<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527</id><updated>2009-12-25T09:29:06.403-08:00</updated><title type='text'>Mundo Fantasmo</title><subtitle type='html'>Artigos de Braulio Tavares em sua coluna diária no "Jornal da Paraíba" (Campina Grande-PB) a partir de março de 2003. O artigo de hoje pode ser lido em: 
http://jornaldaparaiba.globo.com/col_brau.php</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1450</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7327309983595174329</id><published>2009-12-25T09:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T09:29:06.555-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edward Hopper'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cornell Woolrich'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes plásticas'/><title type='text'>1449) “Nighthawks” (4.11.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT2VuMSdwI/AAAAAAAADGg/rFvYZBDwrSU/s1600-h/hopper_nighthawks.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 174px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419227104670807810" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT2VuMSdwI/AAAAAAAADGg/rFvYZBDwrSU/s320/hopper_nighthawks.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma esquina deserta, de madrugada, num cruzamento de ruas estreitas onde todas as lojas estão fechadas e às escuras. Ocupando o centro e o lado direito do quadro, um café iluminado por luzes fluorescentes. Através das vidraças altas e extensas, vemos o balcão de madeira com banquinhos redondos enfileirados. Apenas quatro pessoas estão ali. Dentro do balcão, um barman com uniforme e bonezinho branco está curvado, aparentemente lavando algo na pia. Diante dele, um homem de terno escuro e chapéu cinza e uma mulher alva, ruiva, de vestido vermelho. Na outra lateral do balcão, de costas para o observador, vê-se outro homem, também de terno e chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro é “Nighthawks” (algo como “Predadores, ou Aves de Rapina Noturnas”), e foi pintado em 1942 por Edward Hopper, homenageado agora em Nova York com uma retrospectiva. A obra de Hopper é numerosa e variada, e este quadro sempre me fascinou. Somente quem já “fez a noite”, quem se deu o trabalho de passar madrugadas inteiras andando a pé pelo centro velho de uma cidade, tomando uma cerveja aqui, um café acolá, e puxando papo com os boêmios da madruga, pode entender o fascínio e o mistério desta cena. (Que pode ser vista em: http://www.artchive.com/artchive/H/hopper/nighthwk.jpg.html).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi todo tipo de interpretação. Para Fulano, o quadro mostra um café aconchegante, onde as pessoas encontram calor humano e simpatia na presença de meros estranhos. Para Sicrano, mostra a solidão desesperadora das grandes cidades, com pessoas taciturnas e depressivas evitando os olhares umas das outras. Para Beltrano, mostra o deflagrar de um triângulo amoroso que redundará em crime, com o barman servindo de testemunha involuntária e indiferente. Análises freudianas se basearam no fato de que Hopper pintou o casal usando como modelos ele mesmo e sua esposa. Também sugerem que o homem de costas é um Duplo, um “Doppelgänger” do outro. Ele é livre, solteiro, altivo, enquanto o outro, tenso e carrancudo, está visivelmente num beco-sem-saída conjugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ainda não lhe sabia o título, batizei este quadro de &lt;em&gt;Deadline at Dawn&lt;/em&gt; (“Prazo-limite ao amanhecer”), título de um livro policial de Cornell Woolrich (1944, sob o pseudônimo de William Irish) que transcorre entre a meia-noite e a aurora, em Nova York. Um homem conhece uma mulher num night-club. Os dois descobrem que são da mesma cidade do interior e que detestam Nova York. Apaixonam-se, e decidem voltar no primeiro trem da manhã para a terra natal. Mas ele se envolve num crime, é perseguido pela polícia e tem até o amanhecer para descobrir o assassino e provar sua inocência. Os dois saem pela cidade, numa corrida contra o relógio, percorrendo bares, cafés, em busca de pistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada, as pessoas de bem estão dormindo: os pais de família, as donas de casa, os velhos, as crianças. A madrugada é dos predadores e daqueles que não os temem. Só sai à rua quem tem negócio, ou quem está à procura do improvável. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7327309983595174329?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7327309983595174329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7327309983595174329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7327309983595174329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7327309983595174329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1449-nighthawks-4112007.html' title='1449) “Nighthawks” (4.11.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT2VuMSdwI/AAAAAAAADGg/rFvYZBDwrSU/s72-c/hopper_nighthawks.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-8144375728892394465</id><published>2009-12-25T09:21:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T09:26:32.895-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quebra-cabeças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Douglas Hofstadter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='anagrama'/><title type='text'>1448) O soneto anagrama (3.11.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT1sxuE5EI/AAAAAAAADGY/_A79GpO6g2w/s1600-h/delaware.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 185px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419226401243194434" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT1sxuE5EI/AAAAAAAADGY/_A79GpO6g2w/s320/delaware.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(o quadro de Leutze)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A intersecção da Literatura com os quebra-cabeças (jogos em que uma regra arbitrária precisa ser seguida à risca) nos dá os palíndromos, os lipogramas e outros barroquismos já comentados nesta coluna. Folheando o magnífico livro de Douglas Hofstadter &lt;em&gt;Le Ton Beau de Marot&lt;/em&gt; (New York: Basic Books, 1997), que examina problemas abstrusos de linguagem e tradução, encontrei um soneto de um tal David Shulman, intitulado “Washington Crossing the Delaware”. O título alude a uma famosa pintura a óleo de E. G. Leutze que retrata um momento da Guerra da Independência norte-americana em 1776, quando George Washington cruzou com suas tropas o Rio Delaware para pegar de surpresa as tropas britânicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não transcreverei aqui o soneto inteiro. Para ilustrar minha tese (que é a mesma de Hofstadter) basta-me o primeiro quarteto, que assim diz: “A hard, howling, tossing water scene: / strong tide was washing hero clean. / ‘How cold!’ Weather stings as in anger / O silent night shows war ace danger!” Os versos dizem algo como: “Uma cena fluvial árdua, cheia de uivos e de agitação: / uma poderosa maré lavando por inteiro o herói. / ‘Que frio!’ O tempo dá agulhadas, como que furioso. / Oh, noite silenciosa, que mostra ao ás da guerra o perigo!” Não boto a mão no fogo por esta tradução, porque o texto original me parece truncado, sem beleza. (Quem quiser o soneto todo é só pedir.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Faça uma pausa, amigo. Confira as letras de cada verso, e perceba que cada uma das quatro linhas citadas acima é um anagrama perfeito (ou seja, contém exatamente as mesmas 29 letras, inclusive as repetições) do título do soneto. E o soneto todo é assim: suas catorze linhas são catorze anagramas do próprio título, e conseqüentemente todas são anagramas umas das outras. E o soneto inteiro retrata, de maneira aceitável, a cena descrita. É aquilo que os franceses chamam de “tour de force”, uma demonstração fenomenal de habilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é poesia? Não sei. Tecnicamente é, pois se trata de um soneto que obedece às regras básicas da forma, ainda que não seja um grande soneto, ou sequer um bom soneto. Coloca uma questão curiosa: um péssimo poema é poesia? O que define a presença da poesia: a presença de um conjunto de regras, ou a qualidade literária do resultado? O texto de Shulman pertence a uma zona intermediária entre a literatura e o que eu chamo de “ludismo verbal”, que inclui desde os travalínguas dos repentistas até os caligramas (poemas cujas palavras criam um desenho na página) dos poetas barrocos portugueses ou de Guillaume Apollinaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A façanha de Shulman talvez só seja possível numa língua como o inglês, mais monossilábica que a nossa. Duvido que alguém consiga compor em português um soneto com quinze anagramas (título mais catorze versos) que faça um mínimo de sentido. (Pronto, já sei que acabo de atrapalhar a vida de meia dúzia de malucos, os quais de agora em diante se dedicarão a provar que é possível, sim.) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-8144375728892394465?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/8144375728892394465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=8144375728892394465&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8144375728892394465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8144375728892394465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1448-o-soneto-anagrama-3112007.html' title='1448) O soneto anagrama (3.11.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT1sxuE5EI/AAAAAAAADGY/_A79GpO6g2w/s72-c/delaware.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7486127910822636676</id><published>2009-12-25T09:16:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T09:21:37.432-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seleção Brasileira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copa do Mundo'/><title type='text'>1447) A Copa de 2014 (2.11.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT0kt5rfEI/AAAAAAAADGQ/F_lczbHozi0/s1600-h/copa2014_blatter.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419225163267537986" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT0kt5rfEI/AAAAAAAADGQ/F_lczbHozi0/s320/copa2014_blatter.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Liguei a TV para acompanhar a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, e fiquei entusiasmado. Na delegação que representava nosso país estavam o presidente Lula, o presidente da CBF Ricardo Teixeira, o técnico Dunga, o craque Romário... e o mago Paulo Coelho! Agora sim, eu fico confiante. Com Paulo Coelho na comissão técnica, duvido que alguém nos tire esse título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, futebol à parte, eu desconfio desses mega-eventos. Primeiro, acho que essa história de construir ou reformar uma dúzia de estádios acaba resultando na costumeira festança das empreiteiras e dos atravessadores. Um estádio de 50 milhões acaba custando 100, porque outros cinqüenta têm de ser empregados no pedágio da burocracia, onde cada trâmite de processo, cada liberação de verbas, cada rubrica de fiscalização tem que ser comprada a peso de ouro. Copa do Mundo no Brasil é uma excelente notícia para esse pessoal. Agora mesmo tive de ir fechar a janela da sala, devido ao ruído ensurdecedor das rolhas de champanha de mil reais a garrafa pipocando Brasil afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, a enxurrada de turistas endinheirados que aflui para um evento desse porte é uma tentação irresistível para nosso submundo. Lembram as matérias mostrando como as casas de prostituição proliferaram na Alemanha durante a Copa do ano passado? Se é assim na pátria de Lutero, avalie como vai ser aqui, na pátria de Bruna Surfistinha. E olhem que estou falando no lado (digamos) inofensivo do problema. Se a gente extrapolar essa situação para o âmbito dos traficantes e vendedores de drogas, dos batedores de carteiras, dos assaltantes a mão armada, dos gatunos de hotel, das quadrilhas de seqüestro-relâmpago... É um pouco como fazer uma maratona de natação para dez mil participantes na praia de Boa Viagem. Os tubarões agradecem.&lt;br /&gt;Voltando ao aspecto futebolístico, a Copa vir para cá em 2014 nos traz uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que dificilmente perderemos o título, mesmo jogando sob a sombra tenebrosa dos fiascos de 1950 e de 2006. A má notícia é que a Copa de 2010 já está perdida por antecipação, porque, resultados no campo à parte, existe um sutil direcionamento nessas disputas “aconselhando” Fulano a perder agora para ganhar depois. Os leitores mais ligados hão de recordar que previ, nesta coluna, que nossa Seleção perderia em 2006 e 2010 caso tivesse chances de sediar a Copa em 2014. A primeira parte da minha profecia já se cumpriu, de maneira inesperada até para mim: uma das seleções mais “galácticas” que já montamos entregou o ouro aos bandidos, de mão beijada. Como, e por quê? Fiquei sabendo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Brasil se distanciasse muito no número de títulos, a disputa perderia a graça. Antes de 2006 tínhamos cinco títulos, contra três da Itália e três da Alemanha. A Itália subiu para quatro. Profetizo que a Alemanha ganhará a próxima, mas que no Maracanã ninguém nos tira o título, a não ser que algum adversário escale Obdulio Varela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7486127910822636676?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7486127910822636676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7486127910822636676&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7486127910822636676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7486127910822636676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1447-copa-de-2014-2112007.html' title='1447) A Copa de 2014 (2.11.