tag:blogger.com,1999:blog-80469892007-07-25T18:51:31.726-05:00le tasquetasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comBlogger48125tag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1123151599512071022005-08-04T05:30:00.000-05:002005-08-04T05:33:19.520-05:00O Telefone<div align="justify">Quando um Gajo e uma Gaja se envolvem numa relação, para alêm das formas normais de comunicação (falar, arremessar objectos contundentes, usurpar comandos), comunicam tambêm por telefone. Até há bem pouco tempo, havia a noção de que os Gajos não tinham em si os genes necessários para falar longas horas ao telefone, e quando o usavam era para dar recados rápidos de índole “logo saio às oito, não janto em casa, xau”. As Gajas, que se há coisa que gostam é de passar horas ao telefone, mesmo com pessoas com quem passam horas pessoalmente, não entendiam esta vertente da personalidade do Gajo, e arrumavam-na na mesma gaveta que outras vertentes igualmente incompreensíveis*, mas que até se suportam porque as pilhas estão caras e acabam depressa.<br />Mas o dia chegou em que se inventaram os auriculares, e os Gajos começaram a poder falar ao telefone enquanto conduzem. E começaram a surgir telefonemas mais longos, de duração aproximadamente igual à distancia trabalho-casa, dependendo do trânsito e do preço da gasolina, em que os Gajos dissertavam longamente sobre o seu dia, os seus problemas, o sentido da vida, a conjuntura mundial e a melhor maneira de cozinhar bacalhau com natas. Ao princípio as Gajas deliciaram-se com a novidade pois isto dava-lhes a oportunidade de passar mais tempo a falar com o Gajo e sem ter que competir com futebol, o que não é todos os dias que acontece**. Mas chegou eventualmente a altura em que as Gajas, habituadas a estes longos períodos de conversa e partilha, resolveram começar a telefonar noutras alturas do dia para partilhar pequenos nadas que se vão passando na vida da Gaja comum, e quando telefonavam nestas outras alturas do dia, voltavam a deparar-se com o muro de “sim, pois, tens razão, agora tenho q ir, xau, beijo”. Isto poderia passar-se uma vez, e uma Gaja pensar “pois, reuniões”, duas vezes e uma Gaja “é... dor de dentes”, mas as Gajas começaram eventualmente a notar a tendência “quando tenho que passar o tempo tens que estar disponível para as minhas historinhas de merda, mas quando tenho outras coisas a fazer*** não quero nem saber que estejas em trabalho de parto de gémeos meus”. E foi este o dia em que as Gajas começaram a deixar de achar piada aos telefonemas longos com hora marcada e em que os Gajos deram por si a levar com impressoras lazer na cabeça por um motivo completamente novo e insuspeito.<br /><br /><em><span style="font-size:85%;">*incapacidade de ver que a louça está por lavar, entre outras.<br />**de meados de julho a meados de agosto, em anos ímpares.<br />***ler os titulos dos jornais desportivos, p.e</span></em></div>tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1122481458021815812005-07-27T11:21:00.000-05:002005-07-27T11:24:18.030-05:00<em>O tal do almoço é dia 6.</em><br /><em>qualquer coisa: tasqueira at hotmail ponto com</em>tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1122388064119697042005-07-26T09:27:00.000-05:002005-07-26T09:27:44.126-05:00NovelasEra uma vez um morango que ia a passer na rua, metido com as suas inflorescências, ou lá como se chamam aquelas coisitas esverdeadas q têem os morangos nos sítios onde não são vermelhos, e ia o morango a pensar na vidinha dele, que ainda ontem estava pegado ao caule, numa vida tranquila de receber sol e chuva e o ocasional monte de estrume, a tentar passar despercebido aos passaros e às minhocas, e que hoje já ia pela rua, a rebolar nas descidas e a pedir boleia nas subidas (a bainhas de claças passantes, o mais das vezes, apesar do perigo que são as solas de sapatos que vêm de repente e esmagam morangos incautos), ia pela rua, sozinho, a pensar no que haveria de fazer com o resto da vida dele, se haveria de ir trabalhar para uma taça de chantilly ou para uma panela de fondue, ou se haveria de seguir os passos da familia e ir trabalhar para uma tarte de fruta numa montra de pastelaria...<br />Ia portantos o nosso morango pelo seu percurso na estrada e nos pensamentos, quando se encontrou com um pacote de açucar que ia a escorregar por uma valeta, tambem metido nos seus pensamentos, mas no caso deste duma índole mais refinada, mais será que o nosso papel nesta vida é o de adoçar as existencias alheias, agradar-lhes os sentidos com o melhor que possamos dar de nós mesmos.<br />Quando o morango viu o pacote de açucar, apaixonou-se pelas suas cores e formas e pela sua doçura de carácter e logo ali professou-lhe amor eterno. O pacote de açucar nem teve tempo de lhe responder, admirado que estava com a súbita proposta, pois de uma esquina próxima saltou um mordomo que entre gritos e lágrimas explicou que nunca um amor seria possivel entre aqueles dois, pois que eram ambos filhos dele e portanto irmãos. No entanto, quando o mordomo estava para lhes contar em como uma bela noite de bebedeira se tinha aliviado para o canteiro onde estavam o pé que era a mãe do morango e a cana que era a mãe do açucar, aparece a filha da vizinha com um punhal cravado nas costas e que num ultimo estertor confessa ter assassinado as gentis plantas que o honesto mordomo pensava serem mães dos jovens passantes, e tê-las substituido por outras plantas, gémeas das anteriores, que estavam à espera de filhos de uns vendedores ambulantes que tinham passado pelo canteiro naqueles dias...tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1119510952498942282005-06-23T02:05:00.000-05:002005-06-23T02:27:38.306-05:00o tempoO Tempo, na altura em que o conheci, era um moço novo, ainda sem barba, a viver em casa dos pais, o Sr Luz e a senhora História. A mãe do Tempo nao se cansava de olhar para ele e de ir escrevendo o que ele fazia. o pai do Tempo preocupava-se mais com o presente e com a beleza da vida e ia gozando cada momento, sem se preocupar com posteridades. Apesar de novo e de ainda viver em casa dos pais, o Tempo tinha um trabalho, que ele não escolheu mas que tinha que fazer (um pouco como o trabalho dos humanos ser viver). O trabalho do Tempo era fazer cruzinhas na testa dos humanos. Todos os dias, o Tempo saía de casa e ia fazendo uma cruzinha na testa de todos os humanos, por ordem alfabética dos nomes das almas (as almas tinham um nome composto por letras e numeros, desde o dia em que o Fabricante se aborreceu de inventar nomes bonitos e com algum tipo de sentido como estrela e quénia e saudade e comecou a chamá-las de AVGFGFHH89023). Não era o trabalho do Tempo contar as cruzinhas, esse era o trabalho da Morte, o Tempo limitava-se a fazer cruzinhas em todas as pessoas que estivessem vivas à hora que ele passasse por elas, com um marcador invisível a olhos humanos mas visível a olhos alegóricos.