tag:blogger.com,1999:blog-81191332008-02-17T08:14:33.625-08:00The Laundry Bluesdermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comBlogger71125tag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1114763220318271802005-04-29T01:22:00.000-07:002005-04-29T01:27:00.320-07:00Tributo<center><img src="http://www.goner-records.com/index/images/hasil/hasil4.gif"></center><br /><center><strong>HASIL ADKINS - 1938-2005</strong></center><br /><br />Apesar de ter desaparecido, <strong>Hasil Adkins </strong>será sempre recordado naquilo que sabia fazer melhor: no blues.<br />Poderá seguir <a href="http://www.geocities.com/bighollowtwang/HasilAdkins.html">este caminho</a> e descarregar <strong>She Said</strong>, curiosamente, o tributo que <strong>Tigerman</strong> lhe prestou no final do seu álbum debutante, <strong>Naked Blues</strong>.dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1114633385598429452005-04-27T13:06:00.001-07:002005-04-27T13:23:05.603-07:00O folk está de volta à cidadeO folk veio decididamente para ficar. Ou, como já ouvi alguém chamar, o neo-folk. Porque assim rebaptiza-se o velho para parecer novo. E como todos os revivalismos, cria-se o hype e torna-se o folk na <i>the next big thing</i>.<br /><br />Oficialmente reabilitado com a colectânea <strong>The Golden Apples Of The Sun</strong>, o folk trouxe para a grande fogueira do internacionalismo pequenas achas que não eram mais do que simples cantautores fiéis dos recônditos cantos da alma norte-americana. Essa internacionalização mandou às urtigas essa exclusividade americana e agora o folk já é uma tristeza de alma que se pode ouvir na bela Itália (alguém falou de <strong>Emiliana Torrini</strong>?) ou nas Beiras Altas (alguém falou de <strong>Old Jerusalem</strong>?).<br /><br />Sempre sob a alçada do deus-maior, <strong>Devendra Banhart</strong>, o círculo do folk tem vindo a alargar-se, incluindo uma diversidade de nomes que começam a ser comuns nos orgãos de comunicação: <strong>Antony</strong>, <strong>Cocorosie</strong>, <strong>Iron & Wine</strong>, <strong>Six Organs Of Admitance </strong>ou <strong>Josephine Foster</strong>.<br />Por isso, antes que a obra rebente na praia e apenas alguns nomes permaneçam na espuma da rebentação folk, há que chamar a atenção para os que podem não se destacar.<br /><br /><strong>Antony </strong>disse a seu respeito que "uma força assim só aparece de vinte em vinte anos". Mas se o ano zero da cronologia folk é contado a partir do mestre <strong>Bob Dylan</strong>, corrijo que uma força assim só aparece de quarenta em quarenta anos.<br />Apesar dos seus tenros vinte - 20 - vinte anos, <strong>Joanna Newsom </strong>já tem muito a contar no mundo da música em geral e no mundo do folk em particular. <strong>Joanna Newsom </strong>tem a voz de cana rachada de <strong>Bob Dylan</strong>, que se estranha e depois entranha; tem a rebeldia de <strong>Patti Smith</strong>, apesar do ar angelical de quem ainda não foi corrompida pela consciência da idade; tem o espírito campestre de <strong>Joan Baez</strong>, num misto Casa Da Pradaria/Cowgirl; e tem o espírito de <strong>Joni Mitchell</strong>.<br /><strong>Joanna Newsom </strong>é um anjo descido à terra. E como que a provar esse facto (porque apesar de óbvio, há sempre os cépticos e os teimosos), não se esquivou a trazer a sua harpa consigo. E basta vê-la tocar tão angelical instrumento para constatar que nennum humano toca harpa daquela maneira - batida, em vez de dedilhada.<br /><br />O folk veio para ficar. Se a história se repetir no ciclo elíptico que costuma fazer, voltará para o esquecimento dentro de alguns anos. Esperemos que os anjos fiquem.<br /><br /><center><img src="http://images.google.pt/images?q=tbn:Kw2P5f4YxpoJ:www.bentclouds.com/milkeyedmender.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>This Side Of The Blue</strong>; The Milk-Eyed Mender; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1113918702991569542005-04-19T06:12:00.000-07:002005-04-19T07:08:08.920-07:00There's no place like homeOuvi, mais do que uma vez até (e aposto que a maioria de vocês já ouviram histórias semelhantes), um amigo contar orgulhosamente que, numa viagem de férias à Índia, encontrou um restaurante onde comeu um saboroso bacalhau à transmontana.<br />Mas que barbaridade é esta? Mas quem é que vai conhecer uma cultura estrangeira, completamente antagónica da nossa, e acaba por se deliciar com a mais tradicional das nossas refeições? É como ir a Roma e não ver o Papa, de certo modo.<br /><br />Posso garantir-vos de que não há experiência mais enriquecedora do que conhecer por dentro uma cultura diferente da nossa. E para o fazer da forma mais correcta, há que nos inserir nessa sociedade a cem por centro - banirmos totalmente, qualquer ponto característico que faz de nós um orgulhoso português, abraçar os hábitos gastronómicos locais, tentar ao máximo comunicar com os habitantes na sua língua e, até, abandonar ao máximo, o contacto com o que se está a passar com o nosso país. Só assim conseguiremos experienciar na sua totalidade, uma cultura estrangeira.<br /><br />Perdidos assim num país diferente do nosso, em que a língua é completamente desconhecida para nós, faz-nos tornar mais ligados a nós próprios; a televisão torna-se um objecto estranho, o cinema deixa de ser uma opção válida, até as conversas de café são uma alienação... Por isso, recordamo-nos que sabemos pensar, ao vermos estimulados o nosso subconsciente, para mais quando o único escape pode ser um livro que veio como companhia. Um livro e a música.<br />A música acaba mesmo por ser uma linguagem universal, que não precisa de descodificações para ser absorvida. Por isso, num país estrangeiro, a música é um veículo importante.<br /><br />No entanto, por mais positiva que seja a experiência, não há lugar como a nossa casa. Ou não fossemos nós portugueses, os quais até têm um sentimento a que chamam de saudade que nos é exclusivo.<br />Dei por mim envolvido nessa experiência. Daí, ter permanecido ausente das lides bloguísticas durante a semana passada. Durante oito dias estive em trabalho num país estrangeiro (chamado Coimbra), onde aproveitei para fazer um exaustivo reconhecimento da cultura local. No entanto, por mais positiva que tenha sido a experiência, acabei por dar por mim a saudar o que tinha deixado para trás, aquele quotidiano rotineiro que tantas vezes amaldiçoo.<br />E assim, durante esses momentos momentâneos de saudade, fez-me desejar ouvir uma das bandas aqui da terreola, os <strong>Mazgani</strong>.<br /><br />Os <strong>Mazgani</strong> preparam-se para ser o próximo hype por terras lusitanas. Mas desta vez justificado, mesmo que tenha sido impulsionado por uma bela distinção de uma certa revista francesa, que não vou dizer qual para não pensarem que é oportunismo. De facto, eles merecem mesmo o reconhecimento. E este sábado que passou, apesar de terem arrecadado o prémio do Termómetro Unplugged sob alguns protestos de algumas bandas concorrentes, aposto que foi mais do que merecido.<br /><br />Fazendo uso da experiência profissional dos membros da banda, os <strong>Mazgani</strong> adoptam o apelido do seu vocalista e compositor, <strong>Sharyar Mazgani</strong>, para formarem um conjunto sólido e sóbrio. Os <strong>Mazgani</strong> são <strong>Jeff Buckley</strong>, <strong>Nick Drake </strong>e <strong>Leonard Cohen</strong>, na fase <strong>PJ Harvey </strong>pós-Rid Of Me, armados com as armas dos <strong>Radiohead</strong>, dividos em quatro membros. Por isso, não é estranho que invocem versões de <strong>Desperate Kingdom of Love </strong>ou <strong>Dance Me To The End Of Love</strong>.<br />Fora isto, têm ainda uma grande personalidade em palco, que os fazem ser uma excelente banda para recontos fechados, num low profile com picos muito altos.<br />Comecem a fixar o nome, porque pelo menos por aqui, vai ser alvo de atenção constante.<br /><br />Apeteceu-me falar deles, neste meu regresso à Lavandaria.<br />Devia antes ter agradecido ao <a href="http://www.tascadacultura.blogspot.com">Bom Selvagem</a> e ao <a href="http://polonio.myftp.org">Polónio</a> (para não falar do CEC e das coisas todas que o envolveram) pelos acontecimentos desta semana. Mas eu sei que vocês não se importam.<br /><br /><center><img src="http://images.google.pt/images?q=tbn:_uNo4ruIEi8J:images.amazon.com/images/P/B000255LAC.01._SCLZZZZZZZ_.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Desperate Kingdom Of Love</strong>; Uh Uh Her; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1112808423479020052005-04-06T09:57:00.000-07:002005-04-06T10:27:03.483-07:00O Erasmus era um gajo fixeAcredito que sim, não sei, nunca o conheci pessoalmente, mas acredito que tenha sido um gajo porreiro. Agora o que sei, é que o Programa ERASMUS é algo de extraordinário, que permite uma abertura cultural tremenda e que possibilita uma experiência de vida inesquecível. As potencialidades desta experiência, muito para lá do simples êxito escolar, são algo de fantástico que, infelizmente, continua a passar ao lado de muita boa gente.<br /><br />Uma vez que as circunstâncias da vida não me permitem abraçar tal aventura, continuo a aproveita-la da outra forma possível, ou seja, da maneira inversa. E que significa isto? É o manter contacto com a outra metade do Programa ERASMUS, ou seja, aqueles alunos que fazem percurso contrário, com destino ao nosso país em geral e à nossa universidade em particular.<br />O truque está em estabelecer contacto com o máximo número possível destes alunos, com preferência que sejam de nacionalidades diversas. E quanto mais longe e recôndito for o seu país de origem, melhor. Depois é aborda-los acerca do seu legado cultural, ou seja, do cinema, da música, da literatura, do que vos mais interessar.<br /><br />O meu último contacto foi com uma natural de França. Se na temática cinematográfica a abordagem não foi muito produtiva, uma vez que <strong>Depardieus</strong>, <strong>Renos</strong>, <strong>Jeunets</strong>, <strong>Godards</strong> e <strong>Besons </strong>são do conhecimento de toda a gente, no caso da música tudo mudou de aspecto e a experiência foi muito produtiva.<br />Nós, simples portugueses, geralmente associamos a uma frase que contenha as palavras "música francesa", nomes como o de <strong>Manu Chao</strong>, <strong>Paris Combo</strong>, <strong>Edith Piaf</strong>, <strong>Yann Tiersen</strong>, ou mesmo, <strong>Jacques Brel</strong>, <strong>dEUS</strong>, ou <strong>Jane Birkin</strong>. Eu agora, posso-me gabar de associar outros, muitos outros. Mas não o vou fazer; vou só apontar dois, preferindo a qualidade à quantidade.<br /><br />Assim, na pilha de CD's dos favoritos, juntaram-se duas rodelas prateadas fantásticas. Uma delas é de um italiano à solta em Paris, responde pelo nome de <strong>Sanseverino</strong> e assina um disco fantástico, daqueles cheios de raios de sol a entrar pela janela da manhã, pássaros a chilrear no parapeito e crianças a dançar lá fora.