tag:blogger.com,1999:blog-82673885926208973522009-07-15T11:19:25.536+01:00MEDITAÇÃO NA PASTELARIAAna Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.comBlogger801125tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-12390544163960208372009-07-15T03:50:00.004+01:002009-07-15T04:18:59.560+01:00Fragmentos de um discurso amoroso (não, não é Roland Barthes, é Domingos de Oliveira)<div align="justify"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/Sl1HzowuTGI/AAAAAAAACuE/WO9vRiH8JU0/s1600-h/domingos.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 270px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/Sl1HzowuTGI/AAAAAAAACuE/WO9vRiH8JU0/s400/domingos.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358518084081437794" /></a><br />"Há pessoas que sofrem com separações, outras, muito mais raras, se alegram com isso. Realmente uma separação é sempre um alívio. E alguns logo encontram a 'solidão magnífica', conforme chamou Freud. Mas não sou esse tipo de pessoa e para os homens comuns, separação dói muito.  <br />O assunto não me é estranho porque já fiz um filme sobre ele e também porque tive cinco casamentos e cinco separações. <br />No entanto não tenho nada a dizer sobre o assunto. Há coisas assim, quanto mais se vive ou mais se pensa, mais obscuras ficam.  <br />Na primeira separação, tinha uns vinte e poucos anos. O nome dela era Eliana. Me desarticulei tanto que não podia sair na rua, achando que os edifícios cairiam sobre mim. Lembro também que foi nessa época que descobri a psicanálise, e logo depois o álcool. Na boemia, no tempo sem tempo da boemia, procurava aflitamente o Amor. Quebrei minha mão dando um soco na parede e fui à sessão de psicanálise tocar uma flauta de plástico que alguém me deu, com a mão engessada. Quero dizer que sofri muito.  <br />Na minha segunda separação sofri muito. Tinha três namoradas ao mesmo tempo, e brochava com as três. O nome dela era Leila. Em vez de tocar a flauta, fiz um filme, 'Todas as Mulheres do Mundo'. Ninguém duvide disso: períodos de separação são em geral altamente produtivos.  <br />Minha terceira separação, Nazareth, eu tinha quarenta e poucos, sofri muito e não teve graça nenhuma. Eu estava sem dinheiro e vivia minha vida nos corredores dos bancos adiando promissórias, parcelando dividas, movido por anfetaminas. Naquela época eram vendidas como remédio para emagrecer.  <br />Meu quarto casamento, Lenita, durou dez anos e tive uma filha. Maria Mariana. Na quarta separação tinha quase cinquenta, tive poucas namoradas, poucas porém boas. <br />Até que há vinte e oito anos atrás, casei com Priscilla, adorável criatura que me acompanha até hoje. E lá pelo oitavo ou décimo ano de casamento, passamos um ano separados. Se eu tinha desarticulado na primeira, nessa ultima desagreguei, quero dizer, sofri muito. Mas sempre produtivamente. Essa experiência resultou num filme, 'Separações'.  <br />Se eu cito esses dados biográficos nesta palestra, é apenas para tentar perceber o que há de comum entre essas cinco malditas porém necessárias passagens. Na verdade quase pode ser dito que todo homem solteiro quer casar assim como todo casado quer ficar solteiro. Não conheço nenhum casal decente que não nutra um sólido desejo de separação. Faz parte de um bom casamento, creio. Afinal, o amor tira a liberdade, sem dúvida. O que é inadmissível. E a solidão muita vezes é desagradabilíssima e vazia. Enfim assim vamos todos, amando e desamando, carneirinhos à espera do corte.  <br />A pergunta que faço hoje em dia a respeito do assunto é sobre a possibilidade de amar, casar e separar sem sofrer. Muito me perguntei sobre o mistério da dor do amor. Para tentar entender a dor do amor existem três indagações sobre o amor, ele mesmo.  <br />Primeiro. Porque o amor (a paixão) acaba? Infinita enquanto dura, mas não dura. É por esquecimento de si mesmo? Porque sendo explosão, com tempo se atenua? Porque, tendo dado ao amante sua chance de eternizar-se, não tem mais nada a fazer ali? <br />A segunda indagação vai mais direto ao ponto: porque dói tanto quando o amor acaba? Porque é tão triste? Porque é inaceitável? Nenhum raciocínio ou vivência autorizou a crença de sua perenidade? Porque afinal nos dilaceramos? Ah, a dor do amor. É mais que uma angústia. É uma febre, uma desidratação. Poucas coisas são tão tristes quanto o fim de um grande amor. Talvez nem o fim da vida seja tão triste. E o que dói? Onde dói? Dói por não ser mais o que era. Dói por tudo que poderia ser, se ainda fosse, mas não será jamais. Dói a perda da paixão, única moeda cósmica que temos a nossa disposição. Porém, acalmemos. Deve haver um motivo objetivo para tanta dor. Examinemos metodicamente uma a uma as perdas.  <br />O que se perde quando é perdido um amor? Talvez a moeda cósmica? Não, não deve ser isso. Todos os homens sofrem separações e nem todos se importam com o cosmos.  <br />A perda do objeto sexual? Também não deve ser isso. Há muitas Marias para cada João.  <br />Qualquer coisa ligada a ciúme de terceiros? Mas há separações que não envolvem terceiros, nem por isso deixam de ser sofridas.  <br />Tão pouco são irrazoáveis as explicações psicológicas, quebra da fantasia, falência de um investimento sentimental ou qualquer coisa desse tipo. Mas também não é isso. Homens maduros, estudiosos, que certamente ultrapassaram esse tipo de acontecimento psicológico também sofrem como cães envenenados.  <br />Aprofundemos essa espiral.  <br />Talvez o horror da solidão quando convivemos muito com a pessoa amada, perdemos totalmente a noção de como somos sós no mundo. Nossa íntima alegria ou dor é compartilhada, ganhamos um ouvinte interessado e perder isso, convenhamos, é perder muito.  <br />Talvez o medo da liberdade, citando Dostoievski, meu caro companheiro desde a adolescência, 'Não há nada que o homem deseje mais do que a liberdade, nem nada que lhe seja tão doloroso'.  <br />Na terceira indagação sobre o amor pergunto se ele é necessário. Na pesquisa da verdade todas as hipóteses devem ser levantadas, mesmo as deselegantes. Existirá mesmo um grande homem só? Não será um homem um animal a dois? Como intuíam os antigos gregos, um ser cuja biológica natureza verdadeira é ser parte de uma unidade maior, chamada casal. Se a função da hipótese é responder a paradoxos, esta é a meritosa, posto que pelo menos explica a dor do amor. Dói porque falta uma parte, tanto quanto doeria se nos arrancassem um braço ou um olho. Quando escrevi o roteiro do filme 'Separações' eu tinha farto material a respeito. Tanto retirado da minha vivência quanto daquela dos amigos, mas não conseguia fechar a história. Somente pude fazê-lo quando lembrei da Kubler Roth e de suas fases pelas quais obrigatoriamente passa um doente terminal. Quando reparei que elas podiam coincidir com as fases do meu herói ridículo num período de separação, o roteiro ficou resolvido. Somente é possível comparar a separação de dois amantes com a morte de um homem. </div><div align="justify">No filme minha ordem é: <em>a negação</em> ('Não! Não pode ser! É mentira, ela vai voltar. Foi uma briguinha à tôa.'), <em>a negociação</em> ('Se ela voltar para mim eu paro de fumar, subo os degraus da Penha, nunca mais vou ser galinha'), <em>a</em> <em>revolta</em> (“Quero te matar, sua puta!”) e <em>a aceitação</em>, que é quando se arranja outra namorada. Ou então a mulher volta. Observe que tomei certas liberdades com a Kubler Roth. Inverto a ordem, que é: a negação, a revolta, a negociação, a depressão e a aceitação. E dou por subentendida a fase da depressão.  <br />Bem, espero que quem não viu possa ver o filme. É muito engraçado ver aquele homem arrastando-se pelo chão, pagando todos os micos possíveis para recuperar a mulher amada.  <br />Hoje tenho 72 anos, continuo querendo me separar da Priscilla, e ela de mim naturalmente, posto que somos normais e tenho a impressão que poderíamos fazer isso alegremente sem nenhum ciúme e nenhuma dor. Tenho essa exata impressão e com a mesma convicção que não acredito absolutamente nela. Morro de medo de me separar da Priscilla. Creio, concluindo, que é uma questão genética. Há homens que nasceram para viver sozinhos, e certamente não sou um deles. A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser aquilo que você é. O que evidentemente é muito difícil.</div><div align="justify">Me aguardem no meu próximo filme, é uma espécie de continuação de 'Separações'. Acompanhando o casal, até digamos assim, o fim. Titulo: 'Inseparáveis'."