbulu. Meu filho quando chegamos na nossa aldeia a alegria voltou nos nossos rostos e a força para recomeçar a vida era maior, porque «v'ondjo v'ondjo, nangõ katulila mo omumã!»(3).<br /><br />Meu filho, nesse ano, alguns familiares fugiram para muito longe e não conseguiram chegar na nossa aldeia. Mais tarde, quando as coisas ficaram calmas, eles voltaram lá nas roças do "nano" para ganhar a vida. Eles eram muito jovens e tinham medo de voltar a aldeia e serem apanhados pelos cipaios e levaram um castigo pesadíssimo ou serem levados de volta e perderem o pouco a que podiam ter direito.<br /><br />Em 1974, quando as tropas da FNLA entraram nas zonas das roças começaram a correr e expulsar todos os trabalhadores das nossas terras. Alguns foram mesmo mortos. O povo teve medo que se voltasse a repetir o 1961, então quase todos saírem de lá e voltaram nas nossas aldeias. Perderam tudo, mas mesmo tudo o que tinham e nunca mais perdoaram os da FNLA.<br /><br />Quando chegaram aqui nas nossas aldeias, começaram a ouvir falar da UNITA. Esses vinham dos Luchazes(4) e falavam a língua dos luchazes e a nossa, mas eram muito diferentes da FNLA porque não ameaçam e andavam sempre a falar boas coisas. Havia muitos deles que eram camponêses ou filhos do povo e nós conhecíamos muito bem. Eles aconselharam-nos a não desistir e continuar a lutar e a trabalhar a terra. Foi assim que o povo que estava cansado e triste, rapidamente, simpatizou com a UNITA.<br /><br />Quando a UNITA foi corrida das cidades em 1975/76, muitos acompanharam a UNITA porque acreditavam que a guerra que vinha de cima é muito perigosa e os do "nano" matam tudo. Por isso, o melhor é fugir. Mas o pior ainda tava para acontecer, meu filho». O sol já se punha e a avó começou a sentir frio e pediu-me que a levasse para dentro. Frustrado, fiz-lhe a vontade e deixa-a deitada na sua cama. Finalmente, quando me dirigia para porta de saída, a avó chamou-me e perguntou se eu queria ouvir mais um bocadinho antes dela dormir. Eu disse-lhe que sim<br /><br />Então avó Cambundu retomou a conversa, mas sem a sequência que estava a espera. « No ano da fome(5), houve kwata-kwata(6) nas nossas aldeias para ir de novo nas roças. Mas desta vez o povo fugiu para as matas e foi entregar-se na UNITA. Foi muita gente, mas muita muita gente mesmo. Cátê aqueles que foram apanhados muitos conseguiram fugir de lá e foram nas matas. Desta vez eles estavam dispostos a lutar e defender a suas aldeias e os seus velhos e crianças. E a guerra teve que durar muito tempo, porque era muito abuso. O teu avô, nesse tempo, dizia aos teus tios «kapeli-ko: ove watopa onambi ya nhõhõ vaenda layo»(7).<br /><br />Nesse entretanto, avó Cambundu adormeceu e deixou-me com água na boca. Mas, prometo voltar mais cedo e aproveitar gravar algumas histórias da minha querida avó e tentar parlhar algumas delas convosco. Fica a ideia que há momentos históricos fortes marcados com erros da FNLA e do Governo do MPLA que ajudaram a UMBUNDIZAR a UNITA. Esses elementos não tiram mérito à capacidade de mobilização dos dirigentes desse partido.<br /><br />Notas: * Kairós=tempo de graça; (1) Nano: equivale a norte; (2) Catanga: equivale a provenientes do Zaire;<br />(3) V'ondjo v'ondjo nangõ katulila mo omumã(literalmente= mais vale ter uma casa, ainda que não se coma nela o fígado). Em casa estamos sempre bem, mesmo quando não temos posses para comer do bom e do melhor.<br />(4)Luchazes: equivale a leste;(5) ano da fome: equivale a 1977/78; (6)kwata kwata: é a guerra do "apanha apanha" para levar os campoêses do sul para as roças do norte;<br />(7) Kapeli-ko: ove watopa, onambi ya nhõhõ vaenda layo(literalmente=Cuidado: se fores burro, tiram-te o direito de chorares e sepultares a tua mãe). Se não te acautelares, tiram-te a liberdade conquistada e não serás capaz de cuidar da tua mãe, dos teus e da tua terra; outros contarão a tua história, por isso, resiste!!!<br /><br />Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1140752021733497972006-02-24T02:30:00.000Z2006-04-07T02:58:08.986+01:00AGORA É QUE VÃO APANHAR CAFÉ!!!