tag:blogger.com,1999:blog-79341382008-07-23T00:25:01.029+01:00Alicerceshfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comBlogger725125tag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-18358512949847831292008-07-23T00:25:00.000+01:002008-07-23T00:25:01.060+01:00Alicerçando Poesia # 318 - António Pedro<br><font face="verdana" size="2"><strong>Ode ao Almada Negreiros</strong><br /><br />Maravilhosa plástica das coisas!<br />Tudo no seu lugar, as cores e os olhos<br />Lá no lugar de cada coisa, a vê-la<br />Com seu aspecto natural e próprio.<br /><br /><br />(Tudo para cada um, na variedade<br />Dos olhos de quem se admite na paisagem,<br />Ou como espectador,<br />Ou como actor,<br />Ambas as coisas uma, no concerto<br />Magnífico do mundo.)<br /><br />...Sem memória, ou com memória a sê-la<br />Nos olhos a olhar completamente<br />Sem nenhum pensamento reservado:<br />- - Olhos dados a cada coisa, ou tida<br />- Cada coisa p’los olhos que se deram!...<br /><br />Vaivém de tudo e nada, desse nada<br />Profético de tudo - e o tudo enorme<br />De cada nada afeiçoado e olhado<br />À feição de quem olha possuindo<br />E possuído, na maravilhosa<br />Cópula grande dos Artistas todos...<br /><br />Maravilha de ter-se e ter-se dado,<br />Em cada olhar olhado,<br />E em cada cor e em cada flor mantido,<br />Bolindo e vendo<br />O sonho de se ir tendo<br />Realizado.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-84095460845709657842008-07-19T00:22:00.000+01:002008-07-19T00:22:00.865+01:00Alicerçando Imagens # 141 - Leonardo da Vinci<br><a href="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SH9xxAjb6OI/AAAAAAAABws/7pCnHp5h_YA/s1600-h/leonardo_closed_eyes.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SH9xxAjb6OI/AAAAAAAABws/7pCnHp5h_YA/s400/leonardo_closed_eyes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224019179549223138" /></a><br /><center>Leonardo da Vinci, Head of a Woman, Uffizi, Florence</center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-73105833906172300552008-07-15T17:15:00.000+01:002008-07-15T17:15:55.629+01:00Alicerçando Poesia # 317 - Alexei Bueno<br><font face="verdana" size="2"><strong>Neste Instante</strong><br /> <br />Neste instante, neste, <br />Vê como sonhaste<br />Tudo o que viveste.<br /> <br />A vida é um engaste<br />De pedra roubada,<br />Mas nunca o notaste.<br /> <br />Nada deixou nada.<br />Dormimos a vida.<br />Nesta madrugada.<br /> <br />Nesta hora escolhida,<br />Tua alma, em teu quarto,<br />Virgem e esvaída,<br /> <br />Faz seu próprio parto.</font><br /> <br /><p align="right">30/5/92</p><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-37580378259999874682008-07-13T00:34:00.000+01:002008-07-13T00:34:00.165+01:00Alicerçando Poesia # 316 - Mário de Sá-Carneiro<br><font face="verdana" size="2"><strong>Anto</strong><br /> <br />Caprichos de lilás, febres esguias,<br />Enlevos de Ópio - Íris-abandono...<br />Saudades de luar, timbre de Outono,<br />Cristal de essências langues, fugidias...<br /> <br />O pagem débil das ternuras de cetim,<br />O friorento das carícias magoadas;<br />O príncipe das Ilhas transtornadas -<br />Senhor feudal das Torres de marfim...</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-19010972440338836442008-07-06T08:31:00.002+01:002008-07-06T08:33:21.244+01:00Alicerçando Imagens # 140 - Salvador Dalí<br><a href="http://bp3.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SHB078FaOMI/AAAAAAAABs8/mNDT5wOiN-o/s1600-h/054+(2).JPG"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SHB078FaOMI/AAAAAAAABs8/mNDT5wOiN-o/s400/054+(2).JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219800541212326082" /></a><br /><center>Teatro Museu Dalí - Figueras</center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-12062140696306431802008-07-04T00:01:00.000+01:002008-07-04T00:01:26.351+01:00Alicerçando Poesia # 315 - Manoel de Barros<br><font face="verdana" size="2" color="midnightblue">PASSEIO Nº 2<br /><br />Um homem (sozinho como um pente) foi visto da varanda pelos tontos.