</div><p align="justify"><strong><span style="font-size:85%;">Texto de Domingos de Oliveira (dramaturgo, cineasta e actor brasileiro) lido pelo próprio na FLIP 2009</span></strong><br /></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-1239054416396020837?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com2tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-54174130940431578902009-07-13T03:34:00.004+01:002009-07-13T03:56:59.520+01:00A tal de FLIP<div align="justify"><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.flip.org.br/galeria/images/565.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 600px; height: 387px;" src="http://www.flip.org.br/galeria/images/565.jpg" border="0" alt="" /></a>Não perguntei à própria e, ainda assim, apostaria uma rodada de cachaça em como Dona Margarida não assistiu à conversa do brasileiro Silio Boccanera com Richard Dawkins. </div><p align="justify">O cientista ateu que, à imagem dos Beatles, corre o risco de se tornar mais famoso do que Jesus Cristo apresentou-se na FLIP no dia 2. Na manhã seguinte, enquanto ele se aventurava mar dentro na companhia do navegador que fez em solitário a primeira viagem de circum-navegação do mundo – certamente o mais notável habitante de Paraty, Amyr Klink –, Dona Margarida, a responsável pelo meu café da manhã, despedia-se assim: “Num momento em que se fala tanto de literatura em Paraty, também eu quero-te falar do meu autor”. Pausa. “Do autor de todos os autores...” Nova pausa. “Deus!” E, dito isto, ofereceu-me dois exemplares da “Sentinela”.</p><p align="justify">É pouco provável que Dawkins e Dona Margarida venham alguma vez a confrontar ideias, pensei. Na noite anterior, ao invés, era isso que esperava do debate com o autor de <strong>A Desilusão de Deus</strong>. Aconteceu outra coisa. Uma entrevista em registo leve e simpático que lhe permitiu recordar algumas das suas conhecidas ideias sobre ateísmo e religião, com um único momento realmente esclarecedor, quando o criador dos “memes” discorreu sobre darwinismo social: “Os que me acusam de partilhar essa visão, talvez se tenham limitado a ler o título de <strong>O Gene Egoísta</strong> esquecendo-se de consultar as notas de roda-pé, ou seja, o livro”. A plateia riu-se e eu com ela. Mas o que gostaria mesmo era de ter assistido a uma conversa entre Dawkins e Damásio. Não cabia no programa. Embora o programa fosse extenso.</p><p align="justify">A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) começou no dia 1de Julho. Começou bem. A conferência de abertura esteve a cargo de Davi Arrigucci Jr., professor e crítico brasileiro (tido por Julio Cortázar como um dos melhores intérpretes da sua obra), responsável por vários estudos e ensaios sobre Manuel Bandeira (1886-1968). O poeta que um dia ameaçou ir-se embora para Pasárgada era o homenageado da 7ª edição da FLIP e Davi Arrigucci Jr. deu sobre ele uma aula magistral, daquelas que mete tudo: generosidade, inteligência, amor e erudição.</p><p align="justify">Sujeito de outras conversas, nomedamente de uma que reuniu três representantes da nova poesia brasileira – Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas – e de uma evocação sentida feita em conjunto por Edson Nery, 87 anos, amigo e intelectual estudioso do poeta, e Zuenir Ventura, 78 anos, jornalista e ex-aluno do pernambucano, o homem que em 1930 versejava <em>Estou farto do lirismo comedido/ Do lirismo bem comportado/ Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente/ protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor./ Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário/ o cunho vernáculo de um vocábulo./ Abaixo os puristas</em> saiu (poeticamente, falando) em braços quando Edson Nery gritou no final para uma plateia ao rubro: “Viva Manuel Bandeira!”. </p><p align="justify">Se no que toca à poesia pouco mais aconteceu no programa oficial, ficcionistas não faltaram. Edna O´Brien, que encerrou a sua participação na FLIP lendo um poema dedicado a Barack Obama e cujo livro de estreia em 1960, <strong>Country girls</strong>, se viu banido pela igreja do seu país, juntou-se a Anne Enright, vencedora surpresa do Man Booker 2007 com <strong>Corpo Presente</strong>, (traduzido pela Gradiva). Ambas irlandesas, trouxeram ao Brasil o país de Joyce, tanto as suas mitologias literárias como as suas realidades mais negras. </p><p align="justify">Os brasileiros estiveram presentes em força. Claro. Destaque (pessoalíssimo) para a prestação de Domingos de Oliveira (dramaturgo e cineasta) e para os escritores Cristovão Tezza (autor da Gradiva), Bernardo Carvalho e Milton Hatoum (os dois editados em Portugal pela Cotovia, que também publicou entre nós os referidos Angélica Freitas e Heitor Ferraz; Carlito Azevedo, da revista literária “Inimigo Rumor”, responsável em Paraty pela “Oficina Literária”; assim como Tatiana Salem Levy, nascida em Portugal em 1979 de pais brasileiros refugiados políticos, presente na FLIP a pretexto do seu livro <strong>A Chave de Casa</strong>, finalista do prémio Portugal Telecom de literatura de 2008). Quanto a Chico Buarque, cujo último e excelente romance, <strong>Leite Derramado</strong>, acaba de ser lançado também em Portugal pela Dom Quixote, fez frisson. A plateia, esgotadíssima, rendeu-se-lhe: uns às palavras, outros (sobretudo outras, desconfio) aos olhos verdes. </p><p align="justify">Os franceses chegaram com uma delegação disposta ao escândalo, se excluirmos do pacote o afegão Atiq Rahimi que trocou, entretanto, o persa pelo francês, vencedor do prémio Goncourt 2008 pelo seu Syngué sabour - Pierre de patience e cujas obras estão traduzidas entre nós pela Teorema. <br />O voyerismo do público não poupou Catherine Millet, autora do autobiográfico <strong>A Vida Sexual de Catherine Millet</strong> (ASA), Sophie Calle, artista conceptual que Paul Auster usaria como personagem em <strong>Leviatã</strong>, e Grégoire Bouillier, escritor e ex-namorado da própria Sophie Calle. Os limites entre ficção e vida privada foram assunto de debate, o que também viria à baila aquando da conversa com o jornalista americano Gay Talese, representante emblemático do new journalism, ou com o mexicano Mario Bellatin (a quem, estranhamente, ninguém perguntou por Vila-Matas) O assunto tem muito que se lhe diga, mas quase tudo ficou por dizer. À reflexão preferiu-se uma abordagem a roçar o estilo "People", sinal talvez dos tempos e/ou da multidão que arrasta a FLIP, muito longe já dos seus primórdios mais íntimos ou mais literários. Como se preferir.</p><p align="justify">Ao “show off” conseguiu fugir Lobo Antunes, um dos nomes mais aguardados. Conquistou a assistência falando largamente das suas raízes brasileiras mas não se ficou por aí. Falou de literatura. Falou de livros. Assuntos que nem sempre foram tema principal durante os cinco dias da festa. Correrá esta o risco de se transformar numa feira de vaidades? O futuro a Deus pertence, diria Dona Margarida. Quanto a mim, nos próximos dias vou seguir o poeta à letra: <em>Ai que prazer/ Não cumprir um dever/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!</em></p><p align="justify"><span style="font-size:85%;"><em>Imagem da manifestação promovida pelos habitantes da uma aldeia local encravada no condomínio privado das Laranjeiras, onde os condóminos chegam de avião particular e a entrada é guardada de metralhadora. Chico Buarque foi o único autor a referir-se ao assunto.</em></span><br /><br /><br /></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-5417413094043157890?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com2tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-65072653673075860922009-07-10T22:27:00.004+01:002009-07-11T15:42:53.220+01:00Só para vos fazer inveja: Dona Laura e o pudim voador<div align="justify"><a href="http://majots.files.wordpress.com/2008/04/pousada-alcobaca-350-px.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 324px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://majots.files.wordpress.com/2008/04/pousada-alcobaca-350-px.jpg" border="0" /></a>O nome dessa casa aí em cima é <a href="http://www.pousadadaalcobaca.com.br/"><strong>Pousada da Alcobaça</strong> </a>e fica nos arredores de Petrópolis, cidade serrana (e imperial) a cerca de 85 quilómetros do Rio. A Pousada é dirigida por Laura Góes, uma senhora sábia - sublinho, sábia - prestes a festejar os seus 79 anos. </div><div align="justify">No dia em que cheguei ao Rio de Janeiro, Dona Laura, como toda a gente aqui a conhece, fazia o lançamento do seu livro chamado <em>A cozinha da Alcobaça - receitas e histórias</em> (Editora Terceiro Nome).