tag:blogger.com,1999:blog-90702042008-03-30T10:48:21.068-07:00PoemasamostrasAndre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comBlogger94125tag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-80550129089708468922007-08-26T15:00:00.000-07:002007-08-26T15:16:42.734-07:00A noite no lago<p>A música e os vídeos têm-me um pouco afastado da poesia, por isso deixo aqui uma das minhas últimas músicas e um dos ultimos vídeos. </p><p>Um destes dias voltarei com novos poemas</p><p><object width="320" height="280" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-28e521739a86debe" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqgAAAO3T1daHheEeH3ZcEQIwEb-jY8jWuEz8OcpDzl2Mkm4Pfnocfn4Y3xzLuifkxM12NIPfedfeFAraemwJxLz8jnFznZ35UT3Yo_zMPjl5kdvowM6xjj3Y9zm8wma-w7SYMaaCz6Z1CQjSsKIjqHTroB0euvY_AxNAEr7yoeAgksZenI283seuY-vF5ZoZ7DXmn5TK1K91I74mnwcbW9w-l4voOPSU3E-Oa9TnTLIscnz2%26sigh%3DIfWvcB7Yo1ZktFBVj_F9q4YstiI%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&nogvlm=1&thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D28e521739a86debe%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3D5GdPyWOv1XJdxYiSrSKQTRqGv4o&messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den">
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</p>Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-44692549397120165462007-07-12T09:01:00.000-07:002007-07-12T09:03:25.203-07:00Corpo celestePrimavera e Outono simultâneos<br /> Flor e estrela<br /> Nos teus braços corpo celeste<br /><br /> Entrar na atmosfera e arder<br /> Fogo e água<br /> Incêndios espontâneosAndre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-31051681369738080572007-06-17T11:29:00.000-07:002007-06-17T11:31:36.947-07:00O oleiroJá falei infinitas vezes nos mil tons de verde que as suas mãos regam entre as sombras.<br /> Atravessavas o canavial e o canavial atravessava-te.<br /> A água corre à sombra e toca a música dos regatos a anos-luz. Barro onde se afundam os pés, moldes de pés, moldados. Moldes donde sai o meu corpo e o teu.<br /> Dentro de ti ganho uma nova forma.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1173792856732384512007-03-13T07:33:00.000-07:002007-03-13T07:34:16.760-07:00Margem do céuÁgua do rio, Lua derretida na margem.<br /> Muda de cor. Cor muda.<br /> Garrafa de plástico entre as folhas podres e vivas.<br /> Debaixo da romaneira o gato e o Sol aquecem-se um ao outro.<br /> Do principio ao fim, sem principio nem fim.<br /> Procurava a transparência com que se vestir. Sombra da Lua. Reflexo imaginado num lago só lembrado.<br /> Flechas escapam dentro do olhar. Longe do voo e do vento.<br /> Os ramos entrelaçam-se até formar novas formas, outros ramos, outras ideias de ramos.<br /> A cem metros da margem afundava-se o infalível e o pensamento flutuava pela última vez na flor do fim.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1168427437900240642007-01-10T03:07:00.000-08:002007-01-10T03:10:37.960-08:00Ressaca no sistema binário<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"> Sentia no ouvido as vozes que me visitavam. Voam em círculos.<br /><span style=""> </span>Língua vítrea.<br /><span style=""> </span>Sons transparentes.<br /><span style=""> </span>Voam em círculo no circuito dos cabelos.<br /><span style=""> </span>Sentimos distúrbios no sistema.<br /><span style=""> </span>Quero outra pele que esta já não me serve.<span style=""></span><br /> Criatura que se bifurca.<br /><span style=""> </span>Abre as asas<br /><span style=""> </span>Movimento lento, o planeta gira, gira demasiadamente depressa. Vomito na via-láctea<br /><span style=""> </span>Uma folha de plátano mergulha lentamente na noite. </p>Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1166366105283320052006-12-17T06:33:00.000-08:002006-12-17T14:25:32.483-08:00Vozes de vento<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"> As mãos eram a boca, os dedos em movimento sobre o papel e a pele, a voz .</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style=""> </span>As palavras vivas, condição necessária à criação, agitavam-se, rodopiavam num furor dionisíaco, ganhavam vida</p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style=""> </span>Nem as mãos, nem a boca, nem os dedos, nem as palavras, eram mais meus.</p>Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1165437631915055362006-12-06T12:37:00.000-08:002006-12-06T12:40:31.970-08:00Salto no vazio<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Salta a janela à noite para se montar no fumo que a boca lança ao céu gelado.