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzT0kt5rfEI/AAAAAAAADGQ/F_lczbHozi0/s72-c/copa2014_blatter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-167042303952143150</id><published>2009-12-25T09:10:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T09:15:53.770-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Campina Grande'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><title type='text'>1446) A economia de Zinaldo (1.11.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzTzQfwVqZI/AAAAAAAADGI/OQ34aj3gKtM/s1600-h/cifrao.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 249px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419223716361251218" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzTzQfwVqZI/AAAAAAAADGI/OQ34aj3gKtM/s320/cifrao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu comparo o Capitalismo Selvagem a uma floresta tropical, onde florescem as espécies animais e vegetais mais improváveis. O Capitalismo é aquela “selva selvaggia” lembrada por Dante, em cujo interior um poeta extraviado acaba encontrando o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Ou seja: tem de tudo. Com a &lt;em&gt;Divina Comédia&lt;/em&gt;, o poeta de Florença inculcou na nossa cultura o interessante conceito de que o Paraíso existe, mas para chegar a ele é preciso passar pelo Inferno. Tem gente que, por medo desse estágio intermediário, acaba recuando e refugiando-se no limbo do ateísmo. Questão de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o que é escrever de improviso – eu fico falando em Dante Alighieri quando meu propósito era falar sobre Zinaldo, que estudou comigo no Estadual da Prata e a quem encontro vez por outra quando retorno a Campina. Zinaldo está hoje mais gordo e menos grisalho do que eu. Sempre de bom humor, freqüenta o Miúra nos fins de semana e o Chope do Alemão após o expediente na repartição pública onde bate ponto. Ganha pouco, sustenta mulher e três filhos, e vive numa economia na ponta do lápis, uma balança de ourives capaz de registrar a entrada ou a saída de cada centavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zinaldo é chamado pelos amigos de “amarrado”, “unha-de-fome”. Dizem que se ele agarrar um Alka-Seltzer e pular numa piscina o comprimido não corre o menor risco, porque ele não abre a mão nem por um decreto. Usa há dez anos as mesmas camisas e os mesmos sapatos. Quando chega a conta no bar, diz: “Vou pagar uma cerveja...” e os amigos pagam o resto, porque o adoram. No aniversário de sua mãe, Dona Zilda, leva-a ao shopping e paga-lhe uma banana-split.&lt;br /&gt;Acontece que Zinaldo, vivendo nessa corda-bamba financeira, não resiste a uma liquidação. Quando vê uma dessas vitrines anglófilas anunciando: “SALE – 50%!!!” ele entra de imediato e compra um cinto, uma meia. Pega livros em bibliotecas e os xeroca, porque sai mais barato que comprar o livro. Copia todos os DVDs das locadoras, porque sai mais barato pagar 1 real no DVD virgem do que 20 ou 30 no filme propriamente dito. Promoção é com ele mesmo. Quando aparece na Internet uma campanha de passagem aérea “por 50 reais” ele parcela em doze vezes no cartão uma passagem para Foz do Iguaçu ou para a serra gaúcha, viagens que não estavam nos seus planos. Tudo para fazer economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última vez em que bebemos juntos, no Ceboleiro, Zinaldo pegou um guardanapo e me fez um retrato aterrorizante de sua situação financeira. Ponderei que ele acabava gastando mais do que devia, seduzido pela possibilidade de estar gastando pouco. Disse-lhe que quando um produto de 200 reais é oferecido por 50 é porque deve ter custado 30, e o lojista abriu mão do lucro delirante para garantir uma margem mais realista. Disse-lhe que esse Capitalismo acha mais prático tirar um real de 50 milhões de pessoas do que 50 milhões de reais de uma pessoa só. Zinaldo não entendeu. Ou não acreditou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-167042303952143150?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/167042303952143150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=167042303952143150&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/167042303952143150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/167042303952143150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1446-economia-de-zinaldo-1112007.html' title='1446) A economia de Zinaldo (1.11.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzTzQfwVqZI/AAAAAAAADGI/OQ34aj3gKtM/s72-c/cifrao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7834091817014861252</id><published>2009-12-22T06:38:00.000-08:00</published><updated>2009-12-22T06:40:47.007-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>1445) A tecnologia dos corvos (31.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDaZifesXI/AAAAAAAADGA/OpHqBw2KRKQ/s1600-h/corvo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 255px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418070484017131890" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDaZifesXI/AAAAAAAADGA/OpHqBw2KRKQ/s320/corvo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A revista &lt;em&gt;Science&lt;/em&gt; publicou uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Oxford na Nova Caledônia (Oceano Pacífico), investigando os hábitos alimentares de uma espécie de corvo. Segundo eles, os corvos são capazes de fabricar e guardar instrumentos rústicos que os auxiliam na busca de alimento. A pesquisa foi feita com o auxílio de uma câmara digital minúscula presa ao corpo da ave, que depois é solta na floresta e algum tempo depois capturada de novo. Isto dá aos pesquisadores acesso visual a atividades impossíveis de reproduzir em laboratório: um corvo buscando comida em seu habitat natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriu-se que os corvos arrancam pequenos galhos, cortam fora as partes excedentes e depois os dobram para introduzi-los no ocos das árvores, conseguindo assim capturar lagartas e larvas de besouros. Também costumam procurar e curvar pequenos pedaços de arame com o mesmo fim. Quando uma dessas ferramentas se mostra útil, os corvos as guardam num lugar protegido e recorrem a elas sempre que precisam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já vi, em documentários da TV, aves pegando com o bico um graveto e introduzindo-o num oco de árvore para fisgar uma lagarta ou outra iguaria do cardápio ornitológico. Para mim, isto é uma fagulha civilizatória semelhante à cena de &lt;em&gt;2001, uma Odisséia no Espaço&lt;/em&gt; em que o macaco percebe que empunhando um osso pode rachar com mais facilidade o crânio de uma caça ou de um inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto envolve apenas o uso momentâneo de um “ready made”, de algo que já está ali, e que precisa apenas ter sua função deslocada. A fabricação de instrumentos é diferente, porque envolve uma capacidade de abstração de fases sucessivas do pensamento, coisa que os animais não têm. O ser humano olha para um “objeto selvagem” (fase 1) e percebe se se produzir nele tais ou tais modificações (fase 2) poderá transformá-lo em algo que servirá para alcançar um alimento de difícil acesso (fase 3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta capacidade de ver o que não está diante de si e de concatenar fases sucessivas de um processo que distingue o homem dos animais. Se os corvos desbastam pequenos ramos para introduzi-los em orifícios, e se depois de usados eles os guardam para usar de novo noutro dia, isto indica uma possibilidade de lidar com dois tempos, o tempo do aqui-e-agora e o tempo em que esse aqui-e-agora, com seus possíveis problemas e suas possíveis soluções, irá se apresentar de novo. Fala-se muito da importância da mão do “Homo Faber”, o Homem Fabricador, da importância do “polegar oposto” como elemento civilizatório, porque permite empunhar objetos com firmeza. Mas para mim o mais importante é a refração da noção de tempo que ocorre no cérebro, quando o Homem (ou o Corvo) é capaz de concatenar espaços e tempos diferentes numa seqüência pragmática: “Isso que estou fazendo agora eu já fiz, já deu certo no passado, portanto preciso mantê-lo para usar de novo quando precisar”. Daí para a Bomba Atômica e a Internet é só uma questão de tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7834091817014861252?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7834091817014861252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7834091817014861252&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7834091817014861252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7834091817014861252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1445-tecnologia-dos-corvos-31102007.html' title='1445) A tecnologia dos corvos (31.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDaZifesXI/AAAAAAAADGA/OpHqBw2KRKQ/s72-c/corvo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-4645148509842794478</id><published>2009-12-22T06:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-22T06:37:40.689-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Michelangelo Antonioni'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mistérios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alain Resnais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Buñuel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narrativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cortázar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kafka'/><title type='text'>1444) O ponto enigmático (30.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDZq3bIepI/AAAAAAAADF4/QOP9bant4Mo/s1600-h/lost.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418069682182191762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDZq3bIepI/AAAAAAAADF4/QOP9bant4Mo/s320/lost.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existem dois tipos de narrativas de mistério. O primeiro obedece ao que eu chamo de Protocolo da Resposta. Nestas histórias, um mistério é proposto no início, e esclarecido no final. O prazer estético resulta da comparação entre a complexidade do mistério e a engenhosidade da solução. O segundo tipo obedece ao Protocolo da Pergunta. Nele, o mistério é exposto mas não é resolvido no final; a narrativa se encerra com a pergunta ainda no ar. Nestas histórias, o prazer estético resulta da tensão não-resolvida e da possibilidade de inesgotáveis leituras posteriores. Um dos maiores equívocos dos leitores e dos críticos é julgar os méritos de uma obra que obedece ao protocolo A pelos critérios do protocolo B, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprecio por igual os dois tipos. Me formei como cinéfilo numa época em que o Protocolo da Pergunta reinava soberano. A gente não ia ao cinema para buscar respostas, mas para compartilhar indagações. E, curiosamente, esses mistérios sem solução não nos deixavam nervosos, impacientes, irritados. Pelo contrário, eram fonte de fascinação intensa e faziam com que esses filmes virassem companheiros de viagem. De vez em quando voltávamos a eles, para ver se tinham algo novo a nos dizer, e sempre, tinham – mesmo que nunca fosse A Resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;A Aventura&lt;/em&gt; de Antonioni nunca ficamos sabendo se a moça desaparecida na ilha deserta morreu, fugiu, ou o quê. Em &lt;em&gt;O Ano Passado em Marienbad&lt;/em&gt; de Resnais nunca ficamos sabendo se aquele casal realmente tinha tido um caso amoroso no ano anterior (como insistia em afirmar o homem) ou se os dois não se conheciam (como insistia a mulher). Em &lt;em&gt;Blow Up&lt;/em&gt; de Antonioni nunca ficamos sabendo quem era o homem cujo cadáver o fotógrafo registrou sem querer num parque, quem o matou, por quê, e até mesmo se de fato houve crime. Em &lt;em&gt;O Anjo Exterminador&lt;/em&gt; de Buñuel nunca sabemos que força fez aquele grupo de milionários ficarem impedidos de sair da sala onde acabaram de se reunir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tem a ver, claro, com a literatura da mesma época. Em &lt;em&gt;Os Prêmios&lt;/em&gt; de Cortázar nunca sabemos por que motivo os passageiros do navio são proibidos de acessar certas áreas do mesmo. Nos livros de Kafka, nunca ficamos sabendo por que motivo Joseph K foi preso, por que motivo o Conde de West-West não recebe o agrimensor em seu Castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada história destas tem no centro um Ponto Enigmático, um vazio que não pode ser preenchido por explicações. As explicações são criadas, ajustam-se provisoriamente a ele, mas não o anulam. A fascinação do mistério, a possibilidade de lidar com coisas incompreensíveis, é um dos impulsos que nos aproximam das obras de arte e das grandes narrativas. Daí, talvez, o sucesso de séries como &lt;em&gt;Arquivo X&lt;/em&gt; (que acompanhei por muitos anos) e &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt; (que infelizmente nunca assisti). Nunca temos acesso a uma visão geral do que está acontecendo, e essa tensão entre a necessidade e a impossibilidade de “saber tudo” gera nos espectadores algo que é parecido com o amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-4645148509842794478?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/4645148509842794478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=4645148509842794478&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4645148509842794478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4645148509842794478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1444-o-ponto-enigmatico-30102007.html' title='1444) O ponto enigmático (30.