<br />Voltarei mais tarde a Dona Laura. Por agora, transcrevo uma história. Como aperitivo. </div><div align="justify"><br />"Quando me casei, aos 21 anos, era perfeitamente ignorante em matéria de cozinha. Fui morar em Houghton, uma cidadezinha mínina, no norte de Michigan, à beira do Lago Superior, nos Estados Unidos.<br />(...)<br />Durante muito tempo só usei receitas americanas, porque me sentia mais segura com a exatidão delas, o que não impedia, entretanto, que fizesse muita comida ruim, como galinha meio crua e macarrão cozido demais, até adquirir alguma prática.<br />(...)<br />Uma vez, ainda em Houghton, fiz uma coisa extraordinária: um pudim de claras! Fiz tudo como mandava o figurino e coloquei o pudim no forno em banho-maria. Quando devia estar pronto fui olhar. O pudim tinha sumido. Não sabia o que podia ter causado o fenómeno, mas descobri: o pudim tinha levantado voo - subiu e ficou grudado no teto do forno. Durante um tempão a casa ficou cheirando a açúcar queimado toda vez que se ligava o forno. Dessa vez a exatidão não funcionou."<br /></div><a href="http://www.estadao.com.br/imagens/l292/dona_laura_292.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 292px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.estadao.com.br/imagens/l292/dona_laura_292.jpg" border="0" /></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-6507265367307586092?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-61862342763381638632009-07-08T02:16:00.002+01:002009-07-08T02:19:46.816+01:00Hoje entrevistei-o a cores<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pFU_WteHiZc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/pFU_WteHiZc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-6186234276338163863?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com5tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-88926291762306059912009-07-07T17:50:00.002+01:002009-07-07T18:00:21.776+01:00Só para dizer que em Paraty se fumava praticamente em toda a parte<a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SlN-s8CFC6I/AAAAAAAACt8/DrA4mTfzXbg/s1600-h/FUMAR.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 346px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SlN-s8CFC6I/AAAAAAAACt8/DrA4mTfzXbg/s400/FUMAR.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355763692367842210" /></a>No regresso falarei de literatura...<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-8892629176230605991?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-81015437918802398562009-07-03T14:23:00.003+01:002009-07-03T14:31:26.417+01:00Interrompo os altíssimos debates literários de Paraty para ir beber seis caipirinhas pelo alma do Pinho!<div align="justify">É só. Depois falarei do Dawkins e da Dona Margarida, senhora que me disse hoje de manhã quando se despedia de mim:</div><div align="justify">¨Num momento em que fala tanto de literatura em Paraty, eu também quero falar-lhe do meu autor. Do autor de todos os autores... Deus¨.</div><div align="justify">E ofereceu-me dois exemplares da ¨Sentinela¨ e um beijo.</div><div align="justify">O mundo é complexo para caramba...</div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-8101543791880239856?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-68742724793397927732009-07-01T15:33:00.003+01:002009-07-01T16:14:04.983+01:00A caminho de Paraty, depois dou notícias (entretanto, deixo-vos com impressões antigas...)<div align="justify">Há palavras de tal forma banalizadas pelo uso que, quando nelas tropeçamos, o fundo de censor que habita cada um de nós - se menos reprimido - não resistiria a puxar do revólver.<br />Paraíso, por exemplo. Sobretudo se se trata de um texto sobre viagens, logo ali apetece amaldiçoar o hiperbólico escriba, condenando-o, por exemplo, a três meses de férias na Quarteira. Para além de - quase sempre - se tratar de uma descarada patranha, deixa-nos sem distintivo face ao que poderá ser um resquício do Eden primordial. Digo resquício, visto que - é do Livro - do Paraíso não se sabe a geografia, na única certeza de que para lá não há passagens low cost. <br />O caso é este: Paraty poderia caber nessa categoria. Só que, dado o desgaste linguístico, ninguém iria acreditar. Abandonem-se, pois, os predicados e exponham-se os factos. E o facto é que chegámos lá de noite.<br />Com sonos acumulados, tanto eu como o fotógrafo concordámos em dormir cedo. Uma batida tremenda despertava-me passadas escassas horas, como se a minha cama (comigo lá dentro, e aí residia o problema) tivesse sido catapultada para um sambódromo adventício.<br />Não era Carnaval. Obrigada a regressar a uma dimensão do real onde todos, menos eu, pareciam divertir-se altamente ao ritmo de intermináveis cirandas – na origem, bailes de roça assistidos por viola, violão, cavaquinho e pandeiro de adufo, as mulheres rodando as saias e os homens sapateando tamancos de madeira enquanto o mestre virandeiro marca a cadência improvisando versos: imagine-se o estardalhaço! –, e quando já me dispunha, ensonada mas pragmática, a render-me ao «se não podes derrotá-los junta-te a eles», eis que a toada se torna mais tranquila, invocando sucessos melosos lá da década de 40... Eram umas três da manhã, eu ressuscitara ao som de um <em>ô si balança/ ô si balança/ no si balançá/ ô si balança/ ô si balança/ prà lá e prà cá</em> repetido à exaustão, por isso que se me seja dispensado o rigor discográfico.<br />No dia seguinte deslindava-se o motivo da festança: a cidade comemorava 335 anos de emancipação política e o que eu estivera a ouvir fora a Grande Ciranda de Paraty, e depois a Orquestra New York Society Band, a actuarem no Mercado do Produtor Rural, por acaso MESMO atrás do meu hotel. O fotógrafo, que não dera por nada, alojado noutra estalagem fora do centro histórico, nem por isso foi poupado ao <em>ô si balança/ ô si balança/ no si balançá/ ô si balança/ ô si balança/ prà lá e prà cá</em> que trauteei toda a manhã. Aguentou estoicamente até à hora do almoço. À sobremesa, depois de uma irrepreensível galinha de cabidela (a tradução local é "ao molho pardo"), arremeteu-me com um «Não se canta à mesa!» fulminante. E ameaçou amordaçar-me.<br />A primeira referência conhecida ao sítio de Paraty recua a 1554, data em que Hans Staden foi feito prisioneiro pelos índios desta região localizada no extremo Sul do Estado do Rio de Janeiro (a 248 quilómetros do Rio e 330 de São Paulo), aventura que deixou registada em Diário. Os seus habitantes originais eram os índios Guaianá, que se ficavam pela serra no Verão e desciam ao litoral durante o Inverno, ao encontro de clima mais ameno. A desova dos cardumes de tainhas e piratis (não confundir com paraty) durante o tempo fresco, era outra das razões que levava os Guaianá a acercarem-se do mar, que por aqui forma uma baía protegida.<br />Em língua tupi «paraty» significa golfo e, conhecido o costume dos indígenas de recorrerem aos acidentes geográficos para baptizar os lugares, fica esclarecida a toponímia da cidade. Desses ocupantes primitivos restam as aldeias de Tekoa Araponga, na Vila do Patrimônio, que reúne 40 Guarani, e a Aldeia de Tekon Tatim, onde vivem cerca de 100, ambas em Reservas Florestais Federais. <br />Foi esta última que tentámos visitar. A caminho de Paraty Mirim – lugarejo encantador a 17 quilómetros de Paraty, cujo porto serviu durante muito tempo para o desembarque ilegal de escravos, até entrar em decadência a partir do século XIX –, à beira da estrada de terra, não havia a certeza de lá podermos entrar. Dependia do pajé.<br />Esclareço. Aqui, os índios não vivem no meio das outras pessoas. A má consciência dos políticos levou-os a «ceder-lhes» terras onde, apesar das eventuais boas intenções, residem condenados a um ostracismo proteccionista. Assim, a gente vai na estrada, vê uma placa a dizer Propriedade Privada - Reserva Federal, umas pessoas sentadas junto a umas casas mesmo ali, e se quiser perguntar que dia é hoje?, por exemplo, tem de mandar um fax para Brasília pedindo autorização à FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Isso, ou esperar que o pajé, que é o índio responsável pela aldeia, esteja bem-disposto e nos deixe aproximar.