tag:blogger.com,1999:blog-92633712009-07-07T14:15:47.704+01:00desafio: escreverTiagonoreply@blogger.comBlogger48125tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1106251831584921542005-01-20T20:10:00.000Z2005-01-20T20:10:31.583ZComposição ex. 12Na cozinha deixei cair um livro pesado. O bebé brincava e agora olha-me assustado. Olhos enormes azuis espelham medo. Estático, sentado, observa-me durante uns segundos. Gatinha ao meu encontro. Parece dizer: pega-me rapidamente. Trepa as minhas pernas e estica os braços. Choraminga e depois grita. Não lhe posso pegar. Falta-me espaço nos braços e nas mãos. Tento cantarolar uma melodia conhecida para ver se o acalmo. “olhá bola Manel, olha a bola Manel, foi-se embora fugiu….” Não resultou. Chora compulsivamente. Rendo-me à sua inquietação e pouso os livros em cima da mesa. Pego-lhe. Levanto-o sobre a minha cabeça onde permanece assim uns segundos. Caiu-me uma lagrimazinha salgada no canto do meu lábio. <br />O bebé já não chora; sorri. Há uma quantidade infindável de brinquedos espalhados pelo chão. Cores que se misturam e que chocam entre si. O objecto preferido é um parte-noz, de madeira de tamanho pequeno, sem nada que chame a atenção. Talvez por não ser brinquedo e por lhe ser retirado muitas vezes das mãos. O bebé brinca agora sossegado. <br />Calmo, palra e sorri. <br /> <br />ML <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110625183158492154?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>mylenehttp://www.blogger.com/profile/04487451233415195408noreply@blogger.com8tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105951621450756122005-01-17T08:46:00.000Z2005-01-17T08:47:01.450ZComposição Ex. 11 - Revelação<strong>Manhã.</strong> Exercício de escrita: crianças num parque infantil. <br /><strong>Fotografia:</strong> uma criança em cima do escorrega, parada, sentada, as pernas na rampa. Não pode escorregar, iria aleijar outra que já desceu e está sentada na saída a apertar um sapato. Mais duas crianças, estas num baloiço de tábua apoiada num eixo central. Cena idêntica: uma em cima, outra em baixo. A criança mais forte senta-se quase no chão, na sua extremidade da tábua, de saias. A outra está suspensa, calma, olha para o escorrega. Apenas no baloiço suspenso duma trave o movimento não pára, é uma quinta criança. Este e os dois primeiros, aqueles; aquelas, as segundas. <br /><strong>Noite.</strong> Observo a foto digital; vou revelar, foi hoje. <br /> <br />A.M. <br /> <br />Blogue: <a href="http://vertoblogando.blogspot.com/" target="_blank">Converto Textos</a> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110595162145075612?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105951347709610852005-01-17T08:42:00.000Z2005-01-17T08:42:27.710ZDefeitosUm defeito de fabrico fez com que o post do último exercício não tivesse sido colocado online na última quinta-feira. É um defeito que, embora já esteja identificado há muito tempo, ainda não foi solucionado nem colocada nenhuma actualização de sistema que o possa solucionar. De facto, na quarta-feira, coloquei o enunciado do exercício 11 no blogue, gravei como draft e, a quinta-feira, algum vírus mal intencionado no meu organismo deu indicação ao cérebro de que o enunciado já estaria disponível. Estive, até ontem, perfeitamente convencido de que o exercício estava disponível. Felizmente que a M.L., sempre atenta, me alertou para esta situação. De futuro, que todos nós funcionemos como um antibiótico na caça e destruição destas viroses que por vezes surgem no ser humano. <br /> <br />N.C.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110595134770961085?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105568106866580312005-01-16T22:53:00.000Z2005-01-16T22:56:14.673ZExercício 11 - Crianças em Acção<em><strong>Material necessário:</strong> <br />Papel <br />Caneta <br />Parque Infantil ou outro local com crianças a brincar <br /></em> <br /><em><strong>Exercício:</strong> <br />Trata-se de um exercício de observação e de uma escrita seca, desprovida de adornos. <br />Está proibida a utilização de adjectivos e metáforas ou outras figuras de estilo. <br />Pretende-se, apenas, que descrevas acções, em frases curtas e dando privilégio, obviamente, aos verbos. <br />Se "a criança de olhos azuis e bibe às risquinhas desce, reguila e risonha, o escorrega", deverás escrever qualquer coisa do tipo: "Criança sobe escadas do escorrega. E ri. E desce o escorrega. E ri."