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style=""> </span>Constelações agitam-se no ar para oferecer ramos de flores. </p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style=""> </span>Sombra de<span style=""> </span>um velho<span style=""> </span>arbusto num arco pintado de branco.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Cenário com candeeiro e algumas árvores.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Grilo gritado no chão gelado.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Brincadeira fora do horário do mundo.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Chego atrasado à linha de vento que salta de árvore em árvore por entre os beijos da aurora.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Adivinhação, que é outra forma de conspirar.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Suspirar no meio dos destroços duma civilização ainda por vir e já condenada ao esquecimento.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Pensamento esquecido na memória infalível.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Falência das palavras e dos gestos.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Salto da janela da noite montado no lançamento do perfume do ar que ainda não respirei.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Irrespiráveis prisões do mundo.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Aberta a boca ao voar.</p>Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1164717839449692062006-11-28T04:43:00.000-08:002006-11-28T10:48:48.950-08:00A experiência do nada<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Em breve o ano terminará. O rio preso no tempo e as formas que conhecemos desvanecer-se-ão ante os nossos olhos fechados.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">O rosto que se viu, nítido no implacável lago gelado do firmamento, não voltará a ver-se jamais.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Lançaste a adivinhar o sopro do vento perdido no espelho levantado ao infinito ao largo da costa da ilha humedecida das mangas azuis dum casaco.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Ruas impraticáveis<span style=""> </span>na prática de suspender os olhares.</p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Ao cabo de tantos anos duma larga e variada experiência no cultivo de objectos perdidos nos bolsos rotos do mundo vislumbram-se desertos e<span style=""> </span>os dedos abertos apalpam no vazio como trepadeiras procurando apoio num planeta distante.<span style=""> </span></p>Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1160759162127896532006-10-13T10:05:00.000-07:002006-10-13T10:06:02.173-07:00Ampliação da lentidãoAdormece no campo a ilusão da vida que nos salta em cima. Ampliados mil vezes os processos pela lentidão.<br /> Gestos de ventos distantes, últimos reflexos das andorinhas. Mutantes amplexos de todos os espelhos e fotografias que o viram.<br /> Estrelado abismo. Véu interno onde despejaram baldes de esquecimento como se se livrassem da memória na paisagem cansada. Ponto de referência perdido.<br /> Movimento lento do verde que se afasta no elemento. Alimento tenro da palavra e da terra e do astro.<br /> Na terra cai mais uma folha, fruto da sagrada podridão. Caminho repetido até ser novo caminho. Contrição na contradição.<br /> Dissipar do manto do desejo do dia. Lia as folhas no manto do chão.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1160157622244038882006-10-06T10:59:00.000-07:002006-10-06T11:00:22.286-07:00SaudadeSalpicado de setas de pétalas de lírio<br /> Delírio aplicado na superfície<br /> Atingido o pôr do SolAndre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1159269136788222722006-09-26T04:10:00.000-07:002006-09-26T04:12:16.820-07:00AplausosOs planos de evasão estavam perdidos. Na continuação dos dias os panos estendidos na noite cobriam textos proibidos.<br />Oferecias presentes, passados e algo que se assemelhava ao futuro.<br />Duro era saber-nos presos num quadrado.<br />Sonho mastigado, cuspido.<br />Cansado de correr sem sair do mesmo lugar. Relógio gigante na torre da praça da imaginação mostrando os limites de cada um. Tempo curto. Nervos à flor da pele. Ramos de rosas e ponteiros.<br />Céu cinzento e possibilidade de aguaceiros.<br />Cansaço geral.<br />Belos artistas da hipnose de massas: fodem-nos a todos e ainda assim vivemos contentes e os aplaudimos.