<br />Parado o jipe, Armando, guia credenciado conhecido por Vagão, e Miriam Cutz (a nossa incansável cicerone) avançam para tentar falar com o cacique (o termo não tem aqui sentido pejorativo). É então que uma criança se aproxima da viatura junto da qual eu e Henrique, o fotógrafo, aguardamos o resultado das negociações.<br /></div><p align="justify">A biologia explicará, ou não, o meu instinto maternal exacerbado. Na circunstância, deu-me para pegar na criança ao colo e afastar-me do jipe, com a intenção de a entregar a alguém e desviá-la da estrada. Ao fim de meia dúzia de passos, sai-me ao caminho uma mulher mal-encarada – e mal oxigenada. Olha-me como se reconhecesse em mim um membro de alguma organização dedicada ao tráfego de menores e rosna: «Não podem tirar fotografias sem autorização». Eu não tenho máquina, carrego apenas um pequenino índio. Controlo um desejo primitivo de a esbofetear (que a biologia também explicará) e respondo que só pretendo proteger o bebé, que uma irmã (presumo) acaba de levar de volta. Entretanto, as negociações prosseguem. Vagão e Miriam não conseguem falar com o pajé. Barrados pelos dois responsáveis da FUNAI (além da mulher há um outro elemento, menos desagradável mas igualmente inflexível), acabamos todos por nos vir embora. «Se quiserem entrar (mas onde verá o homem a porta?!) mandem um fax para Brasília», relembra o sujeito da Fundação. <br /></p><div align="justify">Já no carro, Vagão, até agora calado, sugere, expedito: «Eles ao final do dia estão sempre em Paraty a beber cerveja e a pedir esmola, tiram as fotos que quiserem». Ninguém responde e, em silêncio, dá-se por encerrado o episódio que lamentavelmente se convertera em «ir ver os índios». <br />Coisas menos desagradáveis. Aparecida, por exemplo. Se a vida fosse um pouco mais cor-de-rosa, quem sabe ela partilhasse as passerelles com a própria Gisele Bundchen! A jovem surgiu-nos como uma aparição na cozinha do Sr. Arlindo Sacramento, velho de incríveis olhos azuis que tem como máxima de vida, <em>brincar e caçoar não pega nada</em>.<br />Moradores de uma pequena casa na serra, a caminho da Cachoeira da Pedra Branca, nos arredores de Paraty, recebem-nos com um hospitaleiro <em>Sejam bem chegados!</em>, oferecem-nos água e bananas doces e indicam-nos o caminho da queda de água onde não somos os únicos a mergulhar.<br />Tínhamos partido de manhã para conhecer a Estrada da Serra, nome pelo qual é conhecida a Estrada Real (ou Caminho do Ouro), troço de engenharia viária que explica por que razão Paraty teve importância fundamental na história brasileira, chegando a ser o segundo maior porto do país (e um segredo de Estado durante todo o século XVIII). <br />Dispomo-nos a repisar a via por onde os portugueses transportavam (obrigatoriamente, já que este era o único itinerário permitido) o ouro vindo do interior, de Minas Gerais, até ao porto de Paraty, e daí para Portugal via Rio de Janeiro. Calcetado por pedras enormes (a que chamam estilo pé-de-moleque), que o tempo e os elementos não conseguiram vencer, visitamos um trecho preservado de oito quilómetros.<br />Tudo parece ter tido início com a expedição de Martim Correa de Sá, em 1597, à frente de 700 europeus e 2 000 índios, visando refazer um antigo trilho dos Guaianás, que, por sua vez, teriam usado caminhos abertos pelos animais. Essa autêntica «via romana» (chegou a alcançar 1 200 quilómetros), viveu em permanente engarrafamento durante a febre do ouro que começou em 1700, juntando homens e animais de carga, escravos e salteadores, tropas e aventureiros, numa viagem que durava mais de 45 dias. No final do século XVIII, com a abertura do Caminho Novo, que chegava ao Rio via Petrópolis (onde se instala a Corte), mais o enfraquecimento do negócio do ouro, o Caminho de Paraty entra em declínio.<br />O silêncio é de chumbo. É difícil imaginar a azáfama que por aqui já se viveu, os gritos, os assaltos, as mortes, a fúria e o sangue dos homens arrebatados pelo metal precioso. As árvores têm um porte extraordinário, há plantas que se enroscam mal lhes tocamos, a água requebra-se em riachos cristalinos, um musgo vermelho-vivo garante a pureza absoluta do ar. A meio de uma subida mais íngreme, uma placa assinala «Canela Fedorenta». Ultrapassada a árvore, o insólito letreiro ganha todo o sentido: faz-se sentir um cheiro intenso a estrume, de que o nosso guia se diverte a testar o efeito. Uma vista belíssima sobre a baia de Paraty espera-nos no alto. Nesse dia almoçamos na Fazenda Murycana, que recua ao século XVII, eleita de D. Pedro I que nela pernoitou várias vezes acompanhado da amante, a Marquesa de Santos. Uma visita ao antiquíssimo engenho onde ainda hoje é produzida de forma artesanal a aguardente, envelhecida depois em pipas de carvalho e cerejeira, encerra o repasto. <br />Este é um dos seis engenhos que restam em Paraty, que já contou com mais de 100. Porque ao ciclo do ouro seguiu-se o da aguardente (depois, ainda, o do café), permanecendo esta a mais afamada do Brasil. Fazem os locais questão de precisar que na região «nunca se produziu cachaça mas pinga – que vem a ser aquela aguardente fabricada exclusivamente a partir da garapa, do caldo de cana fermentado e destilado, depois da fervura e evaporação, que pinga na bica do alambique». <br />Explicação dada, estamos agora a corroborá-la no<em> Refúgio</em>, onde se bebe a melhor caipirinha local. Dirigido por Zé Paulo, um conversador nato, o restaurante ocupa local privilegiado frente ao porto, em terreiro largo. O lugar certo para se estar ao final da tarde. «O meu avô era de Beirute, e com esta minha cara de rato árabe do deserto confundem-me com o Bin Laden. O Amyr Klink, por causa do nome, pensam que é parente do Sadam», graceja Zé Paulo. <br />Precisamente hoje, durante um passeio pelo mar, tinhamos avistado a ilha onde mora Klink, apenas uma entre as 65 que povoam a costa.<br />As serras, envolvas em névoa, vão-se aclarando à medida que a escuna avança, multiplicando-se ad infinito, como se deslizassemos num cenário pintado por Wang Fo. O recorte doce da paisagem, as formas arredondadas, as águas calmas, tudo isso explicará muito da leveza dos brasileiros, expostos a elementos que longe de se oporem aos homens antes parecem acolhê-los. Apesar do gigantismo dos morros que avistamos, é a mansidão que predomina sobre o medo que podemos imaginar ter assaltado os primeiros europeus aqui chegados.<br />Aparecida acompanha-nos e mergulha enquanto Henrique lhe testa a fotogenia. Um dos membros da tripulação regressa à superfície com estrelas-do-mar, explicando-nos que não se podem virar ao contrário porque morreriam. Uma mãe procura o filho à beira da histeria: «Meu filho afundou!» São apenas paulistas viciados no stress da cidade grande. Na ilha do Mantimento, do presidente da Fiat brasileira, junto à qual estamos ancorados, descobrem-se micos-leão dourados, uma espécie de macaco raríssima e em vias de extinção. Na ilha da Sapeca, o prazer do ócio degusta-se num tasco de madeira, enquanto um gato de olhos azuis disputa os restos do almoço a uma cadela chamada Menina. <br />A poucos metros, num outro ilhéu, adivinha-se uma construção de gosto duvidoso, misto de Taj Mahal e pagode chinês. Um dos tripulantes do barco explica-me que foi uma oferta a Collor de Melo, que teve um sonho de marajá. A casa terá envolvido corrupção, o nome de António Carlos, ex-governador da Bahia (petit nom, Toninho Malvadeza), a empresa de construção viária OAS (vulgarmente conhecida por «Obras Arranjadas pelo Sogro») e uma doação a um funcionário, entretanto falecido, cuja viúva decidiu não cumprir o «contrato». Ficou com a casa para ela. Um provérbio local garante: «Brasileiro estraga de dia, Brasil recupera de noite». Por enquanto, o sonho de marajá continua de pé. <br />Exactamente por motivos inversos é que Paraty foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1966, segundo a UNESCO «o conjunto arquitectónico mais harmonioso do século XVIII no Brasil». O centro histórico, de planta em leque e cobrindo grande parte da cidade, é habitado e vivido pelos locais (não se tratando, portanto, de postal ilustrado para turistas). <br />Explode numa panóplia de cores formidável, com as casas listadas por azuis, bordeaux, verdes e amarelos, janelas protegidas por um delicado entrançado de madeira (muxaribe), símbolos maçónicos nas fachadas e nas esquinas, «calçamento pé-de-moleque» nas ruas cuja leve depressão central permite que as águas entrem e saiam de Paraty banhando-a nas marés de lua cheia, pequenas lojas, bons restaurantes de cozinha caiçara (um misto da culinária trazida pelos europeus e paladares índios), vegetação exuberante tombando do interior das casas, como é o caso da Rua do Fogo, assim conhecida por ter sido ponto de encontro de marinheiros e mulheres de «vida fácil». <br />E se foi o Caminho do Ouro que trouxe fama a Paraty, foi também, paradoxalmente, o seu declínio que a preservou. Quando, em 1885, é inaugurado o caminho de ferro entre São Paulo e o porto do Rio de Janeiro, Paraty apenas vê confirmada a sua queda.