<br />O Tempo, sendo um moço novo, achava piada a fazer umas brincadeirinhas. Às vezes gostava de passar de mansinho pelas pessoas, fazendo com que elas não se apercebessem da sua passagem, e rindo a bom rir com a cara que elas faziam quando a morte as apanhava desprevenidas. Outras vezes gostava de fazer um grande estardalhaço ao passar pelas pessoas com um ar mais stressado e preocupado, e de vê-las a bufar e a resmungar que tinham tantas coisas a fazer e que ainda ontem era ontem, e hoje já é outro dia...<br />Um belo dia uns amigos decidiram pregar uma partida ao Tempo e convidaram-no para jantar e fizeram-lhe uma daquelas gelatinas de vodka. O Tempo não era moço abstémio, mas não gostava de beber antes de trabalhar porque gostava de fazer o seu trabalho bem feito. Ficou por isso surpreendido e atribuiu a uma qualquer quebra de tensão quando no fim de jantar, preparado para mais umas horas de trabalho, se viu a andar em Ss e com o peito molhado depois de ter dito “poijentaomuitoobrigadinhopeloxantar,amigojjjjjjj”. Com ou sem quebra de tensão ele nao tinha hipóteses de faltar ao trabalho (as unicas alturas em que tinha umas folgas era quando o pai se dedicava a dar umas corridas a grande velocidade, mas o pai nessa noite tinha ido fazer uns biscates para uma empresa de lâmpadas), e teve mesmo que ir pôr todas as cruzinhas em todos os humanos vivos da ronda da noite.<br />No entanto, como estava um bocado tocado, começou a ficar um tanto ou quanto criativo e opinioso e comecou a distribuir as cruzinhas, não por ordem alfabética, mas conforme lhe parecia justo: Viu humanos da classe dos chefes, dos que gostavam de abusar das cruzinhas dos outros, sempre a pedir para formatar computadores e instalar programas para não se darem ao trabalho de chamar os srs informáticos, e a pedir para fazer coisas à mão porque comprar fica caro, e pimba, espetou-lhes nas testas todas as cruzinhas das quais as pessoas não puderam usufruir enquanto se afadigavam com as suas tarefas “faça lá isso que não custa nada e poupamos um euro e a chatice de enviar um mail”, viu outros humanos daqueles que achavam que pedir a amigos para gastar cruzinhas com eles nem contava como favor (porque não envolvia gasto directo de euros), e pimba, espetou-lhes nas testas todas as cruzinhas referentes a horas no trânsito para dar boleias, a tardes perdidas a levantar roupa na lavandaria, a dias inteiros a ir só ali a espanha levantar umas amostras que eu não posso que estou de férias. Ora isto desorganizou o horário da Morte, que ja tinha programado tudo para aquela noite (levantar as almas BSFHFIE3754 a 94985, aparecer subitamente às almas WFHFQEJDJDSIHD983654 a 54654456546540, partir os travões do carro da LKJFSHRFH97854 e dar um empurrãozinho à penumonia da SDIHFEKJD94859, depois tinha um jantar de negócios com os gerentes do MacDonalds para acertar os preços do colesterol, e ainda ia ver se conseguia dormir duas horinhas enquanto o Tempo descansava), e que se viu de repente a braços com vários humanos com um número de cruzinhas que ultrapassavam o seu valor limite de cruzinhas predestinadas e que ela ia ter por isso que levantar. Enquanto procurava na agenda o número dalgum serial killer que lhe pudesse dar o jeito ia-se indagando como poderia ter-se descuidado tanto com tantos humanos ao mesmo tempo, valha-me o Fabricante, como pude eu desleixar-me tanto e ter deixado tantas almas excederem o número de cruzinhas, será da minha vista, se calhar já não vejo bem as cruzinhas, se calhar vou chegar a amanhã e vou-me aperceber que me desleixei em mais alguns milhares, ou pior ainda o Fabricante vai querer ver as almas mais recentes e vai-se aperceber que montes delas ainda andam aí a usar cuzinhas e vou ser despedida e vou ter que arranjar outro emprego na minha idade não é nada fácil sabe o Fabricante como foi dificil arranjar este, tive que puxar dalguns cordelinhos e convencer o fabricante que era mais divertido se eu estivesse por cá, porque podia usar as almas para diversas coisas, e ia criar empregos, e agora isto, valha-me o Fabricante... E, preocupada com todas estas coisas, a Morte achou que o melhor mesmo era encontrar não um serial killer mas um humano terrorista e um humano presidente e convencê-los a entrarem em guerra, de modo a despachar logo alguns milhares de almas.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1117530654858213212005-05-31T04:08:00.000-05:002005-05-31T04:11:18.466-05:00ControlCê-ControlBê da posta do Rancor Eterno2003/12/02<br /><em>As Gajas no geral são boas pessoas, compreensivas, tolerantes e boas companheiras. Mas...<br />...há um determinado tipo de datas (pouquitas) que esperam que o seu Gajo recorde SEMPRE!<br />Estas datas são efectivamente poucas e a Gaja espera que o seu Gajo tenha sempre presente não só as Datas importantes na relação (aniversário de casamento, aniversário de início de relação, aniversário do dia em que ELA começou a achar que a coisa era séria, dias dos namorados e santos casamenteiros de todos os países ocidentais e alguns orientais, aniversários de primeiro beijo, primeira queca, primeira ida ao cinema, primeira fotocópia tirada em conjunto, primeira vez que cozinharam pasta, primeira vez que tiveram um orgasmo simultâneo, primeira vez que compraram casa, primeira vez que compraram a marca de café que ainda hoje usam) como também as Datas importantes para a Gaja (Aniversário dela, familiares directos e 10 amigos mais chegados, data em que fez os primeiros 5 exames de condução, data em que entrou para a escola primária, data em que é suposto vir o período, data em que foi promovida/fez apresentação em público/iniciou Blog).<br />Em caso de esquecimento de alguma destas datas (quer por esquecimento de oferecer a prenda correspondente, quer por esquecimento de mencionar o seu conhecimento da respectiva data no decorrer de uma conversa normal) a Gaja acciona imediatamente o mecanismo do Rancor Eterno. O mecanismo do Rancor Eterno consiste em (após uma primeira fase de arremesso de objectos contundentes a partes sensíveis da anatomia masculina) nunca esquecer o esquecimento do Gajo e trazer o assunto à baila quando tal for relevante (por exemplo: Quando o Gajo diz "está a chover" a Gaja pode responder "é, que está a chover reparas tu, mas que ontem fez 7 meses e duas semanas que começamos a usar azeite oliveira da serra foste incapaz de te lembrar, é bom saber das tuas prioridades... não gostas de mim, não me ligas nenhum...). O Rancor Eterno serve intuitos educativos (provar ao Gajo que é perfeitamente possível saber todas as datas importantes, e mesmo assim NUNCA esquecer as falhas deles) e serve de manobra de distracção na eventualidade de a Gaja se esquecer de alguma data insignificante a que o Gajo dê demasiada importância (Aniversário dele, dia em que vai ao médico saber se tem de amputar a perna direita, dia em que foi eleito presidente da república, etc.)