<br />Na voz ia nascendo uma árvore<br />Aberto era seu rosto como um terreno.<br /><br />In, Matéria de Poesia</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-90487194005214256182008-07-01T10:08:00.003+01:002008-07-01T10:12:34.249+01:00Alicerçando Poesia # 314 - Sophia de Mello Breyner Andresen<br><font face="verdana" size="2">MANHÃ DE OUTONO NUM PALÁCIO DE SINTRA<br /><br />Um brilho de azulejos e de folhagem<br />Povoa o palácio que um jovem rei trocou<br />Pela noite frontal no descampado<br /><br />Ele não quis o alaúde dos dias<br />Seu ombro sacudiu a frescura das salas<br />Sua mão rejeitou o sussurro das águas<br /><br />Mas o pequeno palácio é nítido - sem nenhum fantasma -<br />Sua sombra é clara como a sombra dum palmar<br />No seu pátio canta um alvoroço de início<br />Em suas águas brilha a juventude do tempo.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-25587114550310397202008-06-28T12:19:00.000+01:002008-06-28T12:27:03.072+01:00Alicerçando Poesia # 313 - António Franco Alexandre<br><font face="verdana" size="2">Eu disse tudo, mas não no lugar certo.<br />Em cera e em metal, por mãos de gente<br />e estojos de veludo me deitei<br />e quantos me tiveram sabem quanto<br />amei e amo a foice do teu rosto,<br />os cinco ou mais sentidos que me dás.<br />Um sopro humano, a boca, um coração,<br />me tocam e alimentam, como antes<br />águas de chuva no lazer do pântano<br />quando o vento passava nos pinhais;<br />sou teu igual, não mais, e no meu corpo<br />inteiramente novo é que perdura<br />a liberdade, glória do teu canto.<br />Desejo meu, em tua sede habito;<br />meu mestre, escravo, amante, pois servimos<br />no mesmo chão o mesmo antigo lume.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-10724887176811650882008-06-24T00:35:00.000+01:002008-06-24T00:35:00.478+01:00Alicerçando Imagens # 139 - Roger Fry 1866-1934<a href="http://bp1.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXO02yvwFI/AAAAAAAABnY/hF58JmDCxuY/s1600-h/T00101_9.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXO02yvwFI/AAAAAAAABnY/hF58JmDCxuY/s400/T00101_9.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198788752325984338" /></a><br /><center><font face="verdana" size="2">Natureza Morta - Flores, 1912, óleo sobre tela, 965 x 610mm</font></center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-22738149871416523342008-06-20T00:17:00.001+01:002008-06-20T00:17:01.950+01:00Alicerçando Poesia # 312 - John Torres - Porto Rico<br><font face="verdana" size="2"><strong>Tratado</strong><br /><br />La memoria del cuerpo <br />es un prisma de resonancias.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-43079732878317956522008-06-17T00:59:00.001+01:002008-06-17T01:04:02.875+01:00Alicerçando Poesia # 311 - Marguerite Yourcenar<br><font face="verdana" size="2"><strong>Respostas</strong><br /><br />- Que tens para consolar a cova,<br />coração insolente, coração incontido?<br />O fruto maduro pende e sossobra.<br />Que tens para consolar a cova?<br />- Tenho o tesouro de ter sido.<br /><br />Que tens para suportar a vida,<br />Coração doido, farto de pulsar?<br />Coração sem brilho e sem jaça.<br />Que tens para suportar a vida?<br />- Piedade de tudo o que passa.<br /><br />Que tens para desprezar o mundo.<br />Coração duro, fácil de quebrar,<br />Que tens para desprezar o mundo,<br />Que tens mais que nós, mais fundo?<br />- Capaz de me desprezar.</font><br /><br /><p align="right">Tradução de Mário Cesariny</p><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-90939822835480733182008-06-14T00:42:00.000+01:002008-06-14T00:46:31.243+01:00Alicerçando Imagens # 138 - Cézanne<a href="http://bp2.