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDZq3bIepI/AAAAAAAADF4/QOP9bant4Mo/s72-c/lost.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-4948585430275647705</id><published>2009-12-22T06:28:00.000-08:00</published><updated>2009-12-22T06:31:59.200-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Treze FC'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Campina Grande'/><title type='text'>1443) As sete maravilhas de Campina (28.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDYVUXgz8I/AAAAAAAADFw/vl3FRo9Kdu8/s1600-h/pres+vargas"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418068212482887618" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDYVUXgz8I/AAAAAAAADFw/vl3FRo9Kdu8/s320/pres+vargas" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A cultura de massas é um efeito-cascata de modismos. Aconteceu este ano a escolha das “Sete Maravilhas do Mundo”, entre as quais ficou o nosso Cristo Redentor. Depois, o Rio de Janeiro promoveu a eleição das sete maravilhas do Estado. Agora, é Pernambuco que está escolhendo suas sete maravilhas, numa lista onde aparecem a praia de Porto de Galinhas, o Alto da Sé de Olinda, as pontes do Capibaribe, etc e tal. Antes que a coisa comece a degenerar em farsa e paródia, que tal fazermos um concurso para as Sete Maravilhas de Campina? Não apenas os nossos monumentos históricos, nossas belezas arquitetônicas, mas aqueles lugares que parecem encerrar em si a essência local. Sendo assim, aqui vão meus votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar: o Açude Velho. Nada mais parecido com Campina, principalmente o Açude Velho ao anoitecer, refletindo as luzes dos prédios por entre o violeta sangüíneo do crepúsculo. Espelho maior das nossas histórias, e ainda por cima guardando a virtude mágica de enfeitiçar para sempre o estrangeiro desavisado que beber da sua água. Depois, o conjunto formado pela Praça da Bandeira e o prédio dos Correios, pelo seu valor arquitetônico e também por me recordar sempre os momentos emocionantes pré-Internet em que subi aqueles degraus para comprar livros vindos pelo Reembolso Postal, fossem aventuras de Sherlock Holmes em 1960 ou contos de Borges em espanhol em 1974. Em termos de arquitetura, tomo outra decisão salomônica: tombar por conta própria toda a Rua Maciel Pinheiro com seus sobrados e sacadas “art-déco”, aos quais nunca dei muito valor porque sempre achei que todos os prédios do mundo se pareciam aos nossos. Depois fiquei sabendo que somos raros e preciosos – vejam só o que é a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar permitam-me a inclusão do Estádio Presidente Vargas, por motivos históricos, poéticos e freudianos, porque ali tive as mais intensas alegrias e os mais abismais desesperos de minha ainda curta vida. Em quinto, o Seminário do Alto Branco. Não estranhem, mas passei 20 anos da minha vida vendo-o erguer-se à esquerda da paisagem divisada do terraço de minha casa paterna, e para mim ele sempre foi uma entidade misteriosa e medieval, guardadora de sabedoria e transcendência. Em sexto, eu destacaria o Colégio Estadual da Prata, o inesquecível “Gigantão” que me ensinou a vida dos 13 aos 19 anos, e cuja organização arquitetônica trago nítida e intacta na memória, sala por sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para fechar eu elejo a Rodoviária velha, na Praça Lauritzen, hoje transformada em mercado popular. É um símbolo da vocação de Campina para o varejão, o mercadinho, o vuco-vuco; e foi durante décadas o lugar dos abraços, das despedidas e dos reencontros dos milhares de “paraíbas” que partiam para o Sul cheios de esperança ou dele voltavam cheios de experiência. Pois é. Nada de jardins suspensos, nada de obras faraônicas... Mas cada povo tem as maravilhas que lhe cabem, e eu me orgulho das minhas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-4948585430275647705?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/4948585430275647705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=4948585430275647705&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4948585430275647705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4948585430275647705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1443-as-sete-maravilhas-de-campina.html' title='1443) As sete maravilhas de Campina (28.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SzDYVUXgz8I/AAAAAAAADFw/vl3FRo9Kdu8/s72-c/pres+vargas' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7348705225640960456</id><published>2009-12-21T06:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T06:26:51.405-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='criatividade'/><title type='text'>1442) Referências literárias (27.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-FnlVSYtI/AAAAAAAADFo/KIw7krlBwxE/s1600-h/hunter-s-thompson.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417695791832785618" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-FnlVSYtI/AAAAAAAADFo/KIw7krlBwxE/s320/hunter-s-thompson.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Quais as referências literárias da sua escrita?” A resposta que damos a esta pergunta revela mais sobre nossas fantasias do que sobre nossa prática. Vejo muitos poetas jovens sendo entrevistados, mercê da publicação de seu primeiro livro, e quando lhes perguntam suas referências literárias, ou os autores que os influenciaram, abrem um leque impressionante: “Fui muito influenciado por Dante, Homero, Camões, Garcia Lorca, Pablo Neruda, Rimbaud, Baudelaire, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, João Cabral e Mário Quintana”. Eu tenho vontade de cair ajoelhado no chão e gritar: “Caramuru! Caramuru!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível que um único poeta consiga ter influência simultânea de tanta gente, e de gente tão diferente entre si? Duvido muito. Quando o jovem poeta confessa que leu esse pessoal está afirmando que sentiu-se emocionado e transformado pelo que leu, e que ao escrever tem a ambição íntima de causar nos seus futuros leitores o mesmo tipo de emoção e de transformação. É a isto que ele chama “influência” – o fato de que a leitura daqueles autores o modificou pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra influência nos induz a pensar em ascendência, poder. É a pressão de uma personalidade mais forte sobre uma mais fraca, dizendo-lhe o que dizer, e como. Mesmo ausente, mesmo manifestando-se apenas através da obra, a personalidade mais forte encontra pouca resistência naquele espírito geralmente jovem, ávido de experiências, ansioso para dizer algo mas sem saber o quê e como. O jovem leitor de Baudelaire torna-se um psicógrafo de Baudelaire, mesmo que o que há de Baudelaire em seus escritos seja imperceptível, ou redundante. O jovem cineasta defende-se das críticas com veemência: “Claro que a câmara está tremendo, e com a luz estourada! É Glauber!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é Baudelaire e não é Glauber, mas não é esse o problema. O problema é que na obra também não se percebe o Fulano que fez aquilo. As influências estilísticas são as mais difíceis de domesticar, porque nos autores de origem aqueles recursos exprimiam uma visão das coisas, e na obra dos influenciados exprimem apenas a ausência de uma visão qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando admiramos algum aspecto técnico da obra de um artista, deveríamos nos dedicar a copiá-lo, a reproduzi-lo, até sermos capazes de dominá-lo. Mozart era capaz de imitar e parodiar qualquer compositor de sua época. Hunter Thompson decorava e datilografava textos inteiros de Hemingway, para absorver seu ritmo. A obra dos Beatles é um vasto panorama de técnicas alheias copiadas tintim por tintim. Uma influência é como um cavalo selvagem, que joga você no chão cada vez que você tentar obrigá-lo a ir para onde você quer. Mas ela pode ser domesticada, pode ser transformada em técnica, recurso, instrumento que utilizamos quando precisamos de uma voz narrativa específica, de um timbre sonoro, de um colorido, um tema. Deveríamos poder dizer algo como: “Dez por cento do que faço eu peço emprestado a Baudelaire, a Fellini, a Portinari”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7348705225640960456?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7348705225640960456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7348705225640960456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7348705225640960456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7348705225640960456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1442-referencias-literarias-27102007.html' title='1442) Referências literárias (27.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-FnlVSYtI/AAAAAAAADFo/KIw7krlBwxE/s72-c/hunter-s-thompson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-659926858241411626</id><published>2009-12-21T06:20:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T06:28:18.404-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>1441) O jogo de 722 gols (26.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-Ejq7zm8I/AAAAAAAADFg/-wN_Lj96-mU/s1600-h/bolas1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 211px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417694625105419202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-Ejq7zm8I/AAAAAAAADFg/-wN_Lj96-mU/s320/bolas1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu vou ter mais cuidado com o que escrevo, porque toda fantasia que ponho no papel tende a degenerar em fato real. O leitor talvez recorde o meu artigo “O Maior Espetáculo da Serra” (15.1.2006), no qual imaginei uma partida eterna entre Treze x Campinense, 24 horas por dia. Pois os jornais noticiam que os argentinos estão se preparando aos poucos para realizar esta minha profecia, assim como o conhecido Pierre Menard tentou reescrever o &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt;. Noticiam os jornais que no aniversário de fundação de Nocochea, cidadezinha a 520km de Buenos Aires, decidiu-se comemorar o evento com um jogo entre duas equipes que foram batizados com os nomes dos fundadores da cidade, “Victorio de la Canal” e “Angel Murga”. O jogo durou 46 horas e terminou com a vitória de Victorio de la Canal pelo elástico placar de 387 x 335. A notícia também informa que tomaram parte na disputa um total de 1.320 jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira visualização do evento foi um campo de futebol gigantesco, com quilômetros e mais quilômetros, e duas equipes, cada uma com 660 jogadores, perseguindo uma bola cujo paradeiro eles só conseguiriam descobrir ligando para o celular dos colegas. Depois me toquei que não. Desse jeito o mais provável é que o jogo terminasse 0x0, mesmo depois de 46 horas. Cada um dos times deve ter utilizado, num campo normal, 60 equipes normais de 11 jogadores, que foram se substituindo umas às outras nos intervalos da disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse gigantismo dá uma idéia do fascínio que o futebol exerce sobre a nossa capacidade de fantasiar. Recordo que nos primeiro anos do &lt;em&gt;Pasquim&lt;/em&gt; alguém (não lembro o autor) publicou um texto chamado (acho) “O Grande Jogo”, em que duas barras eram colocadas em extremos opostos do Brasil (tipo Oiapoque e Chuí), e num ponto intermediário (digamos, a Bahia) era dado o pontapé inicial para esta partida que iria teoricamente envolver toda a população brasileira. A tarefa seria levar a bola, de acordo com as regras, até o local da “baliza” e marcar o gol. (Imagino que depois que alguém fizesse 1x0 seria permitido dar uma nova saída sem a necessidade de transportar a mesma bola, de avião, para o “círculo central”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época eu considerei este conto uma espécie de ficção científica ou ficção especulativa tipicamente brasileira. O gigantismo (e o absurdo inevitável, kafkeano, desse projeto) era algo que só poderia ocorrer a uma mente brasileira. Que os argentinos sejam capazes não apenas de imaginar, mas realizar um jogo nas dimensões referidas neste artigo prova que podemos até ser os melhores, mas não somos os únicos. Um jogo de 722 gols, 46 horas e 1.320 jogadores é algo de uma intensidade poética que me comove quase até as lágrimas. Se no ano que vem acontecer de novo, eu compro uma passagem aérea para Buenos Aires e de lá vou assistir e cumprimentar os organizadores. É um delírio à altura do país de Borges e de Maradona, o país de Cortázar e de Riquelme. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-659926858241411626?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/659926858241411626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=659926858241411626&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/659926858241411626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/659926858241411626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1441-o-jogo-de-722-gols-26102007.html' title='1441) O jogo de 722 gols (26.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-Ejq7zm8I/AAAAAAAADFg/-wN_Lj96-mU/s72-c/bolas1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-652499608610227231</id><published>2009-12-21T06:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T06:20:37.809-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prêmio Nobel'/><title type='text'>1440) O Prêmio Nobel alternativo (25.