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1157922332414605342006-09-10T14:04:00.000-07:002006-09-10T14:05:32.440-07:00Último númeroA imaginação acabou. Não sinto mais força para escrever. Os coelhos que andavam pela cartola da criação tinham-se extinto ou recusavam-se a sair. Por vezes o truque não era mais do que voltar a sacar o mesmo coelho vezes e vezes de seguida. Olhava para o fundo vazio do chapéu e perguntava-me: onde estaria a imaginação?Durante a noite sonhava palavras cheias de ilusionismo mas ao despertar um malvado encantador transformava-as em esquecimento.Escrevia mil vezes o mesmo poema como recurso final até que o poema sofria pequenas transformações de que mal me apercebia.Acordado sonhava números cheios de significado e um pequeno público que me escutava. Depois olhava para o vazio, fechava os olhos e voltava a enfiar a mão, como se dali ainda saltassem ideias!Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1157368945500687982006-09-04T04:16:00.000-07:002006-09-04T04:22:25.526-07:00Observação da peleO firmamento observava o olho através dum telescópio até se encher de visões.<br />Chovia do chão para o céu engordando as nuvens até estas cairem no solo esmagando algumas flores cor de vinho.<br />De palavra no bolso corrias para o poema.<br />Despia a musa já nua e soletrava devagar todos os seus poros.<br />Frasco de respiração forte guardado nos nossos pulmões.<br />Cintilar dos olhos fechados.<br />De tempos a tempos um bando de aves levanta voo do coração.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1156188026176994792006-08-21T12:19:00.000-07:002006-08-21T12:20:26.206-07:00O caldo entornadoEntorno-me entrelaçado nas nuvens do teu céu. De olhos fechados vislumbro a romã aberta pelas tuas mãos.<br />Salgado sumo entornado no teu doce interior.<br />Gotas perfeitas do suor que há-de escorrer nas nossas paisagens.<br />Musa inquietante que sempre se transforma. Palavras mutantes que sempre se transformam. Musa e palavras então cristalizadas.<br />De olhos bem abertos entorno-me em ti.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1155132316076504912006-08-09T07:04:00.000-07:002006-08-09T07:05:16.140-07:00Uma das correntesO grande rio avança nas páginas inundando-as no líquido da mutação.<br />Tombam as palavras na voragem da corrente.<br />Assista ao acaso arguir no branco do papel.<br />Banco dos réus.<br />Cartaz que anuncia os desejos que deves sentir.<br />Bandeiras enfunadas pelo Zéfiro.<br />As águas do tempo evaporam-se e o lago branco do esquecimento traz novos caudais ao vento.<br />Brando costume de assassinar pela noite.<br />Cães que ladram.<br />Aspirava ao vento do fundo do mar do Dilúvio.<br />Gato desaparecido procura-se.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1152797429911246682006-07-13T06:29:00.000-07:002006-07-13T06:30:29.940-07:00Sementeira na órbita erráticaQuando finalmente conseguia pôr em movimento a cápsula de sementes electrónicas os amantes titânicos esmagaram milhões de formigas estelares no firmamento. Uma chuva de estrelas escorria do céu incendiado nas curvas dos corpos.<br />Sentia-se um satélite enquanto perdia a órbita, embora fizesse parte daquela espécie de acordo nunca estar perdido.<br />Um quilómetro era um festim. Expandia-se e descobria partes do que antes lhe tinha parecido insondável.<br />Numa esquina uma resposta. Cada resposta uma pergunta, cada pergunta uma pergunta.<br />Olhava as sementes aparecidas nos bolsos durante o caminho com um misto de estranheza e alegria: não tinha bolsos rotos, era o caminho que parecia perder coisas.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1152024595842768992006-07-04T07:40:00.000-07:002006-07-04T07:49:55.876-07:00InflexãoApreendemos o coração do vento no meio do incompreensível beijo da estrada.<br />Voltamos as costas e regressamos aonde nunca tínhamos estado.<br />Sozinho, eu e a estrada.<br />Juntos, eu e a estrada.<br />Caminho que temos de merecer, caminho que nos tem de merecer.<br />Mexe na curva.<br />Ingestão de rectas.<br />Sistema binário.<br />Paredes rosa e rosas de plástico.<br />Animais que me digerem no colchão do esquecimento num hotel fechado: fechado por motivos de falência. Percevejos electrónicos mordem mordem mordem a pele que se ilumina como um néon a cada dentada.<br />Naqueles dias da falência os insectos da memória devoraram-me e iluminaram-me o corpo: a mente funcionava intermitentemente.<br />No problem.<br />Reiniciar.