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SC2rsp9Vh7I/AAAAAAAABoQ/xRbXGzr2ZIo/s1600-h/cezanne_roche-guyon.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SC2rsp9Vh7I/AAAAAAAABoQ/xRbXGzr2ZIo/s400/cezanne_roche-guyon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201001928348501938" /></a><br /><center>Route tournante à La Roche-Guyon, 1885, óleo sobre tela, 64.2 x 80 cm, Smith College Museum of Art, Northampton, MA</center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-60007685824441406122008-06-10T02:15:00.000+01:002008-06-10T02:31:23.319+01:00Alicerçando Poesia # 310 - Afonso Lopes Vieira<br><font face="verdana" size="2"><strong>Flores do Verde Pinho</strong><br /> <br />Ó meu jardim de saudades,<br />Verde catedral marinha,<br />E cuja reza caminha<br />Pelas reboantes naves...<br /> <br />Ai flores do verde pinho,<br />Dizei que novas sabedes<br />Da minha alma, cujas sedes<br />Ma perderam no caminho!<br /> <br />Revejo-te e venho exangue;<br />Acolhe-me com piedade,<br />Longo jardim da saudade<br />Que me puseste no sangue.<br /> <br />Ai flores do verde ramo,<br />Dizei que novas sabedes<br />Da minha alma, cujas sedes<br />Ma alongaram do que eu amo!<br /> <br />- A tua alma em mim existe,<br />E anda no aroma das flores,<br />Que te falam dos amores<br />De tudo o que é lindo e triste.<br /> <br />A tua alma, com carinho,<br />Eu guardo-a, e deito-a, a cantar,<br />Das flores do verde pinho<br />- Àquelas ondas do mar.</font><br /><br /><br /><p align="right">PAÍS LILÁS, DESTERRO AZUL, LÍRICAS PORTUGUESAS, PORTUGÁLIA EDITORA, 3ª SÉRIE, PAG. 125</p><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-13300539186676300282008-06-07T02:05:00.000+01:002008-06-07T02:21:15.663+01:00Alicerçando Poesia # 309 - William Wordsworth<br><font face="verdana" size="2"><strong>The Solitary Reaper</strong><br /> <br />Behold her, single in the field, <br />Yon solitary Highland Lass!<br />Reaping and singing by herself;<br />Stop here, or gently pass!<br />Alone she cuts and binds the grain,<br />And sings a melancholy strain;<br />O listen! for the Vale profound<br />Is overflowing with the sound. <br /> <br />No Nightingale did ever chaunt<br />More welcome notes to weary bands<br />Of travellers in some shady haunt,<br />Among Arabian sands:<br />A voice so thrilling ne'er was heard<br />In spring-time from the Cuckoo-bird,<br />Breaking the silence of the seas<br />Among the farthest Hebrides. <br /> <br />Will no one tell me what she sings?--<br />Perhaps the plaintive numbers flow<br />For old, unhappy, far-off things,<br />And battles long ago:<br />Or is it some more humble lay,<br />Familiar matter of to-day?<br />Some natural sorrow, loss, or pain,<br />That has been, and may be again? <br />Whate'er the theme, the Maiden sang<br />As if her song could have no ending;<br />I saw her singing at her work,<br />And o'er the sickle bending;--<br />I listened, motionless and still;<br />And, as I mounted up the hill,<br />The music in my heart I bore,<br />Long after it was heard no more.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-90483017900528905732008-06-04T00:20:00.000+01:002008-06-04T00:20:00.593+01:00Alicerçando Poesia # 308 - Manuel Bandeira (1886-1968)<br><font face="verdana" size="2"><strong>Nu</strong><br /><br />Quando estás vestida, <br />Ninguém imagina <br />Os mundos que escondes <br />Sob as tuas roupas. <br /><br />(Assim, quando é dia, <br />Não temos noção <br />Dos astros que luzem <br />No profundo céu. <br /><br />Mas a noite é nua, <br />E, nua na noite, <br />Palpitam teus mundos <br />E os mundos da noite. <br /><br />Brilham teus joelhos, <br />Brilha