tag:blogger.com,1999:blog-96484262009-05-11T00:25:53.460+01:00NyxWhatever...Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.comBlogger72125tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-92029452442932933072009-05-11T00:24:00.000+01:002009-05-11T00:25:53.466+01:00VemVem. <br />Abre caminho por entre as tuas angustias e agarra a minha mão.<br />Agarra-a entre promessas de que nunca a largarás, por muito que saibas que mentes, por muito que percebas que ela é demasiado escorregadia para permanecer eternamente junto à tua.<br />Vem.<br />Traz-me todos os teus desgostos, as tuas lágrimas, as tuas alegrias, os teus sorrisos. Traz-te a ti mesmo, a quem és, verdadeiramente.<br />Não deixes para trás o teu egoísmo nem a tua ignorância, pois também são parte de ti.<br />Vem.<br />Juro que tratarei de ti, juro que protegerei a tua vida mais do que a que me pertence.<br />Não permitirei que nenhum mal te faça frente, proibirei os monstros de povoar os teus sonhos e os teus medos de habitar os recantos mais escuros da tua mente.<br />Vem.<br />Tens um lugar aqui, comigo.<br /><br />depois de um hiato enorme, sai-me isto. Não sei.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-9202945244293293307?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-91990296866580173792007-10-05T22:34:00.003+01:002007-10-05T22:34:46.136+01:00Alma - Parte X<p class="texto"><span style="">Espero que estejas grávida. Já reparei que os teus seios mudaram e o teu estômago não parece tão liso e suave como habitualmente.</span></p> <p class="texto"><span style="">Espero que sim. Leio nos teus olhos uma criança que se encontra dentro de ti. É um rapaz, sabes? E vai ser corajoso, como o homem que ajudou a dar-lhe vida. Vejo-o dentro de ti. Ao contrário do que tu gostarias, não tem os meus olhos negros. São pequeninos, como os teus, verdes e misteriosos. Terá aquele olhar cativante que me prendeu a ti. É irrequieto, ele. Esperam-te muitas impaciências e preocupações.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Sim, digo-te esperam-te e não esperam-nos. Não, não é que eu não deseje essa criança, tu é que não queres que a deseje. Partirás, mais cedo ou mais tarde, com o receio de dares ao teu filho um pai como eu. Não te vais dignar a deixar um bilhete. É tipicamente teu não te preocupares, é tipicamente teu fugires sem avisares ninguém.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Como no dia em que o rapaz foi concebido, lembras-te? Desapareceste de casa, tu, que eras tão frágil e procurei-te toda a noite. Fui dar contigo nas docas, com os pés submersos e trouxe-te para casa. Apesar dos teus olhos pedirem desculpa a todo o momento, não conseguiste proferir uma palavra.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">O miúdo é bonito. Tem um sorriso engraçado e vai ser bom músico. Pelo menos que para isso os meus genes sirvam. Olha, parece que não vais gastar dinheiro em chupetas... chucha no dedo, ele, nos dedos longos como os meus. Deixar-lhe-ei o meu piano como herança. Por favor, dá-lhe a mesma inspiração que um dia me deste a mim. <o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Ama-o muito, sim? Ama-o como um dia me amaste a mim, se não ainda mais.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Mas não vejas nele aquilo que vês <st1:personname productid="em mim. Ele" st="on">em mim. Ele</st1:PersonName> não o merece.<br />E se um dia lhe falares dessa figura, dessa pessoa, o PAI, não lhe digas que me deixaste porque já não me amavas. Diz-lhe que fui um anjo. E que, como todos os anjos, não pude ficar na Terra.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Porque não ficarei. Assim que me abandonares tornar-me-ei realmente num anjo e serei perpetuamente feliz, porque te pude conhecer e tornar a minha vida plena.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Não te sintas culpada quando leres estas linhas, que só receberás depois da tua partida. Tudo estava já destinado a ser assim e, se eu me resignei com esta sorte, tu nada poderias fazer para mudá-la, por muito que me amasses.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\xpc\DEFINI~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: -1; left: 0px; margin-left: 0px; margin-top: 73px; width: 566px; height: 9px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/xpc/DEFINI%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image002.gif" shapes="_x0000_s1026" height="9" width="566" /></span><!--[endif]--><span style="">Rogo-te apenas um último pedido: chama-lhe Gabriel. Para que também ele seja um anjo.<o:p></o:p></span></p> <br />*************************************************************************************<br /><br />Final. E provavelmente o final do blog.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-9199029686658017379?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-198726338466663332007-10-05T22:33:00.002+01:002007-10-05T22:34:08.566+01:00Alma - Parte IX<p class="texto"><span style="">Ultimamente, noto-te estranha.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Pareces-me permanentemente distante, a tua mente sempre nalgum lugar remoto a que eu não consigo ter acesso.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Jazes, indiferente a tudo, ao meu toque, ao som das minhas composições, ao timbre da minha voz, à luz que incide sobre o teu corpo delicado. Jazes assim, eternamente estagnada, como um cadáver abandonado pelo ocaso.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Tenho saudades da tua alegria, minha Alma, da forma como me olhavas da ombreira da porta e sorrias, enquanto eu, furioso de amor, te tocava as mais inúmeras cadências.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Ultimamente, noto-te estranha.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Macambúzia, arrastas-te pelo teu palácio sem saber onde te diriges, foges de tudo o que te rodeia, como se tudo te maçasse e aborrecesse.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Só o teu olhar permanece. Esse teu olhar penetrante, esse teu olhar que me controla, esse olhar que nunca me deixará viver sem ti.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Tenho saudades de quando te conheci, minha Alma, de como me encantaste com o teu cabelo incandescente e os teus olhos intensos e o teu livro de sonetos e a tua vida imoral.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Ultimamente, noto-te estranha.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" wrapcoords="76 2400 38 7200 76 16800 21180 16800 21257 16800 21257 7200 21180 2400 76 2400"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\xpc\DEFINI~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: -1; left: 0px; margin-left: 1px; margin-top: 35px; width: 566px; height: 9px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/xpc/DEFINI%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image002.gif" shapes="_x0000_s1026" height="9" width="566" /></span><!