<br /><strong>Sanseverino</strong> é um daqueles discos que faz apetecer levantar da cama de manhã; com uma engrenagem forte que trabalha a swing, funk, dub e muitas outras coisas, é algo de muito eclético e que promete bastante para as tardes de Verão.<br />Quanto à segunda rodela, esta sim, é de uma importância tremenda e tem assinada apenas um nome: <strong>Arno</strong>. <strong>Arno</strong> é um belga que tem uma buzina na garganta. Alguém falou em <strong>Tom Waits</strong>? Não, mas as semelhanças existem. Com <strong>Waits</strong>, com <strong>Brel</strong>, com muito boa gente. <strong>Arno </strong>é um cantor fantástico, com uma voz rouca inconfundível, que destila no mesmo disco blues cubista e rock-jazz, como se isso existisse. <strong>Arno</strong> é daquelas coisas que se colam ao leitor de CD's e que prometem ficar por lá bastante tempo.<br />Eu sei que não tenho muito jeito para despertar curiosidades, mas era bom que o descobrissem.<br /><br /><center><img height="148" src="http://images.google.pt/images?q=tbn:OuvjumsIutAJ:caes.loria.fr/Mediatheque/images/CDcover/Arno_charles_ernest-front.jpg" width="158" /></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Mother's Little Helper</strong>; Arno Charles Ernest; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1112640223029379362005-04-04T11:34:00.000-07:002005-04-04T11:43:43.030-07:00Tributo<center><img src="http://www.georgeunderwood.com/music/MuddyWaters.jpg" /></center><br /><center><strong>[1913-1983]</strong></center><br /><br />Quaisquer palavras que se tentem serão sempre pequenas demais perante a grandeza de <strong>Muddy Waters</strong>. O seu contributo para a música, não só do blues, mas da própria música contemporânea, é incalculável.<br />Só por isso, um post de tributo, em memória desta lenda. <br /><br /><i>The seven doctors say / He was born for good luck</i><br />Já reparamos!dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1112300939093419982005-03-31T11:53:00.000-08:002005-03-31T12:28:59.096-08:00Desmistificar fantasmasSublinho por baixo o que já aqui foi escrito uma vez, pela acutilante e pertinente mezzanine (com letra minúscula, tal como o d de <i>dermot</i>: os best of's são uma enfermidade pérfida da música, principalmente no panorama actual.<br />No entanto, sou ainda mais generalista, quando digo que as colectâneas, actualmente, só têm servido para degenerir o aspecto dos escaparates das discotecas do comércio tradicional (para não falar da parte dedicada às colectâneas do Top+).<br /><br />O problema dos best of's e dos greates hit's é muito simples; geralmente, não passam de um sucedâneo de temas de sucesso de determinado artista. Antes ainda se limitavam a fazer best of's de bandas com extensos anos de carreira, ou de artistas já extintos (pelo menos para a música). Agora, qualquer one-hit-wonder tem direito a um best of, no final do primeiro ano de carreira, qual recompensa. Que o diga <strong>Britney Spears</strong>.<br />Um álbum é provido de substância e de unidade e não é preciso ser essencialmente conceptual para isto acontecer. É algo natural; qualquer tema deslocado do seu álbum de nascença, perde o significado que ganhou ao ser gravado e lançado naquele disco. Se num best of o único critério de selecção e de ordenamento é algo tão vago como a ordem cronológica, como é que podemos apreciar um best of como um álbum como os outros?<br />Por isso, na minha opinião, os best of's e os greatest hit's só servem como material de reconhecimento. Gostas de <strong>Shadows</strong>? perguntaram-me recentemente. Sim, foi a minha resposta instintiva. Mas uma rápida introspecção interior levou-me à conclusão que afinal não conhecia <strong>Shadows</strong> o suficiente para responder aquela pergunta de forma coerente, uma vez que o meu conhecimento acerca da banda se limitava ao <strong>Apache</strong> e a outros poucos temas que nem sabia o nome. A solução? Recorrer a um grestes hits duplo, pô-lo a correr no leitor de cds, e depois de ouvir os singles de maior saída da carreira extensa daqueles senhores, pude concluir que afinal a minha resposta intuitiva tinha sido acertada. E agora, no futuro, quando algum vinil dos <strong>Shadows</strong> se perfilar perante mim e se a ocasião o permitir, não o deixarei escapar.<br />Mas mesmo nesta condição, os best of's podem ser enganadores. Se um artista tiver uma carreira extensa, de altos e baixos, amadurecimentos, divagações estilísticas e outros afins, um best of acabrá por ser uma caldeirada em que o único fio condutor é a voz do intérprete. Por exemplo, os greastest hits de <strong>Elvis</strong>, o rei do rock n' roll, são na grande maioria colectânea de singles românticos para viúvas e solteiras, uma vez que foram os singles da sua fase de Las Vegas que obtiveram maior reconhecimento geral.<br />Por isso, utilize só os best of como reconhecimento do terreno e só em última ocasião.<br /><br />Quanto às colectâneas, atravessam um período negro. Uma colectânea obedece a uma temática e esta, ou é mal escolhida, ou é mal feita, na maioria dos casos. Como a única preocupação é vender, e para isso é necessários atingir o mainstreem, as temáticas roçam tudo o que justificar a inclusão das bandas da moda (alguém falou dos <strong>Keane</strong>?).<br /><br />No entanto, aparecem excepções que nos fazem suspirar de alívio. E uma excepção é a colectânea como a da <strong>Superfuzz</strong>. Não é o salvador do rock nem a bíblia do mesmo, mas é uma excelente escolha de temas rock do último ano, de um grupo de apreciadores que sabe o que quer (e sobretudo o que gosta). Desde o surf-rock, passando pelo garage-rock, o blues e o retro-rock, está tudo lá, dos menos conhecidos aos mais conhecidos.<br />Uma excelente audição para as tardes de Verão.<br /><br />E já que estou numa de desmistificar pesadelos, apetece-me desmistifcar outro: o das bandas de covers.<br />Normalmente, uma banda de covers serve para animar uma festa ou uma boa noite de copofonia com os amigos. O seu valor musical é limitado ou pouco valorativo, uma vez que se limitam a tocar o que já está gravado ou a variar um pouco.<br />É indigno comprar um disco de uma banda de covers, certo?<br />Errado! Experimentem ouvir uma certa banda, que costuma passar as noites por entre os copos de whisky de um bar à beira de um cruzamento em Detroit. Chamam-se <strong>Detroit Cobras </strong>e tocam versões rock n' roll, tudo muito retro e moderno, com uma atitude muito cool.<br />Não tem nada a ver esta última dissertação, pois não?<br />Não faz mal, só me apetecia mesmo falar desta gente.<br /><br /><center><img style="WIDTH: 192px; HEIGHT: 178px" height="236" src="http://photos1.blogger.com/img/232/2799/400/capa_superfuzz_OST.jpg" width="257" /></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Mumbo Jumbo</strong>; The Masonics; OST Superfuzz; 2005]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1112129262536747382005-03-29T12:45:00.000-08:002005-03-29T13:16:02.133-08:00Miss Flying Saucer<img src="http://www.miau.pt/images/Offers/416978_1110448953600_2.jpg"><br />Gretsch Corvette de 1964, partida e autografada. E minha.dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1111925445066112192005-03-27T03:46:00.002-08:002005-03-27T04:36:51.116-08:00Esqueçam a Páscoa. Nós temos os blues!Já aqui falei da <strong>Oficina do Cais</strong>, um antro musical de excepção, mas com uma qualidade acústica que deixa a desejar. O que nunca falei aqui foi dos <strong>Soledad Brothers</strong>. Por isso, para compensar esta falha, vou faze-lo num parágrafo inteiro.<br /><br />Os <strong>Soledad Brothers </strong>são bons de mais. Fazer elogios assim é sempre relativo, mas as verdades são para ser ditas, cruas e directas, com muita honestidade. Como os blues. E se os <strong>Soledad Brothers </strong>são bons, temos que o dizer.<br />Este trio norte-americano de blues-rock escuros e negros, que começou a dar nas vistas para o mundo quando <strong>Jack White </strong>serviu de padrinho ao posar para a capa de um disco, passou pelo nosso país em digressão, primeiro no Porto e ontem no Montijo.<br /><br /><strong>Soledad Brothers </strong>na <strong>Oficina Do Cais</strong>. Duas palavras que conjugavam na perfeição na mesma frase, como se os planetas se tivessem alinhado em sinal de boa sorte. <br />O concerto foi arrasador! É injusto tentar descrever por palavras um concerto destes, porque tudo o que escrever vai parecer redutor para tudo o que se passou lá. Como é que se descreve um baterista armado em <strong>Keith Moon </strong>e dois guitarristas, um com um autocolante na guitarra que dizia <i>kick out the jam motherfuckers</i> e outro a recorrer frequentemente aos riffs de <strong>Keith Richards</strong>, tudo acelarado umas trinta rotações. Naquele palco não estiveram só os <strong>Soledad Brothers</strong>: estiveram o rock demolidor dos <strong>The Who</strong>, os blues-rock-n'-roll dos <strong>Rolling Stones</strong>, o motim blues-rock dos <strong>MC5</strong>, o garage-rock dos <strong>The Cramps</strong>, a slide-guitar de <strong>Jeff Beck </strong>e até a harmónica de <strong>Bob Dylan</strong>! Naquele palco estiveram uma hora de blues suados e rock n' roll gritados! <br /><br />Para os acompanhar numa música, subiu ao palco <strong>Dooley Wilson</strong>, o homem do blues que abriu as hostes com quarenta minutos de blues a uma pessoa. Esquecendo-se por momentos que era branco, <strong>Dooley Wilson </strong>deu uma aula de blues, deambulando pelas escolas de <strong>Robert Johnson</strong>, <strong>Johnnie Lee Hooker </strong>e <strong>Muddy Watters</strong>, concluindo o set com <strong>I Can't Be Satisfied</strong>. É verdade. Quarenta minutos foi pouco tempo para ficarmos satisfeitos. Mas a mestria com que a guitarra era tocada e como os blues seram regurgitados, fizeram pensar no que aconteceria se <strong>Dooley Wilson </strong>tivesse um pouco mais de instinto assassino! <br /><br />A adrenalina suficiente para continuar a correr nas veias no dia seguinte.<br /><br /><center><img src="http://image.allmusic.com/00/amg/cov200/drf100/f164/f1643311lsg.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>.32 Blues</strong>; Steal Your Soul And Dare Your Spirit; 2000]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1111757264425251382005-03-25T05:05:00.000-08:002005-03-25T05:27:44.430-08:00Os suspeitos do costumeNao é fácil falar de jazz, pelo menos para mim, por duas razões muito simples: primeiro, devido à especificidade do mesmo, que se multiplica num turbilhão de emõções e sentimentos particulares e que difere tanto entre músicos como a água difere do azeite. Falar sobre jazz é como dissertar sobre a nossa alma. E como raramente gosto de me expôr em público de tal maneira, falar sobre jazz é algo que não faço frequentemente. <br />Quanto à segunda razão que anunciei logo no início é porque conheço poucos interlocutores, cujo valor intelectual faça valer a pena uma abordagem a tal temática.