o teu umbigo, <br />Brilha toda a tua <br />Lira abdominal. <br /><br />Teus exíguos <br />— Como na rijeza <br />Do tronco robusto <br />Dois frutos pequenos — <br /><br />Brilham.) Ah, teus seios! <br />Teus duros mamilos! <br />Teu dorso! Teus flancos! <br />Ah, tuas espáduas! <br /><br />Se nua, teus olhos <br />Ficam nus também: <br />Teu olhar, mais longe, <br />Mais lento, mais líquido. <br /><br />Então, dentro deles, <br />Bóio, nado, salto <br />Baixo num mergulho <br />Perpendicular. <br /><br />Baixo até o mais fundo <br />De teu ser, lá onde <br />Me sorri tu’alma <br />Nua, nua, nua...</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-85606694744044276572008-06-01T00:09:00.000+01:002008-06-01T00:09:01.074+01:00Alicerçando Imagens # 137 - Duncan Grant 1885-1978<br><a href="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXP0myvwGI/AAAAAAAABng/yxnWmhPWOYI/s1600-h/N04566_9.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXP0myvwGI/AAAAAAAABng/yxnWmhPWOYI/s400/N04566_9.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198789847542644834" /></a><br /><center><font face="verdana" size="2">Futebol, 1911</font></center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-78422760968163563502008-05-28T02:08:00.000+01:002008-05-28T02:08:01.604+01:00Alicerçando Palavras # 157- Ana Cristina Cesar<br><font face="verdana" size="2"><strong>Back Again </strong><br /> <br />Larguei as botas na escada. Subi descalça, vesti a camisola de algodão.Acabei com o Dalmadorm. Não rolei mais. Esqueci do corpo; com olhos abertos fica tudo claro; eu estava dentro; a vida<br />inteira, a terra toda, os punks negros na esquina, negra com punhal. Flash vermelho em luz neon piscando por entre as persianas: "aqui morri", e depois de um minuto todas as paixões de novo. De novo e uma paisagem só vista do alto. Não vejo meu corpo mas penso nele com desejo e minha consciência é o teto do mundo, como se o forro do meu crânio fosse o céu. Mas não vejo o osso duro. Quando a luzneon piscou pela última vez lembrei do limbo, e ali também era o inferno que doía no teto do mundo e o céu era vermelho. Me vi num trem atravessando a Escócia e lendo um conto de KM. O conto se acaba e eu fechava o livro e olhava para fora e meu pescoço estava mole, miúdos de galinha, brilho de luz no mar do Norte, um velho inspecionava tickets, encostei a cabeça na vidraça. Estava quente epassava rápido e eu dormi sem querer (quando quero tenho insônia), rumando para o norte. </font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-1755264053702339852008-05-25T00:55:00.002+01:002008-05-25T00:55:01.700+01:00Alicerçando Poesia # 307 - Chiyojo (1703-1775)<br><font face="verdana" size="2">Tornaram-se flores<br />ou são só gotas de orvalho?<br />Neve de manhã.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-38211594492381263612008-05-22T00:05:00.000+01:002008-05-22T00:05:00.795+01:00Alicerçando Palavras # 156 - António Quadros<br><font face="verdana" size="2">As caravelas já não partem deslumbradas a desvelar o Cabo. Não. O tempo é outro. Mas os pescadores portugueses continuam na praia a fixar com olhos estáticos o mar infindável e a viver e a lutar e a sofrer e a morrer o destino do mar.<br />E na imaginação das crianças e dos adolescentes, no inconsciente dos adultos frustrados numa fixação à terra que lhes parece injusta e odiosa, a ideia da aventura, da viagem, do descobrimento palpita como uma promessa e como uma fascinação.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-77297306912722517452008-05-19T00:23:00.002+01:002008-05-19T00:23:00.595+01:00Alicerçando Poesia # 306 - Alejandro Schmidt<br><font face="verdana" size="2"><strong>El salto</strong><br /><br />¿A quién olvidé<br />por sólo<br />abrir la puerta?<br /><br />¿Cuál sangre di<br />al fuego<br />y al porqué?