</em> <br /> <br /><span style="font-size:78%;">in, <a href="http://desafioescrever.blogspot.com/2004/11/desafio-escrever-o-livro.html">desafio: escrever</a></span> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110556810686658031?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com3tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105625920006080382005-01-13T14:14:00.000Z2005-01-13T14:18:40.006ZAinda o exercício 9A Assim Mesmo decidiu terminar a carta e colocou o texto no blogue. <br /> <br />Está lançado o desafio: ler <a href="http://vertoblogando.blogspot.com/2005/01/razo-possvel.html" target="_blank">razão possível</a> no <a href="http://vertoblogando.blogspot.com/" target="_blank">Converto Textos</a>. <br /> <br />Nuno <br /> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110562592000608038?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105568784410757592005-01-12T22:19:00.000Z2005-01-12T22:26:24.410ZNovo exercícioAmanhã será colocado o próximo desafio. <br /> <br />A partir de agora, os desafios serão colocados no blogue à quinta-feira. As composições deverão estar concluídas até à quarta-feira seguinte e serão colocadas no blogue quando chegarem ao email ou aos comentários. <br /> <br />Escrevam!<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110556878441075759?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105537586468734972005-01-12T13:46:00.000Z2005-01-12T13:46:26.466ZComposição Ex. 10 - M.LSufoco por não te ter.Impossível viver sem a magia do teu amor. Resolvi partir. <br /> <br />M.L.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110553758646873497?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>mylenehttp://www.blogger.com/profile/04487451233415195408noreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105441267124717472005-01-12T08:02:00.000Z2005-01-12T08:01:37.343ZComposição Ex. 10 - NunoDeixaste-me fora de mim com as tuas atitudes. Resolvi partir. Cheguei. Finalmente fora de ti. <br /> <br />N.C.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110544126712471747?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105441993748702612005-01-11T11:10:00.000Z2005-01-11T11:20:08.870ZCompsição Ex. 10 - Assim MesmoHá experiências que temos de vencer sozinhos, esta é uma delas: o exílio, desculpa-me... <br />Assim <br /> <br />A.M. <br /> <br />Blogue: <a href="http://vertoblogando.blogspot.com/" target="_blank">Converto Textos</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110544199374870261?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105440126176461462005-01-11T10:39:00.000Z2005-01-11T15:41:39.683ZComposição Ex. 10 - FredericoAmor tinhas razão. Chegou a altura dos ramos crescerem para luzes diferentes. Amo-te ainda mais! <br /> <br />F.N. <br /> <br />Blogue: <a href="http://pipukus.blogspot.com" target="_blank">Sangue das Palavras Puras</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110544012617646146?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>desafio:escrevernoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105386090979226912005-01-10T19:40:00.000Z2005-01-10T19:45:24.040ZComposição Ex.10 - LeonorPor nos complementarmos é que preciso partir. Tu és o sol e eu a lua. Podemos existir no mesmo universo, mas nunca juntos. <br /> <br />L. <br /> <br />Blogue: <a href="http://zooide.weblog.com.pt/arquivo/174921.html" target="_blank">Zoóide</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110538609097922691?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105385552628588522005-01-10T19:27:00.000Z2005-01-10T19:45:44.616ZExercício 10Recebemos participações para o exercício 10. Vamos começar a colocá-las no blogue. <br /> <br />Obrigado <a href="http://zooide.weblog.com.pt/" target="_blank">Leonor</a> e Frederico. <br /> <br />Podem continuar a enviar para o email ou através dos comentários.