</em>tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1117436827356578592005-05-30T02:06:00.000-05:002005-05-30T02:07:07.363-05:00Que a Força esteja convoscoAs Gajas, conforme é do conhecimento geral, são em média mais pequenas e têm menos massa muscular que os Gajos. É a vida, não se pode ter tudo, e os Gajos foram habituados desde cedo na historia da humanidade a fazer os trabalhos ditos pesados, deixando para as Gajas os trabalhos mais leves de educar e carregar com 30 kg de filhos e 50 de roupa lavada.<br />No entanto, na história recente deu-se uma reviravolta, e algumas Gajas têm agora a mania de que podem fazer tudo sozinhas, desde abrir frascos de compota a mudar os móveis da casa. Eu compreendo que na verdade, e como para todas as outras coisas, cada Gaja tem a sua mania e os Gajos já não sabem se hão de ser cavalheiros ou carroceiros, pelo que eu, que sei tudo e gosto de partilhar, vou esclarecer todas as dúvidas.<br />Vamos analizar uma situação hipotética, em que uma qualquer Gaja acaba de sair de uma qualquer porta carregada com um sem numero de sacos de aparência pesada, e que encontra nesse preciso momento um Gajo de mãos a abanar. O Gajo diz um “dá cá, que eu é que tenho que levar isso” à Gaja. Esta, arremessa-lhe com os conteúdos do saco aos dentes, enfia-lhe o saco vazio na cabeça, e enquanto espera que ele deixe de respirar, disserta sobre a opressão feminina. Num outro dia, o mesmo Gajo, devidamente ressuscitado pelos paramédicos e com uma placa nova, vê-se novamente numa qualquer porta defronte da mesma Gaja carregada com sacos de aparência pesada. Desta feita o Gajo abstêm-se de oferecer a sua ajuda, e caminha lado a lado com a Gaja a oferecer as suas opiniões sobre o tempo e o campeonato de futebol. A dada altura a Gaja prega-lhe uma rasteira, tira-lhe a placa e enfia-lhe os conteúdos do saco pela boca adentro enquanto disserta sobre a insensibilidade e a inconsideração da classe masculina. Este Gajo, sentado no banco do hospital, sente-se obviamente confuso, por estas atitudes que ele considera opostas, e sente-se tentado a deixar de ter qualquer contacto com o sexo feminino que não seja mediado por dinheiro, ou que não termine com o fechar da revista. O que este Gajo não sabe, são os pensamentos que passaram na cabeça da Gaja no decorrer de cada uma destas situações, pensamentos estes que, no interesse da humanidade, passo a desvendar:<br />Pensamentos da Gaja na situação 1: “E tu pensas que quê, que eu não tenho duas mãozinhas??? Não tenho músculos nos braços como as pessoas, não? Achas que eu não posso com esta merda, achas??? Pois toma lá disto a ver se não tenho força”<br />Pensamentos da Gaja na situação 2: “E é isto, uma Gaja aqui carregadíssima, a esfalfar-se com o peso e a inércia, e este nem vê nada, egoísta de merda só pensa na bola e no mundinho dele, pois então toma lá disto a ver se eu não existo”<br />Uma situação sem saída possível, uma espada de dois gumes? Não, nem por isso, pois há sempre um meio termo:<br />o que o gajo teria que fazer, caso fizesse uso dos nervos que estão acima do pescoço, seria oferecer a sua ajuda como o faria a qualquer outra pessoa, assim numa de “queres ajuda”, sem se impor como sexo forte nem menosprezar as capacidades da Gaja, ao mesmo tempo que mostra que se interessa pela vida das pessoas que não estão vestidas com equipamentos de futebol.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1117099277934242622005-05-26T04:19:00.000-05:002005-05-26T04:21:17.940-05:00O senhor do tempo livreEra uma vez um senhor que tinha muito tempo livre e que queria saber o que fazer dele. Como este senhor não era um desses senhores que tomam decisões sem primeiro averiguar de todas as possibilidades de escolha, decidiu fazer uma lista das coisas a que podia dedicar os seus tempos livres. Primeiro pensou em pegar num dicionário e fazer uma lista de todas as palavras que pudessem traduzir actividade, mas pensando melhor no assunto achou que qualquer palavra, com a adequada imaginação poderia indicar uma ou várias actividade, por exemplo a palavra “abade” tanto poderia sugerir a frequência de um curso de teologia, como a manufactura de pequenos exemplares de barro, ou o serial killing de membros da igreja. Então achou melhor começar por fazer um inquérito a pessoas conhecidas, uma colecta das actividades consideradas normais e mais usadas como ocupadoras de tempos livres. A lista começou com um simples viajar, mas cresceu tanto e tão rapidamente com ler, caminhar, jardinar, cozinhar, costurar, ver televisão, ir ao cinema, pintar, esculpir, escrever, fotografar, posar, passear, construir, coleccionar, correr, nadar, treinar, engomar, limpar, lavar, trabalhar, casar, copular, coçar, cultivar, arrepender, pensar, filosofar, chatear, prometer, contar, inventariar, alfabetizar, desenhar, depilar, tatuar, conduzir, pregar, acarinhar, miniaturizar, coscuvilhar, comunicar, observar, investigar, alimentar, traduzir, amealhar, colorir, educar... cresceu tanto, que o senhor começou a ficar preocupado com a fase da escolha, como escolher entre tantas actividades?<br />Então o senhor pensou numa estratégia, e decidiu fazer um organigrama de actividades:<br />Primeiro dividiu as actividades em paradas (tipo pensar, filosofar, e ler) e mexidas (tipo correr, andar de bicicleta e copular), e pensou em qual destes dois tipos preferia ocupar os seus tempos livres. Pensou e decidiu que gostava mais das paradas que ele não era um senhor muito atlético e não gostava de suar.<br />Nas actividades paradas podia escolher entre as paradas criativas (pintar, escrever, imaginar...) e as paradas consumidoras (ler, observar, coleccionar). Esta escolha foi mais difícil, porque se por um lado consumir coisas já feitas dava menos trabalho ao cérebro e era sempre uma surpresa ver o que saía do dos outros, por outro lado criar era infinito e podia ser feito em qualquer lado com ou sem dinheiro.<br />Restava decidir entre actividades em meios físicos (escrever, pintar) e actividades em balõezinhos no ar (filosofar, pensar, dar sentido à vida), e achou que sem meios físicos seria mais fácil usufruir de todo e qualquer tempo livre, porque teria a liberdade de fazer a actividade de sua escolha em qualquer sítio, altura ou situação.