<br /><br />¿De qué lado de la vida estuve?</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-65947853122766883442008-05-16T00:30:00.000+01:002008-05-16T00:30:01.449+01:00Alicerçando Imagens # 136 - Honoré Daumier<br><a href="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXN0myvwEI/AAAAAAAABnQ/ebhLuSHJtlI/s1600-h/uprising.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXN0myvwEI/AAAAAAAABnQ/ebhLuSHJtlI/s400/uprising.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198787648519389250" /></a><br /><center><font face="verdana" size="2">The Uprising <br />c. 1860 (190 Kb); Oil on canvas, 87.6 x 113 cm (34 1/2 x 44 1/2 in); The Phillips Collection, Washington, D.C. </font></center><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-12604544737824767522008-05-14T00:25:00.001+01:002008-05-14T00:25:01.422+01:00Alicerçando Poesia # 305 - Sophia de Mello Breyner Andresen<br><a href="http://bp1.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCYBvmyvwII/AAAAAAAABnw/H8xrig1y4Pw/s1600-h/praia.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCYBvmyvwII/AAAAAAAABnw/H8xrig1y4Pw/s400/praia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198844737224687746" /></a><br /><font face="verdana" size="2" color="midnightblue">Espero sempre por ti o dia inteiro,<br />Quando na praia sobe de cinza e oiro,<br />O nevoeiro<br />E há em todas as coisas o agoiro<br />De uma fantástica vinda.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-17033316453926060552008-05-12T00:08:00.002+01:002008-05-12T00:08:00.799+01:00Alicerçando Palavras # 155 - Hisham Matar<br><a href="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXIomyvwDI/AAAAAAAABnI/PkMWW0fSgIs/s1600-h/livro.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_JOGCHkhBCqM/SCXIomyvwDI/AAAAAAAABnI/PkMWW0fSgIs/s400/livro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198781944802820146" /></a><br /><br /><p align="right"><font face="verdana" size="2">Matar, Hisham - Em Terra de Homens - Civilização Editora</p><br /><br />Um dos melhores livros que li ultimamente.</font>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-11698634538321361362008-05-10T00:02:00.000+01:002008-05-10T00:02:01.456+01:00Alicerçando Poesia # 304 - Katsura Nobuko<br><font face="verdana" size="2">São os patos bravos -<br />uma fatia de silêncio<br />entre o seu grasnar.</font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7934138.post-6055211554642016942008-05-08T00:08:00.000+01:002008-05-08T00:08:00.138+01:00Alicerçando Palavras # 154 - Ana Cristina Cesar<br><font face="verdana" size="2"><strong>Back Again </strong><br /> <br />Larguei as botas na escada. Subi descalça, vesti a camisola de algodão.Acabei com o Dalmadorm. Não rolei mais. Esqueci do corpo; com olhos abertos fica tudo claro; eu estava dentro; a vida<br />inteira, a terra toda, os punks negros na esquina, negra com punhal. Flash vermelho em luz neon piscando por entre as persianas: "aqui morri", e depois de um minuto todas as paixões de novo. De novo e uma paisagem só vista do alto. Não vejo meu corpo mas penso nele com desejo e minha consciência é o teto do mundo, como se o forro do meu crânio fosse o céu. Mas não vejo o osso duro. Quando a luzneon piscou pela última vez lembrei do limbo, e ali também era o inferno que doía no teto do mundo e o céu era vermelho. Me vi num trem atravessando a Escócia e lendo um conto de KM. O conto se acaba e eu fechava o livro e olhava para fora e meu pescoço estava mole, miúdos de galinha, brilho de luz no mar do Norte, um velho inspecionava tickets, encostei a cabeça na vidraça. Estava quente epassava rápido e eu dormi sem querer (quando quero tenho insônia), rumando para o norte. </font><br /><br>hfmhttp://www.blogger.com/profile/08099868635372599019noreply@blogger.com