--[endif]--><span style="">E receio-te demasiado.<o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-19872633846666333?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-232743362858195212007-10-05T22:33:00.001+01:002007-10-05T22:33:45.214+01:00Alma - Parte VIII<p class="texto"><span style="">Sonhei que desaparecias.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">No meu sonho, via-te nas docas como naquele dia em que fugiste.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Tinhas uma túnica branca colada ao corpo, ensopada pela água, que te fazia assemelhares-te ainda mais a um anjo.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Os seus olhos cintilavam com as lágrimas e estavam vermelhos de choro, mais encarnados do que o teu cabelo. Onde estava aquele olhar que me seduzira? Estavas vazia, minha Alma, tinhas sumido de dentro de ti mesma.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">E, de repente, fixaste esse olhar desabitado em mim e os teus lábios murmuraram lentamente um “Odeio-te.” tão intenso como o teu olhar despojado.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Subitamente, fui atingido por uma dor tão avassaladora que caí de joelhos, pensando que a morte não tardaria.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Subitamente, levantou-se um temporal. O vento fustigava-me as faces, as nuvens negras reuniam-se numa conspiração apressada, o ribombar dos trovões fazia tremer a tua figura frágil, a chuva que começara a cair agredia-me constantemente, deitando abaixo as lágrimas caprichosas.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">No meio do temporal, a Natureza venceu-me e vi-me no chão, paralisado, a ser torturado e humilhado pelos elementos.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto" style="text-indent: 0cm;"><span style=""><o:p> </o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Era tudo tão violento</span><span style="font-size: 11pt; line-height: 200%;">… </span><span style="font-size: 10pt; line-height: 200%;">tão violento… </span><span style="font-size: 8pt; line-height: 200%;">tão violento…</span><span style="font-size: 9pt; line-height: 200%;"> </span><span style="font-size: 6pt; line-height: 200%;">tão violento…</span><span style="font-size: 9pt; line-height: 200%;"> </span><span style="font-size: 4pt; line-height: 200%;">tão violento...</span><span style="font-size: 8pt; line-height: 200%;"> </span><span style="font-size: 2pt; line-height: 200%;">tão violento…</span><span style="font-size: 7pt; line-height: 200%;"> <o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style=""><o:p> </o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Quando tudo acalmou, levantei os olhos do solo e olhei o sítio onde estiveras.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">O vazio. Um vazio tão grande como o que eu vira nos teus olhos. Um vazio tão grande como o que se encontrava agora dentro de mim.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">A túnica branca no chão.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Tão vazia e sem forma como eu.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">A essa túnica faltava-lhe um corpo.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">A mim, uma Alma.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style=""><o:p> </o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Despertei sobressaltado e acordei-te assim que te senti ao meu lado.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Abriste devagar os olhos ensonados e, do meio do teu adormecimento suspiraste “Que se passa, meu Amor?”<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">E o teu olhar, apesar de confuso, era profundo e tão cheio de ti e do teu afecto que só te pude beijar e embalar de novo no teu sono.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Aquele vazio… não tenciono nunca mais sentir semelhante vazio… <o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Nem em sonhos. <o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-23274336285819521?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-175724572573358012007-08-22T13:51:00.000+01:002007-08-22T13:52:55.084+01:00Alma - Parte VII<p class="texto"><span style="">Dou comigo a questionar o meu egoísmo, a ansiar por um qualquer sinal teu de desconforto.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Afinal, roubei-te às ruas sem nada saber, apenas com a certeza do teu olhar, sem te dar qualquer hipótese de recusa.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Não te perguntei se tinhas alguém, outro homem fixo preso a ti: um pai, um namorado, um amigo, um proxeneta, um amante... alguém com quem manterias qualquer laço.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">A única referência à família fora feita na justificação do teu nome imaculado. Onde estava essa mulher demente que mencionaras? Num cemitério, num hospício, a seguir a sua própria vida, ignorando a perfeição que se lhe escapara?<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Moravas na rua, meu Amor? Tinhas uma casa ou andavas cambaleando de local em local, refugiada quando tinhas um cliente nocturno ou permanecendo ao relento quando o crepúsculo não te trazia ninguém?<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Sentes a falta de algo? De alguém?<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Serei eu uma besta que te arrastou para o seu covil sem te dar sequer oportunidade de defesa, como um lobo que agarra repentinamente a sua presa?<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Não conheço a tua história, minha Alma, mas sei de ti o bastante para te amar incondicionalmente, para te dedicar cada melodia, para te escrever todas estas palavras vãs e patéticas.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Conheço todas as curvas do teu corpo: o sulco das tuas costas, a cova da tua barriga, a forma dos teus seios. Saberia descrever ao pormenor a fragrância do teu perfume, as expressões do teu rosto, os teus gestos e trejeitos. Consigo decompor nos mais variados adjectivos os teus olhos, as tuas sobrancelhas, o teu nariz, as tuas orelhas, a tua boca, os teus lábios, as tuas faces, os teus braços, as tuas pernas, o teu peito, os teus pés, o teu sexo, o teu pescoço, os teus cabelos, as tua mãos e o teu corpo em pleno.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Sei de cor as tuas reacções: como te arrepias quando te beijo a nuca, como coras se te elogio, como ficas extremamente sensível ao toque quando me desejas, como acorres a abraçar-me quando me detenho na minha melancolia.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Tens demasiado de mim em ti e por isso conheço-te melhor do que a mim mesmo.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Por isso me assombras tanto.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><span style="">Por isso sou egoísta.