<br /><br />Gostar de jazz parece ser algo destinado apenas aos pseudo-intelectuais, na nossa sociedade. Ou pelo menos, assim me parece. Dizer que <strong>The Shappe Of Jazz To Come </strong>é um dos melhores álbuns de música, parece querer dizer que somos estranhos por gostar de um disco instrumental, de deambulações imprecisas, sem um pingo de letra que revele o que vai na alma do artista. Então e que tal, se em vez de o ouvirem, procurarem senti-lo?<br /><br />Depois, há ainda outro caso em que o jazz parece ter-se tornado um lugar comum, onde se encontram as personalidades óbvias da área. Quem nunca teve numa tertúlia que resvalasse para uma discussão aerca de jazz e que temrinasse à volta duma fogueira ateada pelos nomes óbvios de <strong>Ornette Coleman</strong>, <strong>Duke Ellignton </strong>ou <strong>John Coltrane</strong>?<br />Claro que não vamos recusar um génio, apenas porque este caiu na rotina dos meandros da arte. Porque como disse alguém, um clássico será sempre um clássico, porque antes de o ser já era.<br />Então, mas... e os outros? Então e <strong>Jimmy Smith </strong>que um dia decidiu dar personalidade a um Hammond? Ou <strong>Gene Krupa </strong>que achou por bem tirar a bateria do anonimato? Ou mesmo <strong>Buddy Rich </strong>que lhe deu notoriedade? Ou <strong>Lucky Peterson</strong>? Ou o cosmopolita <strong>David Murray</strong>? Ou <strong>Ron Carter</strong>? <br /><br />Por isso, apetece-me falar de alguém que é pouco falado. Ou pelo menos, não é falado da maneira correcta.<br /><strong>Mike Ladd </strong>é geralmente, associado ao hip-hop - raramente, o nome "<strong>Mike Ladd</strong>" e a palavra "hip-hop" não entram na mesma frase. No entanto, dizer simplesmente que <strong>Mike Ladd </strong>é um gajo do hip-hop, é o mesmo que dizer que a Stratocaster é só uma guitarra.<br /><strong>Mike Ladd </strong>é um gajo da música, com muita (des)semelhanças com <strong>Mike Patton</strong>. E o seu último álbum, <strong>Negrophilia</strong>, é um OSNI (Objecto Sonoro Não Identidicado) que passou quase despercebido pelos escaparates.<br />Nele, há uma fusão entre hip-hop, música electrónica e jazz - os ritmos do primeiro, os sons futuristas do segundo e a colaboração de vários avant-gardeistas do terceiro. Fantásticamente, <strong>Mike Ladd </strong>transforma tudo isto num caos organizado. Como se <strong>Mr. Spock </strong>e <strong>John Zorn </strong>tiveem ido beber um copo à galáxia Nebula, à velocidade do som na Enterprise. <br /><strong>Negrophilia</strong> não se ouve. Sente-se.<br /><br /><center><img src="http://www.metacritic.com/media/music/artists/laddmike/negrophilia/picture.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Sam And Milli Dine Out</strong>; Negrophilia; 2005]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1111237603271964332005-03-19T04:39:00.000-08:002005-03-19T10:13:06.663-08:00A nova meca da música da margem sul<strong>Hank Williams</strong> era um gajo do rock n' roll. <br /><strong>Gene Kupra</strong> era um gajo do rock n' roll.<br /><strong>Jimmy Smith</strong> era um gajo do rock n' roll.<br />O <strong>Maradona</strong>, o <strong>Hitler</strong> e o <strong>Pessoa</strong> eram gajos do rock n' roll.<br /><strong>D. Afonso Henriques</strong> foi o maior gajo do rock n' roll!<br />O rock n' roll existe há mais de um milhão de anos. Os <strong>Bunnyranch</strong> acreditam piamente nisto e não querem enganar ninguém. Para eles é só rock n' roll. E eles gostam. E nós também. E depois de os ouvirmos começamos a pensar que se calhar o <strong>D. Afonso Henriques</strong> era mesmo um gajo do rck n' roll.<br />Actualmente, são uma das bandas nacionais mais poderosas em palco. Naquele caldeirão de influências rock, <strong>Caló</strong> assume o protagonismo, puxando a bateria para a frente e tomando as rédeas daquela explosão de adrenalina, pólvora, blues, rockabilly, suor e êxtase. Ao seu lado há sempre o teclista <strong>Filipe Costa</strong>, que começa a tornar-se um caso sério na matéria.<br /><br />Ontem à noite, apresentaram-se no palco da <strong>Oficina do Cais</strong>, no Montijo. <br />Até ao início deste ano, a sul do País, a oferta musical estagnava ao chegar a Lisboa. Da capital para baixo, apenas se voltava a ouvir qualquer coisa pelos lados do Algarve. No Barreiro tentava-se agitar algo, num circuito underground que, apesar dos esforços, lutava estoicamente contra os contratempos. Eis então que é inaugurado um novo espaço nocturno, no Montijo, numa antiga oficina de barcos.<br /><br />A <strong>Oficina Do Cais</strong> é a nova meca da música da margem sul. <br />Em pouco tempo de vida, já passaram pelo seu interior vários nomes do principal panorama nacional da música: <strong>Wraygunn</strong>, <strong>Pluto</strong>, <strong>Dead Combo</strong>... E para a semana, preparam-se para receber os primeiros convidados internacionais - a visita dos norte-americanos <strong>Soledad Brothers</strong>, num concerto que promete muito.<br />No entanto, não é só a muita e boa variedade musical que o bar(?) oferece. Como se não bastasse, a <strong>Oficina do Cais</strong> é um espaço bastante agradável, que soube tirar proveito do forte carisma das antigas instalações. Com um ambiente muito retro, uma decoração fantástica, uma arquitectura interior acolhedora e música ambiente de qualidade, consegue disfarçar perfeitamente os problemas de acústica que sofre.<br /><br />A <strong>Oficina Do Cais</strong> é uma casa do rock, de gajos do rock n' roll. E depois? É apenas isso. E nós gostamos.<br /><br /><center><img src="http://store.artistdirect.com/Images/Sources/AMGCOVERS/music/cover200/drg100/g111/g11152b6u1x.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Voodoo Train</strong>;The Red, White And Black;2003]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1110988004159999092005-03-16T07:06:00.000-08:002005-03-16T07:46:44.163-08:00Mundos alienados<strong>Wes Anderson </strong>é um tipo com uma extrema falta de sorte nas traduções que fazem dos títulos dos seus filmes para português. Mas o que é isso comparado com a qualidade inequívoca dos seus trabalhos cinematográficos?<br />É claro que chateia imenso ir assistir a um filme que viu ser traduzido o título <strong>The Royal Tenenbaums </strong>para <strong>Uma Comédia Genial</strong>. Ainda para mais, <strong>Uma Comédia Genial </strong>é o título comum a qualquer filme de domingo à tarde, os quais evitamos tal como o Diabo evita a cruz.<br /><br /><strong>Wes Anderson </strong>é um realizador que, em apenas três filmes, conseguiu deixar atrás de si um rasto cinematográfico inconfundível. Arrisca-se mesmo a ter, qualquer dia, o seu nome transformado em adjectivo, tal como teve <strong>Fellini</strong>. Ou seja, um dia, num futuro não distante, adjectivaremos de <em>andersoniano</em>, qualquer filme alienado, peculiar e invulgar que nos for colocado à frente dos olhos. <br />O cinema de autor de <strong>Wes Anderson </strong>é um universo próprio. Assistirmos a <strong>Rushmore</strong>, <strong>The Royal Tenenbaums </strong>ou <strong>The Life Aquatic With Steve Zisssou</strong>, são experiências completamente diferentes, uma vez que cada um deles é um universo destinto e independente. Cada filme é como um micro-universo dentro de um macro-universo, que é o próprio cinema. Ou então, é como uma realidade paralela alterativa, onde tudo é a face oposta do espelho da realidade em que vivemos.<br /><br /><strong>Alice </strong>não atravessou o espelho para ir ter áquele País das Maravilhas; bastou-lhe meter uns ácidos para alucinar com Raínhas de Copas, coelhos atrasados ou lagartas a fumar cachimbo em cima de cogumelos. <strong>John Lennon </strong>e <strong>Paul McCartney </strong>também não se inspiraram num qualquer desenho infantil para comporem <strong>Lucy In The Sky With Diamons</strong>; bastou alguma noite encharcada em LSD para criar uma cantilena psicadélica em caleidoscópio. Por isso, não se pense que <strong>Wes Anderson </strong>passa horas e dias inteiros em frente a uma folha de papel em branco, virando e revirando ideias, para criar os seus universos cinematográficos; deve-lhe bastar uma boa noite de cavaqueira com os amigos, num qualquer bar local, bem regado a cerveja (ou a whisky, uma vez que as celebridades só bebem bebidas caras).<br /><br /><strong>The Life Aquatic With Steve Zissou </strong>é o seu mais recente filme, que estreia entre nós este mês, com o infeliz título de <strong>Um Peixe Fora De Água</strong>. Neste micro-universo há um <strong>Jacques Cousteau </strong>com nome de jogador galáctico de futebol, que afinal não é mais que <strong>Ishmael</strong>. No entanto, o caso mais peculiar desta realidade alternativa é um rapaz negro que por lá circula, também com nome de estrela de futebol, que quando se senta com a sua viola, começa a dedilhar versões acústicas de músicas de <strong>David Bowie </strong>cantadas em português.<br />Haverá algo mais estranho que isto? A partir daqui, tudo o que <strong>Wes Anderson </strong>criar já não causará espanto.<br /><br />Esse rapaz responde pelo nome de <strong>Seu Jorge</strong>. É brasileiro e é actor, que começou a circular pelas bocas do mundo com a participação no genial <strong>A Cidade De Deus</strong>, sob o nome de <strong>Mané Galinha</strong>. No entanto, o que poucos sabem é que <strong>Seu Jorge </strong>tambem é cantor, compositor e músico, e editou no ano transacto um dos mais interessantes discos de 2004 - <strong>Cru</strong>.<br /><br />Em <strong>Cru</strong>, o seu segundo álbum, ouvimos um universo deveras peculiar, tal como acontece ao assistirmos a um filme de <strong>Wes Anderson</strong>. <strong>Cru</strong> é o espelho do seu criador: da sua admiração pela pandeireta do samba de <strong>Zeca Pagodinho</strong>, da sua admiração pelo tropicalismo de <strong>Caetano Veloso</strong>, da sua admiração pelo multifacetismo de <strong>Tom Zé</strong>, da sua admiração pelo piano funk de <strong>Stevie Wonder</strong>, pela sua admiração pelo transformismo de <strong>David Bowie </strong>e da sua admiração por <strong>Romário</strong>(?). Em <strong>Cru</strong> ouvimos samba francês, flamengo brasileiro ou outras alienações do género.<br />Não é a quinta dimensão. Mas é uma dimensão alternativa de boa e imperdível música.<br /><br /><center><img src="http://www.zicline.com/an6/semaine40/seu.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Chatterton</strong>; Cru; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1110587693249222612005-03-11T15:39:00.000-08:002005-03-11T16:42:12.043-08:00Lendas do rock n' roll (II)O ano era o de 1967 e estava-se em pleno flower power - paz e amor, hyppies, liberação sexual, legalização das drogas, espiritualidade e muito pdicadelismo, vulgo LSD. No campo musical, procedia-se também a uma revolução de mentalidade e atitude, ou não fosse a música o melhor espelho dessa condição social. E eis que surge o <strong>Festival Internacional Pop de Monterey</strong>.