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110538555262858852?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103493778639425232005-01-07T15:15:00.000Z2005-01-07T15:15:38.803ZExercício 10 - Telegrama<em><strong>Material necessário:</strong> <br />Papel <br />Caneta <br /></em> <br /><em><strong>Exercício:</strong> <br />O contexto é o mesmo do exercício anterior, Carta de Despedida. <br />A diferença é que, agora, tudo se precipitou e não houve tempo para uma longa carta de despedida. <br />Chagado ao destino, envias um telegrama com explicações. <br />O telegrama deverá ter no máximo 15 palavras.</em> <br /> <br /><span style="font-size:78%;">in, <a href="http://desafioescrever.blogspot.com/2004/11/desafio-escrever-o-livro.html">desafio: escrever</a></span> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110349377863942523?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com5tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1104847280127719582005-01-06T23:01:00.000Z2005-01-07T08:56:26.506ZComposição Ex. 9 - Finalmente PazQuis o destino que o teu olhar se cruzasse com o meu um dia. Quis o destino que por ti morresse. <br />Leveza mental é o que estou à espera de receber assim que chegar ao destino que me espera. Leveza essa que até aqui julguei impossível, pelo abandono a que me habituaste. Acto cruel esse de querer e não querer, de dizer e desdizer de procurar e ir embora…assim…sem pensares no mal eterno a que me condenaste. Chega de me martirizar por tudo aquilo que tentei fazer e procurar sem resposta. Chega de esperar por ti. Chega de jogos supersticiosos para ver quando te terei, brincadeiras só compreensíveis na infância que estupidamente trouxe para os meus trinta e três a fim de me tentar convencer que te vou ter um dia. Chega de pensar que poderás ter alguém que preferiste colocar no meu lugar. Chega de lágrimas. <br />Como o meu coração pôde aguentar este inferno durante meses, não sei. <br />Vou voar com as maiores asas do mundo, para longe. <br />Prometeste-me a lua, o sol, o universo e de repente tiraste-me inclusivamente o ar que preciso para sobreviver. Como dói a ansiedade… Agora sim, o meu lugar chegou entretanto. Vou arrancar de mim este desassossego cruel a que me obrigaste. Terei aquilo que toda a gente espera um dia ter: a calma, o bem-estar, o orgasmo celestial. <br />De culpa nunca hás-de sofrer. Não te hás-de combalir por te teres visto livre de mim. Sentirás até alívio. <br />Começaste. Sabes bem que não queria, não estava preparada. Tornaste o mundo do avesso para me teres e conseguiste. Quando me comecei a apaixonar, fugiste, mentiste, ocultaste, ausentaste-te. Fui a tal água cristalina que não quiseste beber. Agora terás também o teu descanso. Serás a única pessoa a carregar com o peso deste meu acto. <br />Se quiseres vai. Vou estar no sítio onde nos encontrámos pela primeira vez. O portão que estava fechado nesse dia, continua assim. Salta-o e procura a figueira mais alta. Estou lá. Corre porque ainda há qualquer coisa no bolso direito do meu casaco preto, para ti. É teu, se quiseres guarda, como fazias com tudo o que encontravas. É a pedrinha da sorte que apanhaste na praia um dia e me entregaste dizendo que era a nossa pedra. Cola-a no teu diário e recorda-me se quiseres. <br /> <br />M.L <br /><blockquote></blockquote> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110484728012771958?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>mylenehttp://www.blogger.com/profile/04487451233415195408noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1105048276845036092005-01-06T21:50:00.000Z2005-01-06T21:54:35.496ZComposição Ex. 9 - Outro caminhoPrincesa, <br /> <br />Infelizmente não existia outra forma de te poder dizer isto e, agora que escrevo, só desejo que tenhas oportunidade de ler. A vida surge-nos tão inconsequente ao longo de tantos dias que acabamos por viver como se não houvesse amanhã. Na maior parte dos dias o Sol nasce e há, de facto, amanhã, mas chega sempre a noite mais longa. A minha surge hoje. <br />Nunca quis ninguém como te tive nos braços. Nunca tive ninguém como te quis em mim. Talvez tivesse desejado demasiado ou com alento a menos. Era um desejo velado sem forças para crescer. <br />Por isso, sigo em frente. <br />Nesta estrada em que estou és a única que me acompanha, mas é chegada a altura de nos separarmos. Não te consigo acompanhar. Não consigo vibrar com os pássaros. Não consigo chorar com o mar. Não consigo sorrir com o céu nem olhar para o horizonte. <br />Por isso, sigo em frente. <br />Tudo acaba por fenecer para surgir noutro lado, de outra forma. Estou aqui e estarei contigo sempre, até sempre. <br /> <br />Pai <br /> <br />N.C. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110504827684503609?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103493637573846412004-12-22T12:32:00.000Z2004-12-22T12:33:00.626ZExercício 9 - Carta de Despedida<em><strong>Material necessário:</strong> <br />Papel <br />Caneta <br /></em> <br /><em><strong>Inspiração:</strong> <br />Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse acto desesperado.</em> <br /> <br /><em><strong>Exercício:</strong> <br />Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.</em> <br /> <br /><span style="font-size:78%;">in, <a href="http://desafioescrever.blogspot.com/2004/11/desafio-escrever-o-livro.html">desafio: escrever</a></span> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110349363757384641?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103643741135359132004-12-21T15:38:00.000Z2004-12-21T15:42:21.136ZComposição Ex. 8 - No SofáCasei com a Joana há 6 anos. Sempre tivemos uma vida familiar saudável, sem extravagâncias, mas com o <strong>conforto</strong> que nos permitia dizer que tínhamos tudo o que precisávamos. O importante sempre foi garantir o futuro da Maria, a nossa filha. A nossa vida sexual nunca me desagradou e admito que à Joana também não. Pelo menos ela nunca se queixou. <br />O problema surgiu depois de, há uns tempos, ter começado a comer a minha vizinha do 5º andar. Digo-lhe que ela não é nada de especial, mas vi ali uma oportunidade e ela também não enjeitou a possibilidade de umas sessões de sexo selvagem e irreverente comigo. Não foi preciso muito. Ajudei-a, numa noite, a fazer as contas do condomínio e quando dei por mim já só fazíamos contas de somar: eu dizia os números e ela dizia mais, maais, maaais... Andávamos nisto há uns três meses quando, numa tarde em que saiu mais cedo, a minha mulher vai bater à porta da Isabel. Até hoje, foi a única vez que senti um arrepio de <strong>frio</strong> a percorrer-me o corpo. Se ela me descobrisse ali estava bem lixado. <br />A Isabel e ela são amigas. Se calhar, amigas não é o termo mais indicado. A Joana costuma falar com a Isabel de vez em quando. <br />Nessa tarde bateu à porta e a Isabel apareceu de roupão dizendo que tinha estado a dormir a sesta. Acha que a Joana se incomodou com isso? Naaada!! Perguntou logo se podia entrar um bocadinho pois precisava de desabafar. Se precisava de desabafar tivesse vindo ao psiquiatra ou ao psicólogo, não é? O dr. é bom para desabafar. Quando ela disse isso, quem precisou de desabafar fui eu. Abri logo a janela do quarto da Isabel com falta de ar. Então não é que a Joana entra e começa a dizer à Isabel que acha que eu tenho outra, que me ando a comportar de forma diferente e que já não a desejo. Se ela soubesse como eu desejava vê-la dali p’ra fora. Nisto diz que eu já nem lhe atendo o telemóvel e enquanto dizia “queres ver” começa a ligar o meu número. Tenho eu tempo para alguma coisa? Não tarda começa o meu telemóvel a tocar no quarto da Isabel. Grande estardalhaço. Salto para cima da roupa, que estava no chão, e, enquanto voo como um falcão pronto a agarrar sua presa, bato com a cabeça na cómoda do quarto que me deixa KO. <br /> <br />Depois disso... olhe, estou aqui. <br /> <br />Nesse dia não me deixou entrar em casa e no dia seguinte já tinha mudado a fechadura. Não me deu qualquer tipo de possibilidade de explicar a situação e deixou-me ao <strong>abandono</strong> sem mostrar qualquer espécie de ressentimento ou mágoa. Isto faz-se? Seis anos casados e trata-me desta maneira. O meu maior <strong>medo</strong> é não poder ver mais a minha filha. Se depender da mãe, sei que nunca mais lhe ponho a vista em cima. Só posso imaginar o que ela já lhe terá metido na cabeça... uma rapariga tão esperta, mas, sabe como é, nesta idade comem tudo sem pensar por eles e se a mãe quiser nem precisa do tribunal para me afastar dela, basta contaminar a sua cabeça com cobras e lagartos acerca de mim. Desta cena toda ao tribunal e do tribunal aqui foi um passo. A juíza até é porreira, mas é mãe e... é mulher. O dr. percebe, né? <br />Enfim... Com isto já passou a nossa meia hora. Sabe dr., esta vida é uma <strong>tristeza</strong>. Até p’rá semana. <br /> <br />N.C. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110364374113535913?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103639449510343892004-12-21T14:27:00.000Z2004-12-21T14:30:49.510ZComposição Ex. 8 - Sou Um Cão- Não doutor, tenho consciência que estou mal e venho pedir ajuda pela sétima vez este ano. Não consegui abstrair-me deste encarceramento em que me encontro. <br />Sinto que estou pior. Eles ladram. Todos os animais ladram e até o som do autocarro a chegar à paragem, faz um ruído estridente que culmina com um latido de um cão a sofrer. É horrível. Os animais latem o dia todo, os donos respondem a ladrar e de repente vejo-me com a cabeça numa dormência doentia que me leva ao desespero. Chego a cair para o chão com as mãos nos ouvidos numa surdina estonteante e dou por mim a latir. Já no hospital, não sei quanto tempo depois, com sedativos, tento abrir os olhos devagar…não sei quem me trouxe desta vez, e prefiro nem saber. A enfermeira tem na lapela o seu nome – Carminda. Olho-a com <strong>indignação</strong> e tenho vontade de lhe perguntar porque não escovou o pêlo de manhã. Está toda eriçada. Se eu fosse trabalhar naquela figura, mandavam-me directinho para casa. O Doutor está a olhar-me com <strong>surpresa</strong>, mas a esta altura já devia prever a minha queda. Não tenho cura mas posso viver devidamente controlado. Ontem, ainda no hospital, pelas 12.30h levaram-me o almoço à cama. Tinha o olhar fixo na televisão do quarto e solto um latido de contentamento. Mesmo deitado senti a cauda a abanar. Adoro ver o programa do almoço, porque a essa hora costuma passar o anúncio do PedroEgripal…e de repente fez-se luz na minha cabeça: Se levar umas argolas de PedroEgripal comigo cada vez q vou trabalhar…lanço-as para longe e o ladrar dos animais funde-se com o barulho típico da cidade, e assim aquela mistura explosiva de latidos e ganidos deixa de me fazer tanta confusão. Estou num dilema: PedroEgripal vegetal ou PedroEgripal carne? <br />A minha mulher gosta de mim. Diz que sou puro. Chegou a dizer-me que se fosse cão, tinha todas as probabilidades de ganhar um prémio. Ela diz sempre “se fosses cão”…até parece que não sou um verdadeiro cão! Antes de ir trabalhar ela analisa-me a boca: Lábios grandes, pouco espessos, não pendentes e bem sobrepostos. Céu-da-boca pigmentado de preto, assim como os bordos labiais. Dentes fortes, brancos, bem implantados. Doutor, só lhe digo: Pareço outro! Meio caminho andado para o dia me correr bem. Na paragem, enquanto o autocarro não vem, observo as pessoas e olho-as com <strong>compaixão</strong>. Nem toda a gente tem dinheiro para ter um pêlo destes e este é sem dúvida o pormenor que mais desperta a <strong>curiosidade </strong>dos passantes. É preciso muito óleo de fígado de bacalhau, muita vitamina B12. Por sua vez, como não quer a coisa, finjo que deixo cair a carteira e dou uma volta sobre mim, para me observarem bem. Rio-me para mostrar os meus dentes caninos, que estão sem uma cárie. No outro dia fiquei tão envergonhado…veja o Doutor que por causa de um problema de <strong>impotência</strong>, fui ao meu médico, o Dr. Veterinário Alberto Madureira. Depois de me ter auscultado, medido a tensão, deixou-me, por esquecimento o termómetro no recto. Só dei por isso quando um rafeiro alentejano me veio cheirar com ar superior e disse: “Epá! Cheiras-me a cão larilas”. Ups, fiquei para morrer. <br /> <br />M.L. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110363944951034389?