<o:p></o:p></span></p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" wrapcoords="76 2400 38 7200 76 16800 21180 16800 21257 16800 21257 7200 21180 2400 76 2400"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\Geral\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: -1; left: 0px; margin-left: 0px; margin-top: 36px; width: 566px; height: 9px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/Geral/LOCALS%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image002.gif" shapes="_x0000_s1026" height="9" width="566" /></span><!--[endif]--><span style="">Por isso sei que me possuis. <o:p></o:p></span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-17572457257335801?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-67735247594209890172007-08-15T20:04:00.001+01:002007-08-15T20:04:35.220+01:00Alma - Parte VI<p class="texto">Consegui, minha Alma. Após tanto tempo, hoje enfrentei o banco longo de couro que há demasiado me esperava. Senti a sua troça calada, ele, que sabia melhor do que ninguém a longa temporada em que tinha sentido a ausência do meu peso. Passei os dedos devagar pelas curvaturas do verniz negro, sentindo o seu frio acolhedor. Abri a tampa e retirei as páginas de jornal que para lá tinha atirado no auge do meu desespero. Numa delas, amarrotada, lia-se, em letras grandes, após um espaço rasgado que eu presumia que outrora tinha contido o meu nome: CANCELOU A SUA DIGRESSÃO EUROPEIA e em baixo, em letras diminuídas: O artista alega falta de inspiração como motivo deste último capricho. Ah, essa inspiração, essa que eu tanto procurara em vão e me aparece sob a forma de um olhar.</p> <p class="texto">Sentei-me decididamente e o banco, assustado com a minha determinação, fitava-me respeitosamente. Levantei o tampo e acariciei lentamente aquelas formas brancas e pretas, carregando numa e noutra, aqui e ali, como se nunca as tivesse conhecido, ouvindo os leves gemidos que estas proferiam. Os seus suspiros eram os de uma dama, acariciada por quem esperara eternamente.</p> <p class="texto">Num ímpeto, ataquei-as. Os meus dedos eram mais rápidos do que a minha mente, fugiam e voltavam, esmagando ininterruptamente estas teclas, a uma velocidade estonteante. Quando o som atingia os meus ouvidos, era sublime. Oh, como era tão bela aquela arte que eu repudiara!</p> <p class="texto">Mas agora, voltado a ser homem e, antes de tudo, teu amante, sentia o ritmo viajar pelo meu corpo, penetrar no meu sangue, ser bombeado pelo coração através das artérias para todos os músculos, até aos braços, até aos dedos, até quase jorrar sobre aquelas claves de marfim.</p> <p class="texto">Toquei de tudo. Vieram-me à mente as sinfonias de Beethoven e o meu corpo as reproduziu. Pensei nas óperas de Mozart e os meus membros obedeceram. Depois, muitas horas depois, quando já não sabia mais a que génios recorrer, as minhas mãos já tinham instintos próprios, viajando pelas teclas por sua espontânea vontade. As melodias ecoavam, tão harmoniosas como tu, meu Amor, como as formas do teu rosto, tão equilibradas como os detalhes do teu corpo, tão desordenadamente organizadas como só a tua loucura.</p> <p class="texto">Repentinamente, entraste na sala e ficaste a fitar-me, envergonhadamente, talvez sem coragem de interromper o feitiço que parecia ter-me sido lançado. Chamei-te com um gesto, sem parar de tocar, e sentaste-te ao meu lado.</p> <p class="texto">Agora, tudo em mim era música e inspiração, tudo soava aos meus ouvidos como cânticos celestes. Tinha alcançado de novo um estado de graça aos olhos dos Deuses.</p> <p class="texto">Com a minha musa, voltei a ser músico.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-6773524759420989017?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-61829771486046315682007-08-14T11:32:00.000+01:002007-08-14T11:35:06.584+01:00Alma - Parte V<p class="texto">Será que te perdi de novo, como no primeiro dia?</p> <p class="texto">Hoje acordei com o silêncio a martelar nos meus ouvidos insistentemente, como que para mostrar-me que algo estava errado.</p> <p class="texto">Tacteei toda a casa, na minha cegueira matinal, perseguindo o teu cheiro ténue.</p> <p class="texto">Perdera-te. Sabia-o no meu íntimo.</p> <p class="texto">Fechei os olhos e deitei-me na cama, naquela posição em que geralmente se deitam os que dormem o derradeiro sono.</p> <p class="texto">Esperei que a angústia viesse e me tornasse novamente prisioneiro daquilo que se tinha tornado o meu Éden.</p> <p class="texto">Esperei que viesse acompanhada da solidão, que tantas vezes me tentara levar à loucura.</p> <p class="texto">Esperei que trouxesse, por fim, o desespero, para que eu ficasse, enfim, prisioneiro de mim mesmo, este desperdício de matéria agora sem qualquer vontade de sobreviver.</p> <p class="texto">A espera não me desesperou.</p> <p class="texto">E a verdade é que nem a angústia, nem a solidão se dignaram a comparecer no baile melancólico que se festejava no meu espírito.</p> <p class="texto">Decidi procurá-las nas ruas, precisava de me poder abandonar à mágoa da tua ausência.</p> <p class="texto">Acabei encontrando-te a ti, minha Alma, quando resolvi embalar-me nas ondas pelágicas.</p> <p class="texto">Estavas aninhada, com a cara no meio dos teus joelhos magros e pálidos. Ia perguntar-te se choravas quando vi a tua cara, manchada de dor, os olhos raiados de sangue, voltada para mim. Eras o retrato da melancolia, da raiva… abracei-te.</p> <p class="texto">Senti o teu corpo de criança. Naquele momento, eras minha filha, o meu rebento, alguém que tinha nascido do meu ventre que, apesar de masculino, tinha a capacidade de gerar. Gostava de ter tido essa honra. A honra de conceber e parir a tua perfeição. Invejei a tua mãe insana, que te carregara e dera esse nome tão perfeito como só tu.</p> <p class="texto">Carreguei-te nos braços, a tua fragilidade a tornar-te vulnerável em mim e a cada passo sentia que eras cada vez mais minha.</p> <p class="texto">Sei que preciso de ti, agora que te encontras adormecida a meu lado. Dás-me conforto, enquanto vejo o luar que entra pela janela e se reflecte na tua pele marmórea. Tens um pequeno sorriso nos lábios, provavelmente sonhas com algo belo, algo que nunca conseguirei sequer imaginar. </p> <p class="texto">Sei que te tenho. E nada mais quero.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-6182977148604631568?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-65069317768825505882007-08-02T23:34:00.000+01:002007-08-02T23:35:26.927+01:00ALMA -parte IV<p class="texto">A crença popular diz que as mulheres ruivas são loucas. Nunca conheci nenhuma que o desmentisse. Nem tu, minha pequena Alma, com toda a tua doçura e leveza, deixas de ser demente. És louca, deveras, demasiado para seres compreendida por mim, comum mortal. Suficientemente louca para fazeres com que te ame cada vez mais, sem controlo nem medida, sem qualquer tipo de rede que me impeça a queda no chão duro, de cada vez que me levas aos píncaros.