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-EJBV4WII/AAAAAAAADFY/TNU7GISDMyI/s1600-h/ted+gioia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 201px; FLOAT: left; HEIGHT: 271px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417694167263893634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-EJBV4WII/AAAAAAAADFY/TNU7GISDMyI/s320/ted+gioia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(Ted Gioia)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor Ted Gioia criou uma página em seu saite propondo uma questão que muita gente já se propôs: e se os vencedores do Prêmio Nobel, em vez de terem sido aqueles sujeitos obscuros que contemplamos nas estantes, tivessem sido os autores que hoje qualquer leitor mediano conhece e admira? Gosto não se discute, claro, mas a lista feita por Gioia de 1901 até 2007 nos propõe mudanças tão óbvias que chegamos a nos perguntar: “Ora, e não foi assim não?...” Começa pelo começo: em vez de Sully Prudhomme, o primeiro ganhador, teríamos Leon Tolstoi. Em 1902, em vez de Theodor Mommsen ele sugere George Meredith (pra mim, confesso, é trocar seis por meia dúzia). Mas em 1903, em vez do impronunciável Bjornstjerne Bjornson o vencedor seria Anton Tchecov; depois, em vez de Frederic Mistral e José Echegaray, venceria Julio Verne; e em 1905, em vez do Henryk Sienckewicz de &lt;em&gt;Quo Vadis&lt;/em&gt;, o premiado teria sido Henrik Ibsen, o dramaturgo de &lt;em&gt;Casa de Bonecas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gioia leva em conta os regulamentos do Prêmio (o autor tem que estar vivo), e os premiados que ele sugere são autores que no ano em questão já tinham uma obra consolidada e conhecida, e seriam candidatos legítimos. Não vou comentar todos os nomes (que podem ser vistos em: http://www.greatbooksguide.com/NobelPrize.html). Mas me parece que seria mesmo mais justo ter premiado Mark Twain em vez de Giosuè Carducci (1906), Henry James em vez de Maurice Maenterlinck (1911), Sigmund Freud em vez de Verner von Heidenstam (1916), Franz Kafka em vez de Jacinto Benavente (1922), Conan Doyle em vez de Grazzia Deledda (1926), G. K. Chesterton em vez de Erik Axel Karlfeldt (1931)... Não parece óbvio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gioia não é totalmente crítico da Academia Sueca. Muitos premiados reais são endossados por ele, como Rudyard Kipling (1907), W. B. Yeats (1923), George Bernard Shaw (1925), T. S. Eliot (1948), William Fulkner (1949)... E aqui para nós tem umas sugestões dele que eu não concordo: eu não tiraria o Nobel de Herman Hesse (1946) para premiar Hermann Broch, nem o de Bertrand Russel (1950) para dá-lo a Wittgenstein, como ele sugere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais divertido é quando a lista vem se avizinhando da época atual, porque as sugestões de Gioia ficam menos convencionais. Ele sugere que em vez do poeta Derek Walcott (1992) a Academia deveria ter premiado Bob Dylan, e que em vez de Odysseus Elytis (1979) o prêmio deveria ter ido para Philip K. Dick. Premiar Hunter S. Thompson em vez de Dario Fo (1997) é uma sugestão divertida, porque o próprio Dario Fo já parece uma idéia de Gioia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perda de tempo, ficar discutindo isto? Não acho. Um Nobel, além do milhão e meio de dólares que concede ao premiado, premia também uma cultura, um gênero literário, um país, um mercado editorial. Ajuda a moldar e direcionar o rumo da literatura, mesmo quando o premiado se dissolve em anonimato poucos anos depois. (Alguém sabe quem foi Halldor Laxness? Foi o cara que ganhou em 1955, em vez de Bertolt Brecht). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-652499608610227231?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/652499608610227231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=652499608610227231&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/652499608610227231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/652499608610227231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1440-o-premio-nobel-alternativo.html' title='1440) O Prêmio Nobel alternativo (25.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-EJBV4WII/AAAAAAAADFY/TNU7GISDMyI/s72-c/ted+gioia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-8477633274056059323</id><published>2009-12-21T06:00:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T06:17:35.153-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>1439) Uma essência narrativa (24.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-DW9jxc5I/AAAAAAAADFQ/SVddbV7GoyE/s1600-h/o-guarani-1a-edicao-1857.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 210px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417693307254961042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-DW9jxc5I/AAAAAAAADFQ/SVddbV7GoyE/s320/o-guarani-1a-edicao-1857.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(a 1a. edição de &lt;em&gt;O Guarani&lt;/em&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um entrevistador me pergunta: “Em sua opinião podemos afirmar que há uma temática central ou uma essência narrativa na atual literatura Brasileira?” Para comodidade própria, decido considerar “atual” a literatura brasileira que consumi nas últimas quatro décadas, até porque a maioria esmagadora dos títulos que li continua em catálogo e disponível para os leitores de 2007. Como já comentei aqui, “atual” para mim é o livro que está disponível para leitura hoje. &lt;em&gt;O Guarani&lt;/em&gt; de José de Alencar é de 1857 mas é atual – porque pode ser encontrado em qualquer livraria ou biblioteca, volta e meia está sendo analisado em nossas escolas, serve como ponto de referência e de comparação para numerosas análises e, portanto, faz parte do corpo literário vivo do Brasil. O que não ocorre com outros livros, muito mais recentes, mas que só foram lidos pelos parentes próximos do autor e por meia dúzia de resignados amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falemos, então, da literatura brasileira em prosa. Mesmo não lendo tudo que sai por aí costumo ler resenhas, críticas, etc., em revistas, jornais, fanzines e suplementos literários de todo tipo. Dá para ter uma idéia aproximada do que se publica. Eu diria que a tendência que predomina na prosa brasileira atual, tanto em termos de freqüência estatística quanto em termos do impacto relativo de cada obra, é o que chamo de Realismo Social e Psicológico. O Realismo Social reproduz, dentro dos quadros da ficção mimética (a ficção que imita a realidade), aquilo que os resenhadores costumam chamar de “amplos painéis históricos e sociais”, ambientes urbanos ou rurais reconstituídos com intenções de verossimilhança dramática e fidelidade documental. São obras que, bem ou mal, retratam o Brasil. Os mestres dessa corrente ainda são Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano, Rubem Fonseca, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Realismo Psicológico nos dá, em vez desses amplos painéis, retratos em close-up de um indivíduo ou um grupo de indivíduos. Um casal, uma família, um vilarejo, um ambiente de trabalho... Embora tais histórias também lidem com ambientes verossímeis, este fica em segundo plano, descrito em traços rápidos, porque serve apenas de fundo para o que os autores de fato pretendem: descrevem a mente, as emoções, as metamorfoses íntimas dos seus personagens. São obras que retratam os brasileiros. Os pontos de referência são Clarice Lispector, Machado de Assis, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que há obras em que estas duas visões se fundem. Claro que há exceções: temos livros absurdistas, romances fantásticos ou oníricos, alegorias e sátiras, prosa surrealista ou de nonsense, prosa do tipo palavra-puxa-palavra... Mas do meu ponto de vista o que predomina são as duas tendências acima. A maioria da prosa brasileira atual, pelo que sei, trabalha firmemente dentro dos caminhos abertos pelo romance ocidental (Europa e EUA) dos últimos 100 anos, inclusive em seus extremos mais experimentais e “pós-modernos”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-8477633274056059323?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/8477633274056059323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=8477633274056059323&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8477633274056059323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8477633274056059323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1439-uma-essencia-narrativa-24102007.html' title='1439) Uma essência narrativa (24.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy-DW9jxc5I/AAAAAAAADFQ/SVddbV7GoyE/s72-c/o-guarani-1a-edicao-1857.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-6348064632335818057</id><published>2009-12-21T05:48:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T05:59:53.072-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='documentário'/><title type='text'>1438) “O fim do sem fim” (23.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy9_T0jDu3I/AAAAAAAADFI/ZC3RvI4rFVA/s1600-h/o+fim+do+sem+fim.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 228px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417688855249927026" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy9_T0jDu3I/AAAAAAAADFI/ZC3RvI4rFVA/s320/o+fim+do+sem+fim.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Revi algumas semanas atrás, no Rio, este documentário dirigido a seis mãos por Lucas Bambozzi, Beto Magalhães e Cao Guimarães. No “Almanakito” distribuído pela jornalista Maria do Rosário fico sabendo que este era o filme brasileiro menos visto entre todos que estavam em cartaz no mês de outubro. O líder de público era &lt;em&gt;O primo Basílio&lt;/em&gt; com 753 mil espectadores, em números redondos. Em segundo lugar vinha &lt;em&gt;Turma da Mônica&lt;/em&gt;, com 513 mil. Em terceiro &lt;em&gt;Ó-paí-ó&lt;/em&gt;, com 383 mil. Pois &lt;em&gt;O fim do sem fim&lt;/em&gt; segurava a lanterna, tendo sido visto por apenas 970 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado que tão poucos queiram assisti-lo, porque é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Vi-o duas vezes, uma no seu lançamento, em 2001, e outra agora, quando ele entrou para valer no circuito comercial; e pretendo revê-lo outras, se possível comprando o DVD. O tema do filme são as profissões que estão desaparecendo, e a sorte dos indivíduos que viviam em função delas. Algumas estão ligadas à religiosidade e à medicina popular, como o benzedor, a parteira, etc. Outras são profissões raras por sua própria natureza, como a do faroleiro. Outras são quase surrealistas: recarregador de isqueiros?! Outras parecem estar se mantendo vivas sabe Deus como: lanterninha de cinema, calígrafo, engraxate, fotógrafo lambe-lambe... E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tem cordelistas no meio, os cultores desta Grande Arte cuja morte já foi anunciada tantas vezes. Há cenas impagáveis, como a de um poeta cujo celular toca no meio da entrevista, ele atende e diz: “Tô por aqui... mentindo um tiquinho pros jornalistas”. E outro que é uma mistura de poeta, profeta apocalíptico, astrólogo e logomante, e que dispara sem cessar uma enxurrada de visões, raciocínios abstrusos e vocabulário surrealista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem pelo mundo entidades chamadas (não exatamente assim) o Museu da Tecnologia Obsoleta, o Mostruário das Ciências Desaparecidas, o Memorial de Usos e Costumes Extintos. Eles preservam o lado murcho, o lado ressequido e atrofiado do avanço da Ciência. &lt;em&gt;O fim do sem fim&lt;/em&gt; é como um filme que ao mostrar um edifício não mostrasse sua fachada, seus jardins, seus amplos salões, suas paredes ornamentadas, e corresse sua câmara pelos desvãos, pela parte de trás dos móveis, pela parte de baixo das escadas, por baixo das mesas e das camas, em todos os lugares para onde são varridos os detritos ou empurrados os objetos velhos, quebrados, com os quais ninguém sabe mais o que fazer. É um filme sobre o anacrônico, o obsoleto, sobre atividades humanas que têm existência meramente residual, se confrontadas com o mundo da cultura de massas que molda nossa concepção de realidade. Profissões que, ainda assim, sobrevivem, teimosamente, porque exprimem algo que fez sentido e continua a fazê-lo, mesmo que não tenha a mesma importância social que um dia teve. É um filme medularmente brasileiro, e que também poderia ter sido feito na Bulgária, na Índia, no Japão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-6348064632335818057?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/6348064632335818057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=6348064632335818057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/6348064632335818057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/6348064632335818057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1438-o-fim-do-sem-fim-23102007.html' title='1438) “O fim do sem fim” (23.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy9_T0jDu3I/AAAAAAAADFI/ZC3RvI4rFVA/s72-c/o+fim+do+sem+fim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-1574281976890563542</id><published>2009-12-21T05:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T05:48:56.277-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arthur C. Clarke'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mistérios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zé Ramalho'/><title type='text'>1437) Chão de giz (21.