<br />Até há pouco tempo chegava-se aqui como no passado: de barco, vindo de Angra dos Reis, ou, a partir de 1950, por terra, via Cunha, por uma estrada que apenas era transitável quando não chovia, em parte decalcada sobre o velho caminho do ouro e do café. Fora já por esta que chegara, em 1929, o primeiro automóvel, incapaz, contudo, de fazer o percurso de volta. Um ano depois, a estrada seria destruída por tanques militares que se dirigiam a São Paulo durante a Revolução dos Trinta, só reabrindo ao fim de duas décadas.<br />«É sempre pelos caminhos que Paraty se salva e se perde», cita Diuner Mello, historiador local autodidacta, conhecedor dos meandros da cidade como poucos. E salvar-se-á novamente, já na década de 70, com a abertura da Rio/Santos, que a subtrai a quase um século de isolamento.<br />A poucos quilómetros, as praias da Trindade, em tempos famoso destino hippy, também só há pouco têm acesso por estrada alcatroada. Alternativa banhista às ilhas, trata-se de uma vila de pescadores sujeita a forte pressão imobiliária nos anos 70, quando foi palco que uma rocambolesca ocupação por parte de uma empresa multinacional, que meteu jagunços e tiroteio. O conflito foi parar à justiça e a Associação dos Moradores Nativos e Originários da Trindade conseguiu preservar a vila, encravada hoje no Condomínio de Laranjeiras, um casario de luxo privado guardado a metrelhadora e onde os moradores só usam helicóptero. <br /><br />A nossa viagem está a chegar ao fim. Tomamos um copo de despedida no <em>Refúgio</em> e à terceira caipirinha uma enorme luz desaparece no firmamento sem deixar rasto.<br />Um parênteses. Para além de tudo o resto, que é imenso, Paraty é também conhecida pelo seu «clima peculiar». Abreviando: OVNIS, pessoas que se passeiam compulsivamente de madrugada pelas ruas curvas do centro, «cavalos de Diana que pastam nas praças a dor alheia» (e é verdade que os animais andam soltos à noite), passado maçónico, esquisites templárias, enfim, a habitual panóplia new age... Naquele momento, a beleza do lugar, o céu tão estranhamento aceso e, concedo, as caipirinhas, terão permitido que me enredasse nessas coisas improváveis.<br />O fenómeno gera controvérsia à mesa. Miriam reconhece não saber do que se trata, mas a verdade é que lhe pareceu grande de mais para estrela cadente. Henrique, positivo, recusa mistérios. Eu, a única que estava de costas para o «objecto», não sei o que dizer. Cito Zé Paulo, o rato do deserto: «Não existem problemas. Existem enigmas», uma frase roubada já nem ele se lembrava onde.<br />E é quando proponho a última caipirinha. Aquela. A tal. A one for the road. Juro. <br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-6874272479339792773?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com12tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-75385503174695085602009-06-29T11:34:00.004+01:002009-06-29T11:57:14.572+01:00Um poeta atira-se à jugular da prosa<div align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkidEbGGdiI/AAAAAAAACt0/2LJd0yjllhU/s1600-h/jose.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352700856448218658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkidEbGGdiI/AAAAAAAACt0/2LJd0yjllhU/s400/jose.jpg" border="0" /></a><a href="http://www.jabaptista.com/">José Agostinho Baptista </a>conta uma história. Chama-se <strong>O Pai, a Mãe e o Silêncio dos Irmãos</strong> e foi agora publicado, como habitualmente, pela Assírio &amp; Alvim. Termina assim:</div><div align="justify"><br />«Rondarei as cavernas, a cria do urso branco, as ossadas de um mercador e de um peregrino. Entre o gelo e o degelo, pressentirei a alcateia que desde a infância me conhece tão bem como conhece as suas crias. Alisarei a pedra, o punhal, o machado, cortarei as urzes e o zimbro, matarei a lebre e a serpente, e depois será outono e depois inverno e depois primavera e depois o verão. Um dia, o condor subirá até estas paragens e à aproximação do crespúsculo regressará às cordilheiras do sul. À porta do templo dos cem tigres esceveria, se soubesse: eu era o guardião mas agora não sou nada, não quero nada, ando por aí. Só tenho uma flauta de canas verdes e um cão. Tudo o resto sonhei.»<br /><br /><em><span style="font-size:85%;">O lançamento de <strong>O Pai, a Mãe e o Silêncio dos Irmãos</strong> vai acontecer no próximo dia 4 de Julho, no Restaurante Many, a partir das 18 horas, na Fajã da Areia, São Vicente, Ilha da Madeira.</span></em><br /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-7538550317469508560?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com1tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-27937576725084129902009-06-27T18:05:00.004+01:002009-06-27T19:01:50.663+01:00Não vamos mais longe: só pelos nomes que dá às coisas se vê que o Irão é um país esquisito<a href="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkZeG9kZ6rI/AAAAAAAACts/L5MroRQJYY4/s1600-h/irao.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352068680875895474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkZeG9kZ6rI/AAAAAAAACts/L5MroRQJYY4/s400/irao.jpg" border="0" /></a><strong>Guia Supremo</strong>: autoridade máxima do Irão em termos políticos e religiosos; desde 1989 ocupa o cargo Ali Khamenei<br /><div align="justify"><strong>Assembleia dos Peritos</strong>: formada exclusivamente por 86 religiosos de carreira eleitos por sufrágio universal depois das suas candidaturas serem aprovadas pelo Conselho dos Guardiães; nomeia e pode eventualmente demitir o Guia Supremo</div><div align="justify"><strong>Conselho dos Guardiães</strong>: composto por 12 juristas e clérigos (metade metade) nomeados pelo chefe do poder judicial, tem poder para vetar leis que contrariem a Constituição ou/e a Charia, devendo ainda aprovar (ou não) os candidatos a Presidente, deputado ou a membro da Assembleia dos Peritos</div><div align="justify"><strong>Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime</strong>: é composto por 22 membros nomeados pelo Guia Supremo e serve de órgão de arbitragem entre o Conselho dos Guardiães e o Parlamento</div><div align="justify"><strong>Corpo de Guarda da Revolução Islâmica</strong>: organização paramilitar que depende directamente do Guia Supremo e que existe em paralelo com as forças armadas regulares</div><br /><div align="justify"></div><div align="justify"><em>Claro que os fãs d'</em> O Senhor dos Anéis <em>poderão chamar um figo a este organigrama, mas eu pessoalmente nunca fui muito à bola com o Tolkien. Confesso.</em></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-2793757672508412990?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-40876883576976739702009-06-27T17:33:00.007+01:002009-06-27T19:04:17.294+01:00A soap Fripór cada vez mais hilariante...<div align="justify"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkZOWHZHwdI/AAAAAAAACtk/u8dVIc996kg/s1600-h/TOOTSIE%2520HOFFMAN.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352051349024915922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 289px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkZOWHZHwdI/AAAAAAAACtk/u8dVIc996kg/s400/TOOTSIE%2520HOFFMAN.jpg" border="0" /></a>Agora foi a vez do <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1388901&amp;idCanal=12">ex-presidente PS da Câmara de Alcochete </a>ser constituído arguido. De seu nome, <strong>Inocêncio</strong>... </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-4087688357697673970?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com1tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-85330049003942072202009-06-27T14:14:00.008+01:002009-06-27T17:10:48.564+01:00Talvez seja o facto de ter lido O Capital em pequenina que me impede de ser solidária com o Berardo em grande<div align="justify">Não posso jurar que Marx teve razão quando enunciou a lei da baixa tendencial da taxa de juro. Como também não sei se acertou quando previu que as contradições internas do capitalismo levarão o sistema à ruína.