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-6506931776882550588?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-14236428798160078432007-07-01T22:58:00.000+01:002007-07-01T22:59:19.933+01:00Alma - Parte III<p class="texto">Lembro-me agora das alturas em que tinha fome de pele.</p> <p class="texto">Elas eram sempre mais uma estranha. Depois de tudo consumado, acendiam um cigarro obsceno, cujo fumo se enrolava em torno dos meus olhos, cegando-me a razão, fazendo-me duvidar se algo valeria a pena.</p> <p class="texto">Sim, eram belas… elas eram sempre belas, com formas desejosas.</p> <p class="texto">Mas as suas mentes não continham aquilo que eu desejava, as suas almas não eram puras como eu ansiava, não tinham o poder do teu olhar.</p> <p class="texto">E todas tinham aquele vício, aquele horrendo vício… O fumo do cigarro não me incomoda, habituado que estou ao meu cachimbo, mas incomodava nessas alturas: a ansiedade com que, acabado o acto, elas acendiam um cigarro, fazia-me pensar na impureza dos seus gestos.</p> <p class="texto">Quando as via, perto do meu alcance, ambicionava os seus corpos curvilíneos e os seus trejeitos femininos. Após tudo estar acabado, tinha nojo daquilo que cobiçara e queria afastar-me delas, de mim mesmo.</p> <p class="texto">A sua luxúria assustava-me, eu que sempre tinha escondido em mim um pouco daquilo que esperava encontrar nelas. Eu que, apesar das mulheres objecto que recebia, continuava a acreditar que existia algo mais para além disso que elas me mostravam todos os dias.</p> <p class="texto">Almejava algo mais do que um cadáver decadente, que se meneava única e simplesmente ao compasso das suas ânsias de carne.</p> <p class="texto">Eu queria um verdadeiro ser humano, não um autómato impúdico.</p> <p class="texto">Depois, encontrei-te.</p> <p class="texto">A princípio, tive receio de te tocar, de te olhar, temia que se te fixasse demasiado tempo não passasses de uma ilusão. </p> <p class="texto">E se não fosses nada mais do que a minha própria imaginação?</p> <p class="texto">Se os meus anseios fossem tão desesperados que criavam fantasmas que os satisfizessem?</p> <p class="texto">Eras tudo aquilo com que sonhara. Tinhas a expressão doce de uma cândida menina, com o aspecto da mais pecaminosa meretriz.</p> <p class="texto">O teu corpo, apesar de destroçado, era puro, singelo, tinha a graça de algo tão límpido que nunca poderia sequer ser contemplado.</p> <p class="texto">Mas não consigo nunca ausentar-me da tua alma, minha Alma. Possuis nela nada mais do que a ausência de tudo. És resplandecente, cristalina, sem qualquer vestígio da imoralidade repugnante em que vivias.</p> <p class="texto">Sim, és a máxima expressão da imperfeição perfeita.</p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" wrapcoords="76 2400 38 7200 76 16800 21180 16800 21257 16800 21257 7200 21180 2400 76 2400"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\xpc\DEFINI~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: -1; left: 0px; margin-left: 0px; margin-top: 34px; width: 566px; height: 9px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/xpc/DEFINI%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image002.gif" shapes="_x0000_s1026" height="9" width="566" /></span><!--[endif]-->E eu tenho demasiado medo de não te saber cativar.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-1423642879816007843?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-12457926220825309922007-06-22T13:44:00.001+01:002007-06-22T13:58:44.602+01:00Alma. - Parte II<p class="texto">A felicidade aterrou nos meus pés para nunca se levantar. Dormes a meu lado enquanto escrevo esta carta e sei que nunca a lerás. No entanto, escrevo-ta para que o meu espírito se engane e se acalme de tanto contentamento.</p> <p class="texto">Soube hoje que tinhas de ser minha.</p> <p class="texto">Tinha anoitecido e as sombras das luzes exteriores nas paredes da minha cela domiciliária enlouqueciam-me. Peguei no meu cachimbo, enchi-o e saí à rua. Deixei a porta aberta. Que me importava se fosse roubado. O teu olhar era o maior bem que outrora me haviam furtado. </p> <p class="texto">De repente, uma sombra pequena, esguia, de cabelos rubros, prostrava-se debaixo de um candeeiro, diante de mim. Quando me aproximava, um carro parou. A tua sombra (que não eras tu, nunca poderias ter sido) aproximou-se e debruçou-se sobre a janela falando com o seu condutor. Toda a sombra era promíscua e tive medo. Medo de que não fosses afinal a pessoa do teu olhar. Aproximei-me, a passos largos, decididos. O condutor do carro ouviu-me e, assustado, arrancou, deixando a tua sombra desconcertada.</p> <p class="texto">Olhaste para mim. Viste-me novamente como no primeiro dia. Todo o meu temor se dissipou: tu estavas lá, já não eras apenas uma sombra. No entanto, o teu olhar era envergonhado, enquanto puxavas para baixo a diminuta mini-saia que não te cobria de modo algum as pernas e tentavas tapar o peito demasiado exposto pelo decote profundo.</p> <p class="texto">Segurei-te na mão que tinhas livre e perguntei-te apenas o teu nome. A tua voz, mais melodiosa do que qualquer orquestra que eu já tinha ouvido, respondeu-me apenas em tom baixo: «Alma.» Nesse momento, já tinhas levantado os olhos para mim, com um leve sorriso, proferindo depois: «É estúpido, eu sei. A minha mãe era insana.»</p> <p class="texto">Ah, como eu te amei nesse instante! O teu nome conjugava-se de tal modo com o teu ser, era tudo tão belo, tão perfeito, tão admirável! Abracei-te naquele momento, beijei-te as faces, os lábios carmins, as pálpebras que protegiam o teu olhar magnético, e de novo os lábios e as faces e as pálpebras.</p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" wrapcoords="76 2400 38 7200 76 16800 21180 16800 21257 16800 21257 7200 21180 2400 76 2400"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\Geral\LOCALS~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: -1; left: 0px; margin-left: 0px; margin-top: 73px; width: 566px; height: 9px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/Geral/LOCALS%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image002.gif" shapes="_x0000_s1026" height="9" width="566" /></span><!--[endif]-->Trouxe-te comigo e estas quatro paredes, que antes eram o meu cárcere, tornaram se o teu palácio. Fizemos amor. Amei-te como nunca voltarei a amar ninguém.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-1245792622082530992?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-29988600068203272312007-06-17T16:02:00.000+01:002007-06-17T16:07:57.747+01:00ALMA.Bem, tinha, para um efeito especial, aproveitando alguns textos que já tinha e modificando outros, escrito uma espécie de conto.<br />Como não tenho tido grande inspiração, vou publicando aqui por partes... alguns de vocês (que lêem regularmente o blog) vão ter uma séria sensação de dejá-vú nalgumas partes, mas pronto. Aguentem! Hehe!)