<br />Quando chegou à altura de escolher de entre a agora bastante mais restrita lista de actividades ocupadoras de tempos livres de sua preferência, o senhor sentiu uma dor num braço e morreu.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1116917099077616802005-05-24T01:44:00.000-05:002005-05-24T01:44:59.083-05:00De trombasQuem já não sentiu uma certa preocupação por, ao conhecer a mais recente gaja de um familiar ou amigo, verificar que ela está zangada, triste, cabisbaixa, furiosa, a querer estar em qualquer outro lugar, ou como costuma dizer-se nos meus meios “de trombas”, e achar que gaja tão antipática não é decerto conveniente aos nossos bem amados familiares/amigos?<br />Pois eu, vossa sempre prestável tasqueira, conhecedora de assuntos de gajas e insultos a gajos, e que, por ter a mania que tem sempre razão fez uma aposta com certas pessoas em como os comentários em caso de escrita de posta dos antigamentes iam ter uma certa e determinada índole, que não vou aqui dizer para não influenciar ninguém, e não virem depois dizer que não posso ter o meu maseratti porque fiz batota, vou dar ao caro leitor umas luzes sobre este tão frequente e triste fenómeno.<br />Vou passar então a analizar cronologicamente a sequência de eventos que leva a este fenómeno das Gajas dos nossos amigos terem a fronha permanentemente cerrada:<br /><br />Evento #1: Bem amado familiar ou amigo anuncia que vai jantar fora com familiares ou amigos. Não se pronuncia acerca da presença ou ausência da Gaja. Gaja continua a fazer a vida dela porque acha que se a sua presença fosse requerida e bem vinda já teria sido convidada, mas amua ligeiramente porque até lhe apetecia sair e conhecer familiares ou amigos de quem já ouviu maravilhas.<br />Evento #2: Bem amado familiar ou amigo prepara-se para sair, quando já está com as chaves na mão ouve um suspiro errante e pergunta a Gaja se está com o período, Gaja solta grunhido, Gajo diz “bem que podias vir, só te fazia bem”.<br />Evento #3: Bem amado familiar ou amigo, encostado à parede com as chaves apontadas à jugular, jura que pensa que a tinha convidado.<br />Evento #4: Bem amado familiar ou amigo conduz e resmunga sobre o tradicional e estereotípico atraso das mulheres enquanto Gaja calça meias e sapatos e se indaga se se notará muito que se esqueceu do soutien.<br />Evento #5: Chegados ao jantar, bem amado familiar ou amigo começa imediatamente a falar com toda a gente sobre computadores e futebol, enquanto Gaja se vê sozinha no meio de caras estranhas e curiosas. Gaja apercebe-se que tem um ar triste e deprimido e compreende a impressão negativa que pode causar sobre as pessoas, pelo que tenta pensar em coisas que a façam sorrir: em deixar dois ovos 3 meses ao sol e fazer-lhe uma gemada, em gotas de ácido concentrado a cair-lhe sobre a retina, ou em congelar-lhe uma mão em azoto liquido e dar-lhe uns piparotes até se partir em bocadinhos que façam “pling-pling-pling” a cair no chão.<br />Evento #6: Bem amado familiar ou amigo senta-se no lado oposto da mesa, embrenhado na discussão do campeonato, deixando Gaja sozinha no meio duma senhora de cabelo castanho e dum senhor de cabelo azul, que assustados com o seu ranger de dentes conversam entre si sobre futebol e computadores. Gaja forma propósito mental de mudar a orientação sexual.<br />Evento # 7: Familiares e Amigos começam a lamentar a má sorte do familiar e amigo e todos concordam que o moço tem azar em que lhe calhem sempre Gajas antipáticas com a mania que são boas, que não falam a ninguém e que se limitam a sentar e ranger os dentes.<br />E é assim, caro leitor, que se formam decisões precipitadas sobre raparigas inocentes, culpadas apenas do crime de não se levantarem imediatamente e irem beber uma cerveja com o primeiro desconhecido bem parecido que lhes apareça. Espero que após este pequeno esclarecimento, o caro leitor pense duas vezes antes de formular juizos, e que, em se vendo numa situação semelhante, tente ultrapasar o medo, diga “pling” 3 vezes, e ganhe uma amiga para a vida.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1116609296515453032005-05-20T12:10:00.000-05:002005-05-20T12:14:56.523-05:00<a href="http://100nada.weblog.com.pt/arquivo/108299.html">É certo </a>que a puta da vida são dois dias e um gajo que perde uma hora a descrever o que fez, ou coisas que se lhe ocorreram, nas anteriores 24, já só tem 23 para viver. Mas o que é certo também, é que a vida nao é mais do que o que fazemos com o tempo que ela nos dá, e se é verdade que temos que passar algum desse tempo a arranjar euros para comer e ter um sítio quente onde dormir, tambêm é verdade que às vezes ainda sobra algum desse tempo, o chamado livre, e temos que fazer opções sobre o que fazer com ele: se o queremos passar a aprender coisas que a maioria acha estar certa, a trabalhar mais para ter ainda mais euros, a fazer filhos escrever livros e plantar árvores para deixar marcas que outros vejam, a criar relações e comunicar com outros de nós, ou a fazer com que ele passe de mansinho, ocupando-o com coisas que nos fazem felizes. E eu pessoalmente do que mais gosto é de ler palavras bem escritas (seja porque estão postas numa ordem bonita ou porque contam uma história bonita), e a mim, se há coisa que me deixa orgulhosa, de cabeça erguida e postura erecta é o saber que palavras bem escritas me saíram da cabeça.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1116228708510305142005-05-16T02:29:00.000-05:002005-05-16T02:31:49.106-05:00Tenho medo que as pessoas pensem que sou uma daquelas pessoas que têem medo do que as outras pessoas possam pensar.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1114791250141788532005-04-29T11:13:00.000-05:002005-04-29T11:14:10.143-05:00Era uma vez uma rãEsta rã vivia num quadradinho dum jardim botanico juntamente com uns nenúfares e uns papiros e uma tabuleta com uns dizeres em latim. Esta era uma rã feliz porque tinha um quadradinho só para ela e vizinhos sossegados que só faziam barulho quando lhes dava o vento. Um belo dia, estava a rã a croackar no seu quadradinho, a pensar no quão bela era a vida, quando ouviu um croackar longínquo. Ao princípio pensou que era eco, acontecia às vezes que as paredes do mundo lhe devolviam os croacks, da mesma maneira que a superfície da água lhe devolvia o eu, mas isso não costumava acontecer naquela altura do ano porque os papiros tinham muitas folhas e não deixavam os ecos passar, e deixou-se ficar muito caladinha, a tentar perceber que eco era aquele que atravessava folhas. Mas os croacks continuaram, mesmo com ela caladinha, e ela ficou muito surpreendida porque no mundo os únicos croacks eram os dela, mesmo que repetidos em épocas menos frondosas. E então a rã