<br />Confesso que não volto a Marx há muitos anos. Do filósofo alemão terei retido apenas umas ideias vagas, mas que, sendo vagas, ainda assim explicarão o meu pé atrás em relação ao vil metal. Do qual nada espero, esclareça-se, excepto que chegue para eu pagar as contas.<br />E foi talvez essa leitura precoce que me levou a encarar com absoluta naturalidade as acusações feitas há dias a cinco administradores do BCP. Segundo consta, não terão sido rapazes muito honestos, facto que está na origem da profunda indignação do <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1272386&amp;tag=Millenniumbcp">comendador Joe Berardo </a>que qualificou a matéria de roubo.<br /><br /><object height="385" width="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/y6d1mzqOdaw&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/y6d1mzqOdaw&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br /><br />Face a isto, sei que o que vou dizer agora pode ser tomado por completa ingenuidade, se não mesmo por burrice: mal por mal, prefiro tipos que enriquecem à custa de <a href="http://economico.sapo.pt/noticias/acusacoes-no-bcp-dizem-respeito-a-factos-ocorridos-entre-1999-e-2007_13718.html">crimes de manipulação de mercado, falsificação de documentos e burla qualificada</a>, do que criaturas que enriquecem à custa do <a href="http://www.ipocafrica.org/pubs/reports/apartheidgrandc.pdf">apartheid</a>.<br />Inútil será que se exija moralidade ao capital: eis o que me ficou do velho Marx. Já a um <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/10189-tvi-socrates-garante-que-nao-deu-indicacoes--pt">primeiro-minstro</a>, por exemplo, deve exigir-se <a href="http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&amp;id_news=396086">alguma</a>. Porque, super e infra estruturas à parte, assim como assim há limites. Acho eu.<br />Ou seja, e citando mais uma vez o insuspeito Johnny Caspar, um dos mafiosos do extraordinário <strong>Miller's Crossing</strong>: «(…) I'm talkin' about character. I'm talkin' about – hell, Leo, I ain't embarrassed to use the word – I'm talkin' about ethics».<br /><object height="385" width="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AlAf4YKe8vE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/AlAf4YKe8vE&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-8533004900394207220?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com3tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-53251636745048861722009-06-26T11:20:00.003+01:002009-06-26T15:44:05.269+01:00Não vi a entrevista da Manuela Ferreira Leite na televisão mas este vídeo em que ela dança é de certezinha melhor<object height="385" width="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/umQ5xO1CQIE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/umQ5xO1CQIE&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br /><span style="font-size:85%;"><strong>Descoberto </strong></span><a href="http://almocrevedaspetas.blogspot.com/"><span style="font-size:85%;"><strong>aqui</strong></span></a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-5325163674504886172?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-52264074552059681532009-06-25T12:28:00.007+01:002009-06-25T16:33:21.741+01:00Organizem-se porra ou mais uma cagada em três actos<div align="center"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkNpaAWTZAI/AAAAAAAACtc/aaKXhZYOKt8/s1600-h/JamieCurtisTrueLies.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351236677737341954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 390px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkNpaAWTZAI/AAAAAAAACtc/aaKXhZYOKt8/s400/JamieCurtisTrueLies.jpg" border="0" /></a><strong>PRIMEIRO ACTO</strong> <div align="center"><em>[a acção decorre na Assembleia da República, à porta do plenário...]</em></div><br /><div align="justify"><strong>Ministro da Agricultura Jaime Silva</strong>: «<em>Vou ter uma reunião com ele hoje à tarde</em> e em função disso tomarei uma decisão. Vou ouvir da parte dele aquilo que li nos jornais no regresso do avião»</div><div align="justify"><a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1271628">[em resposta aos jornalistas sobre a eventual demissão de Carlos Guerra, gestor do programa PRODER, constituido arguido no caso Fripór]</a></div><br /><br /><div align="center"><strong>SEGUNDO ACTO</strong></div><div align="center"><em>[entretanto, na Assembleia da República mas no interior do plenário...]</em></div><br /><div align="justify"><strong>Primeiro-ministro José Sócrates</strong>: «<em>O arquitecto Carlos Guerra falou com o senhor ministro da Agricultura na semana passada</em> imediatamente a seguir ao momento em que foi ouvido pela Polícia Judiciária (PJ), comunicando ao senhor ministro que tinha sido constituído arguido e que, portanto, ele achava que devia colocar seu lugar à disposição e que o Ministério da Agricultura fazia bem em escolher um outro responsável».<br />«O senhor ministro da Agricultura agradeceu-lhe o gesto, agradeceu essa carta e tomou a decisão de nomear um novo gestor para o PRODER. <em>É assim que se comporta um Governo decente.</em> O Governo vai nomear um novo responsável pelo PRODER»</div><div align="justify"><a href="http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=139409&amp;dossier=CasoFreeport">[em resposta a Paulo Rangel, sobre a permanência, ou não, de Carlos Guerra no Ministério da Agricultura]</a></div><br /><strong>TERCEIRO ACTO</strong><br /><em>[logo a seguir, sem intervalo, ainda na Assembleia da República mas de novo à porta do plenário...]</em><br /><br /><div align="justify"><strong>Ministro da Agricultura Jaime Silva:</strong> «O arquitecto Carlos Guerra pôs o lugar à disposição e eu tomei em consideração a iniciativa dele.»</div><div align="justify"><a href="http://aeiou.expresso.pt/carlos-guerra-duas-versoes-para-uma-demissao=f522583">[antes que alguém lhe perguntasse alguma coisa, supôe-se]</a></div><div align="justify"></div><div align="justify"><strong><em>Confused? You won't be, after the next week's episode of... fripór</em></strong> </div><div align="justify"></div><div align="justify"><span style="font-size:78%;"><strong>Imagem: Jamie Lee Curtis em «True Lies»</strong></span> </div><a href="http://www.space-debris.com/spy_carradine_kunglegend.jpg"></a></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-5226407455205968153?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com8tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-91662419256189874602009-06-25T11:07:00.004+01:002009-06-25T12:28:13.241+01:00Da série embirrações assumidas: este manuel de pinho nunca me desilude!<div align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkNWUY7XchI/AAAAAAAACtU/v7fF0h3LXj8/s1600-h/cao.png"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351215690535105042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 309px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkNWUY7XchI/AAAAAAAACtU/v7fF0h3LXj8/s400/cao.png" border="0" /></a>Registe-se mais uma frase sábia do ministro da economia e inovação sobre o potencial [turístico] de Portugal:<em> </em><br /><em><strong>Às vezes esquecemos que o cão do presidente Obama é um cão algarvio.</strong> </em><br />[Que por acaso nasceu no Texas...]<br /><span style="font-size:85%;">Lido </span><a href="http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2009/06/este-pais-nao-existe-1.html#links"><span style="font-size:85%;">aqui</span></a><span style="font-size:85%;">, vindo </span><a href="http://twitter.com/activismodesofa/status/2286984886"><span style="font-size:85%;">daqui</span></a> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-9166241925618987460?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com11tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-65103845705283272782009-06-23T15:15:00.006+01:002009-06-24T14:46:22.084+01:00Don DeLillo: retrato exacto de uma geração em 429 palavras [como só um escritor seria capaz, claro]<div align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkDr9edSWaI/AAAAAAAACtM/HxmYAkA_u8M/s1600-h/runningdog_first_ed.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350535798696597922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SkDr9edSWaI/AAAAAAAACtM/HxmYAkA_u8M/s400/runningdog_first_ed.jpg" border="0" /></a>(...) «Toda a gente já leu sobre como foi difícil para vocês, veteranos do Vietname, a transição para a vida civil. Estavam tão bem nos campos de prisioneiros, a supervisionar a tortura de um ou outro camponês.»