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103493209715440952004-12-19T21:51:00.000Z2004-12-19T21:53:29.716ZExercício 8 - Homem Por Fora, Bicho Por Dentro<em><strong>Material necessário:</strong> <br />Papel <br />Caneta <br /></em> <br /><em><strong>Inspiração:</strong> <br />Ele sente-se doente. E confuso. Marcou uma consulta num psiquiatra. Está, neste momento, deitado no divã.</em> <br /> <br /><em><strong>Exercício:</strong> <br />O exercício anterior (Mistério em Forma de Mulher) forneceu-te 5 palavras que terás de utilizar no monólogo deste homem. <br />Ele conta ao psiquiatra tudo aquilo que o preocupa, incomoda e a razão porque o está a consultar.</em> <br /> <br /><span style="font-size:78%;">in, <a href="http://desafioescrever.blogspot.com/2004/11/desafio-escrever-o-livro.html">desafio: escrever</a></span> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110349320971544095?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103318945407267752004-12-17T21:29:00.000Z2004-12-19T02:48:37.160ZComposição Ex. 71.Surpresa <br />2.Indignação <br />3.Curiosidade <br />4.Compaixão <br />5.Impotência <br /> <br />M.L.<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110331894540726775?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>mylenehttp://www.blogger.com/profile/04487451233415195408noreply@blogger.com1tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103299804506328212004-12-17T16:07:00.000Z2004-12-17T16:10:21.500ZComposição Ex. 71. Abandono <br />2. Medo <br />3. Conforto <br />4. Frio <br />5. Tristeza <br /> <br />N.C. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110329980450632821?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103098554365644052004-12-15T08:11:00.000Z2004-12-15T08:15:54.366ZExercício 7 - Mistério em Forma de Mulher<em><strong>Material necessário:</strong> <br />Papel <br />Caneta <br /></em> <br /><em><strong>Inspiração:</strong> <br />É inverno. São 6 horas da tarde. Está escuro, faz frio e chove... muito.</em> <br /><em>Uma mulher jovem e bonita, parada no meio do passeio, protegida apenas pela gabardina que traz vestida, chora.</em> <br /><em>O rímel escuro, escorre-lhe pelo rosto e o cabelo, liso e comprido, cola-se à testa, à boca, ao pescoço.</em> <br /><em>Desces, debaixo do teu guarda chuva, essa rua e passas por ela.</em> <br /> <br /><em><strong>Exercício:</strong> <br />Utiliza 5 palavras para descrever o que pensaste, sentiste, imaginaste, perante a situação acima descrita</em><em>.</em> <br /> <br /><span style="font-size:78%;">in, <a href="http://desafioescrever.blogspot.com/2004/11/desafio-escrever-o-livro.html">desafio: escrever</a></span> <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110309855436564405?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com2tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103060891844298082004-12-14T21:44:00.000Z2004-12-14T21:49:17.113ZComposição Ex. 6 - ParabénsOs aniversários sempre lhe trouxeram algumas dores de cabeça. Ele não gostava de levar prendas e raramente levava. Há muito que acreditava que uma das funções da sociedade era a de <strong>contaminar</strong> os seus elementos com costumes sem qualquer significado, mas com muito interesse comercial. Em brincadeira dizia que a culpa era dos Reis Magos. Tivessem eles agraciado Jesus com a sua presença e benza, sem ouro, incenso e mirra e hoje não precisaríamos dos aniversários para oferecer um presente. Ele aproveitava os dias de não aniversário para mimosear os amigos com uma lembrança especial. Todos eles já tinham sido surpreendidos e todos eles reconheciam a beleza de tal acto. <br />Durante os seus longos anos de adolescência sentiu-se incompreendido por muitos que o rodeavam. <br />- Ele tem esta ideia e nem à <strong>faca</strong> vai ao lugar. – dizia frequentemente o seu pai. <br />Desta vez era diferente. Faltava uma semana, ele já pensava nisto há várias, e sabia o que lhe iria oferecer. <br />- Amanhã a Maria faz anos. – disse à Isabel. <br />- A Maria? – retorquiu surpreendida – A Maria? <br />- Sim. A Maria. <br />Isabel manteve-se em silêncio. Não sabia bem o que