pôs-se a pensar no assunto, a tentar descobrir uma explicação para o mistério dos croacks sem dono, e decidiu que os croacks deviam pertencer a algum ser doutro mundo, algum extra-quadradinhestre. E deciciu averiguar, não porque estivesse particularmente interessada em conhecer outros seres, mas porque queria sentir a satisfação de estar certa. E começou a construção duma máquina capaz de traspor as paredes do mundo, usando folhas de papiro, um nenúfar particularmente grande e a placa com dizeres em latim. Terminada a construção e preparado um farnel com comida suficiente para uma semana (se eu dou a volta ao mundo numa hora, uma semana deve chegar para ir a outro mundo, comprovar a existência de extra-quadradinhestres e voltar, pensava ela), a rã deu às patas e partiu. Transpôr as paredes do mundo não foi particularmente difícil e demorou uns tão miseros 5 minutos, que a rã até pensou que nem valia a pena ter construído a maquina, que podia ter vindo aos saltos. Mas depois das paredes do mundo a rã verificou que havia muitos outros mundos, com a mesma forma do dela, e também com uma placa com dizeres em latim, mas onde os papiros e nenúfares tinham outras cores e folhas diferentes e flores pequeninas e brancas, e nesses mundos viviam tambem outros seres, seres compridos e prateados com barbatanas, seres redondos e rechonchudos com riscas vermelhas e brancas e com barbatanas, e seres pretos e achatados e com barbatanas. E para alem destes mundos havia vastas extensões de mundos sem agua com papiros grandes e de troncos castanhos e seres com barbatanas cobertas de penas, e ainda mais vastas extensões de mundos pretos com riscas brancas e com seres brilhantes a andar muito depressa e a fazer fumo, e a rã sempre a dar às patas, aguardando vislumbrar os mundos onde vivessem os seres que faziam croack. Quando a rã ja começava a pensar se se iria ver obrigada a comer a maquina para sobreviver, começou a ouvir muitos croacks, e viu ao longe uma grande mancha azul com um enorme papiro de tronco castanho e folhas verdes em forma de pena no meio, e deu ainda mais às patas, com o dobro das forças, até chegar à grande mancha azul. Exausta, morta de fome, com as patas a tremer, viu-se no meio de um monte de seres e verificou surpresa que eram todos iguais a ela, que faziam croack como ela, que comiam as mesmas coisas que ela e que gostavam de descansar nos mesmos sitios que ela gostaria caso vivesse naquele mundo. E a rã soube então que o mundo era grande e cheio de coisas e achou que a vida dela tinha sido um desperdicio de voltas ao quadradinho e conheceu a infelicidade.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1114502042635485372005-04-26T02:46:00.000-05:002005-04-26T02:54:02.636-05:00explicaçaoNão consigo inventar nada que não comece por “era uma vez” e em que “um belo dia” não aconteça qualquer coisa. Às vezes consigo disfarçar, tirando os acima indicados elementos depois da historia escrita, ajustando pronomes e interjeições e demais palavrinhas pequenas que vou sabendo usar mas que nuca sei como se chamam. Não consigo escrever diálogos, nem descrever paisagens nem adjectivar o que quer que seja (excepto os dias em que acontecem coisas, que são sempre belos). Não consigo escrever poemas, a menos que por poemas se entendam frases completas com palavras no fim que rimam com frases completas mais abaixo, ou frases completas que não rimam mas que estão devidamente amputadas por paragrafos de modo a ter uma forma poética. Não consigo escrever cartas de amor sérias porque a única coisa que me ocorre dizer é amo-te e para não parecer mal encho o resto da folha com outras coisas e palavras. E não consigo deixar de tentar ser exacta, e ir investigar de que cor são as pernas das rãs quando cozinhadas, qual é o volume de sangue que uma pulga bebe, e se antes generalizava e dizia que as gajas são todas isto e os gajos todos aquilo era porque em conversa com mais um monte delas e deles verificava que nos queixavamos todos do mesmo.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1114070755398851712005-04-21T03:05:00.000-05:002005-04-21T03:05:55.400-05:00vozesNormalmente as vozes moram nas cabeças das pessoas, algumas pessoas ouvem mais do que uma, e algumas pessoas nem a sua ouvem. Quando as vozes se ouvem fora das cabeças é porque estão a viajar da cabeça duma pessoa para a cabeça doutra pessoa. Antigamente as vozes só podiam viajar pelo ar, e como as vozes não têm pernas nem braços nem rodas, só podiam viajar distâncias curtas. Hoje em dia, com os avanços tecnologicos, as vozes podem viajar até cabeças que estão a milhares de Quilometros, usando fios, satélites e bytes. Às vezes acontece que uma voz sai duma cabeça, mas a cabeça de entrada não a quer deixar entrar, e a voz fica perdida. Algumas vozes perdidas ainda tentam arranjar um mudo que lhes dê emprego, mas a maioria das vozes perdidas acabam por ir morar para cabines telefonicas, onde se dedicam a viajar à socapa até outros países e cabeças.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113809564058773042005-04-18T02:32:00.000-05:002005-04-18T02:32:44.060-05:00OstrasAs ostras são mais comidas aqui que em qualquer outra parte do mundo. As ostras comem-se vivas. Primeiro deve-se pôr um pouco de limão para as anestesiar. Depois desapegam-se da casca com um garfo, leva-se a concha à boca e sorve-se. Devem-se mastigar bem para que não tentem vingança, escalando pelo esofago e tentando encontrar um buraco por onde entrar para nos mastigarem o cérebro. Comer ostras sabe a mastigar água do mar.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113809513949003292005-04-18T02:29:00.000-05:002005-04-18T02:31:53.950-05:00E, finalmente, o vinhoDia de “portas abertas” na região de medoc. Fomos de carro, pelo meio de vinhas e aldeias, com o ocasional vislumbre de rios e centrais nucleares. As uvas fazem-se nas vinhas, os vinhos fazem-se nos Chateau. As vinhas nesta altura do ano parecem plantações de troncos baixinhos, com uns barrotes a segurá-las, ou aos corvos. Os Chateaus chama-se todos chateau, quer os que têm torres e ameias e imponência quer os que parecem casas ou garagens de gente. Durante um fim de semana de primavera estão de “portes ouvertes”: abrem-se as portas das adegas e das caves, abrem-se as rolhas das garrafas, abrem-se os sorrisos dos propietários e “fazedores de vinho” e quem quer entra e aprende e pergunta e desfruta e conversa e prova. Os pequenos oferecem petiscos e falam dos vinhos deles e daquela vez em que o marido comprou um tractor em segunda mão só porque era dum jogador de futebol, e de como a vida está dificil e dão à prova o que têm à venda, com as tabelas de preços à mão. Os grandes mostram a adega, explicam as técnicas e as qualidades e as higienes e as máquinas e dão à prova vinhos que ainda não estão à venda mas do qual estão extremamente orgulhosos.