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy98L8WeK0I/AAAAAAAADFA/4i78zkv8K7M/s1600-h/cerne-abas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417685421370780482" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy98L8WeK0I/AAAAAAAADFA/4i78zkv8K7M/s320/cerne-abas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;(o gigante de Cerne Abbas)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O título desta canção de Zé Ramalho sempre me lembrou as figuras misteriosas cujas fotografias vi pela primeira vez num livro intitulado &lt;em&gt;O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke&lt;/em&gt;, em que o escritor inglês comenta fatos misteriosos e extraordinários como as aparições de OVNIs, do Monstro do Lago Ness, do Abominável Homem das Neves e assim por diante. Misturados a estas lendas estão alguns fatos curiosos mas sem mistério algum, a não ser o mistério histórico de quem os fez, como, e por quê. São aquelas inscrições vastas feitas no chão, às vezes com centenas de metros de comprimento, e que só podem ser vistas por inteiro por alguém que sobrevoe a região. Este detalhe levou especuladores como Erich von Daniken e outros a sugerir que tais figuras na paisagem seriam uma tentativa de comunicação com extraterrestres. Acho mais simples supor que os caras que fizeram as inscrições acreditavam que seu Deus ou seus deuses estavam no céu, e era a eles que os desenhos se dirigiam. Para imaginar que as divindades habitam o céu não é preciso ter feito contato com alienígenas, basta ter visto um céu estrelado à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas dessas imagens podem ser vistas em: http://www.youtube.com/watch?v=-7pJeHY-fLI. É um passeio virtual por imagens de satélite que mostram desde as Linhas de Nazca, no Peru, até um logotipo da Coca-Cola gravado no chão de um deserto chileno. No meio delas, aparecem as imagens do “chão de giz”, todas na Inglaterra. Dou-lhes este nome porque elas foram feitas em regiões onde o solo, a certa profundidade, é feito de material calcáreo e muito branco. Basta escavar e deixar à mostra uma certa extensão daquela camada, e é possível fazer desenhos de grande extensão em que as linhas brancas se destacam vividamente de encontro ao verde da vegetação rasteira. Por outro lado, requerem manutenção. Depois de prontas, é preciso que todo ano alguém fique limpando o local e evitando que o mato recubra a área exposta. Muitas figuras semelhantes já devem ter se perdido porque ninguém cuidou delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As figuras mais famosas são o Cavalo Branco de Uffington, o Homem Grande de Wilmington, e o Gigante de Cerne Abbas, o qual deve ter causado certo desconforto aos extraterrestres mais puritanos, por ser a imagem de um guerreiro nu com, digamos, a arma em riste. Há um saite com fotos de figuras assim, preservadas ou parcialmente desaparecidas, em: http://www.hows.org.uk/personal/hillfigs/. Obras assim nos comovem por terem sido feitas por indivíduos que nunca as viram por inteiro. Como os pedreiros das igrejas medievais, que nunca as viram prontas, eles trabalhavam tendo em mente uma imagem ideal, que era sua única inspiração e sua única fruição. Por incrível que pareça, o ser humano gosta disto. Gosta de trabalhar por algo que não desfrutará no futuro, seja porque a execução da obra ultrapassa seu tempo de vida, seja porque o formato final dela será inacessível à sua visão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-1574281976890563542?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/1574281976890563542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=1574281976890563542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/1574281976890563542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/1574281976890563542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1437-chao-de-giz-21102007.html' title='1437) Chão de giz (21.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sy98L8WeK0I/AAAAAAAADFA/4i78zkv8K7M/s72-c/cerne-abas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7363027758174749080</id><published>2009-12-18T17:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T17:43:58.970-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Buñuel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Robert Bresson'/><title type='text'>1436) A invenção do silêncio (20.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvvtXOE5I/AAAAAAAADE4/cti-CTp9h54/s1600-h/stop___silence_by_respirar.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416756948497208210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvvtXOE5I/AAAAAAAADE4/cti-CTp9h54/s320/stop___silence_by_respirar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://linha-geral.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;http://linha-geral.blogspot.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O grande Robert Bresson dizia que o cinema sonoro inventou o silêncio. Este aparente paradoxo tem a ver com o seu oposto simétrico: o fato de que o cinema mudo era obrigado a inventar (pelo uso criativo da imagem) algo de que não dispunha: o som. Vemos um homem aproximar-se da porta de uma casa e bater. Corta para uma sala onde uma mulher está costurando, de cabeça baixa, e de repente se vira, olhando para a porta. O som ouvido por ela e não ouvido por nós brota da simples justaposição dessas imagens. Um homem armado persegue outro numa floresta. O fugitivo tropeça e cai. O perseguidor leva o fuzil ao ombro e aponta. Corta para uma árvore cheia de pássaros pousados: de repente, os pássaros levantam vôo, todos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema mudo era cheio desses truquezinhos charmosos para sugerir sons que tinham função na narrativa mas era impossível mostrar, pela limitação técnica do período. Notem este detalhe: “tinham função”. Os sons banais, sem função narrativa ou dramática, não precisavam ser sugeridos. Há um teórico do cinema, o grande Rudolf Arnheim, para quem o Cinema é uma grande arte devido justamente às suas limitações. A imagem é retangular, não pode mostrar tudo; é em preto-e-branco, não pode mostrar as cores; vê apenas o que a lente capta, não pode ver além ou aquém. Não podendo mostrar certas coisas, o filme é forçado a sugeri-las, o que estimulou a imaginação tanto dos diretores quanto da platéia, e gerou uma nova linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Bresson diz que o cinema sonoro inventou o silêncio é porque o silêncio, que até 1928-1930 era uma fatalidade técnica, passou a ser uma opção criativa. O surgimento do cinema sonoro trouxe uma barulheira insuportável para dentro dos filmes, contra a qual grandes cineastas (como Chaplin) se revoltaram. Algo parecido ocorre hoje, com a sofisticação do Dolby Stereo, das técnicas de gravação e de edição sonora. As possibilidades de elaboração do som são tantas que os diretores se esquecem de elaborar o silêncio. Luís Buñuel queixava-se que na maioria dos filmes ninguém podia pedir uma xícara de café sem que uma orquestra ressoasse: “tchan-tchan-tchan-tchaaaan!...” Surdo, foi um dos cineastas que melhor usaram o som como linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 1970, em Salvador, vi no bairro do Canela um muro branco onde alguém pichou com spray: “Branco pra mim, silêncio pro músico”. O silêncio deve ser o fundo branco contra o qual, num filme, os sons necessários podem ser ouvidos. Existe uma concepção arrevesada de realismo que nos obriga a ver uma cena de rua em que o diretor se esmerou em amontoar todos os sons ouvidos naquela rua real. Na vida, filtramos esses sons automaticamente. Num filme não podemos fazer a mesma coisa, e o resultado é uma balbúrdia que nos atordoa e nos impede de ver direito a imagem. O cinema de hoje precisa reinventar o silêncio, para poder dizer alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7363027758174749080?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7363027758174749080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7363027758174749080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7363027758174749080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7363027758174749080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1436-invencao-do-silencio-20102007.html' title='1436) A invenção do silêncio (20.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvvtXOE5I/AAAAAAAADE4/cti-CTp9h54/s72-c/stop___silence_by_respirar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-8916779815968620366</id><published>2009-12-18T17:38:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T17:41:23.756-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>1435) Títulos (19.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvOphVvnI/AAAAAAAADEw/ajCIktMfp4A/s1600-h/h095.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 205px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416756380530228850" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvOphVvnI/AAAAAAAADEw/ajCIktMfp4A/s320/h095.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na literatura de gênero, as obras de um autor valem mais pelo seu conjunto do que por cada uma, isoladamente. O autor erudito (chamemos assim) procura fazer de cada obra uma entidade autônoma; o autor popular vincula suas obras umas às outras, obrigando o leitor a ver nelas um “continuum”. Uma das maneiras de conseguir isto é através dos títulos. Vendo o título de um livro sabemos imediatamente quem o escreveu e a que série pertence, mesmo antes de conferir o nome do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modo mais óbvio é repetir no título o nome do protagonista da série. Truque dos antigos folhetins: &lt;em&gt;Os Pardaillans&lt;/em&gt;... &lt;em&gt;Pardaillan e Fausta&lt;/em&gt;... &lt;em&gt;O filho de Pardaillan&lt;/em&gt;... &lt;em&gt;O fim de Pardaillan&lt;/em&gt;...” Vejam o caso da bem-sucedida J. K. Rowling, cujos livros sempre se intitulam &lt;em&gt;Harry Potter e&lt;/em&gt;...”, ferrando em brasa a memória, não dos leitores, porque a destes não é preciso, mas a dos descuidados livreiros, distribuidores e balconistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa padronização dá ao leitor aquela agradável expectativa de estar adquirindo “more of the same”, “um pouco mais daquilo mesmo”. A literatura de gênero promete a repetição de uma experiência estética, com um mínimo de variação e uma larga base de familiaridade. Os livros de Edward S. Aarons sobre Sam Durell, um agente da CIA, têm todos este formato de título: &lt;em&gt;Missão Budapeste&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Missão Stella Marni&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Missão Lili Lamaris&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Missão Ankara&lt;/em&gt;... Não vou enumerar todos, são mais de 40 livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez da repetição de nomes, mais sutil é a repetição de estrutura. Vários romances policiais de Ellery Queen têm um esquema de títulos que sempre achei perfeito: &lt;em&gt;O mistério da laranja chinesa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O mistério do sapato holandês&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O mistério da cruz egípcia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O mistério do xale espanhol&lt;/em&gt;... Já as aventuras tribunalícias de Perry Mason, escritas por Erle Stanley Gardner, têm um esquema semelhante, mas com uma repetição de iniciais que se perde na tradução: &lt;em&gt;The case of the black-eyed blonde&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The case of the spurious spinster&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The case of the grinning gorilla&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carter Brown é autor de uma série de livros com o detetive Al Wheeler, histórias divertidas e com uma dosezinha de sacanagem inesquecível para quem tem quinze anos. Seus títulos são inconfundíveis: &lt;em&gt;The Temptress&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The Brazen&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The Stripper&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The Tigress&lt;/em&gt;... Era algo tão marcante que quando eu vi uma edição de &lt;em&gt;The Tempest&lt;/em&gt;, de Shakespeare, estendi a mão para pegar na estante, equivocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuidade, seqüência, mera expansão de um universo já conhecido: é isto que o título do romance popular promete ao leitor. Não é tão diferente assim do que ocorre no “romance literário”. Quando um escritor como Campos de Carvalho intitula seus livros, existe uma continuidade subterrânea, de espírito, entre seus títulos. Mas é preciso muita sutileza ao leitor para perceber que &lt;em&gt;A Lua vem da Ásia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Vaca de Nariz Sutil&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A Chuva Imóvel&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Púcaro Búlgaro&lt;/em&gt; não apenas são do mesmo autor, mas são como que um único grande romance em quatro capítulos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-8916779815968620366?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/8916779815968620366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=8916779815968620366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8916779815968620366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/8916779815968620366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1435-titulos-19102007.html' title='1435) Títulos (19.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywvOphVvnI/AAAAAAAADEw/ajCIktMfp4A/s72-c/h095.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-3009252732161376260</id><published>2009-12-18T17:34:00.000-08:00</published><updated>2009-12-18T17:37:27.674-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>1434) A ponta do iceberg (18.