tag:blogger.com,1999:blog-9159660.post-1115393413612933852005-05-06T16:26:00.000+01:002005-05-07T11:35:04.126+01:00Histórias da minha vidaA velha Keystone<br /><a href="http://photos1.blogger.com/img/179/2354/50/Remington.jpg"><img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/179/2354/400/Remington.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify">Hoje é dia de sair a fotografar para mim.<br />Aproveito uma manhã luminosa, limpa e com a paisagem a vestir-se de uma luz que a torna mais bonita, alegre e reconhecível. Estão lá todas as cores, azuis, verdes, amarelos, vermelhos e ainda os diversos tons que, embora fotografando a preto e branco, ficam todos igualmente registados. Ao longe consigo ver um enorme rebanho que desenha na encosta um quadro bucólico. Estou a tentar organizar dentro do rectângulo do meu visor o melhor dos enquadramentos, sem plastificar demasiado a cena que estou visualizando. Preparo a câmara, a objectiva adequada, enquadro, meço bem a luz e faço o disparo. Mais tarde, verei se foi conseguido aquilo que idealizei – agarrar com toda a força, a força dessa imagem. E continuo, olhando o que me rodeia, cumprimentando este ou aquele que por mim passa, conhecido ou não, pois no campo, nas aldeias, todos merecemos pelo menos “um bom dia”. Eles já me conhecem de me verem sempre de máquina a tiracolo... Eu já os conheço, de os ver puxando o carro de bois, com canas às costas vergados sobre um cajado. Estas gentes não têm máquina fotográfica, mas através dos seus contos, das suas vivências, conseguem mostrar-me retratos da vida do campo, das colheitas, da tigela de caldo e do copo de vinho que dão sempre um alento para mais umas horas de trabalho na lavoura.<br />Continuando ladeira abaixo deparo-me com flores silvestres a rirem ao sol desta manhã solarenga a pedirem um retrato para o álbum campesino. Faço mais esta fotografia pois, não ocupa espaço no meu arquivo e consegue decorá-lo um pouco mais. Depois, são miosótis, margaridas, girassóis e um sem número de pequeninas flores que na borda dos caminhos dão mais alegria a quem passa.<br />É quase meio dia, hora de almoçar mas, antes disso, vou passar pela beira do rio, ouvir o som da água a bater no cais e ver o picar dos peixes, outra oportunidade para fazer mais um "boneco", desta vez, uma foto por forma a mostrar a grandeza da albufeira que se espraia até à barragem.<br />São horas de voltar, de meter o material na saca. O calor é intenso e ainda tenho uns bons três quilómetros a percorrer.<br />A minha chegada a casa é de imediato detectada pelo ranger do grande portão que lhe dá acesso... “Fizeste muitas fotografias?... Ficaram bonitas...? Nunca mais chegavas!” É a aposta que fazem em mim, pelo menos a minha mulher e os meus filhos. São eles quem mais podem vibrar com o meu sucesso, quem mais se pode orgulhar da qualidade das minhas imagens, quem mais me pode acompanhar quando as coisas não correm como deve ser... “Vai em frente, não desistas... esta é a tua paixão – fotografia!</div>Jorge Regohttp://www.blogger.com/profile/07045562851949298327noreply@blogger.com