tag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1112808423479020052005-04-06T09:57:00.000-07:002005-04-06T10:27:03.483-07:00O Erasmus era um gajo fixeAcredito que sim, não sei, nunca o conheci pessoalmente, mas acredito que tenha sido um gajo porreiro. Agora o que sei, é que o Programa ERASMUS é algo de extraordinário, que permite uma abertura cultural tremenda e que possibilita uma experiência de vida inesquecível. As potencialidades desta experiência, muito para lá do simples êxito escolar, são algo de fantástico que, infelizmente, continua a passar ao lado de muita boa gente.<br /><br />Uma vez que as circunstâncias da vida não me permitem abraçar tal aventura, continuo a aproveita-la da outra forma possível, ou seja, da maneira inversa. E que significa isto? É o manter contacto com a outra metade do Programa ERASMUS, ou seja, aqueles alunos que fazem percurso contrário, com destino ao nosso país em geral e à nossa universidade em particular.<br />O truque está em estabelecer contacto com o máximo número possível destes alunos, com preferência que sejam de nacionalidades diversas. E quanto mais longe e recôndito for o seu país de origem, melhor. Depois é aborda-los acerca do seu legado cultural, ou seja, do cinema, da música, da literatura, do que vos mais interessar.<br /><br />O meu último contacto foi com uma natural de França. Se na temática cinematográfica a abordagem não foi muito produtiva, uma vez que <strong>Depardieus</strong>, <strong>Renos</strong>, <strong>Jeunets</strong>, <strong>Godards</strong> e <strong>Besons </strong>são do conhecimento de toda a gente, no caso da música tudo mudou de aspecto e a experiência foi muito produtiva.<br />Nós, simples portugueses, geralmente associamos a uma frase que contenha as palavras "música francesa", nomes como o de <strong>Manu Chao</strong>, <strong>Paris Combo</strong>, <strong>Edith Piaf</strong>, <strong>Yann Tiersen</strong>, ou mesmo, <strong>Jacques Brel</strong>, <strong>dEUS</strong>, ou <strong>Jane Birkin</strong>. Eu agora, posso-me gabar de associar outros, muitos outros. Mas não o vou fazer; vou só apontar dois, preferindo a qualidade à quantidade.<br /><br />Assim, na pilha de CD's dos favoritos, juntaram-se duas rodelas prateadas fantásticas. Uma delas é de um italiano à solta em Paris, responde pelo nome de <strong>Sanseverino</strong> e assina um disco fantástico, daqueles cheios de raios de sol a entrar pela janela da manhã, pássaros a chilrear no parapeito e crianças a dançar lá fora.<br /><strong>Sanseverino</strong> é um daqueles discos que faz apetecer levantar da cama de manhã; com uma engrenagem forte que trabalha a swing, funk, dub e muitas outras coisas, é algo de muito eclético e que promete bastante para as tardes de Verão.<br />Quanto à segunda rodela, esta sim, é de uma importância tremenda e tem assinada apenas um nome: <strong>Arno</strong>. <strong>Arno</strong> é um belga que tem uma buzina na garganta. Alguém falou em <strong>Tom Waits</strong>? Não, mas as semelhanças existem. Com <strong>Waits</strong>, com <strong>Brel</strong>, com muito boa gente. <strong>Arno </strong>é um cantor fantástico, com uma voz rouca inconfundível, que destila no mesmo disco blues cubista e rock-jazz, como se isso existisse. <strong>Arno</strong> é daquelas coisas que se colam ao leitor de CD's e que prometem ficar por lá bastante tempo.<br />Eu sei que não tenho muito jeito para despertar curiosidades, mas era bom que o descobrissem.<br /><br /><center><img height="148" src="http://images.google.pt/images?q=tbn:OuvjumsIutAJ:caes.loria.fr/Mediatheque/images/CDcover/Arno_charles_ernest-front.jpg" width="158" /></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Mother's Little Helper</strong>; Arno Charles Ernest; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.com