tag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113241007497808652005-04-11T12:36:00.000-05:002005-04-11T12:36:47.500-05:00TorreIncomodam-me espaços pequenos e abafados, sinto alguma preocupação se um senhor grande com mau aspecto se dirigir a mim com uma navalha na mão e de vez em quando ocorre-me que era aborrecido se viesse uma garra decepada de algum monstro que me apertasse o pescoço por trás. Mas o que me deixa sem sangue são as alturas. Não sou esquesita, tenho medo de alturas vistas de cima e de alturas vistas de baixo, de alturas de 2 metros e de alturas de 200, de alturas onde eu me meti e de alturas que vejo em filmes. Não foi por isso muito inteligente da minha parte subir 229 degraus em caracol até ao cimo da torre do sino em dia ventoso. A dita torre é feita da pedra do costume (uma pedra porosa, propensa a poluições, quando limpa tem ar de ter sido feita por mãos de padeiro ou pasteleiro, e aqui me ocorre a alegoria do dia, o granito é como uma bola de mel, bem compacta e amassada com uma grande quantidade de materiais diferentes, nunca há duas fornadas iguais, esta pedra que cá mora é um bolinho de arroz, não é mau mas cansa de sempre igual, e esfarela-se.). A torre foi construida quando metade do mundo ainda não tinha sido nossa, tem sinos, um dos quais parece-me que se chama fernando-andre e tem uma nossa senhora doirada em cima de grande utilidade para turistas sem sentido de orientação.<br />Subir os degraus cansa mas não é terrivel. Terrivel é sair para a “varanda”, ver a cidade lá em baixo, deserta, que aos domingos antes das 14h ainda não é dia e ter apenas uns centimetros de pedra com ar de bolo de arroz com 500 anos a separar-me das intenções do vento de me empurrar para o abismo.<br />Ainda pensei em descolar-me da parede, largar a gargula e dar à volta, como uma boa turista, mas optei pela solução menos dolorosa e fui-me, de volta às escadas em caracol, onde, por muito mal que caísse, apenas podia partir algumas pernas, sem sentir inércias no estomago, nem ver a morte a aproximar-se, sem dor, mas a prometer muita, ao menos que doia duma vez para ir distraíndo. Abaixo há um outro “terraço” onde cumpri as minhas obrigações de ver as vistas, cidade bonita, bem construida, sem pobrezas de predios a cair, num tom amarelado, dado por telhas e pedras, sem verdes que puxem a vista, uma arvore por outra, a bordar ruelas e avenidas.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.com