<br />Por alturas de Setembro umas maquinas colhem as uvas, outras maquinas esmagam as uvas, as uvas entram nas cubas onde passam umas semanas a fermentar. Daí passam para barricas de carvalho de 220 litros. Os propietários pequenos gostam mais do carvalho americano e gabam-lhe as propiedades organolepticas e de preços. Os propietários grandes orgulham-se do seu carvalho exclusivamente frances. Os propietários grandes acham imprescíndivel mudar de barricas todos os anos, os propietários pequenos contentam-se com mudá-las de 3 em 3 anos. Ano e meio depois de entrar nas barricas o vinho vai prás garrafas e daí para as barrigas de pessoas de todo o mundo, característica comum a vinhos de donos grandes e pequenos, todos arranjam maneira de vender e exportar...tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113289911170135142005-04-12T02:06:00.000-05:002005-04-12T02:11:51.173-05:00Museu do DiaUm museu da segunda guerra mundial e da resistencia francesa. Desta vez, e curiosamente em versão bilingue, francês e alemão, não sei se numa atitude de fair play, se numa atitude de toma lá que ganhamos. Posters, anuncios de execuções, mapas, objectos, medalhas, fotos. Até é assunto que me interessa, e até gostava de saber o papel da frança nesta guerra, mas ler francês de pé cansa. Passei os olhos de relance por tudo. Como bom ser humano, sedento de sangue e de um bom abanar de cabeça depreciativo pelas atitudes dos outros, analisei atentamente todas as fotos e artigos relativos a campos de concentração.<br />Nos outros museus, os de artes, as zonas mais sangrentas são geralmente as de pinturas religiosas. Pode haver uma ou outra guerra, execução ou cena de escravatura, mas em que outra zona se pode ver um corpo a segurar a propria cabeça, decepada, mas com um ar bastante comunicativo, na mão?<br />No de belas artes do que mais gostei foi dos retratos, é uma coisa que tenho, não consigo decorar uma cara, se me sentar e tentar imaginar uma, seja a minha ou a de quem a tem mais vezes perto de mim, posso até ver uma sobrancelha, um olho ou uma cana do nariz, se me esforçar consigo trazer à memória alguns pormenores de alguma fotografia que tenha visto mais vezes, mas nunca uma cara inteira, e caras é das coisas que mais gosto de ver pintadas.<br />Tambem gostei do tema da temporaria de nulla die sine lina, nem um dia sem uma linha, e do retrato do senhor Camargo e do cristo do senhor Redon e dum que tinha uma estrada dum senhor Lestié. O senhor Camargo tinha lá uma foto dele, mas no retrato (pintado) estava mais atraente, sendo que quero dizer atraente não como bonito ou elegante, mas como alguem que atrai e com quem, dentro de mim, consideraria a hipotese de ter filhos. É um problema que me ocorre muitas vezes, ver um homem que, por fazer bem alguma coisa, se transforma em atraente. Pode ser velho, feio, magro, baixo, e loiro*, mas se souber cantar, pintar, cozinhar ou representar, imediatamente se torna sensual e apelativo. E foi esse o caso com o senhor Camargo: vi a foto dele e era só um senhor magricelas sentado no meio duns quadros. Mas no auto retrato senhores, no auto retrato...<br />(E às vezes penso que é essa a diferença entre homens e mulheres. Porque vejo raros homens a considerar mulheres velhas e feias e gordas atraentes, por muita arte que tenham em determinada matéria. E vejo muitas mulheres a cair de amores por figuras carismáticas, mas que em termos fisicos...)<br /><br /><br />*atributos fisicos que, segundo o meu gosto pessoal, colocam os que os possuem no fundo da minha lista de “pessoas com quem eu não me importava de considerar a hipotese de ter filhos”tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113241054189100992005-04-11T12:37:00.000-05:002005-04-11T12:37:34.190-05:00Na recepção, enquanto tentava ler e perceber as legendas e quadros explicativos à torre vi duas turistas que chegavam e que ao que parece só sabiam dizer “dois bilhetes por favor” em frances. O senhor da recepção disse-lhes que a torre fechava, e que tinham de voltar às duas. Elas repetiram o que sabiam dizer. O senhor tentou fazer-se perceber falando mais alto. Isto continou até ao senhor estar aos gritos de fúria e exasperação. Falar mais alto pode ser util para os duros de ouvido, duvido que funcione para pessoas que não falem a língua.<br />Enquanto eu me decidia em que lingua lhes poderia ser de auxilio, elas perceberam finalmente a ideia, possivelmente por osmose, talvez por desistência.<br />Fiquei mal impressionada, mas tenho a noção que para cada um destes, há 10 que apesar de não serem bilingues, estão dispostos a vir à rua apontar para que eu perceba o que é um semáforo, que escrevem sinónimos sucessivos até que eu perceba algum, que me trazem legumes à mesa para eu saber o que vou pedir e que telefonam a colegas que sabem falar outra lingua que eu fale. Estas duas, que num sítio turístico viram isto, que em cada museu onde entrem só vêm dizeres em francês, que só vão cá ficar uns dias, irão por esse mundo fora a espalhar insultos e males dizeres.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1113241007497808652005-04-11T12:36:00.000-05:002005-04-11T12:36:47.500-05:00TorreIncomodam-me espaços pequenos e abafados, sinto alguma preocupação se um senhor grande com mau aspecto se dirigir a mim com uma navalha na mão e de vez em quando ocorre-me que era aborrecido se viesse uma garra decepada de algum monstro que me apertasse o pescoço por trás. Mas o que me deixa sem sangue são as alturas. Não sou esquesita, tenho medo de alturas vistas de cima e de alturas vistas de baixo, de alturas de 2 metros e de alturas de 200, de alturas onde eu me meti e de alturas que vejo em filmes. Não foi por isso muito inteligente da minha parte subir 229 degraus em caracol até ao cimo da torre do sino em dia ventoso. A dita torre é feita da pedra do costume (uma pedra porosa, propensa a poluições, quando limpa tem ar de ter sido feita por mãos de padeiro ou pasteleiro, e aqui me ocorre a alegoria do dia, o granito é como uma bola de mel, bem compacta e amassada com uma grande quantidade de materiais diferentes, nunca há duas fornadas iguais, esta pedra que cá mora é um bolinho de arroz, não é mau mas cansa de sempre igual, e esfarela-se.). A torre foi construida quando metade do mundo ainda não tinha sido nossa, tem sinos, um dos quais parece-me que se chama fernando-andre e tem uma nossa senhora doirada em cima de grande utilidade para turistas sem sentido de orientação.