<br /><br />Aqui vai a primeira parte:<br />*************************************************************************************<br /> <p class="texto">Amei-te no momento em que levantaste os olhos para mim.</p> <p class="texto">Penetraste-me com o verde do teu olhar e senti que me observavas por inteiro, apesar de manteres os olhos fixos nos meus. Tinhas um olhar de mulher, apesar das tuas compleições e formas ainda muito ameninadas. </p> <p class="texto">Amei-te muito nesse momento. Depois, não soube mais de ti.</p> <p class="texto">Fugiste envergonhada, não me autorizaste sequer uma palavra, pousaste o livro de sonetos em que te encontravas absorvida e apressaste-te a escapar no labirinto de estantes que nos rodeava.</p> <p class="texto">Depois, não soube mais de ti. Tive saudades, chorei, mantive a angústia como minha companheira de quarto.</p> <p class="texto">Desespero entre estas quatro paredes pelo anseio de ver os teus olhos, de te amar novamente como nesse dia.</p> <p class="texto"><!--[if gte vml 1]><v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"> <v:stroke joinstyle="miter"> <v:formulas> <v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"> <v:f eqn="sum @0 1 0"> <v:f eqn="sum 0 0 @1"> <v:f eqn="prod @2 1 2"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @0 0 1"> <v:f eqn="prod @6 1 2"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"> <v:f eqn="sum @8 21600 0"> <v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"> <v:f eqn="sum @10 21600 0"> </v:formulas> <v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"> <o:lock ext="edit" aspectratio="t"> </v:shapetype><v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" wrapcoords="76 2400 38 7200 76 16800 21180 16800 21257 16800 21257 7200 21180 2400 76 2400"> <v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\xpc\DEFINI~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png" title="MCBD21370_0000[1]" grayscale="t"> <w:wrap type="tight"> </v:shape><![endif]--><!--[if !vml]--><!--[endif]-->Faz hoje uma semana que o teu olhar partiu, de dentro daquela livraria empoeirada, para não entrar mais na minha vida. Sete dias de eternidade.</p> *************************************************************************************<br />Cheers.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-2998860006820327231?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-30236796192957209432007-05-20T21:04:00.000+01:002007-05-20T21:05:09.298+01:00Desolação<p class="MsoNormal">Permanecerei aqui.</p> <p class="MsoNormal">Para sempre, até que cada célula se desintegre nas suas moléculas, até que cada molécula se divida em infindáveis átomos.</p> <p class="MsoNormal">Até que a raiva que me habita me consuma, devore as minhas entranhas e me deixe morrer assim, lentamente, numa agonia martirizada.</p> <p class="MsoNormal">Serei eu, sempre eu, até que não exista mais nenhum eu, nem tu, nem o mundo nem mais ninguém, até que a vida não seja mais do que morte, até que me possa resguardar para todo o sempre daquilo que sou.</p> <p class="MsoNormal">Não consigo pensar, não consigo respirar, o meu peito oscila sem nada que o faça inchar, tenho os pulmões demasiado frágeis, desfazem-se a cada inspiração.</p> <p class="MsoNormal">Sinto o sangue inundar-me, escorrer por entre os meus órgãos, rebentar com as minhas artérias e veias e desfazer-me por dentro.</p> <p class="MsoNormal">Perdi-me. Perco-me ainda, nos batimentos do meu coração, nas lágrimas que escorrem no meu rosto, nas dores que povoam todo o meu corpo.</p> <p class="MsoNormal">Sei que estás aí, que me olhas em todo o teu esplendor e me mudas com o teu olhar. Sei que vês algo belo, algo que não existe no local onde me encontro, no corpo de quem sou, na alma que me habita.</p> <p class="MsoNormal">O teu olhar possui essa beleza, a graciosidade de achar tudo tão formoso.</p> <p class="MsoNormal">Por favor, não me olhes mais.</p> <p class="MsoNormal">Deixa-me permanecer como sou, a disforme tentativa de um ser humano.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-3023679619295720943?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-55393385020112565812007-05-13T15:07:00.000+01:002007-05-16T11:23:58.680+01:00Segura a minha mão.<br />Vá, aperta-a com força, nem que me magoes.<br />Mas segura-a.<br />Dá-me essa falsa sensação de que estarás sempre aqui, de que nunca poderei cair porque estás a meu lado.<br />Conduz-me a algum local onde possa ser feliz, onde o nosso amor não seja atacado por seres monstruosos que me magoam.<br />A um local onde não coexistam outros seres humanos, onde nunca mais sejas ferido para assegurar a minha honra.<br />Por favor, segura a minha mão, nunca a largues, deixa-te ficar aí.<br />Faz com que eu me sinta de novo criança, obriga-me a correr a teu lado, acompanhar os teus largos passos enquanto fugimos da chuva torrencial que nos faz ficar pesados.<br />Segura-a, mesmo enquanto limpo o sangue que te escorre nas faces, fruto das agressões daqueles de fora, que nunca serão como nós.<br />Não a largues, nem quando eu gritar de dor, nem quando as lágrimas me escorrerem pela cara abaixo, confundindo-se com as gotas com que o céu nos bombardeia.<br />Fica. Sempre aqui, até ao dia em que o mundo nos compreender, até ao dia em que consigamos ambos erguer a cabeça e enfrentá-los a todos, sem armas nem insultos, apenas com a eloquência das nossas palavras.<br />Não me deixes. Espera pelo tempo do Apocalipse, em que eu possa finalmente estar a teu lado sem tremer por dentro.<br />Por favor, segura a minha mão. É apenas um prolongamento do teu corpo, pois sou parte de ti em mim. Se a a abandonares, serás um mutilado, terás perdido a parte de ti que mais sofria, se calhar serás mais feliz.<br />Mas por favor, por agora, enquanto me amas, segura a minha mão.<br /><br />************************************************************************************<br />Amo-te.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-5539338502011256581?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-80122118379438248052007-04-15T12:09:00.000+01:002007-04-15T12:10:11.958+01:00To preserve me."Store (me) away from direct sunlight, preferably in a dark drawer with your secrets."<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-8012211837943824805?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-48832211615032983022007-04-05T20:23:00.001+01:002007-04-05T20:23:57.563+01:00...<p class="MsoNormal">Abriu a janela e deixou a chuva lavar-lhe a cara. As portadas abertas batiam violentamente contra a parede de telha, os seus olhos, dois lagos que armazenavam mais água do que todas aquelas nuvens carregadas no céu.</p> <p class="MsoNormal">A chuva fustigava-lhe as faces delicadas de menina, fazendo com que ganhassem um tom rubro de dor.</p> <p class="MsoNormal">As lágrimas, essas infames que não caíam, enchiam-lhe os olhos, deixando-os vítreos, sem reacção.