tag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-90483017900528905732008-06-04T00:20:00.000+01:002008-06-04T00:20:00.593+01:00Alicerçando Poesia # 308 - Manuel Bandeira (1886-1968)<br><font face="verdana" size="2"><strong>Nu</strong><br /><br />Quando estás vestida, <br />Ninguém imagina <br />Os mundos que escondes <br />Sob as tuas roupas. <br /><br />(Assim, quando é dia, <br />Não temos noção <br />Dos astros que luzem <br />No profundo céu. <br /><br />Mas a noite é nua, <br />E, nua na noite, <br />Palpitam teus mundos <br />E os mundos da noite. <br /><br />Brilham teus joelhos, <br />Brilha o teu umbigo, <br />Brilha toda a tua <br />Lira abdominal. <br /><br />Teus exíguos <br />— Como na rijeza <br />Do tronco robusto <br />Dois frutos pequenos — <br /><br />Brilham.) Ah, teus seios! <br />Teus duros mamilos! <br />Teu dorso! Teus flancos! <br />Ah, tuas espáduas! <br /><br />Se nua, teus olhos <br />Ficam nus também: <br />Teu olhar, mais longe, <br />Mais lento, mais líquido. <br /><br />Então, dentro deles, <br />Bóio, nado, salto <br />Baixo num mergulho <br />Perpendicular. <br /><br />Baixo até o mais fundo <br />De teu ser, lá onde <br />Me sorri tu’alma <br />Nua, nua, nua...</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.com