<br />Subir os degraus cansa mas não é terrivel. Terrivel é sair para a “varanda”, ver a cidade lá em baixo, deserta, que aos domingos antes das 14h ainda não é dia e ter apenas uns centimetros de pedra com ar de bolo de arroz com 500 anos a separar-me das intenções do vento de me empurrar para o abismo.<br />Ainda pensei em descolar-me da parede, largar a gargula e dar à volta, como uma boa turista, mas optei pela solução menos dolorosa e fui-me, de volta às escadas em caracol, onde, por muito mal que caísse, apenas podia partir algumas pernas, sem sentir inércias no estomago, nem ver a morte a aproximar-se, sem dor, mas a prometer muita, ao menos que doia duma vez para ir distraíndo. Abaixo há um outro “terraço” onde cumpri as minhas obrigações de ver as vistas, cidade bonita, bem construida, sem pobrezas de predios a cair, num tom amarelado, dado por telhas e pedras, sem verdes que puxem a vista, uma arvore por outra, a bordar ruelas e avenidas.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1112864366503576232005-04-07T03:58:00.000-05:002005-04-07T03:59:26.506-05:00le moins cherAqui os supermercados têm uma coisa engraçada que é o “le moins cher”. Para cada tipo de produto, há um cartaz bem visivel que assinala qual é o “le moins cher”. Se um gajo tem pressa e quer poupar euros, só tem que ir à prateleira, seguir o dedinho indicador que aponta para o menos caro, pegar, pagar e ala que se faz tarde. O que de facto me surpreendeu foi que nos hipermercados “auchan” (os nossos jumbo) tambem havia esta historia do “le moins cher”. E pus-me a pensar, se o fazem aqui, porque não o fazem lá?? Na verdade, os cartazes sinalizadores, já os vi por terras pátrias, mas acho que diziam “promoção” ou “produto de folheto” ou algo do género. E então surgiu-me uma teoria, a que chamarei a “teoria da luta pelos preços”, e que consiste em eu pensar que nós só achamos piada a termos preços baixos se tivermos que lutar por eles.<br />Reconstituição histórica:<br />“Os “portugueses das cavernas” em tempos idos, quando iam às compras à caverna-shopping local, tinham que poupar euros, porque os euros nessa altura eram caçados com um cacete e um calhau moderadamente afiado, e não havia bancos nem crédito. Aquilo era uma luta, uma confusão, todos ao monte e esgadunhando-se para tentar encontrar a perna de mamute mais barata. Os mais fortes, conseguiam a perna de mamute mais barata mais depressa que os outros, tornavam-se sexys aos olhos dos portugueses das cavernas do sexo oposto e imediatamente começavam a procriar e a transmitir os genes da “luta pelos preços baixos” a gerações vindouras”<br /><br />Ou isso, ou como ainda tinham euros, aproveitavam para comprar um pacote de chicletes e tinham melhor hálito, o que é sempre uma ajuda à transmissão de genes...tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1112683008214703062005-04-05T01:36:00.000-05:002005-04-05T01:36:48.216-05:00Patins Museus e JardinsFui aprender a andar de patins. A primeira coisa que aprendi foi que, de patins, os braços nunca puxam, empurram sempre (pessoas, semáforos e barreiras). A segunda coisa que aprendi foi que, em caso de pânico, há que cair para a frente, como que a fazer flexões, não há perigo de partir os dentes, porque a terceira coisa que aprendi foi que há que baixar o centro de gravidade, mãos nos joelhos, joelhos à frente dos pés. As colunas e os cérebros das pessoas não estão de acordo com estes princípios e tentam encontrar o equilíbrio para cima e para trás e os patins ressentem-se e vão para a frente e as pessoas caem de rabo. Andar de patins cansa e dói e dá vontade de estudar física para desenhar vectores de forças.<br />Fui ver um museu para descansar, o museu da aquitania. A historia é parecida só que tem legendas em francês.<br />Fui procurar comida. Comi uma sandes a ver o rio, li saramago a ouvir francês. Fui procurar um telefone, não encontrei, mas encontrei o jardim publico. Lá havia gente a aprender tiro ao arco, ficam estes vectores para outro domingo, gente sentada, gente a correr, gente a brincar, gente com marionetas e gente com malabares e gente com umas bolas transparentes. Também havia um jardim botânico mas só deitei atenção às couves. Ver jardins botânicos tem piada quando se conhece o nome e não a planta, ou quando se conhece a planta e não o nome. Ver um jardim botânico em francês só tem piada se se quiser saber o que se come. <br />Dentro do jardim botânico também estava e também vi o museu de historia natural. Lá tinha muitos bichos mortos e empalhados. Diz-se empalhados porque dentro deles só está palha. Na verdade os maiorzitos estão em-metalizados e os grandes-de-todo estão em-madeirados, porque as respectivas peles estão suportadas por andaimes dos respectivos materiais. Os repteis, como têm a pele demasiado fina são na verdade modelos de plástico pintados, pelo que serão em-bonecados. Não acho muita piada a ver bichos mortos e empalhados mas mesmo assim acho melhor que vê-los vivos e enjaulados. Gostei de ver os tamanhos dos leões dos tigres das águias e dos colibris, gostei de saber que griffe é garra. Gostei de saber que os corais têm testículos. Do que mais gostei foi de ver uma estantezinha escondida numa esquina que tinha ovelhas com duas cabeças, gatos com seis patas, lagartos com duas caudas, cães com dois maxilares, galinhas com ossos de gente e patos com número de dedos muito variável.<br />Algumas ruas têm placas com umas três fases que relatam a historia do nome da rua ou a historia do dono do nome da rua. Estas duas a três frases são traduzidas para inglês em duas ou três palavras. Uma rua com preços de muitos zeros tem uma farmácia com preços de saldo. No jardim da câmara as pessoas sentam-se nos bancos e não na relva. No jardim da camara li mais um bocado, descansei as pernas e fui procurar o jantar.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1112682926516725132005-04-05T01:35:00.000-05:002005-04-05T01:35:26.516-05:00Tasqueira à BordalesaEm Bordeaux fui instalada. O meu quarto fica num prédio velho com vistas novas. Tenho, mais uma vez, um lavatório só para mim, as casas de banho são duas portas á frente e os chuveiros três. Toda a gente diz “bonjour” a toda a gente. Fui apresentada a, ao que me pareceu, toda a gente que passava por mim na rua, e até chamaram ao longe algumas pessoas para me vir conhecer. Agora ando sempre com meio sorriso na rua, não vá dar-se o caso de passar por alguem a quem já tenha sido apresentada e cumprimento todos os carros que apitam.