<br /><br /><strong>Monterey</strong> não foi só um festival hyppie - foi um marco dos anos 60. Dois anos antes de <strong>Woodstock</strong>, o expoente máximo do flower power e da cultura hyppie, o <strong>festival de Monterey </strong>foi três dias de únicas e espantosas experiências, visuais e auditivas. Rezam as histórias que milhares de pessoas se juntaram numa comunhão perfeita com a polícia, que carregava flores em vez de armas; a relva tornou-se cor-de-laranja e o céu verde, e de 16 a 18 de Junho desse mesmo ano, o Mundo rodou numa só voz, embalado numa onda de paz e amor. E foi nesse festical que, como a fénix, a música se sacrificou, imolada, e renasceu das próprias cinzas!<br /><br />A maioria dos artistas actuou de graça, apenas com as despesas de deslocação e estadia pagas. Tal como os festivaleiros, também para eles foram três dias de reunião e descoberta. Do alinhamento brotavam nomes como o da ainda então desconhecida estrela soul <strong>Otis Redding</strong>, a anti-diva rock <strong>Janis Joplin</strong>, os psicadélicos <strong>Grateful Dead</strong>, o oriental <strong>Ravi Shankar</strong>, ou as duas estrelas principais desta história - os <strong>The Who </strong>e os <strong>The Jimi Hendrix Experience</strong>. E por entre a multidão, reconheciam-se os rostos de <i>sua majestade</i> <strong>Brian Jones </strong>ou da <i>subterrânea</i> <strong>Nico</strong>. Tudo isto ficou testemunhado pela voz incomparável de <strong>Eric Burdon</strong>, vocalista dos <strong>The Animals</strong>, que num verso fantástico de inspiração criativa sublime, conseguiu consolidar todo o espírito daquele momento de três dias em singelas palavras: Young gods smiled upon the crowd/Their music being born of love/Children danced night and day/Religion was being born/Down in Monterey.<br /><br />A lenda conta que um quarteto de Londres, baptizado de <strong>The Who</strong>, se insurgiu contra um trio liderado por um norte-americano chamado <strong>Jimi Hendrix</strong>, cuja presença tinha sido recomendada (imposta?) por <strong>Paul McCartney</strong>, pelo facto de estes irem fechar o certame. O trio que compunha aquela experiência musical única não se resignou, uma vez que também mantinham relacionamento estreito com o orgulho e a ambição e as relações azedaram entre os músicos. Como não se chegou a uma resolução pacífica, a organização teve que intervir e decidiu manter tudo como estava - os <strong>The Who </strong>tocariam primeiro que <strong>The Jimi Hendrix Experience</strong>, que seriam os últimos cabeças-de-cartaz a actuar.<br /><br />Os <strong>The Who </strong>subiram ao palco para fazer aquilo que sabiam fazer melhor - actuar! Não era só a poderosa voz de <strong>Roger Daltrey</strong>, mas principalmente o esvoaçante <strong>Pete Towshend </strong>e o furacão <strong>Keith Moon</strong>, que faziam aquela tempestade em palco, a que o baixista <strong>John Entwhistle </strong>se juntava para se chamarem <strong>The Who</strong>. E se por si só já eram uma força da natureza desvastadora, o que seriam se subissem ao palco com dois outros poderos indivíduos - vingança e orgulho.<br />O resultado foi avalassador. Contam as crónicas que a banda em 45 minutos fez uma das mais estrondosas actuações, culminadas com a habitual destruição do palco, encharcados em suor, sangue e lágrimas.<br />Isto já não contam as crónicas, mas ao imaginarmos este retrato (ou depois de vermos os registos video existentes), facilmente podemos visualizar <strong>Pete Towshend </strong>a abandonar o palco, a cruzar-se com <strong>Jimi Hendrix </strong>e a dizer-lhe <i>Agora faz melhor!</i><br /><br /><strong>Jimi Hendrix </strong>subiu ao palco, apresentou o seu baterista <strong>Mitch Mitchell </strong>e o seu baixista <strong>Noel Redding </strong>e fez melhor. Muito melhor! Tocou e encantou como só ele sabia fazer - tomando a sua guitarra nos braços, qual amante devassa em noite selvagem, fazendo-a vibrar como <strong>Little Richards </strong>fazia vibrar a sua voz ou fanzendo-a gritar como <strong>Keith Moon </strong>fizera gritar a sua bateria. E por fim, fez o inacreditável.<br /><strong>Jimi Hendrix </strong>dirigiu-se ao público e anunciou que iria sacrificar o seu maior amor - a guitarra. Colocou-a no chão, regou-a de gasolina, rock, blues, jazz e a sua própria inspiração e pegou-lhe fogo. Por momentos, fez-se magia no ar, por aquele momento espontâneo e natural. E quando o fumo assentou, não foi só <strong>Jimi Hendrix </strong>que se ergueu - foi um novo mundo, uma nova ordem musical que acabara de revolucionar.<br />E a música nunca mais foi a mesma.<br /><br /><center><img style="WIDTH: 248px; HEIGHT: 338px" height="351" src="http://digilander.libero.it/indyjour/images/Jimi%20Hendrix-Picture%20at%20Montery%20Pop.jpg" width="265" /></center><br /><br />Guitarras destruídas acabam por ser um resultado natural de quem faz amor com o palco. Nisto, <strong>Paulo Furtado </strong>tem-se tornado um verdadeiro ninfomaníaco.<br />Contam as lendas que em 1999 (ou terá sido em 98), os <strong>Wraygunn</strong> se apresentaram no <strong>Comix</strong>, um bar no Porto, para darem um concerto inesquecível. Essa noite acabaria por fazer uma vítima - uma Gretsch Corvette de 1964.<br /><br />As lendas deixaram de o ser! Numa acção conjunta entre o Miau.pt e a INDE, a favor das vítimas do tsunami asiático, foram colocados em leilão vários objectos cedidos por alguns artistas do panorama musical português. E de entre o espólio encontram-se os restos mortais da dita guitarra, apenas mencionada por lendas e histórias perdidas.<br />Uma boa oportunidade para se ter um pouco de história em casa.<br /><br /><center><img src="http://image.allmusic.com/00/amg/cov200/drc000/c064/c06466n37ov.jpg" /></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>A Quick One While She's Away</strong>; Monterey Box Set; 1997]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1110037608941173922005-03-05T07:23:00.000-08:002005-03-05T07:49:24.370-08:00Odeio dizer bem te aviseiO revivalismo rock entrou-nos porta dentro, à boleia dos <strong>Strokes</strong>, já o estamos cansados de saber. <br />E aproveitando a nova onda, a <strong>MTV</strong> rapidamente preencheu a sua grelha de programção com tudo o que tivesse uma guitarra e uma bateria no mínimo, rotulando-os automaticamente como "a nova sensação rock". O público mais jovem e ingénuo de ouvido pasmou com todo aquele fascínio garage rock, tal como o Homem pasmou a primeira vez que viu a roda. Entretanto, já gente como os <strong>Gories</strong> ou os <strong>Cramps</strong> faziam há décadas, aquilo a que agora catalogavam como novo.<br /><br />Aproveitando a euforia, a <strong>MTV</strong> decidiu gladiar duas dessas apelidadas "novas sensações rock", num qualquer MTV Music Awards, qual Coliseu de Roma. Apresentando no canto esquerdo, os <strong>The Vines</strong>, uma fusão <strong>Beatles</strong> meets <strong>Nirvana</strong>, com mais dos primeiros do que dos segundos. Claro que a <strong>MTV</strong> aproveitou logo o single furioso mas de plástico, de guitarras em riste e vocalização esquizofrénica, condizente com uma adolescência sem nada com que se revoltar, mas revoltada com tudo - <strong>Get Free</strong>. No canto direito, os <strong>The Hives</strong>, banda sueca com verdadeira escola garage rock, vestidos a preto e branco e com um demónio gritante atrás do microfone. As semelhanças entre as duas, quedava-se quiçá, pelo nome...<br />Injusta ou não, o que é certo é que os <strong>Hives</strong> deram uma tareia descomunal a uns <strong>Vines</strong> que, em total desespero, destruíram o palco, tentando que a comum comparação com o colectivo de <strong>Kurt Cobain </strong>justificasse a atitude. Do outro lado, um sereno conjunto de engravatados a branco e preto tinha ainda o desplante de dizer <i>Sabemos que vocês querem que toquemos mais. Mas não nos deixam!</i><br /><br />Neste tsunami de revivalismo rock que nos invadiu, os <strong>Hives</strong> foram a esécie que melhor representa o garage rock. Têm a atitude nórdica rock n' roll; têm bolas de energia, curtas e directas, a que chamam de canções; têm nomes adoptivos, tudo muito cool; e têm estilo. Muito estilo. Não são só os uniformes bi-colores, mas principalmente o vocalista, <strong>Howlin' Pelle Almqvist</strong>. Este demónio gritante é um <strong>Mick Jagger </strong>jovem, com a rebeldia e o freakout de <strong>Johnny Rotten </strong>- uma força da Natureza que enche o palco, canta (grita), pula, dança, cativa e seduz. Literalmente, faz amor com o palco!<br /><br />Agora surge o cerne da questão: e isto chega? E a música?<br />Os <strong>The Hives </strong>têm a escola e não se preocupam se cantam sobre o estado da nação ou o estado do bar da esquina. Mas quem é que quer saber o que diz <strong>Howlin' Pelle Almqvist </strong>quando este debita aquelas bolas de fogo? No entanto, falta ali qualquer coisa à música. Fossem todas como os singles <strong>Main Offender </strong>ou <strong>Hate To Say I Told You So </strong>e não se colocava esta pergunta. No entanto, não são.<br />Um concerto até pode ser apenas música, mas havendo uma componete visual bem explorada, passa-se para outro nível - o da glorificação/galvanização. Os <strong>The Hives </strong>começam pelo fim, ou seja, começam pela galvanização e só depois vem a música. Se resulta? Resulta, quando são cargas curtas de choque, porque se este se estende um pouco mais, começa a entrar em rotina. São assim os álbuns, que cansam de ouvir quando deviam era cansar de saltar. O garage rock é atitude, mas não é só riffs e gritos, o mais alto possíve. Há mais qualquer coisa. O quê? É o que eles têm de procurar, não chega de viver da imagem e da atitude ao vivo.<br /><br />É certo que não foram eles que inventaram a roda. Também é certo que eles sabem pô-la a rodar. Mas convém saber porque roda ela.<br /><br /><center><img src="http://www.dailyvault.com/thehives_veni.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Hate To Say I Told You So</strong>; Veni Vidi Vicious; 2000]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1109725189055598422005-03-01T16:58:00.000-08:002005-03-01T16:59:49.056-08:00A respeito do grande concertoEm contra partida aceito plenamente que as pessoas estejam 48 horas ou mais como foi o caso para comprar um bilhete. Se se está horas para adquirir o novo álbum para o ter quente nas mãos e se se está ainda mais à espera de entrar para um concerto só para se estar colado às grades e conseguir ver a borbulha ao canto da boca da personagem acima enquadrada (tanto fisicamente como espiritualmente já que naquela altura chegamos mesmo a pensar que aqueles senhores são donos do mundo e arredores), porque não estar mais ainda para comprar o dito bilhete que nos dá acesso àquilo porque muitos estiveram a vida toda à espera?! É uma escolha pessoal e pelos vistos foi a escolha de muitos e muitos que trocaram o calor das suas casas para o desconforto das pedras da calçada que passadas algumas horas já são grandes amigas e confidentes. Sem contar com o grande número de novos “amigos” que se fazem nesta incrível expedição ao sub mundo da dor.