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywuL1-zOiI/AAAAAAAADEo/Rrm4aOTMfVo/s1600-h/iceberg.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 260px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416755232823786018" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywuL1-zOiI/AAAAAAAADEo/Rrm4aOTMfVo/s320/iceberg.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu estava batendo papo com a turma no apartamento de um amigo. Já era de madrugada, a cerveja tinha acabado, e resolvi tomar um uísque de saideira. Fui à mesinha, botei no copo três dedos daquilo que alguns romancistas policiais chamam de “líquido ambarino”, pincei do baldinho uma pedra de gelo e voltei para minha poltrona. Comecei a girar o gelo com o dedo, para derretê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gelo emergia parcialmente do uísque, sempre o mesmo tanto, qualquer que fosse a posição em que eu o colocasse com o dedo. Lembrei de ter lido em alguma revista popular de ciência que uma pedra de gelo emerge do líquido sempre 8% de seu volume total; isto se aplica desde o gelo na bebida até um iceberg no oceano. Portanto, é um erro dizer coisas como “...são apenas dez por cento, é a ponta do iceberg...” Não são dez: são oito, porque (parece) é esta a diferença de densidade entre a água líquida e a água congelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pensei, dando um gole, mas qual é a diferença de densidade entre o uísque e a água congelada? O uísque tem partículas de cevada, sei lá do que mais, e isso deve alterar a proporção. Além do mais, nem toda água transformada em cubos de gelo é igual. Pode ser água da torneira, água mineral com ou sem gás... Seria necessário preparar uma experiência para cruzar vários tipos de líquido (A, B, C, D...) e vários tipos de água congelada (1, 2, 3, 4...). Cruzaríamos o primeiro líquido com os diversos tipos de gelo (A1, A2, A3, A4...); depois faríamos o mesmo com B, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei outro gole e fiquei pensando: e como será que tentaríamos calcular esses 8 por cento? No olhômetro? Não é possível. Teríamos primeiro que fabricar caçambas que produzissem pedras de gelo de tamanho exato (digamos 3 centímetros cúbicos) e padronizado. Colocada cada pedrinha no líquido (recipientes idênticos, preenchidos sempre até uma linhazinha horizontal milimétrica) fotografaríamos, talvez, o trecho que emerge do líquido e então talvez fosse possível ter um programa de computador que fizesse uma medição tridimensional daquilo, para nos dizer se de fato corresponde a 8 por cento dos 3 centímetros cúbicos. Também poderíamos fabricar pedras de gelo de diferentes formatos, em diferentes caçambas (desde que todas tivessem 3 centímetros cúbicos), para demonstrar que o formato não influi, é somente o volume que conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todo este processo poderia ser transposto para a “escala macro”, como dizem os estatísticos, avaliando o tamanho de um iceberg no oceano. O que sugere um novo problema: qual a diferença de proporção exposta de um iceberg na água salgada e de um iceberg na água doce (um lago, digamos)? E me veio à mente uma escultura conceitual, em gelo: um sujeito gordo como Buda, com o rosto voltado para cima, como que tentando respirar. Seria este rosto a parte que emergiria, quando a escultura fosse colocada na água. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então, meus amigos perguntaram em que eu estava pensando, e eu disse: “Nada de mais. Ciência, arte... o de sempre”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-3009252732161376260?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/3009252732161376260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=3009252732161376260&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/3009252732161376260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/3009252732161376260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1434-ponta-do-iceberg-18102007.html' title='1434) A ponta do iceberg (18.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SywuL1-zOiI/AAAAAAAADEo/Rrm4aOTMfVo/s72-c/iceberg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-5976297425866427455</id><published>2009-12-17T12:55:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T12:58:20.423-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bioy Casares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luís Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biografias'/><title type='text'>1433) “Borges” de Bioy Casares (17.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqbYywtGbI/AAAAAAAADEg/2e8bgWsaaQQ/s1600-h/borges_por_bioy.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 202px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416312352111663538" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqbYywtGbI/AAAAAAAADEg/2e8bgWsaaQQ/s320/borges_por_bioy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Acabo de adquirir o que tornou-se talvez o livro mais grosso de minha biblioteca, onde predominam volumes que têm a silhueta de Gisele Bündchen ou Naomi Campbell. O imenso pacote chegou todo amarfanhado, envolto pelo Correio num plástico protetor. Desembrulhei-o e me deparei com a obra encomendada algumas semanas atrás na Abebooks, e que me custou, incluindo preço e frete, cerca de 64 reais. &lt;em&gt;Borges&lt;/em&gt;, de Adolfo Bioy Casares (Buenos Aires: Ediciones Destino, 2006) é um volume quase cúbico, com 1.680 páginas, contendo excertos do diário que Bioy Casares, grande amigo de Borges e seu principal parceiro literário, manteve ao longo de várias décadas de convivência com o autor de &lt;em&gt;O Aleph&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é dividido em capítulos cronológicos, que vão de “1931-1946” até “1989”. De cara me decepcionei, porque esse primeiro capítulo, curtíssimo, resume justamente os anos mais importantes da obra de Borges: os livros de ensaios em que forjou sua concepção de literatura (&lt;em&gt;Otras Inquisiciones&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Discusión&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Historia de la Eternidad&lt;/em&gt;) e os volumes de contos (&lt;em&gt;Ficciones&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;El Aleph&lt;/em&gt;) que mexeram no software da literatura ocidental. Não importa. Cada página aberta ao acaso tem episódios enriquecedores e úteis. Borges não foi apenas um escritor de gênio, foi um Google literário, do qual era possível extrair a cada instante uma comparação inesperada, uma informação obscura, um paradoxo desconcertante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imensa maioria das entradas do diário, sempre no presente do indicativo, começa assim: “Come en casa Borges” (algo como “Borges janta aqui em casa”). O jantar ou almoço na casa de Bioy, algumas vezes por semana, era o pretexto para várias horas de conversas literárias que o anfitrião resumia em seus cadernos após a partida do visitante. Faz lembrar as copiosas anotações com que Simone de Beauvoir documentou seu casamento mental com Sartre. As primeiras 150 páginas cobrem os anos até 1955. Borges visita Bioy quase todas as noites: os dois lêem e selecionam textos para suas antologias, trabalham em contos da série “Bustos Domecq” e comentam o cotidiano da vida social e literária de Buenos Aires. Falam dos colegas escritores usando uma rudeza inesperada em dois “gentlemen”, e com um sarcasmo devastador. Narram episódios em que as madames e moçoilas da sociedade portenha ostentam um prodigioso esnobismo, associado a uma ignorância e desinformação que muito diverte a ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cegueira progressiva de Borges, que se submete a cirurgias periódicas, é uma lenta tragédia que os submerge pouco a pouco. Borges e Bioy se divertem inventando frases mal escritas (com barbarismos gramaticais ou absurdos estilísticos) ou comparando versos abomináveis escritos pelos seus contemporâneos. O encarte de fotos traz pelo menos duas raridades: Borges de óculos, Borges de calção. Fragmentado, episódico, superficial, redigido às pressas, é um livro mais revelador sobre o escritor argentino do que as biografias que já li. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-5976297425866427455?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/5976297425866427455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=5976297425866427455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/5976297425866427455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/5976297425866427455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1433-borges-de-bioy-casares-17102007.html' title='1433) “Borges” de Bioy Casares (17.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqbYywtGbI/AAAAAAAADEg/2e8bgWsaaQQ/s72-c/borges_por_bioy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-4391610036513848324</id><published>2009-12-17T12:52:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T12:55:26.575-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema francês'/><title type='text'>1432) “Paris te amo” (16.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Syqas0j1tjI/AAAAAAAADEY/7GYmDJbRoT0/s1600-h/Paris__je_t_aime.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416311596680328754" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Syqas0j1tjI/AAAAAAAADEY/7GYmDJbRoT0/s320/Paris__je_t_aime.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Está em cartaz este filme-antologia em que vários diretores contribuem cada qual com um filme de curta-metragem. A principal vantagem deste formato é que aproveitamos cada história quando ela nos interessa, e quando não é o caso basta esperar que passe logo e venha a próxima. Em &lt;em&gt;Paris, te amo&lt;/em&gt; a idéia original era de dedicar um episódio a cada um dos vinte “arrondissements” da cidade. O perigo, neste caso, é que o filme seja feito em torno dos “cartões postais”: um casal que marca encontro no Arco do Triunfo, um suicida que vai pular da Torre Eiffel, um grupo de turistas fotografando os quadros do Louvre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que ocorre, felizmente, e a rigor o único local famoso que aparece com certo destaque é o Cemitério do “Père Lachaise”, onde Wes Craven faz uma pequena homenagem a Oscar Wilde, e que reaparece nos passeios de uma desajeitada turista americana em “14ème Arrondissement” (Alexander Payne). O metrô surge no episódio “Tulherias”, onde os irmãos Coen colocam Steve Buscemi em mais uma roubada, e os inferninhos do “Pigalle” (Richard La Gravenese) servem de cenário para o “rendez-vous” de um casal maduro em busca de sensações novas. No mais, os episódios se prendem aos personagens, e a cidade surge como cenário e testemunha, e não pretexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas histórias são meio absurdistas, como “Tour Eiffel” de Sylvain Chomet, onde um garoto conta como se conheceram seus pais, um casal de mímicos; e “Porte de Choisy” de Christopher Doyle, onde um vendedor vai parar num estranho salão de beleza oriental. Encontros e desencontros sentimentais aparecem em “Bastille” de Isabel Coixet, em que um homem desiste de se separar da esposa ao descobrir que ela tem leucemia; “Le Marais” de Gus van Sant, em que um rapaz faz uma declaração a outro que não sabe falar francês; “Quais de Seine” de Gurinder Chadha, onde um jovem francês descobre que o mundo não vai se acabar se ele paquerar uma moça árabe; “Montmartre” de Bruno Podalydès em que um desmaio na rua acaba aproximando um casal; “Place des Fêtes” de Oliver Schmitz em que ocorre o doloroso reencontro de dois jovens africanos; “Faubourg Saint Denis” de Tom Tykwer, sobre o namoro entre um cego e uma atriz; “Quartier Latin” de Frédéric Auburtin, em que um casal norte-americano troca farpas e confissões ao tratar do divórcio; “Quartier des Enfants Rouges” em que uma atriz paquera com o traficante que lhe vende haxixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio de Alfonso Cuarón, “Parc Monceau”, em que Nick Nolte conversa com a filha, é feito num único plano, com a câmara em movimento seguindo os personagens. Uma história de vampiros com final feliz é o tema de “Quartier de la Madeleine” de Vincenzo Natali, e em “Place des Victoires” um cowboy fantasmagórico ajuda uma mulher a ter um breve reencontro com o filho morto. E os brasileiros Walter Salles e Daniella Thomas contam, em “Loin du 16ème”, a história de uma babá que cuida do filho alheio como se fosse o seu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-4391610036513848324?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/4391610036513848324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=4391610036513848324&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4391610036513848324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4391610036513848324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1432-paris-te-amo-16102007.html' title='1432) “Paris te amo” (16.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Syqas0j1tjI/AAAAAAAADEY/7GYmDJbRoT0/s72-c/Paris__je_t_aime.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7803492240054484861</id><published>2009-12-17T12:50:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T12:52:38.902-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>1431) Filmes sobre futebol (14.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqaD5tB8XI/AAAAAAAADEQ/46XweJ659w8/s1600-h/bugs-bunny---soccer.