<div align="justify">Há quatro anos, num belo domingo 24 de Fevereiro de 2002, encontrava-me numa das Igrejas do Lobito a meditar, momentos antes da Missa Dominical das 10h00. Nesse instante, entra uma senhora amiga, na casa dos seus 50 anos, toca-me no ombro esquerdo e diz « sekulu wafa, kalye wendi k'ondalatu! v'ukanoli o café k'imbo lyamale!» (1). Confesso que entendi o que disse, mas não compreendi e nem consegui fazer o devido enquadramento. Intrigado, tentei concentrar-me na missa que estava prestes a começar.<br />Quando terminou a missa, saí da Igreja e fiquei lá fora a conversar com amigos. Eis que aparece o nosso pároco que se junta ao grupo e participa da conversa. Dada a nossa proximidade, seguimos juntos para almoçar. Durante o almoço vieram-me as frases da senhora e disse-as ao padre, na esperança que ele me ajudasse a fazer o devido enquadramento. Para meu espanto, jovem da casa dos vinte anos, aquelas palavras tinham uma verdade histórica que eu desconhecia completamente.<br />No rescaldo da guerra imediatamente a seguir a Independência, entre os anos de 1976 a 1978, houve uma brutal escassez de alimentos e paralização dos campos de algodão e café do norte de Angola. Para fazer face a esse desafio, o governo de Angola reeditou a guerra do Kwata-Kwata (2) nas terras do planalto e sul de Angola (3) afim de obter trabalhadores agrícolas indispensáveis para revitalização da agricultura nas roças do norte.<br />Se com a independência, os camponêses do planalto e sul de Angola puderam sonhar com o fim do seu recrutamento forçado para aquelas roças, a sua reedição por um governo independente foi um golpe duríssimo na sua ilusória liberdade. O líder da UNITA, Jonas Savimbi, agastado com a fraqueza e quase exaustão das forças que conseguiram sobreviver à retira das cidades, em direcção as matas do leste (Jamba), onde se reorganizará a luta de resistência, aproveitará esse facto mais a presença dos cubanos para moblizar aqueles camponêses e relativos à sua causa. O aproveitamento político desse facto e o apelo à resistência a guerra do Kwata-Kwata e a invasão cubana atraiu para as matas muita gente farta da opressão e brutalidade das roças. Conta a história que foi assim que Savimbi conseguiu pôr fim a guerra do Kwata-Kwata. É bem conhecida a máxima Umbundu que Savimbi usava com frequência «ise okufa, etombo livala» (4).<br />Talvez isso explica, em parte, porque pessoas da minha geração naturais das zonas do planalto e sul de Angola tenham crescido em meios onde os adultos nutriam (e nutrem) uma grande admiração e respeito, quando não devoção, pelo mais velho (Savimbi), que consideravam seu libertador tanto da opressão colonial quanto da opressão do novo governo, malgrado todos os dizeres verdadeiros ou não das atrocidades do mais velho.<br />Mas para os nascidos depois da independência continua a existir muitas coisas difíceis de compreender, hoje, porque a história foi-lhes negada por muito tempo. Os que a viveram preferem calar, quando não a contam com muita amargura, sendo difícil distinguir o facto da sua recriação. Dessa forma aprendi mais um pouquinho da nossa difícil e complicada história política.<br /><br />(1) Morreu o mais velho, agora ireis apanhar café em terras do norte como contratados;<br />(2) Guerra do Kwata-Kwata: literalmente, guerra do apanha-apanha. Foi desencadeada pelas autoridades coloniais para apanhar camponêses e enviá-los às roças, sobretudo do norte de Angola. As famosas levas de contratados Ovimbundu ou Bailundo;<br />(3) Planalto e Sul de Angola: pessoalmente, não gosto de usar essas expressões, mas servem para identificar o antigo corredor do Planalto de Benguela ou zonas de povoamento Ovimbundu; assim como, as zonas do norte, identificam as de povoamento Kimbundu mais Kikongo (roças do Uige);<br />(4) Prefiro antes a morte, do que a escravatura. É um forte apelo a resistência por justa causa: manter a dignidade e a honra do convento.Mas não se compreende plenamente sem a sua complementar: «na floresta, a árvore que não obedece ao vento quebra». Isto é, quando a resistência não é possível, a sabedoria aconselha obediência para sobreviver e contar a história.»