<br /> <br /> Outra das questões é o que as pessoas fazem de U2. Ora, é claro que me choca o que algumas pessoas fazem da sua própria cultura. Diria talvez o que as pessoas fazem à sua possível cultura. Mas assim como já não me choca que as pessoas ganhem dinheiro com a miséria, tanto humana como monetária de alguns, não me pode chocar que muitos ganhem dinheiro a vender bilhetes por um preço exorbitante. Este mercado só existe porque quem compra tem tanta moral como quem vende nestes casos. O que cada um faz com o dinheiro das suas carteiras já transcende todas as “movimentações maciças de gente por motivos culturais”. E se por ventura muitos deles vão ficar sem comer fartamente durante algum tempo só diz respeito à vontade que cada um tem ou não de martirizar o estômago.<br /> <br /> E só para acabar. Acho que já chega de fazer dos portugueses uns desgraçados só pelo simples facto de serem portugueses. É precisamente esse o pensamento que nos empobrece e que não nos deixa ver sobretudo para além do dinheiro envolvido nestas questões. O que está aqui em causa é sem sombra de dúvida um grande acontecimento quer ele esteja a ser enaltecido pelos meios de comunicação social ou não. E vai sobretudo valer a pena para todos aqueles que estiveram ao frio à espera do merecido bilhete.mezzaninehttp://www.blogger.com/profile/05885292293777994554noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1109706238024053562005-03-01T11:14:00.000-08:002005-03-01T11:50:32.900-08:00O concerto mais esperado do anoNão, não é o dos <strong>Soledad Brothers</strong> (porque o ano mal começou). E sim, há ironia impregnada no título.<br />Posto esta última consideração, posso afirmar que sim, o título é mesmo relacionado com o concerto dos <strong>U2</strong>, no estádio de Alvalade, em Outubro próximo.<br /><br />Sinceramente, e por mais que tente, não consigo entender esta febre que circunda o evento.<br />Os <strong>U2</strong> são inequívocamente uma boa banda, de créditos firmados. É certo que já tiveram melhores momentos, principalmente por alturas dos épicos <strong>Rattle And Hum </strong>ou <strong>Joshua Tree</strong>; nesta tentativa de regresso aos velhos tempos, depois da modernização encetada por <strong>Achtung Baby</strong>, <strong>All That You Can't Leave Behind </strong>é um disco razoável e <strong>How To Dismantle An Atomic Bomb </strong>é um álbum medíocre. Ambos os discos, curiosamente, têm títulos ridiculamente extensos. É carreira suficiente para marcar posição, mas nãó é motivo suficiente para uma febre destas, que fazem ser montados gigantescos acampamentos à porta das bilheteiras.<br />Digo isto porque não é a primeira vez que eles vêm ao nosso país (ao contrário do que acontecia com a raínha da pop, <strong>Madonna</strong>, o ano passado), nem a segunda, nem a terceira - por isso não se pode falar em novidade. Os <strong>U</strong>2 também não são os <strong>Rolling Stones</strong>, nem esta passagem tão pouco representa uma possível última digressão, como a última dos <strong>Stones</strong>, que parou em Coimbra, em 2003. Então porquê este aparato?<br /><br />Todos sabemos que o povo português gosta destas festas, que ainda por cima os possibilita montar arraiais destes. Foi assim com a <strong>Madonna</strong> e com os <strong>Stones</strong>, nos anos transactos e é agora com os <strong>U2</strong>. No entanto, não compreendo o porquê de tamanho fascínio, superior ao que se observou com o à volta da <strong>Madonna</strong> ou dos <strong>Stones</strong>. E se a <strong>Madonna</strong> tinha bilhetes a 50€ e os <strong>Stones</strong> a 40€, porque têm os <strong>U2</strong> bilhetes a 60€?<br />E depois vemos o <strong>Bono</strong>, ao lado de <strong>Tony Blair </strong>e de <strong>George W. Bush</strong>, em gigantescas cimeiras internacionais contra a pobreza, ao mesmo tempo que pede a um desgraçado dum português, cem contos para ir vê-lo cantar.<br /><br />É certo que já não há mega-concertos como havia antigamente e os <strong>U2</strong> são um dos últimos representantes. Os <strong>Stones</strong> também o são e num estádio em que as obrigatoriedades logísticas eram certamente mais caras, cobraram muito menos nas entradas. Porquê então 60€ pelo bilhete mais barato?<br /><br />O problema passa então pela massificação de espaço de antena que os media nacionais dedicam ao certame. É merecido, é certo, mas é demais e exagerado. E depois assistem-se a cenas lamentáveis como as da TVI, que hoje tentava já transformar a corrida aos bilhetes em caso de polícia, uma vez que uma das três bombas que vendiam bilhetes no Porto, tinha um menor número de entradas que as outras duas.<br />E é triste verificar que das muitas destas pessoas que acampam estoicamente à porta das bilheteiras, como se fosse uma tarefa hercúlea da qual todos nos temos que orgulhar, uma grande parte delas é para se dedicar à candonga e a outra grande falange é gente que só vai a um concerto por ano e que pensa que os <strong>U2</strong> começaram em 2000 e que não fazem ideia do que é o <strong>Unforgattable Fire</strong>.<br />Aos do primeiro grupo, apenas tenho a desejar que, tal como por alturas da <strong>Madonna</strong> e dos <strong>Stones</strong>, fiquem com os bilhetes encalhados e o dinheiro empatado.<br /><br />Quanto ao concerto, certamente não irei ver nestas condições. Ficarei a assistir pela televisão a este movimento enorme de público, como se Portugal fosse um país em que as movimentações maciças de gente por motivos culturais fossem uma realidade, não invejando os que lá vão estar.<br />E o <strong>Bono</strong> bem podia vir tocar ao meu quarto que eu já não o queria ouvir. E mesmo se ele me oferecer bilhetes para o concerto, eu vou ver os <strong>Keane</strong> (vómito) e a outra banda qualquer que vai dividir a abertura e depois venho-me embora. Só para ele ficar lixado comigo.<br /><br /><strong>PS- </strong>As audições próximas de lançamentos para breve remetem-se em dois álbuns que projectam boas indicações: <strong>Lullabyes To Paralyze </strong>e <strong>Devil's Playground</strong>. Vamos a ver...<br /><br /><center><img height="174" src="http://www.somlivre.pt/capas/056353.jpg" width="177" /></center><center> </center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Gloria</strong>; Horses; 1975]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1109445935351559362005-02-26T11:25:00.000-08:002005-02-26T11:29:39.976-08:00Demónios gritantesNasceu com o nome de <strong>Jalacy Jay Hawkins </strong>e com o pé esquerdo. Era preto e grande, no meio de quatro irmãos de mães diferentes, algures no meio dos Estados Unidos. A sorte não queria nada com ele, apesar de aos 14 anos já ser campeão amador de boxe do estado do Alasca. No entanto, uma tareia descomunal fê-lo não querer sequer reconquistar o título. Anos depois, embarcava para a Coreia, com uma arma ao ombro e um capacete na cabeça. Lá, uma granada atingiu-o de perto e o regresso à terra-mãe foi antecipado. A sorte continuava arredada e nem o seu gosto pelo canto lírico parecia agirar um futuro agradável. <strong>Jalacy Jay Hawkins </strong>era "preto e pobre" e tinha que ganhar dinheiro rápido. E a ópera não chega aos tops.<br />Decidiu então ter aulas de canto e os caprichos do destino puseram-no em contacto com uma mulher gorda que bebia dois tipos de whisky diferentes ao mesmo tempo, num qualquer bar esquecido por Deus. Ao pé dela, um elefante tinha o diâmetro de um lápis". Disse-lhe para exorcizar os demónios, "Grita, meu lindo, grita". E ele gritou. E nasceu <strong>Screamin' Jay Hawkins</strong>.<br /><br />A sua carreira musical ficou na maioria das vezes ligada ao esoterismo, ao horror e à extravagância. Quando é lembrado, normalmente são pelas suas actuações a sair de dentro de um caixão, com uma caveira enfiada na bengala, ao ritmo de explosões e fogo-de-artifício, em espectáculos de dráculas e lobisomens. È assim que devia ser recordado? Também, mas não só! <strong>Screamin' Jay Hawkins </strong>tinha uma voz fantástica, que quando gritou a mando da mulher gorda, libertou-se dos fantasmas passados; mas com o preço de se ter tornado ele próprio um demónio. Um demónio gritante, com uma voz de barítono que destrambulhava ao bom estilo avant-garde, num jazz bluesly. Ou seria num blues muito jazzy? Não interessa, era tudo música do demo.<br /><br />Outro demónio gritante é <strong>Steven Tyler</strong>. Ou pelo menos, ele próprio assim se intitula. Não se sabe se assinou algum acordo com Satanás ou outro anjo errante, mas o que é certo é que a sua carreira musical esteve por um fio. No entanto, a sua voz sempre esteve lá.<br />Os <strong>Aerosmith</strong> foram uma boa banda. Nos resquícios da década de 70, surgiram em terras do Tio Sam com o álbum homónimo, a evocar os <strong>Stones</strong> e os <strong>Led Zeppelin</strong>. As comparações com os primeiros foram inevitáveis: havia um vocalista que também enchia o palco, um guitarrista que se punha ao microfone ao estilo de <strong>lord Richards</strong>, um baixista loiro que parecia <strong>Brian Jones</strong>. E rock n' roll. Muito rock n' roll. Numa década tiveram um interessante percurso na auto-estrada 66, mas depois o convívio apertado com as drogas deitou tudo a perder. Só nos anos 80, um inesperado dueto com um trio rap os iria reerguer. Mas o destino estava traçado para um rock patriota, por vezes a pender o mainstreem, por outras a entrar pelo pastelão. Prefiro recorda-los com <strong>Toys In The Attic</strong>, por exemplo. <br /><br />No entanto, mantem-se a voz inconfundível de <strong>Steven Tyler</strong>. Não só tem estilo, como tem uma voz de demónio gritante: capaz de levantar os mortos, capaz de estabelecer contacto com o outro mundo. Uma voz promíscua, que desperta a líbido e faz o rock n' roll ser novamente a música do demo. Só por causa disso, vale a pena existirem os <strong>Aerosmith</strong>.<br /><br /><center><img src="http://lightmellow.livedoor.biz/b35d7326.gif"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Big Ten Inch Record</strong>; Toys In The Attic; 1974]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1108764898682871572005-02-18T13:28:00.000-08:002005-02-18T14:17:18.206-08:00O vírus da idade<i>Time Waits For No One</i>, ou, o tempo não espera por ninguém, já cantava <strong>Mick Jagger </strong>em 1974. O passar do calendário repercute-se em todos nós, sejamos santos ou diabos, pecadores ou misericordiosos, cantores ou políticos. <br />Com o passar do tempo, o corpo começa a vergar-se ao peso dos anos e fica mais vulnerável a enfermes. No caso dos músicos, o caso é ainda mais grave, porque são ameaçados por um outro vírus, dos quais fogem como o diabo da cruz - o chamado vírus da idade. <br /><br />Se nunca ouviu falar desta doença, não se admire, nem tão pouco entre em preocupações, pois tal é extremamente normal. Devido ao receio que este vírus incute nas pessoas, a sua menção é muito rara à boca chei. E a partir de uma certa idade, é quase inevitável nos músicos. Mesmo os mais saudáveis, que estamos habituados a ver cheios de garra e criatividade, são susceptíveis a tal praga. Ninguém sabe como é transmitido, mas presume-se que só afecte os bons artistas musicais. E digo presume-se, porque mesmo que afecte os maus artistas, tal efeito é pouco, ou mesmo nada perceptível nos mesmos.