tag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1114502042635485372005-04-26T02:46:00.000-05:002005-04-26T02:54:02.636-05:00explicaçaoNão consigo inventar nada que não comece por “era uma vez” e em que “um belo dia” não aconteça qualquer coisa. Às vezes consigo disfarçar, tirando os acima indicados elementos depois da historia escrita, ajustando pronomes e interjeições e demais palavrinhas pequenas que vou sabendo usar mas que nuca sei como se chamam. Não consigo escrever diálogos, nem descrever paisagens nem adjectivar o que quer que seja (excepto os dias em que acontecem coisas, que são sempre belos). Não consigo escrever poemas, a menos que por poemas se entendam frases completas com palavras no fim que rimam com frases completas mais abaixo, ou frases completas que não rimam mas que estão devidamente amputadas por paragrafos de modo a ter uma forma poética. Não consigo escrever cartas de amor sérias porque a única coisa que me ocorre dizer é amo-te e para não parecer mal encho o resto da folha com outras coisas e palavras. E não consigo deixar de tentar ser exacta, e ir investigar de que cor são as pernas das rãs quando cozinhadas, qual é o volume de sangue que uma pulga bebe, e se antes generalizava e dizia que as gajas são todas isto e os gajos todos aquilo era porque em conversa com mais um monte delas e deles verificava que nos queixavamos todos do mesmo.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.com