tag:blogger.com,1999:blog-8594451.post-10083409338817487862007-05-27T14:09:00.003-03:002008-04-26T22:53:07.505-03:00Da série: As respostas do Raimundo n. 6<div style="text-align: center;">Sobre Deus e Sobre “OS Bem”<br /></div><br /><div style="text-align: right;">Moura Rêgo<br /></div><br />Na obra “Introdução A Filosofia Espírita, seu autor, José Herculano Pires faz brilhante apanhado de idéias quando coloca:<br /><br /><blockquote>“Os adversários do Espiritismo desconhecem tudo a respeito e fazem tremenda confusão. Os próprios espíritas, por sua vez, na sua esmagadora maioria estão na mesma situação.<br /><br />Por-quê? É fácil explicar. Os adversários partem do preconceito e agem por precipitação. Os espíritas em geral fazem o mesmo: formulam uma idéia pessoal da Doutrina, um estereótipo mental a que se apegam. A maioria, dos dois lados, se esquece desta coisa importante: o Espiritismo é uma doutrina que existe nos livros e precisa ser estudada. Trata-se, pois, não de fazer sessões, provocar fenômenos, procurar médiuns, mas de debruçar o pensamento sobre si mesmo, examinar a concepção espírita do mundo e reajustar a ela a conduta através da moral espírita.”</blockquote><br /><br />A partir desta constatação, tristemente verdadeira, torna-se a qualquer um de nós, bastando para tal que conheça, pelo menos de sobre o assunto sobre o qual se conversa, uma obrigação em que se restabeleça o correto, se o foco da conversa estiver em desacordo como que expressou a página doutrinaria.<br /><br />A razão desse pequeno artigo é a de promover um debate sobre a conversa que vem a seguir e que faz lume a uma dúvida que se não nos assaltou ainda, tende a que nos assalte algum dia; A natureza do Bem, ou como coloquei antes, “dos Bem”.<br /><br />A fraterna discussão teve início numa das listas espíritas nas quais presto o meu pequeno contributo em torno da doutrina.<br /><br />Segue a parte que nos interessa da troca de idéias, e para qual peço de vocês comentários, embasados na doutrina.<br /><br />Do texto abaixo retiro tão somente o nome do missivista, por questão ética.<br /><br /><br />Chico:<br /><br />Desde logo, agradeço a Moura Rêgo por, pela segunda vez, dispor-se a responder a uma questão por mim colocada.<br />Quanto a esta última dúvida, a que concerne à relação entre a vontade de Deus e o Bem, peço desculpa por voltar a insistir na mesma questão. Pois, segundo o que infiro da resposta avançada por Moura Rêgo, já se está a pressupor que é Deus quem "cria" o Bem. Isto é, o Bem só seria o Bem porque Deus assim determinaria, pelo que a Lei Moral se identificaria com a vontade divina. Sem Deus, não poderíamos falar em Bem ou em Lei Moral. Porém, pergunto se isto é mesmo assim. É o Bem "criável"? Não será algo que independe da vontade de Deus? Poderia Deus determinar que o Bem tivesse um qualquer conteúdo, isto é, que fosse outra coisa que não aquilo que nós julgamos que é? Não será antes que Deus quer o Bem (que o façamos) porque este é, precisamente o Bem e Deus, como é absolutamente bom, não poderia querer outra coisa? Se não existisse Deus não poderíamos falar, ainda assim, que o Bem é o Bem e que existiria, deste modo, uma Lei Moral?<br /><br />Obrigado<br /><br />Amigo Chico,<br /><br />agradeço a sua atenção para as minhas colocações.<br /><br />Mas vejamos: Sob meu ponto de vista, este embasado pelo ensino da doutrina, para que relacionássemos o Bem, como sendo independente da vontade d'Ele, deveríamos ter provas irrefutáveis de que a Vontade inicial ou a Ação inicial não vieram de Deus, e assim provaríamos outra coisa:<br /><br />Que Deus não foi o primeiro, e que algo ou alguém já estava para recebê-lo em sua chegada ao Éter. Ora, tal situação modificaria todas as crenças teológicas que tenham suas bases n'Ele, partindo da primeira e estagiando pelo Cristianismo, chegando a nós, Espíritas.<br /><br />Doutra feita, podemos elencar dois "bem", um com inicial em maiúscula, significando a creação de Deus, outro com a inicial em minúscula, evidenciando ser, o exalar de nossa vontade.<br /><br />Tomando -se por regra, então, que não somos nenhuma "Brastemp", que estamos a reencarnar sucessivamente num dos mundos mais atrasados que existem, reconheceremos com total isenção que este "bem" creado por nós, é tão imperfeito, como o sejamos nós, no momento de sua creação.<br /><br />Sendo assim, nossa consciência, habitáculo da Razão, estará sempre a nos impulsionar para o Bem, com a inicial em maiúscula, não só porque seja ele creação de Deus, mas por outra e este o ponto de apoio, por ser esse "Bem", Perfeito, já que emanou da Perfeição.<br /><br />Este Bem, creação do Increado, ao qual todos nos devamos adornar, é para mim, sob os luzires doutrinários, a suprema concepção moral, geratriz da lei que agiganta hierarquicamente o Espírito em ascensão por meio dos reencarnes sucessivos.<br /><br />Espero ter sanado suas dúvidas, mas, reconheço a dificuldade em explanar sobre esse tema.<br /><br />Abraços,<br />Moura<br /><br />É então, desta amável troca idéias, como devem ser todas as discussões entre Espíritas, que peço aos amigos os comentários, sempre bem-vindos.<br /><br />Muita paz.<br /><br />Rio de Janeiro,18 de maio de 2007.Moura Regohttp://www.blogger.com/profile/00497128894644418925noreply@blogger.com