<br /><br />E quais são os sintomas de quem padece de tal vírus? <br />O músico pode ter tido a maior carreira musical que podia sonhar na adolescência, que mesmo assim não escapa ao vírus. Com efeito, a partir de uma certa idade, este ataca-o e debilita-o. Essa debilidade rapidamente é detectada no próximo álbum do artista afectado. Depois de um par de álbuns bem agradáveis ao ouvido, o artista enfermo começa a compor discos de qualidade inferior. No entanto, a debilidade não fica por aqui e a qualidade dos álbuns posteriores continua a decair até bater no fundo, podendo mesmo recorrer a colaborações com outros músicos infectados, ou mesmo - pasme-se - com maus artistas. Então, tudo o que saia sob o nome do artista infectado não são mais do que grandes pastelões insonsos e sem açucar, destinados à radio devido ao seu carácter orelhudo e radiofriendly e destinados a colocar o artista noutros patamares.<br /><br />Se não está a ver ninguém afectado pelo vírus da idade, refresco-lhe a memória com um dos casos mais gritantes - <strong>Stevie Wonder </strong>nasceu para a música em 1963, agarrado a um piano e desprovido de visão, o que lhe aumentava a sensibilidade nos outros sentidos. O seu piano descarregava doses industriais de um soul e funk viciante e a sua presença era sinónimo de uma noite cheia de groove. Rapidamente se tornou referência incontornável no soul e no funk e também no reggae e nos blues. Agoirava-se um futuro radioso para <strong>Stevie Wonder</strong>, um percuso sem obstávulos até ao pedestral destinado aos grande snomes da música.<br />Puro engano! O que as pessoas se esqueciam é que <strong>Stevie Wonder </strong>também envelhecia e com o envelhecer do corpo e da mente, ficava susceptível a apanhar o vírus da idade. E não conseguiu escapar. Logo após a primeira picada, a qualidade dos seus álbuns começou a decair, até que bateu no fundo com o pastelão <strong>I Just Called To Say I Love You</strong>, destinado a românticas quarentonas e a uma mulher de vermelho.<br /><br />Outro caso que vou referir é bem mais recente, mas não menos preocupante.<br />Ainda deve estar no imaginário e no ouvido de cada um, uma das mais interessantes bandas que surgiram na década de 80, fundindo no mesmo caldeirão punk, ska e new wave. Esta improvável combinação deu nos <strong>The Police</strong>, uma banda profícua e interessante. No entanto, o vírus da idade colheu um dos membros da banda na altura mais indesejada: no auge da banda. <strong>Sting</strong>, afectado pela doença apesar de ainda novo, canta de cisne em <strong>Synchronicity</strong> e deixa os restantes dois membros dos <strong>Police</strong> órfãos, enverdando pela carreira a solo. E rapidamente, empilham-se os discos de qualidade duvidosa, sempre a decair, até tropeçar nas baladas intermináveis, para gáudio das tardes da rádio nacional.<br /><br />Como estes dois, são muitos outros os casos que poderia referir. São fáceis de identificar.<br />E não haverá cura para o vírus da idade? Não está confirmado, mas pelo menos parece ser possível enganar o bicho das suas influências maléovolas. Ora vejamos <strong>Eric Clapton</strong>. <br />Um dos últimos deuses da guitarra ainda vivo, mal desceu dos céus, começou a dar cartas no mundo musical, primeiro com os inovadores <strong>Cream</strong>, depois com a referência <strong>Derek And The Dominos </strong>e por fim, a solo. No entanto, depois de uma fase complicada de enclausuramento na prórpia casa, refém da heróina e da cocaína, <strong>Clapton</strong> reabilitou-se para a vida e para a música. Porém, faltava-lhe ser atingido pelo flagelo do vírus da idade.<br />Acontece em plena década de 80 e <strong>Eric Clapton </strong>chega mesmo a recorrer, desesperado, a outro músico vítima do mesmo vírus - <strong>Phil Collins</strong>. É talvez com <strong>Behind The Sun </strong>que <strong>Clapton</strong> começa a querer vencer a enfermidade. E depois de alguns melhoramentos e algumas recaídas, o mago da guitarra começa a enganar o vírus da idade, reagindo como se fosse mais novo: pede boleia a outro <i>rei</i>, faz mesmo uma vénia ao "pai" <strong>Johnson</strong> e reanima os <strong>Cream</strong>. De momento, parece não estar afectado. Mas curado realmente? Impossível dizer, só o tempo o dirá.<br /><br />O vírus da idade é assim um flagelo tremendo para os músicos. No entanto, apesar de raras vezes, o músico consegue mesmo passar incólume ao bicho, isto se a sua carreira permitir, claro. <br />Há ainda outras situações, em que parece que o músico está afectado, mas que tal é só uma ilusão de nossa parte. Normalmente, são indecisões de índole pessoal. Por exemplo, <strong>Paul McCartnney </strong>desde o fim dos <strong>Beatles</strong> que parece confuso. Ou então <strong>Mick Jagger</strong>, que por vezes esquece-se do talhante que é nos <strong>Stones</strong> e pensa que é cantor romântico.<br /><br /><center><img src="http://ubl.artistdirect.com/Images/Sources/AMGCOVERS/music/cover200/drd800/d845/d84571j984x.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Fingertips Pt 1 $ 2</strong>; At The Close Of A Century; 1962]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1108304123071242062005-02-13T06:08:00.000-08:002005-02-13T06:15:23.073-08:00Blues fotográficosAntevendo uma grande noite de música no <strong>Santiago Alquimista</strong>, com os <strong>Dead Combo </strong>(os portugueses) e os <strong>Bunnyranch</strong>, a <strong>FNAC</strong> do Chiado aproveitou para assinalar o lançamento oficial do livro de fotografias do <strong>The Legendary Tiger Man</strong>, <strong>In Cold Blood - A Sangue Frio</strong>.<br /><br /><strong>In Cold Blood - A Sangue Frio </strong>é um objecto magnífico. Uma encadernação imponente a preto, com as lombadas a roxo, qual <strong>Medo</strong> de <strong>Al Berto </strong>ou mesmo qual <strong>Bíblia</strong>, que é mais do que um simples livro de fotografias: é um álbum de memórias de uma certa personagem musical, que ainda tem o bónus de conter um CD de remisturas.<br />Da conversa com os intervenientes, ficou-se a saber que este objecto, apenas por ser um livro com um CD incluído, conta com uma taxa a cobrar sobre o autor que não chega a um terço da que seria cobrada, se porventura, o objecto fosse um CD com um livro. A conclusão? Portugal é um país que descrimina as formas de arte, em que uns são filhos e outros enteados. A solução? São as bandas nacionais começarem a lançar os seus discos dentro de um livro em branco...<br />Voltando ao livro em si. Fotografado por <strong>Pedro Medeiros</strong>, <strong>In Cold Blood </strong>é uma compilação de quatro narrativas, com um imaginário muito peculiar, que tem como personagem central um certo lendário homem-tigre, em registos de fábula de imaginário musical. Como o próprio afirmou, são blues fotográficos. E imperdíveis.<br /><br />A fotografia e a música são duas formas de arte bastante apelativas e interessantes (pelo menos na minha opinião), pela sua expressividade e pela introspecção pessoal que proporcionam. Quando ambas se fundem, o resultado é sempre bastante interessante. E se a forma de fusão é tão interessante e criativa como neste caso, o resultado é cativante, viciante e obrigatório. <strong>Pedro Medeiros </strong>consegue captar toda a essência daquelas fábulas demoníacas a tons de blues, seja pelo imaginário do rato Mickey e do Natal, seja pela escala grandiosa da mulher-toureiro a dar a estucada final no homem-touro/demónio, no centro de uma arena deserta, qual coliseu do Olimpo sob os olhos dos deuses.<br />Acoplado a este conjunto de postais coloridos, segue ainda um CD de remisturas do último álbum do <strong>Tigerman</strong>, <strong>Fuck Christmas I Got The Blues</strong>, entregue a mãos de gente tão díspar como os <strong>Bullet</strong> ou <strong>D-Mars</strong>. Um registo interessante no desconstrutivismo do blues por mãos electrónicas.<br /><br /><center><img src="http://www.cdgo.com/capas/c_2552391.jpg"></center><br /><center>[Banda Sonora - <strong>Big Black Boat Dancin' Days Mescla para Discoteca</strong>; In Cold Blood...; 2004]</center>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1108294114784587902005-02-13T03:25:00.000-08:002005-02-13T03:32:05.963-08:00Tributo<center><img src="http://home.datacomm.ch/mik/ba/h/hawkins_jay/pics/hawkins_1996_002.jpg" /> </center><div align="center"><strong>1929-2000</strong> </div><center></center><div align="justify"><br />Fez ontem quatro anos desde o desaparecimento de Screamin' Jay Hawkins, um dos nomes incontornáveis da música, do blues e do rock e o maior feiticeiro voodoo dos palcos.<br /><em>Ele pôs-nos um feitiço!</em></div><div align="justify"> </div>dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1107726450125432472005-02-06T13:41:00.000-08:002005-02-06T13:48:36.830-08:00Tributo<center><img style="WIDTH: 329px; HEIGHT: 441px" height="464" src="http://www.drjazz.ch/album/bilder/marley33a.jpg" width="356" />
<br /></center><center><strong>1945-1981</strong></center>
<br />Se ainda fosse vivo, faria hoje 60 anos.
<br />Quando morreu foi enterrado juntamento com a sua Gibson e a Bíblia - dois símbolos do que foi a sua vida: a música e a fé!
<br />dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1107631539902186592005-02-05T10:43:00.000-08:002005-02-05T11:27:08.100-08:00A música puraHá uma afirmação (dita por mim) que defende os <strong>White Stripes </strong>como, quiçá, a banda mais interessante a aparecer na última década, afirmação cuja validade não me apetece discutar de momento.
<br />O motivo pelo qual a puxo prende-se com a própria música dos <strong>White Stripes</strong>. Muito já se falou dela, muita tinta já correu por linhas intermináveis de texto e vários quilómetros de papel já foram gastos em (tentativas de) descrições do som do duo de Detroit; e mesmo assim, ainda muito há para escrever.
<br />Resumidamente, os <strong>White Stripes </strong>foram preponderante no tal revivalismo rock encabeçado pelos <strong>Strokes</strong>, que assaltou o Mundo, ávido por novas revelações, mesmo que estas sejam apenas relampejos do passado, tomado como presente e logo futuro.
<br />Os <strong>White Stripes </strong>são um duo que utiliza apenas a guitarra e a bateria (e as teclas, ocasionalmente) para reviver um blues genuíno de histórias cantadas, original e minimalista, em moldes pouco convencionais do que até então estavamos habituados.
<br />São muitos os que se vergam perante os irmãos <strong>White</strong> (mesmo que já tenham sido casados, serão sempre chamados de irmãos), boquiabertos com a sua originalidade e inovação ao transportarem o blues num registo minimalista pousado no binómio guitarra/bateria. Terão essas pessoas razão, será esse molde tão original assim?