</p> <p class="MsoNormal">E dentro dela chovia tanto… tanto… tanto… tanto… tanto…</p> <p class="MsoNormal">Vendera-se, de tal maneira, pelo sentimento de amor que nunca conseguira identificar. O seu corpo, rasgado de ódio e impudor, marcado de toda a violência contra ele cometida, não escondia agora a morte da sua alma.</p> <p class="MsoNormal">Tinha morrido. Sim, estava ali, mas não era ela.</p> <p class="MsoNormal">Tinha morrido um pouco de cada vez, debaixo de cada homem que a usara, sob o olhar de cada pessoa que a julgara, em cada queda que dera.</p> <p class="MsoNormal">E a sua morte era agora muito menos dolorosa.</p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-4883221161503298302?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-53144723860360561372007-02-21T23:36:00.000Z2007-02-21T23:54:33.816ZEssa menina...<div style="text-align: justify;">Antes de mais nada, queria pedir desculpa às [poucas] pessoas que visitam este blog, por uma ausência tão prolongada. A verdade é que estive ocupada em escrever umas coisas específicas (como alguns de vocês sabem) e negligenciei um pouco o blog.<br />Outra verdade é que não tenho sentido vontade nem inspiração para escrever, e não gosto muito de encher o blog com textos de outros ou com coisas que escrevi sem vontade.<br />O texto de hoje é muito fraco, mas apeteceu-me, portanto fica aqui. Para pelo menos terem algo para criticar nos próximos tempos.<br />Espero conseguir redimir-me.<br />Um abraço.<br />****************************************************************************************************************************<br />Era uma vez uma menina.<br />Uma menina estranha, diferente, que gostava de o ser.<br />Uma menina pequenina que fazia asneiras sem querer.<br />Uma menina que achava injustos os seus castigos, porque tudo o que tinha feito era bonito, mesmo que tivesse implicado destruir algo antes.<br />Uma menina que lia histórias tontas e sorria muito, pensando que um dia a sua história também pudesse ser escrita assim.<br />Uma menina que trauteava canções tolas, que cantava a plenos pulmões a "Cinderela" fechada no seu quarto de princesa.<br />Uma menina que acreditava nesses amores platónicos, feitos de olhares e partilha.<br />Uma menina que gostava de dançar à chuva e calcar poças de água.<br />Uma menina que acreditava que as meninas não choravam.<br />Uma menina que sonhava que um dia ia ser feliz.<br />É uma vez uma mulher.<br />Uma mulher que está farta da diferença, só quer a uniformidade e sentir-se normal.<br />Uma mulher quase adulta que continua a magoar os outros acidentalmente.<br />Uma mulher que não compreende a frieza, porque sempre se esforça por amar, proteger e sacrificar-se por todos os que a rodeiam.<br />Uma mulher que lê livros sombrios, realistas, e olha de lado e com ironia os contos de fadas, sabendo as mentiras que eles mostram.<br />Uma mulher que ouve músicas melancólicas, que murmura inaudivelmente letras tristes na sua prisão domiciliária.<br />Uma mulher que perdeu a fé no amor, na amizade, na solidariedade.<br />Uma mulher que odeia os dias cinzentos, porque esqueceu a magia que eles encerravam.<br />Uma mulher que sabe que chora, mas não o faz para não se humilhar, porque é uma fraqueza.<br />Uma mulher que entende que a felicidade não existe.</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-5314472386036056137?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1168602437433800402007-01-12T11:38:00.000Z2007-01-12T11:47:17.466ZPosse<div style="text-align: justify;">Sonhei-te.<br />Eras minha.<br />No meu sonho abria os olhos para ti e via-te na contra-luz.<br />Eras bela e eras minha.<br />Examinava cada curva do teu corpo, a forma dos teus seios, o sulco das tuas costas, a cova da tua barriga.<br />Eras linda e eras minha.<br />Falava contigo. Falavas muito e dizias coisas espantosas.<br />Eras inteligente e eras minha.<br />Eu ouvia-te, grande parte das vezes calado, com medo de quebrar o feitiço que impunhas sobre mim. Ouvia o timbre melódico da tua voz e apetecia-me chorar pela maravilha que eras.<br />Eras fantástica e eras minha.<br />Deixava-me embalar nos teus braços, encostava a minha cabeça ao teu colo e chorava de felicidade.<br />Eras carinhosa e eras minha.<br />Cheirava intensamente todo o teu corpo, desde os teus pés delicados ao teu cabelo, tudo era natureza e flores e mar e frutos e claridade e pureza.<br />Eras perfumada e eras minha.<br />Via nos teus olhos toda a inocência do mundo e observava em ti a criança que eu outrora também fora.<br />Eras pura e eras minha.<br />Beijava-te a linha fina do pescoço e sentia a tua pele arrepiar-se por debaixo da tua camisa fina de cambraia.<br />Eras humana e eras minha.<br />Fazia amor contigo vezes sem conta, suave e apaixonadamente, enquanto te sussurrava ao ouvido o quanto te amava.<br />Eras perfeita e eras minha.<br />Sonhei-te.<br />E eras minha.<br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116860243743380040?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com4tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1167593766071874682006-12-31T19:25:00.000Z2006-12-31T19:38:50.523ZFeliz Ano NovoInspirou fundo.<br />O ar frio da noite entrou nos pulmões, enquanto nos seus ouvidos ressoava a última das doze badaladas dessa noite.<br />Uma lágrima caiu-lhe pela cara. Olhava para trás e via todo esse ano que tinha passado. Muitas outras lágrimas tinham sido sustidas durante esse tempo vingavam-se agora.<br />Fora amada. Fora ridícula. Fora humilhada, envergonhada, abraçada, deixada sozinha...<br />Os seus passos ressoavam na calçada preta e branca, tipicamente portuguesa... aqueles padrões regulares faziam-na lembrar das pessoas que passaram por si: diferentes de certa maneira, iguais noutra. Todos tinham feito diferença nesse ano, uns pela positiva, outros nem tanto. No entanto, todos a conduziram a um crescimento interior. Os que a magoaram, porque a tornaram mais forte, os que a amaram, porque lhe ensinaram muito.<br />Um novo ano viria. Faria alguma diferença? Provavelmente não. Mas continuava a pedir os seus doze desejos, um por ele, um por si e o resto por todas as outras pessoas que amava.<br />Sim, porque um novo ano chegava.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116759376607187468?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1166965933367285442006-12-24T13:02:00.000Z2006-12-24T13:12:13.390ZNatal<div style="text-align: justify;">Hoje levantei-me e olhei pela janela. Aquele nevoeiro leve, que restava tipicamente da noite gelada, envolvia ainda os edifícios mais altos da cidade.<br />Levantei-me e, cheia de energia, aprumei-me. Vesti a saia de veludo vermelho, de que tanto gostavas e o casaco cintado. Calcei os sapatos abertos, aqueles de que te riste muito ao saberes que tinha juntado dinheiro durante dois meses para os comprar.<br />Senti-me bem. Olhei-me ao espelho e arranjei os meus caracóis, que estavam desalinhados duma noite de sono. Arranjei-os com a escova de prata, apesar de saber que não os devia escovar.