<br />Fiz uma visita aos fantasmas franceses que morrem com um apelido mas que nascem com um nome. Fui a um coiffure, deixei lá o cabelo e algum couro. Vi uma manifestação, uma catedral e um tribunal, no tribunal há uns ovos de madeira e é lá que as pessoas são julgadas, uma espécie de kinder surpresa criminosos. Há uma rua grande comercial, mas as transversais e as paralelas e as perpendiculares também o são. As coisas são bonitas, os preços têm mais zeros que a minha conta bancaria. Não se vêm muitas referencias a vinho. Ao que parece são tão arrogantes que acham que não precisam.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1112682895029808772005-04-05T01:34:00.000-05:002005-04-05T01:34:55.030-05:00A arrivadaA França, pelo que me foi dado ver, é um país coberto de nuvens. Por baixo das nuvens havia paris. Paris é bonito para quem voa, para quem tem rodas, o facto de paris ser a cidade luz deve com certeza ter alguma coisa a ver com o facto de ter semáforos a cada 2 metros. Em Paris vi a torre eiffel. É grande e é de ferro. Em paris comi uma quiche e dormi num quarto “com lavatório privativo”. Em paris, falei português e foi como ter visitado alguma parte de portugal onde alguém se tivesse lembrado de pôr uma torre eiffel.<br />Em paris acordei cedo e apanhei o comboio. O comboio anda depressa e fala francês. Acho que o comboio disse que havia comida na carruagem 14, mas não tenho a certeza porque o comboio falava muito depressa e com muitos grshshshs. No comboio só se podia falar ao telefone fora das carruagens. Ao meu lado estava uma senhora com dois búzios e seis livros e um quadro e um marcador e postais e que conseguiu escrever e ler e ouvir musica em todos estes itens em três horas. Também conseguiu virar a chávena de chá da senhora da frente, que devia ter um Curso de Viagens de Comboio porque tinha almofadas e mantas e pequeno almoço. No resto do comboio havia pessoas a estudar, ler, comer, conversar, preencher o IRS e dormir.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1112682798426224302005-04-05T01:31:00.000-05:002005-04-05T01:33:18.426-05:00Antes de mais uma carta de saudadeUm gajo acha que é feito de ferro, que o que se quer é passear e viajar e que saudades e tristezas são coisa de rotos, daquelas pessoas que não têm mais nada que fazer aos pensamentos que levá-los para sítios por onde já andaram. E depois vai-se a ver e quando um gajo chega ao estrangeiro o estrangeiro dá vontade de chorar. Vai-se vendo uns monumentos em modo automático, pegando em todos os papeis que pareçam mapas e guias culturais, percorrendo umas ruas, mais pela obrigação de ter alguma coisa que contar do que pela vontade de ver o que há para ver. E à primeira gota de chuva ou cansaço de pés um gajo pensa que o melhor é ir para casa, para onde as coisas ainda são e cheiram e parecem “lá”, e com a desculpa de pôr o desktop mais convidativo para a árdua tarefa que se apresenta, vão-se vendo sorrisos, que abraços não se podem ter. <br /><br />Posto isto, passemos à Árdua Tarefa que se Apresenta propriamente dita: a redacção do “diário da tasqueira por terras de frança”.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1111494722560030342005-03-22T07:31:00.000-05:002005-03-22T07:32:02.563-05:00Da DorOuvi no outro dia na televisão (a televisão para mim é um rádio que dá luz), que as mulheres morrem mais de ataques cardiacos porque quando o dito ataque começa, elas continuam a sua vida como se nada fosse, enquanto que os homens vão logo a correr para o hospital. Tambem me chegou aos ouvidos, que em alturas de epidemias de desinteria, as mulheres iam para o campo trabalhar e os homens ficavam em casa que não aguentavam com as dores. As mulheres morriam desidratadas, e os homens recuperavam.<br />Quanto a estes fenomenos ocorre-se-me tecer algumas considerações:<br />Pode dar-se o caso de as mulheres terem um nivel de tolerancia à dor mais elevado, pelo que não caem de cama por qualquer ataquezinho cardiaco ou desmanchamento dos intestinos. O que faz sentido em termos evolutivos: que as mulheres a quem doia menos os partos e demais “dores de ter filhos”, os tenham em maior quantidade. O que me faz pensar que a evolução foi filha da puta, em vez de seleccionar alguma característica mais comoda, como ter filhos mais pequenos que saissem pelo umbigo, ou têr um fecho eclair na barriga que se abrisse e fechasse para parir, não! Tinha que seleccionar um método sujo, sangrento e que faz estragos mas que as mulheres conseguem tolerar.<br />Alternativamente, as mulheres podem não ter de todo mais tolerancia a dor, mas apesar de a sentirem, preferem continuar a trabalhar a arriscar-se a uma visita ao hospital ou a uma estadia na cama, que poderia em ultima analise levar ao acabamento do mundo (mulher tá de cama, marido tenta cozinhar, tenta usar lixivia para fritar batatas, queima a cara, corre desenfreadamente na cozinha tentando descobrir aquela coisa que deita agua, sai acidentalmente pela janela, cai no meio da estrada, carros despistam-se, camião que transporta armamento despista-se, armamento dispara acidentalmente, bush acha que é um ataque terrorista, bush carrega no botão vermelho, mundo acaba, the end)<br />Eu pessoalmente gosto mais é de me queixar. Se tratasse as minhas doenças com hospital e cama, depois ia-me queixar de quê? Do tempo?tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-8046989.post-1110894669132702292005-03-15T08:50:00.000-05:002005-03-15T08:51:09.133-05:00O ódio é uma coisa com muitas patasO ódio é no geral uma coisa preguiçosa, que gosta de dormir e ficar quietinho no buraco onde mora (ali entre o coração e as costas). Quando há trabalho que fazer, o ódio acorda e estende as patas para os braços, os dentes a coluna e as pernas, preparando o corpo para pontapear, esgadunhar, socar e arrancar bocados de carne à dentada. Há quem pense que há uma pata que se estende para o cérebro e não o deixa pensar, mas eu acho que é mentira, acho que é a desculpa envergonhada de quem tem sangue e bocados de carne nos dentes e quer disfarçar.<br />O ódio alêm de preguiçoso, é um bocado cego e um bocado surdo. O ódio não consegue acordar e estender as patas por qualquer pessoa imcompetente que se apresente do outro lado dum balcão, esse é um trabalho para a raiva e para a frustação (que moram no mesmo sítio mas que ouvem melhor e só têm uma pata cada uma, uma pata que se estende para a língua e faz gritar impropérios e uma pata que se estende para a coluna e a faz curvar), nem consegue acordar com generalidades, só porque a pessoa onde mora o ódio mora num país que é o primeiro a esquecer-se de pagar as suas dívidas (esse é um serviço para o ressentimento, que mora no cérebro e provoca fugas ao fisco e mentirinhas a segurança social). Não, o ódio só acorda para estender as patas quando alguma coisa barulhenta o incomoda lá no sitio onde mora. Facadas nas costas. E corações a partir.tasquehttp://www.blogger.com/profile/12557945864081479386noreply@blogger.com