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416310893686419826" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqaD5tB8XI/AAAAAAAADEQ/46XweJ659w8/s320/bugs-bunny---soccer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um especial recente no Canal Sportv discutia a dificuldade de se fazer no Brasil um filme de ficção convincente sobre futebol. Os nossos melhores filmes futebolísticos são documentários à base de entrevistas, gols de arquivo, etc. Mas os filmes de ficção, com atores, por mais bem intencionados que sejam acabam sempre batendo fofo. Por que será? Tenho três hipóteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira é que jogo de futebol encenado sai sempre falso. Ninguém é bobo, ninguém se ilude com aquelas jogadas coreografadas na prancheta e regidas a megafone. Todo mundo percebe que aquilo é uma porção de atores fingindo que driblam e fingindo que foram driblados, o goleiro saltando de mentirinha para que o gol aconteça, e assim por diante. É uma encenação sem os trancos-e-barrancos de um jogo verdadeiro. Isso vale para todos os filmes, desde aquele filme de John Huston com um elenco improvável que reunia desde Pelé a Sylvester Stallone, até o recente &lt;em&gt;O Casamento de Romeu e Julieta&lt;/em&gt; de Bruno Barreto, com uns jogos Palmeiras x Corinthians bem esforçados, mas que não enganavam ninguém. A única solução possível seria vestir dois times com os uniformes desejados e prometer um “bicho” substancial pela vitória, para que eles jogassem pra valer, e fosse possível editar algumas jogadas e gols convincentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda razão é uma ampliação da primeira. O público de futebol, por mais ingênuo que seja em alguns aspectos, é muito bem informado sobre o mundo do futebol. Ouve resenha, lê jornal, acompanha noticiário, absorve futebol por todos os poros. Conhece as manhas e as mutretas do mundo esportivo. Nesse sentido, é muito mais malandro e crítico do que o público de música popular, que se liga apenas nas canções e no “glamour” das estrelas, e pouco ou nada sabe dos esgotos da indústria fonográfica ou dos sórdidos porões do showbiz. O pessoal de futebol sabe tudo que rola entre cartolas, federações, empresários, etc. Sabe das politicagens, das máfias, das conspirações. E em geral sabe muitíssimo mais sobre isto do que os autores do filme. Quando vê o filme, as ingenuidades saltam aos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira razão é que o torcedor de futebol, em geral, não é um esportista que gosta do jogo pelo que ele tem de beleza estética ou de simbolismo metafísico. Ele gosta é da disputa, da batalha, da competição, da hora do vamo-ver. Gosta da expectativa que cerca mesmo os jogos mais insignificantes, mas nos quais, como dizia Nelson Rodrigues, ao apito do juiz abre-se uma janela para o infinito. No futebol de verdade, tudo pode acontecer, e tudo acontece em tempo real, como numa Cantoria de Viola. Quando um torcedor acostumado a isto vai ver um filme sobre futebol, não tem nem de longe a adrenalina que lhe é produzida pelo verdadeiro espetáculo, porque sabe que ali é tudo mentirinha, tudo encenação. Para emocionar um torcedor assim, seria preciso um gênio dramatúrgico que até hoje, ao que eu saiba, não apareceu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7803492240054484861?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7803492240054484861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7803492240054484861&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7803492240054484861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7803492240054484861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1431-filmes-sobre-futebol-14102007.html' title='1431) Filmes sobre futebol (14.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqaD5tB8XI/AAAAAAAADEQ/46XweJ659w8/s72-c/bugs-bunny---soccer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-4229126399892767170</id><published>2009-12-17T12:46:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T12:50:13.578-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>1430) O Ministério da Poesia (13.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqZaM8PItI/AAAAAAAADEI/KzU0N0IBjdk/s1600-h/escher_gallery.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 314px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416310177295966930" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqZaM8PItI/AAAAAAAADEI/KzU0N0IBjdk/s320/escher_gallery.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(M. C.Escher, &lt;em&gt;Gallery&lt;/em&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que o Brasil evolua, cresça, enriqueça, se desenvolva, a tal ponto que um dia tenhamos cerca de 100 ou 200 ministérios para administrar uma sociedade tão rica e complexa. Talvez o Governo julgue de bom alvitre criar o Ministério da Poesia, a quem caberá definir e executar as políticas públicas de fomento à atividade poética no país. Uma das primeiras coisas que o Ministério fará será regulamentar a profissão, com a exigência de diploma universitário. Um poeta terá que ser formado nesses cursos, que não brotarão do nada: serão cursos de graduação desmembrados a partir dos cursos já existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esse fato se desse hoje, provavelmente os cursos de Bacharelado e Licenciatura Poética brotariam das nossas faculdades de Letras. Mas como isto não deverá ocorrer nem hoje nem num futuro imediato, não é impossível que venham a surgir no seio dos cursos de Comunicação e Marketing, direção em que a poesia atual vem se encaminhando de forma consistente nas últimas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um convênio com o Ministério do Trabalho deverá regulamentar o exercício da profissão, estabelecendo a famosa “tabela de remuneração mínima”, como existe hoje para os músicos, que têm um piso de cachê para show ao vivo e para hora de estúdio. Digamos que a preço de hoje o poeta tenha garantido o pagamento de um real por linha, no ato da aceitação do poema pela revista ou pela editora. Nada mau. Uma mera revista de ficção científica, como a &lt;em&gt;Asimov’s&lt;/em&gt;, paga aos poetas de FC um dólar por linha, mas estabelece um máximo de 40 linhas (se não, o cara mandava um troço do tamanho dos “Lusíadas” e ficava rico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vai começar uma questão delicada. Grupos de trabalho interministeriais, ou comissões mistas, reunir-se-ão em torno de imensas mesas de mogno, abastecidos por suprimentos incessantes de cafezinho, adoçante e água gelada, para definir o que é poesia. A tarefa parece titânica e inalcançável, mas não subestimemos, amigos, os poderes de uma Comissão Federal. Comissões federais bem podem repetir o famoso verso de Torquato Neto: “Eu posso, eu quero, eu quis, eu fiz”. Se a existência de Deus ou o tamanho do Universo não estão comprovados até hoje, foi porque não ocorreu a ninguém a criação de uma comissão mista para fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problemas surgirão; é a lei da vida. Os não-poetas se sentirão compreensivelmente marginalizados ao ser-lhes proibido o exercício não-regulamentado dessa atividade. Surgirá talvez um movimento reivindicando cotas, e aí em cada livro de poesias 10% das páginas serão reservadas para a inclusão de poemas redigidos por operários, campônios, médicos, engenheiros ou (mais provavelmente) concunhados e primos em terceiro grau dos membros da comissão ministerial, “para que a vivência e os benefícios morais da atividade poética sejam democraticamente estendidos a todos os setores representativos da nossa diversidade étnica e social”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-4229126399892767170?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/4229126399892767170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=4229126399892767170&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4229126399892767170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4229126399892767170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1430-o-ministerio-da-poesia-13102007.html' title='1430) O Ministério da Poesia (13.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyqZaM8PItI/AAAAAAAADEI/KzU0N0IBjdk/s72-c/escher_gallery.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-2509497595293738875</id><published>2009-12-15T17:02:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T17:07:31.311-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='felicidade'/><title type='text'>1429) Esnobando a loteria (12.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygyyJegSiI/AAAAAAAADEA/DF3p2VtrPhM/s1600-h/flautista.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 241px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415634389031733794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygyyJegSiI/AAAAAAAADEA/DF3p2VtrPhM/s320/flautista.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dizem os céticos que o dinheiro não traz a felicidade. Outros, mais céticos ainda, afirmam que, por uma questão de Justiça Cósmica, a felicidade repele o dinheiro. Seria injusto para com o resto da Humanidade você ser rico e feliz ao mesmo tempo. Vai ter que escolher. Há casos em que um sujeito já é feliz, tem tudo que que precisa, mas, como não tem dinheiro, se mete em mil e uma empreitadas onde vislumbra a possibilidade de riqueza. No fim, joga a felicidade no lixo, fica sem uma e sem a outra. Melhor nem tentar, porque são incompatíveis. Não se pode ter as duas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mês passado, esta questão filosófica foi recolocada em termos práticos quando um alemão recusou um prêmio de loteria de mais de 7 milhões de reais. O cidadão teve seu bilhete premiado e ao receber a notícia dirigiu-se à administração da Loteria, em Hanover, para dizer que não queria receber o prêmio. Seus argumentos são poderosos. Ele tem 70 anos, está aposentado, não tem dificuldades financeiras (é um aposentado europeu, não esqueçam). A mulher já morreu, e ele não tem filhos ou parentes próximos. Em suma: não tem muito o que fazer com tanto dinheiro, e confessa ter comprado o bilhete da aposta por uma mera questão de hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este episódio permite várias leituras. Na primeira, admiramos o desprendimento, o espírito Zen desse sujeito capaz de dispensar semelhante riqueza. Contemplando a vida do alto de seu Everest etário, o indivíduo descortina paisagens amplas, horizontes metafísicos, e não vai desperdiçar os anos de paz que lhe restam envolvido em querelas com gerentes de Banco, advogados, corretores da Bolsa, herdeiros remotos ou sei lá o que mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra leitura nos diz que o cidadão é um asno. Tudo bem que ele não queira o dinheiro para si. Mas sem dúvida ele conhece alguém que precise. Poderia aceitar o dinheiro e reparti-lo entre creches, hospitais, bibliotecas. Ou doá-lo a uma orquestra sinfônica local, já que ele é alemão. Ou ao time de futebol de sua preferência. Que diabo, será que esse velho é tão obtuso que não lhe ocorre nenhum destino útil para esse dinheiro todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na mesma matéria fico sabendo que isto ocorreu na cidade de Hameln, na região da Baixa Saxônia, cidade que não é outra senão a popularíssima Hamelin, da história do Flautista que livrou a cidade dos ratos e, depois que as autoridades se recusaram a pagar o prêmio combinado, levou consigo todas as crianças e as escondeu numa caverna da montanha próxima. De imediato me veio ao écran da mente a imagem de um velho, não de 70, mas de 700 anos, caminhando devagar pelas ruazinhas da cidade, esperando um pagamento que lhe foi prometido mas que nunca chegou. Quem sabe a loteria foi um meio que o governo (ou o anônimo Destino) escolheu para liquidar a dívida e resgatar as crianças que há 7 séculos estão à espera, numa caverna da montanha? “Agora não posso mais trazê-las,” diz o velho, “perdi a embocadura da flauta”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-2509497595293738875?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/2509497595293738875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=2509497595293738875&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/2509497595293738875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/2509497595293738875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1429-esnobando-loteria-12102007.html' title='1429) Esnobando a loteria (12.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygyyJegSiI/AAAAAAAADEA/DF3p2VtrPhM/s72-c/flautista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-3683789523780868795</id><published>2009-12-15T16:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T17:02:16.871-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='R. A. Lafferty'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><title type='text'>1428) “Novecentas Avós” (11.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sygxhu5msKI/AAAAAAAADD4/CwQlo6O4zm0/s1600-h/900+av%C3%B3s.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 188px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415633007508107426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sygxhu5msKI/AAAAAAAADD4/CwQlo6O4zm0/s320/900+av%C3%B3s.