<br />Saí. Estava frio, muito frio, os dedos que apareciam na abertura estreita dos sapatos doíam-me de tão gelados. No entanto, sorri.<br />Andei por aí, pelas ruas, sempre com um sorriso estranho no rosto. Certamente muitos dos que passaram por mim na azáfama dos sacos cheios de presentes de última hora pensaram que era louca. Outros que aproveitaram este dia apenas para passear pensaram que provavelmente estava feliz. Todos errados. Eles, como sempre, estão todos errados.<br />De repente, sem saber porquê, dei por mim a entrar naquela relojoaria ao lado do "nosso" restaurante. Tinha na montra um relógio lindíssimo, de mostrador preto, que combinava na perfeição com a camisola que te tinha dado no último aniversário.<br />Num ímpeto, comprei-o e pedi para me fazerem o melhor embrulho que conseguissem.<br />Saí da loja, com um saquinho na mão, como grande parte das pessoas com quem me cruzava e fui voltando para casa pelo meio da multidão que se apertava nos passeios.<br />Olhei as luzes apagadas e vi a esperança de toda a humanidade de que estes adereços melhorem ligeiramente a estima e a disposição de cada um.<br />Cheguei a casa e pousei a tua prenda ao lado da da minha afilhada. Comprei-lhe um cd de Vivaldi, já é tempo de começar a ouvir música em condições, não achas?<br />O teu relógio ficará lá. Sei que o virás buscar, mais cedo ou mais tarde. Afinal, é Natal.<br /><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116696593336728544?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1164716862148146732006-11-28T12:10:00.000Z2006-11-28T12:29:28.913ZFelicidade- Bom dia... - a voz saiu-lhe arrastada, como se o corpo ainda resistisse aos ímpetos do cérebro.<br />Ele voltou-se e abriu lentamente os olhos. Ela estava voltada para ele, a cabeça apoiada na mão de tal modo que os seus cabelos longos cobriam os seios nus. Os seus olhos enormes fixavam a sua face de modo contemplador. Ele sorriu e beijou-a, suavemente, sobre as costelas. Ela soltou uma gargalhada infantil e acariciou-lhe a face. Os olhos dele, de cor indefinida, mantinham-se com um ar ensonado. A mão dele procurava já a sua e os seus lábios entreabertos mostravam-se extremamente convidativos. Beijou-o. Longamente, sem pressas, como se o relógio tivesse parado para todo o sempre. Deitou-se sobre ele e sentiu o desejo que ele nutria por si. Acariciou-lhe a face, como se fosse um bebé carente e deixou-se abraçar ternamente. De repente, numa espécie de brincadeira, levantou-se e afastou os cobertores, ficando sentada. A linha da sua coluna era graciosa, no meio das suas costas, e a pele de galinha tornava-a ainda mais irresistível. Vestindo uma camisola, correu para a janela, afastando as cortinas. O dia lá fora estava cinzento, a chuva caía com violência e o vento arrastava tudo à sua passagem.<br />Ela olhou para trás. Ele lá estava, na cama, olhando para ela com o seu típico sorriso nos lábios. Não lhe importava que o mundo desabasse. Ela era feliz.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116471686214814673?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com6tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1161458695161055332006-10-21T20:11:00.000+01:002006-10-21T20:24:55.183+01:00Fechei a janela devagar assim que saíste. Fechei-a com o trinco, para nunca perder o teu cheiro.<br />No entanto, deixei a porta aberta. Não sei bem porquê, embora reconhecesse perfeitamente que era por aí que o teu cheiro te seguiria.<br />Talvez esperasse que voltasses atrás, embora soubesse que nunca o farias.<br />Arrumei devagar os cacos daquele castiçal negro que me tinhas atirado, na tua crise de fúria. Nunca pensei ver-te assim, tão perto de me magoares. Tive medo. Não de ti, mas da ira que te possuía. Sei que foi por isso que saíste. Porque tinhas demasiado medo de me magoar tanto fisicamente como eu te magoava a ti psicologicamente. Porque, se tu tinhas a força, eu tinha o intelecto. E nem todos os castiçais partidos deste mundo eram comparáveis aos jogos mentais que te fazia.<br />Apanhava os cacos negros e continuava a olhar fixamente a porta aberta por onde se escoava o teu cheiro. Sabia que nunca mais passarias aquela ombreira onde tantas vezes te tinha deixado pendurado. Depois, lentamente, sentei-me no meio dos cacos, sem me preocupar com os que penetravam levemente na carne. Sabia que aquela dor não era comparável à que tu alguma vez sentiras. Queria magoar-me de alguma maneira, para poder dizer que, como tu, também sofria.<br />Nada. Aquela dor física não significava nada para mim, era tão ínfima, comparada com a cólera libertada pelos teus olhos. Desisti. Levantei-me a abri novamente a janela, onde o nevoeiro parecia encostar-se. Ironia, a desta cortina de fumo que parecia querer penetrar nos corpos e devolver-me algo que nunca tinha sido meu.<br />Reparei que tinhas deixado para trás roupa, objectos pessoais. Numa tentativa de me equiparar àquelas mulheres enraivecidas dos filmes romântico-trágicos, rasguei todas as tuas camisas, risquei e parti os teus discos, atirei contra as paredes o teu relógio. Nada. Nada mesmo. Nem uma ínfima partícula de culpa, remorso, tristeza, miséria, até.<br />Numa derradeira tentativa de sentir, peguei nos comprimidos que às vezes tomavas para dormir. Tomei todos os que estavam no frasco, pensando que iria sentir alguma coisa. Anestesiaram-me. Anestesiaram-me de modo tão forte que depois só fui eu quando acordei numa cama de grades, num quarto indiferentemente branco, com uma mulher estranha à minha beira que me chamava "Minha querida". Apesar dos comentários do costume, do "coitadinha, o namorado deixou-a!" ou o "é desgosto de amor!", era-me totalmente impossível sentir pena ou compaixão de mim mesma.<br />Doía-me o estômago e o corpo, é verdade, mas a minha alma continuava incólume à dor.<br />Estava viva para os demais mas morta muito antes de te conhecer.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116145869516105533?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com10tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1160249516549249562006-10-07T20:10:00.000+01:002006-10-07T20:31:56.796+01:00(De) CadênciaAs notas melancólicas enchiam o ar à medida que o arco arranhava as cordas.<br />Os seus dedos pressionavam as cordas de modo sistemático, as suas mãos tremiam enquanto as apertavam e o som fluía tão naturalmente como as suas lágrimas.<br />O violoncelo, pousado entre as suas pernas, sempre fora uma representação do seu estado de espírito. Talvez por isso grande parte das peças que aprendia fossem tão tristes, talvez por isso o próprio tom do violoncelo fosse tão grave e amargo.<br />Os dedos sangravam-lhe já de tanto esforço, a mão direita estava crispada de tal modo no arco que dificilmente lha conseguiriam tirar da mão.<br />E as notas, cada vez mais trémulas, hesitavam em sair do instrumento. A cada soluço, uma nova nota ficava a pairar, a cada nova lágrima a melodia parecia esvair-se por entre as cordas para todo o sempre.