<br />
<br /><strong>Jack Splash </strong>é o cabecilha do trio <strong>Plantlife</strong>, uma das grandes revelações do ano transacto do funk. Os <strong>Plantlife</strong> são uma banda que faz hip-hop para quem não gosta de hip-hop e que dá uma lição de funk aos que gostam de hip-hop. Se existe uma cena invisível e não palpável, que é onde se encontram os <strong>Outkast</strong>, especialmente a facção <strong>The Love Below</strong>, de <strong>Andre 3000</strong>, os <strong>Plantlife </strong>são o passo natural evolutivo seguinte.
<br />Ouvir <strong>The Return Of Jack Splash</strong>, o álbum debutante deste trio norte-americano, é o mesmo que escutar simultaneamente o funk de <strong>James Brown</strong>, de <strong>Sly & The Family Stone</strong>, de <strong>Prince</strong>, ou dos <strong>Parliament</strong>, numa fusão de funk-soul-disco estranha, mas eficaz.
<br /><strong>Jack Splash </strong>disse recentemente, em entrevista, que não se sente ofendido com tais comparações, apenas se sentiria se dissessem que os <strong>Plantlife</strong> se resumiam a um nome específico. Justifica-se perante tal posição afirmando que não existe música pura, que tal é um mito. Todos têm influências, só que no tempo dos <strong>Beach Boys </strong>ou dos <strong>Beatles</strong>, tal não era referido devido ao reduzido acesso à música em geral. <strong>Jack Splash </strong>dá mesmo o exemplo concreto das influências country na música do mestre da soul, <strong>Stevie Wonder</strong>, ou das influências soul no deus do rock, <strong>Jimi Hendrix</strong>.
<br />Estará essa ideia certa, será a música pura um mito e uma utopia?
<br />
<br />Podem ser falsas até ambas as questões, mas foram um óptimo pretexto para puxar à conversa o que realmente queria: os blues do Delta!
<br />Todos sabemos que os blues nasceram nos campos de algodão do Mississipi, quando os afro-americanos começaram a lamentar-se à lua e ao demónio das suas tristes sinas, com uma velha guitarra a tira-colo como veículo das lamúrias. Esses blues tiveram vários filhos, alguns bastardos, que se multiplicaram como manda o versículo bíblico: <em>Multiplicai-vos!</em>.
<br />Assim, desse berço que o foi o Delta do Mississipi, foram paridos vários nomes que, apesar da sua importância para a história da música, raramente são mencionados, ou mesmo conhecidos. São estes nomes que influenciaram um certo <strong>Howlin' Wolf </strong>ou mesmo um certo <strong>Robert Johnson</strong>, o qual assume muitas vezes a paternidade da música.
<br />
<br />Chegamos aqui à primeira questão que levantei no princípio deste ensaio. Os <strong>White Stripes </strong>são, sem dúvida, a mais importante banda da última década, nem que seja unicamente pelo facto de terem resgatado das trevas do esquecimento comum, os blues do Delta. Nomes como <strong>Leadbelly</strong> ou <strong>Son House</strong>, são frequentemente, reanimados pela boca de <strong>Jack White</strong>, sejam nas suas versões, sejam nas suas próprias canções originais. E o rock/blues minimalista do duo de Detroit não é mais que a evolução directa dos blues do Delta, electrificado e sujeito ao filtro da revolução industrial. É o passo evolutivo seguinte, tal como são os <strong>Plantlife</strong> em relação à barra evolutiva do funk, logo a seguir aos <strong>Outkast</strong>. E chegamos aqui à segunda questão.
<br />É verdade que os até os <strong>Beatles</strong> e os <strong>Beach Boys </strong>tinham as suas influências. E antes deles? Haveria música pura?
<br />Ouvir os lamentos da guitarra e da voz de falsete de <strong>Skip James</strong>, as histórias narradas ao ritmo de uma guitarra e uma garrafa de whisky de <strong>Blind Willie McTell</strong>, ou a voz à capela de <strong>Son House</strong>, não é a forma mais pura da música popular contemporânea? Virgens dos ruídos de outras influências, os blues do Delta soavam a testemunhos, cuja veracidade era atestada apenas pela viola acústica.
<br />E se conseguirmos abstrair-nos, por entre os estalidos do vinil envelhecido (porque as remasterizações em CD destes artistas não são mais do que sacrilégios), conseguimos ouvir toda a pureza da música.
<br />
<br /><center><img src="http://image.allmusic.com/00/amg/cov200/drf900/f961/f96151mxvup.jpg"></center>
<br /><center>[Banda Sonora - <strong>John, The Revelator</strong>; The Delta Blues; 2003]</center>
<br />dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1107249542554510582005-02-01T01:02:00.000-08:002005-02-01T03:22:29.373-08:00Aviso aos mais distraídosDe regresso a estas lides literárias com maior frequência (promessa!), apetece-me alertar para uma banda que tem deambulado pelas vielas escuras do desconhecimento e que neste último mês, tem morado no meu rádio cá de casa, qual paixão arrebatadora primaveril.
<br />Esta deambulação por tais vielas, deve-se simplesmente, ao facto de ainda não terem lançado nenhum registo oficial - apenas uma maquete homónima e um concerto dado em directo na Antena3, que circula por aí no circuito "alternativo". No entanto, convém começar a alertar os mais distraídos para a iminência do lançamento de um disco por parte destes dois senhores.
<br />Tal aviso assume ainda maior evidência, se tivermos em conta o recente sucesso de duas bandas nacionais, que almejaram relativo (e merecido, diga-se) sucesso, no ano transacto, com um registo sensivelmente semelhante ao da banda em causa: falo dos <strong>Dead Combo </strong>(os portugueses, não os finlandeses, claro - falarei destes outro dia) e do <strong>Quinteto Tati</strong>.
<br />
<br />Chega então de suspense, visto ter chegado a altura de revelar a identidade até então escondida, de tão bem sucedida banda. Rufam os tambores e dois nomes são destapados: <strong>Nuno Nico</strong>.
<br />Para quem não sabe, este duo é composto por <strong>Nuno Prata</strong>, ex-baixista dos <strong>Ornatos Violeta</strong>, e pelo percussionista francês <strong>Nicolas Tricot</strong>. Costumo volver e revolver as ideias, ao tentar entender porque raio acabaram os <strong>Ornatos</strong>, uma das maiores bandas portuguesas de sempre, em detrimento de alguns projectos de pouco valor: os <strong>Grace</strong> são fraquinhos e os <strong>Pluto</strong> quedam-se pela mediania.
<br />No entanto, tal ideia já foi abandonada, após escutar este projecto, <strong>Nuno Nico</strong>.
<br />
<br />Num registo acústico, este duo luso-francês move-se num universo de bossa nova e jazz, com uma sonoridade de raíz portuguesa, com uma forte influência de <strong>Ornatos Violeta </strong>- as letras, tocantes e profundas, a que <strong>Nuno Prata </strong>dá voz (e guitarra e baixo), ilustradas pelo minimalista e verdadeiro homem dos sete instrumentos, <strong>Nico Tricot</strong>, que deambula por entre a percussão, a flauta, o metalofone e, pasme-se, o kazoo, este magnífico instrumento, injustamente caído no esquecimento geral.
<br />Basicamente, são um conjunto de lindas canções. Apenas isso, apenas canções...
<br />
<br />Este aviso aos distraídos transmuta-se agora, num apelo a todos, em geral - é urgente descobrir este projecto! E numa altura em que as atenções parecem começar a virar-se para Setúbal e para um colectivo chamado <strong>Mazgani</strong> (e ainda bem!), por força da atenção francesa, é conveniente não ignorar o que estes rapazes andam a fazer.
<br />
<br /><strong>PS- </strong>Os <strong>Act-Ups </strong>foram convidados para o <strong>Freakland Festival</strong>, um dos maiores festivais de Espanha. E logo como cabeças de cartaz, ao lado dos norte-americanos <strong>Soledad Brothers</strong>! Depois do apoio incondicional aos <strong>Bunnyranch</strong>, vamos ver se a imprensa portuguesa abre os olhos a este evento.
<br />
<br /><center><img src="http://www.divergencias.com/news/images/news_1292.jpg"></center>
<br /><center>[Banda Sonora - <strong>Nada É Tão Mau</stronG>; Maquete; 2004]</center>
<br />dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1106352443435887492005-01-21T15:32:00.000-08:002005-01-21T16:09:30.506-08:00Pais, filhos e filhasDeparo-me com uma certa dificuldade, quando após um comentário elogioso acerca de alguma banda, me perguntam por desconhecimento de causa, <i>que tipo é isso?</i>.
<br />Aconteceu-me recentemente com os <strong>The Kills</strong>.
<br />
<br />É extremamente redutor colocar rótulos nas bandas, o que não deixa de ser porém, uma tarefa inevitavelmente necessária, por questões de comodidade. No entanto, o que dizer acerca dos <strong>The Kills</strong>, quando confrontados com tal questão? Que é algo que paira entre algo garage rock-punk-blues num registo lo-fi? Que significa isso? E neste caso, também não ajuda muito a comparação, porque os <strong>The Cramps</strong> também eram algo que podia assentar nesse rótulo e que no entanto diferem dos <strong>The Kills</strong>, como a água difere do azeite.
<br />
<br />Por isso o melhor será mesmo comprarem os álbuns. E os <strong>The Kills </strong>acabam de lançar <strong>No Wow</strong>, o novo registo de originais. Após uma primeira audição, o disco compacto cola-se como por magia ao leitor de CD's, pedindo por repetidas audições.
<br />Por alguma razão, <strong>No Wow </strong>parece um registo completamente diferente de <strong>Keep Your On The Mean Side </strong>- talvez devido ao início do disco, numa linha de baixo hipnótica ao ritmo de uma batida ziguezagueante. Mas rapidamente percebemos que o duo continua em forma.
<br />
<br />Os <strong>The Kills </strong>são uma parelha que se complementa, numa cumplicidade promíscua, em que os blues flirtam com o rock descaradamente, num beco escuro e frio, transformando aquela relação em algo sombrio, mas extremamente sedutor e excitante. Foder em vez de fazer amor, já se escreveu por aqui.
<br />Em <strong>No Wow </strong>há mais condimentos nesta relação: há lágrimas mal carpidas e resquícios de noites mais selvagens. Ou seja, <strong>No Wow </strong>continua a ser blues-rock à velocidade do som, entre dois amantes unidos por laços de sangue e música. E continua a soar a algo gloriosamente barato e sujo.
<br />
<br /><i>Algo gloriosamente barato e sujo</i>. Não é isto nada mais do que o rock n' roll, reduzido aos seus elementos mais básicos? Então porque é que se simplesmente dissermos que os <strong>The Kills </strong>são uma banda de rock n' roll, com raízes no blues, sentimos automaticamente que não é uma descrição suficiente?
<br />
<br />Filhos do mesmo pai, mas de mãe diferente, surgem uns tais de <strong>Sons And Daughters</strong>, que apresentam o seu cartão de visita sob a forma do EP, <strong>Love The Cup</strong>. Jogam com os mesmos trunfos que os <strong>The Kills </strong>e ao rock e ao blues, acrescentam ainda o folk e o country. Não admira então que uma das faixas se chame <strong>Johnny Cash</strong>; o Homem de Negro não se iria importar.
<br />Os <strong>Sons And Daughters </strong>deambulam por entre vozes masculinas e femininas, num registo minimalista de espírito blues, numa qualquer briga de bar, regada a whisky.