dizer nestas situações. <br />- Amanhã vou levar-lhe uma lembrança. Parece-me ser o melhor a fazer. A partir de determinada altura faz todo o sentido presentear nos aniversários. <br />- Pois... – disse Isabel. Não quis perguntar o que era. <br />Hoje, deitado no seu <strong>quarto</strong>, ele adormecia em paz. <br />Quando saiu de casa, na manhã seguinte, a primeira coisa que fez foi ir entregar a prenda de aniversário. A primeira prenda de aniversário que, desde que tem memória, entregava. Ainda os primeiros raios de Sol estavam a aparecer quando ele deixou o ramo de oliveira <strong>verde</strong> e um bilhete assinado: “Saudades eternas”. <br />Ficou durante uns momentos até se decidir ir embora. <br />- Parabéns! - disse-lhe antes de seguir o caminho de volta. <br />À saída do cemitério já o Sol se impunha e um novo dia começava. <br /> <br />N.C. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110306089184429808?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1103048297734194062004-12-14T18:15:00.000Z2004-12-14T18:19:15.846ZComposição Ex. 6 - António- Chamo-me António, tenho a minha mãe em casa doente, cinco irmãos para tratar, vá lá!, uma ajudazinha faxavor! <br />Todos os dias, por volta das cinco horas da manhã, António era visto à porta da <strong>praça</strong> esperando os feirantes que enregelados despiam as carrinhas da fruta e abasteciam as bancadas dos mais frescos frutos e legumes. Era noite ainda. Não creio que tivesse dormido pois o seu rosto espelhava o cansaço de mais um serão em claro. Vestia umas calças de bombazina <strong>azul</strong>, coçado pelo uso, bainhas descosidas a arrojarem no chão, rotas e exageradamente largas. Tão largas que precisava de um sisal a prenderem-lhe as presilhas. Os ténis, esses tinham perdido a cor. Os dedos dos pés dentro das meias passavam para o exterior e espelhavam bem a miséria da sua curta vida. <br />- Vá lá! Um euro faxavor! A minha mãe tá em casa a dormir e os meus irmãos querem comer... <br />- Vai-te embora rapaz! Não me faças <strong>zangar</strong> outra vez! Todos os dias é isto, ora bolas! Já te dei três bananas ontem e hoje já levaste um saco de laranjas! Não pode ser sempre. A tua mãe que trabalhe, tem muito bom corpo para isso, c’um caneco! Xô!! <br />António chorava, as lágrimas misturavam-se com o ranho e a sujidade. Tremia de frio. Estava de tal modo enregelado que o seu rosto depressa ficou arroxeado! <br />- Olhó rapaz que não está bem Estrudes! - gritou para a mulher, o Sr. João dos melões – que miséria...! <br />O Sr. João era assim chamado por duas razões; porque a mulher era dotada de um peito volumoso e a segunda porque na verdade vivia dos melões que vendia. Os colegas de bancada faziam chacota e riam: “Oh João, olhós melões a balançarem...ainda caiem ao chão e catrapum!...” <br />O Sr. João dirigiu-se ao rapaz, mandando para o chão o que restava do <strong>cigarro</strong>. <br />- Anda cá rapaz, toma lá um copo de café com leite quente que o João tem ali no termo dentro da carrinha. O leite vai aquecer-te e depois ficas ali deitado, embrulhado nesta manta. Deixa-te ficar, que depois levo-te a casa. <br />António deixou-se ir, entregando-se nos braços daquele homem bom. Não era a primeira vez que se sentia desvanecer e não era igualmente a primeira vez que o Sr. João dos melões lhe pegava ao colo para o confortar. <br />Era o melhor colo que alguma vez tivera. Aqueles escassos minutos de carinho e dedicação davam-lhe força para o resto do dia. <br /> <br />M.L. <br /><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110304829773419406?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com0tag:blogger.com,1999:blog-9263371.post-1102977854428963302004-12-13T22:36:00.000Z2004-12-13T22:44:14.430ZO DesafioO Desafio é de todos ou, se preferirem, o desafio é para todos. <br /> <br />Por isso, realizem os exercícios e enviem por email ou coloquem nos comentários do enunciado. <br /> <br />O email é desafioescrever (arroba) yahoo (ponto) com<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9263371-110297785442896330?l=desafioescrever.blogspot.com'/></div>Tiagonoreply@blogger.com3