<br />Queria fugir com elas, ir para longe com aquela música que era a única coisa terrena que ainda tinha. Queria morrer atravessada por aquele arco, sufocada por aquelas cordas, ensurdecida por aquela música.<br />Queria ser a própria música e poder deixar-se morrer por entre os aplausos apaixonados de uma plateia.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-116024951654924956?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1158867188186804602006-09-21T20:08:00.000+01:002006-09-21T20:33:08.250+01:00GabrielEspero que estejas grávida. Já reparei que os teus seios mudaram e o teu estômago não parece tão liso e suave como habitualmente.<br />Espero que sim. Leio nos teus olhos uma criança que se encontra dentro de ti. É um rapaz, sabes? E vai ser corajoso, como o homem que ajudou a dar-lhe vida. Vejo-o dentro de ti. Ao contrário do que tu sempre sonharas, não tem os meus olhos verdes. São pequeninos, como os teus, escuros e misteriosos. É irrequieto, ele. Esperam-te muitas impaciências e preocupações.<br />Sim, digo-te esperam-te e não esperam-nos. Não, não digo que eu não deseje essa criança, tu é que não queres que a deseje. Partirás, mais cedo ou mais tarde, com o receio de dares ao teu filho um pai como eu. Não te vais dignar a deixar um bilhete. É tipicamente teu não te preocupares com o que os outros ficaram a pensar, é tipicamente teu fugires sem avisares ninguém.<br />Como no dia em que o rapaz foi concebido, lembras-te? Desapareces-te de casa, tu, que eras tão frágil e procurei-te toda a noite. Fui dar contigo nas docas, com os pés submersos e trouxe-te para casa. Apesar dos teus olhos pedirem desculpa a todo o momento, não conseguiste proferir uma palavra.<br />O miúdo é bonito. Tem um sorriso engraçado e vai ser bom atleta. Pelo menos que para isso os meus genes sirvam. Olha, parece que não vais gastar dinheiro em chupetas... chucha no dedo, ele. Ama-o muito, sim?<br />Ama-o como um dia me amaste a mim, se não ainda mais. Mas não vejas nele aquilo que vês em mim. Ele não o merece.<br />E se um dia lhe falares dessa figura, dessa pessoa, o PAI, não lhe digas que me deixaste porque já não me amavas. Diz-lhe que fui um anjo. E que, como todos os anjos, não pude ficar na Terra.<br />Porque não ficarei. Assim que me abandonares tornar-me-ei realmente num anjo e serei feliz.<br />Não te sintas culpada quando leres estas linhas, que só receberás depois da tua partida. Tudo estava já destinado a ser assim e, se eu me resignei com esta sorte, tu nada poderias fazer para mudá-la, por muito que me amasses.<br />Rogo-te apenas um último pedido: chama-lhe Gabriel. Para que também ele seja um anjo.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-115886718818680460?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com7tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1158322707812758602006-09-15T13:06:00.000+01:002006-09-15T13:18:27.826+01:00Sinfonia de Sentidos DesafinadosAs gotículas de chuva martelavam incessantemente na superfície envidraçada da clarabóia daquele sotão em ruínas. O pêndulo do relógio mantinha o seu movimento constante, de um lado para o outro, segundo a segundo. O som produzido era oco, tosco e arranhava os tímpanos.<br />O bater do coração, aquele pulsar ininterrupto do sangue a ser bombeado a alta velocidade pelas veias... de repente, uma paragem? Não, ele voltava ao seu ritmo, o corpo vivia e o cérebro continuava a passar as suas ideias a uma velocidade estonteante.<br />Aquele papel de parede... tinha desenhos estranhos, abstractos. Era irritante ao olhar e ao tacto, com a sua irregularidade característica e as cores baças, desbotadas pelo sol.<br />E a luz... aquela luz que a impedia de abrir totalmente as pálpebras e de ver em pleno o espaço em que se encontrava. Essa luz que lhe lembrava aquela imagem que toda a gente falava da luz ao fim do túnel que conduzia ao fim de tudo. Será que se a seguisse tudo acabaria?<br />Olhando para um canto, viu uma poça. De cor estranha, acastanhada, água suspeitamente escura. Era provavelmente dali que provinha o cheiro fétido que a inebriava, aquela cortina de horror que a sufocava... a podridão dentro dela era tão profunda que pensou ser ela a exalar esse odor nojento.<br />Esse odor tão penetrante que o podia saborear, sentia na aspereza da língua um sabor insuportável, como se as próprias gengivas estivessem em decomposição.<br />Odiava esta sensação. Este mundo com sentidos mais apurados, que lhe tinham prometido, era uma mentira.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-115832270781275860?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-9648426.post-1157547117945527282006-09-06T13:39:00.000+01:002006-09-06T13:51:57.976+01:00MonólogoSabes? Amo-te. Acho que nunca to disse mas digo-te agora.<br />Amo-te mesmo. Tanto que nunca to consegui dizer.<br />Amo-te. Digo-te agora que já não me podes ouvir, agora que a terra que nos separa abafa qualquer som, que o mármore da tua campa permanece brilhante e intacto perante as minhas palavras.<br />Amo-te verdadeiramente e não sei como não me apercebi disso antes. Sei que me amavas, mas era essa a tua obrigação, não era?<br />Olha, trouxe-te as orquídeas roxas. As que cresciam debaixo da janela da vizinha e que tu me ralhavas por eu roubar de vez em quando para te dar. Trouxe-tas e não me importo que a vizinha fique zangada. Porque me lembro da lágrima que escorria do canto do teu olho quando pegavas nos ramos toscos que as minhas mãos inocentes te estendiam.<br />Era demasiado criança... nunca me apercebi do que se estava a passar contigo.<br />Nunca reparei que o brilho dos teus olhos nem sempre era de alegria nem percebi que quando ficavas mais tempo na cama não era porque tinhas preguiça.<br />Vou pô-las aqui, as orquídeas. Sabes que perguntaram por ti? Já não sei quem, não me lembro, mas perguntaram. E eu não respondi. Não podia simplesmente aceitar a verdade pura e dura de que me abandonaste.<br />Que coisa mórbida tens aqui! Quem te deixou esta vela? Sempre odiei estas coisas de cemitérios e pessoas a chorar e campas estragadas e maltratadas e fotografias tão em decomposição como os corpos das pessoas representadas e nomes que ninguém se lembra e datas que já nada significam e inconformidade e a efemeridade da vida aqui tão perto. Vou levar a vela, está bem? É feia, mórbida, sei que também não gostas dela. Trago-te depois uma daquelas que costumavas ter, dessas que cheiram a rosas e que quando se acendem aquecem a alma.<br />Bem, tenho de ir. Está tudo à minha espera para o meu aniversário. Não sei se quero ir, sei que não quero ficar. É tudo tão inútil... bem, pensei passar por aqui, para te agradecer. E para te dizer que te amo. É um segredo.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9648426-115754711794552728?l=nyxinhere.blogspot.com'/></div>Nyxhttp://www.blogger.com/profile/13129740857381538238noreply@blogger.com5