<br /><br />Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9837578.post-1140606461101996182006-02-22T10:05:00.000Z2006-04-07T02:54:10.006+01:00A CHANA DA VERGONHA!<div align="justify">Há quatro anos morria, nas chanas do Leste de Angola, Lucusse, Jonas Malheiro Savimbi. Para uns, morria o pai fundador da UNITA, líder histórico, carismático, controverso... Para outros, simplesmente, um criminoso de guerra, um sanguinário... enfim, um "Calvário Chamado Jonas"*. A par das lutas político-partidárias e das questões intestinais ou figadais, relacionadas com o nome e a pessoa de foi Jonas Malheiro Savimbi, quero reflectir sobre uma coincidência histórica ou não e de algum desagrado com a mídia televisiva, dependendo do ângulo de leitura do leitor.<br />A expressão que dá título a esta reflexão é do dr. Savimbi. Foi usada em Agosto ou Setembro de 1974, aquando da assinatura do acordo de cessar fogo entre o MPLA-Neto e o exército português, no Lucusse. Jonas Savimbi, nessa expressão, resume aquilo que para ele significou a "traição portuguesa".<br />Quando se dá o 25 de Abril, em Portugal, o MPLA encontrava-se dividido em três facções: Neto, Chipenda e Joaquim Pinto de Andrade. Chipenda era o comandante das forças do MPLA, na frente Leste. Uma vez em ruptura com o MPLA-Neto, significava que esta ala não tinha presença na frente leste. Mas para mostrar que o MPLA-Neto tinha presença no Leste de Angola, foi criado um cenário militar de guerrilha para acolher o dr.Agostinho Neto que vinha de helicópetero das forças armadas portuguesas para assinar o cessar fogo no interior de Angola. Devido a encenação e ao simbolismo que revestiu e revestirá para o MPLA-Neto, Jonas Savimbi chamou ao Lucusse "A CHANA DA VERGONHA", porque marcava "a primeira traição" de Portugal aos destinos do povo angolano.<br />No dia 22 de Fevereiro de 2002, Jonas Savimbi morre no Lucusse, aquela que há 28 anos era a "CHANA DA VERGONHA". Porque o seu fim se deu no Lucusse e não noutro lugar? É mera coincidência ou quereria significar alguma coisa mais? Será que quereria terminar onde começou a UNITA (Muangai) e não foi a tempo? Ou quereria completar o círculo da traição começada no Lucusse? Mas então qual é a traição final: a dos seus companheiros e/ou do povo que dizia defender e o terá entregue? Ou a sua em relação aos seus companheiros e/ou ao povo que dizia defender? Como a nossa intenção não é responder a esses interrogatórios, mas colocar a questões passaremos para a análise de outro ponto: tratamento da imagem.<br />As imagens que nos chegaram e foram distribuidas pela TPA constituiram, entre outras coisas, uma elevada profanação da sacralidade da morte. Aprendemos desde tenra idade que os mortos são sagrados e, malgrado a lógica da guerra, devem merecer um mínimo de dignidade.<br />Para quem acompanha as imagens de sinistralidade dos ataques terroristas que tiveram lugar em países ocidentais, desde o 11 de Setembro, há-de constatar que os mortos não têm rosto. Fala-se do número, mostram-se, as vezes, alguns corpos, mas sem rosto, isto é, reserva-se a dignidade a que têm direito. Mas então que fizemos dos nossos princípios sagrados? Dir-me-ão: ele não respeitava os vivos! Quanto mais os mortos? Pois bem, quando não temos elevação moral suficiente para preservarmos a dignidade que existe em nós, penso eu, que nos tornámos pior do que aquele que queremos sancionar.<br />Queria partilhar com todos, mas sobretudo os meus coetâneos que sobre a nossa história podem não ter algumas informações, daí a incursão pela história na primeira parte. Na segunda, é um desagrado pela nossa mídia no tratamento das imagens dos mortos, doentes de sida, estropiados...<br /><br />*Título do livro do ex-deputado do MPLA, Alexandre Gurgel " Um Calvário Chamado Jonas"(1999/2000?)???( que alguém me ajude a precisar a referência!!!).<br /><br />Upindi Pacatolo</div>Upindi Pacatolohttp://www.blogger.com/profile/04532163183486653285noreply@blogger.com