<br />«É melhor ir com calma», disse ele.<br />«E de repente vêem-se de volta à América e andam por aqui, desconcertados. Não admira que conservem o mesmo sorriso. Eu sei, os camponeses eram perigosos. O inimigo estava por todo o lado.»<br />«Está a sair dos seus domínios.»<br />«É verdade», disse ela. «É uma insolência da nossa parte, os não combatentes, criticarmos Os Que Estiveram Lá. Eu compreendo esse ponto de vista e até simpatizo com ele. Ainda assim, sempre senti que a melhor forma de ver as coisas é objectivamente e, às vezes, a distância permite-nos uma visão mais clara e precisa. Uma distância de milhares de quilómetros. Os sofrimentos testemunhados em ambos os lados do conflito podem não passar de uma mentira. Mas você tem razão, em termos gerais. No meu ridículo esforço para ser imparcial, consigo compreender o seu ponto de vista. E, sim, admito que estou fora dos meus domínios. Por isso, voltemos atrás. Falemos antes de coisas que vi e ouvi.»<br />O táxi seguia agora para o centro da cidade pelo lado oeste do parque.<br />«Você e o senador andam atrás do mesmo. Eu sei do que se trata, embora não possa dizer que compreenda plenamente que interesse vêem naquilo. Mas não importa. O que importa é que um homem foi morto à conta disso.»<br />«E acha que isso é importante.»<br />«Acho que merece ser tido em consideração.»<br />«A mim não me parece que seja importante.»<br />Mudger estava inclinado para ela, coarctando-lhe um pouco o espaço, com o seu braço esquerdo estendido sobre o topo do banco.<br />«Está a aprender a falar comigo?», perguntou ela.<br />«Como?»<br />«Disse que não sabia falar comigo. Que por isso é que aqui estava.»<br />«Estou a aprender alguma coisa. Não sei bem o quê. Acha então que é importante. Um homem foi morto. E há dez anos, também achava que foi importante? No tempo do seu perito em demolições?»<br />«Está a par disso. Claro.»<br />«Claro que estou. O grande Gary Penner, já falecido. E ali andava você, muito magra e perdida, no seu casaco com dragonas. Quantas pessoas é que o Gary mandou pelos ares, nas suas aventuras? Você devia saber. Vivendo com ele. Tendo vivido com ele. Meia dúzia de seguranças. Alguns transeuntes. Um braço aqui, uma perna acolá.»<br />Moll olhou pela janela.<br />«Você não interveio directamente. Assistir da bancada já era suficientemente divertido. Mas entretanto amadureceu, não é verdade? O terror já não é tão excitante como outrora. Sabemos demasiado. Vimos coisas. Agora dedicamo-nos à jardinagem biológica.»<br />«Acha mesmo que amadureci?»<br />«Um pouco», disse ele. «Em certa medida. O suficiente para estabelecer limites.»<br />(...)<br /><strong><em>Cão em Fuga</em>, Don DeLillo, Relógio D’ Água, 2009, trad. de José Miguel Silva</strong> </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-6510384570528327278?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com3tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-5256266864363052272009-06-22T11:15:00.007+01:002009-06-22T18:54:19.129+01:00Sem tempo para mais, passo pela Pastelaria só para dizer isto: ao contrário do Pacheco Pereira, eu não me importava nada de ser a loira do regime!<div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350097325615588002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 369px; CURSOR: hand; HEIGHT: 353px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/Sj9dK-8VoqI/AAAAAAAACtE/l47P-T21hEk/s400/Tracy.jpg" border="0" /></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-525626686436305227?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com13tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-61505704404008344092009-06-21T01:11:00.004+01:002009-06-21T01:34:08.124+01:00Um gin tonic com muito gelo e alguém que dispare sobre o pianista s.f.f. [sim, eu sei que é o Liberace...]<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1aIWtMd81Tw&hl=en&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/1aIWtMd81Tw&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-6150570440400834409?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-11708412471131258962009-06-20T03:39:00.002+01:002009-06-20T03:56:35.619+01:00Fuck the Pain Away*<object height="385" width="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SnkdUPsAles&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/SnkdUPsAles&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br /><strong><span style="font-size:78%;">*título gamado </span></strong><a href="http://meninasemocascachopasegaijas.blogspot.com/2009/06/fuck-pain-away.html#links"><strong><span style="font-size:78%;">aqui</span></strong></a><strong><span style="font-size:78%;">; os marretas não perdem pela demora</span></strong><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-1170841247113125896?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com3tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-37658652440331871462009-06-19T00:07:00.011+01:002009-06-19T15:57:11.998+01:00A propósito da famigerada arrogância de Sócrates gostava de dizer que há arrogantes de quem gosto muito<div align="justify"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjrjaPBc5PI/AAAAAAAACs8/a7TQuooiXfA/s1600-h/oscar.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348837547304609010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 338px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjrjaPBc5PI/AAAAAAAACs8/a7TQuooiXfA/s400/oscar.jpg" border="0" /></a>Para que não restem dúvidas: não me parece que a arrogância seja, em si mesma, um mal. Aliás, poucas coisas me parecem, em si mesmas, um mal. </div><div align="justify">Daí que eu obedeça a poucos mandamentos. Nunca os contei mas duvido que somados dêem 10...<br /><div align="justify">Esclareça-se: não me sinto moralmente debilitada por isso. Tenho para mim que o que se diz dos pássaros aplica-se na perfeição aos princípios: mais vale um na mão do que dois a voar... </div><div align="justify">Mas voltando ao assunto deste post. </div><div align="justify">A arrogância pode ter várias interpretações. Por exemplo, na minha geração se um tipo nascia no Restelo e tratava mal um empregado de mesa era considerado arrogante. Já se nascesse em Alcântara, bairro que fica mesmo coladinho, idêntico comportamento fazia dele um malcriado. </div><div align="justify">Claro que para o empregado de mesa a diferença residia sobretudo na gorjeta, o que, em determinadas circunstâncias, pode ser uma diferença ENORME. </div><div align="justify">E é chegados aqui que somos obrigados a concluir que, apesar da aritmética simples do <a href="http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2008/04/peter-singer-propsito-de-certas-coisas.html">Singer</a>, a ética é um assunto complicado para caraças. </div><div align="justify">Mas voltando ao assunto deste post. </div><div align="justify">Insistem alguns em ver na arrogância do primeiro-ministro a razão da sua queda anunciada. O <a href="http://osenhorcomentador.blogs.sapo.pt/98762.html">Senhor Comentador</a>, porém, soube pôr o dedo na ferida: </div><div align="justify">«<em>Sócrates é como é (...) É agressivo? É. É chato? É. Acha que está sempre certo? Acha. Estamos fartos? Estamos. Mas a arrogância é insignificante no meio de tudo isto. As boas maneiras não são para aqui chamadas. O que interessa são as suas decisões. Apenas e só. Se concordamos com elas, pode, para nós, arrogar à vontade. (...) Ou como diria o outro, não é a arrogância. É a política, estúpido</em>». </div><div align="justify">Plenamente de acordo. Mas permitam-me um acrescento pessoal. Só aos génios se deve conceder o direito à arrogância, nunca aos estúpidos. Eu, pelo menos, oferecer-me-ia sem problemas para servir cafés ao Oscar Wilde e ouvi-lo responder: «Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão que estou errado». </div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-3765865244033187146?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com4tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-80486305268677615402009-06-18T03:10:00.007+01:002009-06-18T03:30:01.545+01:00Coisas de que gosto vá lá saber-se porquê<div align="center"><a href="http://farm1.static.flickr.com/131/354725812_19fa2c2fd6.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 395px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://farm1.static.flickr.com/131/354725812_19fa2c2fd6.jpg" border="0" /></a><br /><div align="center"><strong>COPO</strong></div><br /><div align="center">Não gosto de mesas de vozes em série,</div>nem de brindar à saúde de quem não conheço.