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1151072281022989482006-06-23T07:16:00.000-07:002006-06-23T07:18:01.186-07:00A margem das ideiasTomaram um certo caminho.<br />Tremiam os pensamentos na paisagem que se afastava e outros na que se aproximava.<br />Calças sujas de poeira e histórias por lavar.<br />Rolavam ideias pela fronteira sem que ninguém lhes pedisse o passaporte.<br />Atravessar para outra margem eram raciocínios por pensar.<br />É bom chegar, não interessa onde.<br />Perguntas-te como foi a viagem mas a viagem ainda não acabou.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1150733883430742552006-06-19T09:16:00.000-07:002006-06-19T09:18:03.476-07:00Mudança de peleComo o desejo de beber a Lua num reflexo na superfície de um lago escutavam o passar da pele.<br />Precisão da epiderme.<br />Areal em que o tempo é levado pelo vento.<br />Sopro de vida e de distância e de caminho.<br />E de caminho nada havia que escolher: tocar o imediato como quem despreocupadamente toca nas águas dum rio com as pontas dos dedos.<br />Correm as caras num espelho por colher no trajecto.<br />Tirar o dedo do mapa quando o dedo é o mapa.<br />Nesse dia só desejava que não lhe fizessem nenhuma pergunta.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1150046187970968552006-06-11T10:15:00.000-07:002006-06-11T10:16:27.996-07:00Descida e ascensãoO grande ceptro de luz vermelho sangue do ocaso espetado entre as árvores abre a boca de sapos gigantes- croac, croac.<br />Sandálias de folhas secas varridas com os pés no pequeno regato das linhas brancas.<br />Um saco de plástico levantado por um remoinho de vento. Levantem as cabeças e observem- shhh, shh.<br />Mil versões da ascensão do grande Caralho ao Céu e vãs esperanças de vermos seja lá o que for ser parido daquelas nuvens tão grávidas.<br />A pele arde frita no asfalto e nenhum carro pára. Mudamos a nossa placa tentando enganar o destino. Agora não queremos ir a nenhuma cidade que exista, condutores imaginários levar-nos-ão ao desconhecido.<br />Esprememos a estrada procurando uma última meia hora de sorrisos: temos as melhores histórias para contar para percursos entre dez e mil quilómetros e não o queremos fazer entre lágrimas- ploc, ploc.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1149677596752001302006-06-07T03:51:00.000-07:002006-06-07T03:53:16.816-07:00Ausência de testemunhosChuva que cai no passado<br />Som de passos que se afastam<br />Arbustos crescidos para testemunhar<br />corpos enlaçados<br />Vento na copa das árvores<br />Gemidos observados pelo parqueAndre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1148233021998623302006-05-21T10:32:00.000-07:002006-05-21T10:37:02.023-07:00A fugaO acaso deixou uma mensagem que ninguém leu.<br /> Um dia perdido recebeu a bençao da rainha das meretrizes.<br /> Um dia perdido recebeu a bençao de dois beatos.<br /> E com bençaos coladas nas solas dos sapatos viajou.<br /> E quando as solas se gastaram os passos na sombra e no sol começaram a ondular e a ser odisseias. Caminhava para fugir dos passos e das bençaos.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1145359029022246382006-04-18T04:15:00.000-07:002006-04-18T04:17:09.050-07:00DesapariçãoVou viajar e comigo levarei mil espelhos para que todos talvez me possam ver. Ainda que não me olhe, ainda que nenhum dos espelhos me reflicta. Mas eu reflectirei os espelhos e libertando um saco cheio de cacos de vidro comunicarei através de aves migratórias. As aves voarão em circulo e desaparecerão no firmamento. É então a hora de olhares para o céu e veres-me.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1144185572611075302006-04-04T14:19:00.000-07:002006-04-04T14:19:32.660-07:00Todas as estaçõesO espelho fazia-o esquecer-se de si mesmo.<br />O vento bebido trazia à boca o sabor de outras paragens e vozes.<br />Vozes largadas desde o alto de novas torres de Babel.<br />Bebia o pulsar do mundo, coração descompassado.<br />Glicínias glaciais guardadas nos olhos do céu já quase quente.<br />Silhueta da palavra recortada no irreflectido reflexo.<br />Repara no oscilar dos segredos ofuscantes baixo a sombra da nuvem irrazoável.Andre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-9070204.post-1143416428281736592006-03-26T15:37:00.000-08:002006-03-26T15:40:28.396-08:00Espelhos jardinsSecalhar o vento<br />já não me pode levar<br />Farei vento e palavras<br />Espelhos e jardinsAndre_Ferreirahttp://www.blogger.com/profile/03425636676684736926noreply@blogger.com