<br />
<br />O blues e o rock não precisam de grandes meios para respirar. Talvez porque o blues não vive, verdadeiramente: sobrevive!
<br />Numa atitude desesperada, num futuro quando falar acerca dos <strong>The Kills </strong>ou dos <strong>Sons And Daughters </strong>e me fizerem a fatidica pergunta, responderei que são uma banda barata e suja, blues e rock. E mais não digo!
<br />
<br /><strong>PS- </strong>A <a href="http://www.aputadasubjectividade.net">Puta</a> volta a atacar. Ainda bem!
<br />
<br /><center><img style="WIDTH: 167px; HEIGHT: 160px" height="225" src="http://images-eu.amazon.com/images/P/B0006OR134.02.LZZZZZZZ.jpg" width="256" /></center>
<br /><center>[Banda Sonora - <strong>Love Is A Deserter</strong>; No Wow; 2004]</center><center></center>
<br />dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1105819655214393112005-01-15T11:41:00.000-08:002005-01-15T12:08:37.496-08:00Ensaio jurássicoVemos hoje em dia, por norma quase pré-estabelecida, serem apelidados de "dinossauros" aquela que é a maior banda de rock n' roll do Mundo, os <strong>Rolling Stones</strong>. Esta adjectivação entende-se facilmente, devido à longevidade da carreira do antigo quinteto, actualmente quarteto inglês. No entanto, não será esta classificação impertinente e desajustada? Ora vejamos.
<br />
<br />Podemos afirmar seguramente que esta adjectivação é de natureza positiva e elogiosa - uma banda que consegue manter uma carreira com quatro décadas de actividade mais ou menos interrupta, sempre com um fulgor acima da linha que separa as grandes bandas das outras medianas é obra. Mas a figura do dinossauro não se limita ao factor temporal.
<br />
<br />Os dinossauros eram animais de grande porte, de sangue frio, que habitaram a Terra há milhões de anos atrás, muito antes do Homem e do mamífero. No entanto, por razões concretamente desconhecidas, extinguiram-se. E quaisquer que sejam essas razões, o que é certo é que foi por questões de adaptação. O dinossauro era um animal de fraca adaptabilidade, devido ao seu grande porte e isso certamente, limitou e escreveu o seu futuro.
<br />Se estabelecermos agora a comparação entre os <strong>Rolling Stones </strong>e estes animais jurássicos, percebemos que segundo estes termos, ela não está correcta. Ora, se uma banda sobrevive à selva que é a indústria musical internacional, durante quarenta anos sem pôr um ponto final à sua carreira, é porque a sua versatilidade é patente. Por isso, a banda de <strong>Mick Jagger </strong>e <strong>Keith Richards </strong>não pode nunca ser um dinossauro.
<br />
<br />Os dinossauros extinguiram-se porque não souberam evoluir, nem adaptar-se às modificações de um planeta em constantes mutações. Os <strong>Stones</strong> souberam manter-se à tona de água, em temros musicais, porque souberam camufular-se nessas mutações.
<br />Às vezes com mais, outras vezes com menos fulgor, os <strong>Stones</strong> sempre se mantiveram fiéis às suas raízes e origens, absorvendo outras influências de estilos musicais que se atravessaram no seu caminho, seja a new wave electrónico dos anos 80 de <strong>Emotional Rescue</strong>, ou o reggae jamaicano de <strong>Dirty Work</strong>, por exemplo.
<br />Não são por isso dinossauros.
<br />
<br />Os verdadeiros dinossauros do rock serão então aqueles que não souberam evoluir e que se afundaram no marasmo musical actual. Aqueles cuja carreira musical só ainda não terminou na cabeça dos próprios membros, que teimam em enverdar por digressões inconsequentes e álbuns descabidos. Posso preencher este espaço dedicado a um nome, com os <strong>UB40</strong>, mas muitos mais haverão, o leitor saberá escolher melhor.
<br />
<br />Os dinossauros extinguiram-se porque não gravaram mais nada de realce.
<br />Os <strong>Stones</strong> lançaram <strong>Four Flicks </strong>em 2003, um dos DVDs musicais de maior realce dos últimos tempos.
<br />
<br /><center><img height="146" src="http://images.google.pt/images?q=tbn:tkG28ctWuF8J:www.michaeldvd.com.au/CoverArt/10111.jpg" width="114" /> </center><center> </center><center>[Banda Sonora - <strong>Worried About You</strong>; Four Flicks; 2003]</center>
<br />dermothttp://www.blogger.com/profile/04123770946187963873noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8119133.post-1105211244754892872005-01-08T10:18:00.000-08:002005-01-08T11:52:18.973-08:00O Rei faz anosSe fosse vivo, <strong>Elvis Presley </strong>completaria hoje 70 anos.
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<br />Artista ímpar, cantor incomparável, ícone de uma geração, marca intemporal, influenciador, agitador e inovador. <strong>Elvis</strong> foi tudo isto e mais ainda. Mas para alguns, uma curta minoria, continua a ser um plagiador, um usurpador, um imitador e um excelente interpretador de canções alheias.
<br />Seja qual for a convicção, o que é certo é que <strong>Elvis Presley </strong>foi um artista como poucos houveram até hoje, que vincou a música por uma certa zona, alterando-a e modificando-a para o rumo que tomou até hoje. Dono de uma voz inconfundível e vibrante, era principalmente, um animal de palco, uma máscara de carisma em que bastava apenas um gemido para pôr uma multidão em delírio. Uma voz talvez só comparável com a de <strong>Johnny Cash</strong>, tais eram os seus efeitos. E que será sempre recordado como o Rei. O Rei do rock n' roll. E o rei da música como a conhecemos hoje.
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<br />É certo também que a carreira de <strong>Elvis</strong> foi pulvilhada de incongruências; uma carreira cheia de altos e baixos, que não atingiu voos mais elevados devido aos rumos errantes que escolheu; uma carreira cheia de escolhas erradas, que só pode servir de mau exemplo para qualquer artista que procure um futuro minimamente proveitoso. Mesmo assim, chegou para alcançar o topo e ser coroado rei. Talvez isso queira dizer alguma coisa.
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<br />Não há dúvidas que <strong>Elvis Presley </strong>não inventou o rock. Este já existia e já antes dele, havia quem o cantasse. A maioria das grandes canções que deram projecção a <strong>Elvis</strong> não eram mais do que versões de outros artistas, na maioria negros, que apenas alteravam a velocidade. No entanto, era impensável para a altura, um negro alcançar a popularidade que poderia ter alcançado. O que não impediu que gente como <strong>Little Richard </strong>seja hoje vista como um dos pais do rock.
<br />No entanto, <strong>Elvis</strong> teve o condão, não só de dar projecção ao rock n' roll, mas de o tornar acessível a todos. O rock n' roll era sinónimo de ritmo, de dança e de corpos a mexer; e corpos a mexer eram sinónimo de promiscuidade. Não era assim de estranhar que o rock n' roll fosse tomado como a música do Diabo. <strong>Elvis</strong> assumiu assim, sem problemas, a face do Diabo, o que lhe permitiu ser odiado por muita gente. Mas em compensação, era amado por muitas mais. E a sua abordagem ao rock n' roll foi única. <strong>Elvis</strong> não é só o Rei por ter tocado rock n' roll primeiro que os outros brancos; é o Rei pela maneira que o cantou. Com luxúria, malícia, sensualidade... Com o próprio rock n' roll na alma.
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<br />No entanto, <strong>Elvis</strong> não se contentava com o que tinha - e ele tinha tudo. Queria o cinema! E apesar do seu estatuto lhe ter permitido alcançar a sétima arte, o que é certo é que o seu talento representativo não se igualava minimamente ao musical.
<br />O seu registo cinematográfico quedou-se por uma mão cheia de filmes que variavam entre o medíocre e o razoável, acabando por tomar sempre o papel de si próprio, ou seja, de estrela musical, em que as produtoras aproveitavam para fazer mais alguns trocos com a figura do Rei a cantar mais algumas cantilenas.
<br />O cinema trouxe a desilusão a <strong>Elvis</strong>. Mas trouxe também a saturação pela música. E foi este o seu primeiro erro. Mas que mesmo assim teve o condão de ser a génese de algo que hoje tomamos como normal - o teledisco.
<br />No entanto, era o princípio do fim.
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<br />Compreensivelmente, a música já não lhe dizia nada. E <strong>Elvis</strong> alistou-se na tropa. O governo esfregou as mãos de contente e não tentou salvaguardar o seu maior ícone: ter o maior ícone juvenil e não só alistado de livre vontade no exército, era a maior campanha de propaganda que não imaginariam nem nos melhores sonhos.
<br />Os fãs temeram o pior. E o pior aconteceu, mas não como esperariam. É verdade que <strong>Elvis</strong> regressou são e salvo, mas voltara piegas e romântico. Estava apaixonado, era o amor, dirão uns. Seja o que for, Elvis atraiçoara a própria música. Tinha perdido a rebeldia, o inconformismo, o carisma... Tinha perdido o rock n' roll.
<br />Os fãs torceram o nariz às várias tentativas de regresso e <strong>Elvis</strong> também não soube escolher o melhor caminho. As suas tentativas foram na maior parte das vezes fugas para a frente. E aproveitando o seu carisma sexual e a sua voz fenomenal, acabou por esgotar os últimos cartuchos inflando tudo o que a sua carreira anterior tinha possibilitado, terminando musicalmente nos espectáculos tristes de Las Vegas.
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<br />Quem diria que o jovem rebelde que cantava o amor, a liberdade, o sexo e a velocidade, ia ser o mesmo homem, pejado de lantejoulas, que se arrastava pelos palcos no recreio da América, destroçando corações de viúvas e românticas complexadas, depois de ter tido meio mundo feminino aos pés? Daí preferirem acreditar que aquele não era o verdadeiro <strong>Elvis</strong>. Que o verdadeiro tinha fugido para o refúgio de uma ilha deserta algures no Pacífico. E que ainda hoje continua vivo. Porque é melhor matar um ídolo na melhor altura em que o vimos, para termos dele a melhor das recordações, do que acompanhar a sua decadência.
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<br /><strong>Elvis</strong> deixaria ainda mais meia dúzia de boas canções, mas longe da genialidade dos seus tempos de rockstar. Como legado, tinha deixado a importante figura da estrela rock e do próprio rock.
<br />Conta a sua mulher, que ao verem um concerto de <strong>Rod Stewart</strong>, <strong>Elvis</strong> exclamou assustado, ao ver o ex-vocalista dos <strong>Faces</strong> a entrar em palco vestido de lantejoulas e maquilhado, "Meu Deus, o que eu criei". <strong>Elvis</strong> criou o rock n' roll! Mas o bebé cresceu descontrolado e tornou-se num monstro generoso. <strong>Elvis</strong> viveu alheio ao crescimento do seu filho, seguindo um rumo separado. Quando tentou a reconciliação, o seu rebento rejeitou-o. E <strong>Elvis</strong> não o entendeu. Será sempre, no entanto, o pai do rock n' roll. E mais importante que isso, será o Rei.
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<br />PS- <a href="http://ampola.blogspot.com">A ampola volta a fazer pop</a>
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<br /><center><img src="http://www.waiting4louise.de/cover/Cover-Elvis-1956.jpg" /></center>
<br /><center>[Banda Sonora - <strong>Blue Suede Shoes</strong>; Elvis Presley; 1956 ]</center>
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