<br />À semelhança deste homem que circunspecto<br />assiste, prefiro o silêncio das salas vazias.<br /><br />Depois de o prato, a faca, a colher<br />e o garfo terem sido removidos da mesa,<br />ficamos sós com as nossas memórias,<br />trespassados pela luz<br />de uma lâmpada de sessenta watts<br />que de súbito emudece.<br /><br />Na margem de um estremecimento<br />acende outro cigarro.<br />Nos vidros a chuva vigia.<br /><strong><span style="font-size:85%;">Jorge Gomes Miranda, in <em>O Acidente</em> (Assírio &amp; Alvim, 2007)</span></strong><br /><strong><span style="font-size:85%;"></span></strong><br /><div align="left"><strong><span style="font-size:78%;">Roubado directamente </span><a href="http://lili-one.livejournal.com/tag/jorge+gomes+miranda"><span style="font-size:78%;">daqui</span></a></strong></div><div align="left"><strong><span style="font-size:78%;">Imagem de Edward Hooper</span></strong></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-8048630526867761540?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com6tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-71300986376501952132009-06-17T11:43:00.008+01:002009-06-17T12:31:25.149+01:00A propósito da crise no Irão lembrei-me que já houve um tempo em que a malta queria era ir para Pasárgada<div align="center"><a href="http://files.myopera.com/parsian007/albums/700303/119627157812.jpg"><img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 575px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://files.myopera.com/parsian007/albums/700303/119627157812.jpg" border="0" /></a><br /><div align="center">Vou-me embora pra Pasárgada</div>Lá sou amigo do rei<br />Lá tenho a mulher que eu quero<br />Na cama que escolherei<br /><br />Vou-me embora pra Pasárgada<br />Vou-me embora pra Pasárgada<br />Aqui eu não sou feliz<br />Lá a existência é uma aventura<br />De tal modo inconseqüente<br />Que Joana a Louca de Espanha<br />Rainha e falsa demente<br />Vem a ser contraparente<br />Da nora que nunca tive<br /><br />E como farei ginástica<br />Andarei de bicicleta<br />Montarei em burro brabo<br />Subirei no pau-de-sebo<br />Tomarei banhos de mar!<br />E quando estiver cansado<br />Deito na beira do rio<br />Mando chamar a mãe-d'água<br />Pra me contar as histórias<br />Que no tempo de eu menino<br />Rosa vinha me contar<br />Vou-me embora pra Pasárgada<br /><br />Em Pasárgada tem tudo<br />É outra civilização<br />Tem um processo seguro<br />De impedir a concepção<br />Tem telefone automático<br />Tem alcalóide à vontade<br />Tem prostitutas bonitas<br />Para a gente namorar<br /><br />E quando eu estiver mais triste<br />Mas triste de não ter jeito<br />Quando de noite me der<br />Vontade de me matar<br />— Lá sou amigo do rei —<br />Terei a mulher que eu quero<br />Na cama que escolherei<br />Vou-me embora pra Pasárgada.<br /><br /><strong>Manuel Bandeira</strong><br /><strong></strong><br /><div align="left"><strong><span style="font-size:85%;">Imagem da actriz iraniana Golshifteh Farahani</span></strong></div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-7130098637650195213?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com1tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-36809308909779605132009-06-16T13:58:00.006+01:002009-06-16T14:51:36.705+01:00Isto não é um post sobre futebol embora possa parecer<div align="justify">Eu sei que podia falar do <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386854&amp;idCanal=11">'Conselho dos Guardiões da Constituição' </a>do Irão, um órgão que me lembra vagamente o <em>Harry Potter</em>. Ou da '<a href="http://ultimahora.publico.pt/noticia.aspx?id=1386796&amp;idCanal=57">ingenuidade</a>' de Constâncio, um homem que a gente basta olhar para ele para se lembrar do <em>Dom Quixote</em>. Também podia dissertar sobre a diferença ontológica entre <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386861&amp;idCanal=12">'maioria absoluta ou/e parlamentar do PS'</a> ou sobre as minhas alfaces que foram à vida ontem derivado à chuvada que lhes caiu em cima. </div><div align="justify">Em vez disso, fico-me por aqui: </div><div align="justify"> </div><div align="justify"></div><div align="justify"><strong>É QUE NEM QUE COMA A PARIS HILTON MIL VEZES CHEGA AOS CALCANHARES DO EL PIBE</strong><br /><object height="385" width="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/skqSasWQc5c&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/skqSasWQc5c&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br /><span style="font-size:78%;"><strong>Roubado </strong><a href="http://vozesdeburros.blogs.sapo.pt/322722.html"><strong>daqui </strong></a><strong>para o Zé.</strong></span></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-3680930890977960513?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com6tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-29504346624963494382009-06-15T02:11:00.002+01:002009-06-15T02:44:24.892+01:00Não é que eu acredite no bom selvagem mas as crianças podem ser mesmo uma delícia<div align="justify"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjWm7T5WfjI/AAAAAAAACsU/U_tDaoeKgi4/s1600-h/simpson.gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347363670455647794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 333px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjWm7T5WfjI/AAAAAAAACsU/U_tDaoeKgi4/s400/simpson.gif" border="0" /></a>Conta a Helena do <a href="http://conversa2.blogspot.com/2009/06/na-primeira-pessoa.html">2 Dedos de Conversa </a>que, aos 7 anos, a sua filha Christina foi convidada a participar numa acção de formação e treino cujo objectivo era melhorar o ambiente da escola. Um dos exercícios propunha que os diálogos entre os miúdos começassem por "eu", com o que se tentava evitar situações de ataque e agressão imediatas.<br />Continua a Helena:<br />Uns tempos depois a Christina contava-me, toda orgulhosa:<br />― Hoje tive uma discussão com a Clea e fui capaz de usar frases começadas por "eu"!<br />― Então o que é que lhe disseste?<br />― Disse-lhe assim: eu acho que tu és uma parva. </div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-2950434662496349438?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com5tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-6594755319927653882009-06-13T19:04:00.004+01:002009-06-13T19:14:26.255+01:00Dói-me vagamente a cabeça: hoje não conseguirei dizer coisas inteligentes. Acho que foi das sardinhas<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1gxSLSx_O3Q&hl=en&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/1gxSLSx_O3Q&hl=en&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br /><strong>António Variações [3 de Janeiro de 1944/13 de Junho de 1984</strong>]<div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-659475531992765388?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com3tag:blogger.com,1999:blog-8267388592620897352.post-6599657833206413702009-06-12T13:30:00.005+01:002009-06-13T19:16:47.998+01:00Silvio Berlusconi, Muammar Kadafi e as 700 virgens<div align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjJaN6HODuI/AAAAAAAACsM/rVoBPgnioV8/s1600-h/KADAFI.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346434902626537186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jyC-rTFWWqg/SjJaN6HODuI/AAAAAAAACsM/rVoBPgnioV8/s400/KADAFI.jpg" border="0" /></a>A vida amorosa e sexual de Silvio Berlusconi não me interessa para nada. Compreendo que a legítima tenha pedido o divórcio; o resto é lá com eles.<br /><div align="justify">O facto de Silvio <a href="http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3816609-EI8142,00.html">receber Muammar </a>e haver 700 mulheres dispostas a sujeitar-se à palhaçada de participarem numa palestra do ditador líbio (ainda por cima mais feio do que uma noite de trovões, como se diz na minha terra...) jã me parece digno de nota. </div><div align="justify">Até porque, sejamos rigorosos: segundo o hadith atribuído a Maomé, tal encontro só no Paraíso e nunca com 700: o profeta terá prometido apenas 72, número, convenhamos, bastante mais razoável. </div></div><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8267388592620897352-659965783320641370?l=wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com'/></div>Ana Cristina Leonardohttp://www.blogger.com/profile/14063533885701376838leonardo.anacristina@gmail.com5