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;R. A. Lafferty é uma espécie de Hermeto Paschoal da ficção científica norte-americana, um sujeito com grande cultura clássica, com uma identificação profunda com o folclore e a literatura oral dos EUA, e que se vale da FC para contar umas histórias extravagantes, improváveis, às vezes hilariantes, que são um bem-vindo contraponto ao excesso de lógica cartesiana que acomete o gênero. No conto “Nine Hundred Grandmothers” Lafferty fala de um grupo de exploradores terrestres num asteróide habitado, onde eles atuam como representantes comerciais ou coisa parecida. O protagonista, Ceran, é um cara que se interessa mais pela cultura local do que por transações comerciais. Ele vive intrigado com o fato de os Proavitoi (como se chamam os nativos) terem em suas casas uma espécie de “bonecas vivas”, que andam, falam, etc. O chefe da expedição lhe dá ordens para que pesquise melhor esse aspecto – quem sabe as bonecas não são um produto interessante para ser vendido na Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ceran interroga seu intérprete local. Pergunta sobre a morte, e fica pasmo ao ouvir: “Nós não morremos”. Ele insiste, e o Proavitoi acha graça: “Olhe, meu amigo... acho que se morrêssemos, seríamos os primeiros a saber”. O interrogatório prossegue. Ceran fica sabendo que os Proavitoi não morrem com o passar dos anos; apenas sofrem uma perda de energia e vão sendo guardados pelos seus descendentes em casa, onde mergulham numa espécie de hibernação. Quando um Proavitoi atinge a maturidade (ou seja, quando completa dez gerações de descendentes mais jovens) ele tem o direito de participar do Grande Ritual, que ocorre uma vez por ano. É quando os antepassados são despertados do seu sono e contam aos mais novos o princípio de tudo, quando o mundo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Proavitoi são especialistas em certos aspectos da biologia. Parecem ser capazes de expandir ou contrair corpos, como se pudessem fazer as moléculas diminuir de tamanho. Mas Ceran está interessado em saber como começou a história daquela raça, e consegue ser admitido à casa do seu intérprete, depois de descobrir que ele tem aproximadamente novecentas avós ainda vivas. Ali ele vai sendo apresentado a pessoas cada vez menores, e descobre que as tais “bonecas vivas” são os próprios avós e bisavós dos nativos, miniaturizados vivos. A certa altura, Ceran desce aos porões da casa, que estão cobertos de prateleiras onde se enfileiram antepassados cada vez menores. Ceran coloca uma dessas avós na palma da mão e lhe pergunta se mais abaixo, nos porões inferiores, as outras são menores do que ela. “Sim,” ela responde; “cabem na palma da minha mão”. Ele desce até o último porão, onde as avós não são maiores do que uma abelha. Pergunta-lhes, desesperado, como foi o começo de tudo, o começo de sua raça – mas com sua ansiedade consegue apenas fazê-las rir. E o som das suas risadas “era como o som de um bilhão de micróbios gargalhando”. Uma bela metáfora para o estudo da História. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-3683789523780868795?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/3683789523780868795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=3683789523780868795&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/3683789523780868795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/3683789523780868795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1428-novecentas-avos-11102007.html' title='1428) “Novecentas Avós” (11.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/Sygxhu5msKI/AAAAAAAADD4/CwQlo6O4zm0/s72-c/900+av%C3%B3s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-4439181020227975570</id><published>2009-12-15T16:55:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T16:58:29.984-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o Poder'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><title type='text'>1427) Uma proposta irrecusável (10.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygwrImyq0I/AAAAAAAADDw/85mMep84drQ/s1600-h/largent+bresson.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415632069515717442" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygwrImyq0I/AAAAAAAADDw/85mMep84drQ/s320/largent+bresson.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um amigo me disse certa vez, comentando fofocas políticas que circulavam nos bares da época: “Não existem propostas irrecusáveis. O que existe são indivíduos que vivem com o aceitador aberto.” O conceito de proposta irrecusável lembra um pouco aquela questão científico-escolástica: “O que acontece se derramarmos um solvente perfeito num recipiente invulnerável?” ou “O que acontece quando uma força irresistível se choca com uma barreira impenetrável?” Questões desse tipo são falácias, porque envolvem conceitos que se excluem. Se no universo existe uma força irresistível, então não pode haver uma barreira impenetrável. E vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece quando um indivíduo absolutamente honesto recebe uma proposta (desonesta) irrecusável? A questão aqui é mais sutil. Não estamos lidando com a nitidez dos conceitos científicos, e sim como o universo turvo da mente humana, refletido no espelho embaçado das palavras. Não existe proposta irrecusável. Sempre vai haver um desmancha-prazeres para quem as vantagens da proposta (dinheiro, fama, poder, o que fôr) nada importam, ou importam menos que seus próprios valores. E nem precisam ser valores grandiosos, como nobreza de caráter ou retidão de princípios. Basta ser o Ego. Tem sujeito que recusa uma proposta irrecusável só para humilhar o proponente, só para dizer: “Dane-se. Sou melhor do que você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma maneira diplomática de recusar uma proposta é cobrar um preço absurdo. O sujeito me oferece um emprego com salário de 2 mil reais. Como eu não quero recusar assim, “na lata”, digo que só iria por 10 mil. No outro dia ele me telefona, diz que consultou o Conselho Diretor ou coisa parecida, e que tudo bem, dez mil. E agora? Existe uma saída meio cara-de-pau, que é dizer: “Olha, Anacleto, se você aumentou de dois para dez com essa facilidade, então pode muito bem me pagar vinte. Só vou por vinte”. O que não resolve o problema, porque talvez ele volte a concordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propostas irrecusáveis sempre envolvem dinheiro. Esse conceito foi criado por pessoas que têm muito dinheiro para tentar convencer a nós, que o temos quase nenhum, de que o dinheiro tudo pode. Digamos que um conhecido meu, esborrotando de rico, me chama para ir tocar violão na festa de aniversário dele. Eu digo, “Ora, Fulano, vai te catar, sou um homem ocupado”. Ele diz: “Cem mil reais, ‘cash’, à vista”. E agora? O cara pode gastar isso sem nem piscar o olho, e está falando sério. Vou ou não vou? Talvez não fosse, só pra desmoralizar o Capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida empresarial e política está cheia de propostas irrecusáveis. Não o são porque envolvam fortunas fabulosas, mas porque são propostas feitas no momento certo ao indivíduo que está com a aceitação engatilhada. O proponente hábil sabe que em certas portas não adianta bater. A proposta irrecusável é aquela que ele já sabe ter sido aceita antes de ser formulada, e o valor financeiro é uma mera cortina de fumaça para desviar as atenções. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-4439181020227975570?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/4439181020227975570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=4439181020227975570&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4439181020227975570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/4439181020227975570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1427-uma-proposta-irrecusavel-10102007.html' title='1427) Uma proposta irrecusável (10.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygwrImyq0I/AAAAAAAADDw/85mMep84drQ/s72-c/largent+bresson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-6347541177686440567</id><published>2009-12-15T16:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T16:54:20.107-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='profissionalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>1426) O que faz escrever (9.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygvtZ55MeI/AAAAAAAADDo/gt6UTknCEto/s1600-h/teclado.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415631009007350242" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygvtZ55MeI/AAAAAAAADDo/gt6UTknCEto/s320/teclado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todo escritor se depara de vez em quando com a obcecada pergunta: “O que o faz escrever? Ou seja, qual a sua principal motivação enquanto escritor?” Se fizéssemos a pergunta equivalente a um camioneiro, a um alpinista, a um político, a um médico, talvez encontrássemos algumas das respostas que os escritores nos dão. Assim como um camioneiro, um escritor gosta de tentar reunir o máximo de duas coisas antagônicas: liberdade e responsabilidade. Ele gosta dos grandes espaços abertos (do espírito, no seu caso), do desafio constante de ir a lugares onde nunca foi, da excitação de rever lugares onde passou muito tempo atrás, e durante todo o tempo sentir-se responsável por algo muito valioso que não lhe pertence (uma tradição literária) mas da qual ele é, naquele instante do seu trabalho, o único defensor e guardião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como um alpinista, o escritor é seduzido pela possibilidade de ser O Maior, de atingir alturas que os seres humanos comuns nunca alcançaram. Ele sabe que quanto mais sobe mais seu raciocínio fica inebriado pelo ar rarefeito; que corre o risco de morrer de solidão e de frio; que um passo em falso pode precipitá-lo no abismo. Mas ele sempre acredita que pode dar mais um passo, ou seja, que pode escrever mais uma página. Um político dirá que tem uma responsabilidade para com um grupo de pessoas que acreditam nele, acreditam na sua capacidade de fazer coisas importantes e de melhorar o mundo. Pouco importa se o mundo tem sido muito pouco melhorado, seja por políticos, seja por escritores. O importante é achar que, se há ainda muita coisa a ser feita, nada melhor do que alguém candidatar-se a fazê-la. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enfim: cada profissional tem razões múltiplas para fazer o que faz, mas ao que parece é apenas aos escritores que se faz essa pergunta. Parece que seguir qualquer profissão é algo óbvio, cuja necessidade não precisa ser explicada, mas ser escritor é uma missão misteriosa, desnecessária e que deve ser justificada tintim-por-tintim..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a melhor resposta, para qualquer profissão, seja: faço isto por que gosto, e porque é o que sei fazer melhor. Jogadores de futebol dizem isto o tempo inteiro: “Sou um sujeito de sorte, porque me pagam um bom salário para que eu faça a coisa que mais gosto”. Ninguém pergunta a um jogador por que motivo ele joga. Pressupomos que ele descobriu em si mesmo aquela habilidade, e que não viu motivo para se dedicar a outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um escritor dá-se o mesmo. Ele descobriu muito cedo que 1) gosta daquilo; 2) sabe fazer aquilo bem; 3) vê naquilo a possibilidade de juntar duas coisas importantes, o útil e o agradável, ou seja, uma profissão que lhe dê sustento e uma atividade prazerosa que lhe dê algum tipo de realização pessoal. Escritores, no entanto, criam para si mesmo a imagem de alguém que sabe respostas secretas e bombásticas sobre as perguntas mais banais. Podem até saber, mas a resposta que melhor os explica é esta aqui acima, a mais banal de todas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-6347541177686440567?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/6347541177686440567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=6347541177686440567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/6347541177686440567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/6347541177686440567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1426-o-que-faz-escrever-9102007.html' title='1426) O que faz escrever (9.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SygvtZ55MeI/AAAAAAAADDo/gt6UTknCEto/s72-c/teclado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700897360262471527.post-7815204854356377823</id><published>2009-12-14T09:50:00.000-08:00</published><updated>2009-12-14T09:53:42.254-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pai'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mãe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nazismo'/><title type='text'>1425) Hitler e minha mãe (7.10.2007)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyZ7nIPJVmI/AAAAAAAADDc/9g2etjJsoYg/s1600-h/hitler+e+crian%C3%A7as.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 226px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415151514115724898" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyZ7nIPJVmI/AAAAAAAADDc/9g2etjJsoYg/s320/hitler+e+crian%C3%A7as.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Herdei de meu pai a poesia e de minha mãe a prosa. Esta é uma simplificação excessiva de uma situação mais complexa, pois o fato é que era Dona Cleuza quem me cantava folhetos de cordel e romances orais, e Seu Nilo quando estava na veia era um contador de histórias que não devia a nenhum outro. Mas não há dúvida de que foi ele quem me aplicou Bilac, Augusto, Castro Alves, até poetas hoje obscuros como Guerra Junqueiro ou Luís Dantas Quesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já minha mãe costumava contar histórias sobre a época da II Guerra Mundial e seus reflexos no Brasil e em Campina. O monte de ferro-velho acumulado pelas autoridades para ajudar no esforço de guerra, ali na confluência entre as ruas João Pessoa e João Suassuna, em frente ao antigo Banco Industrial. Os blecautes que havia em Olinda (onde ela e meu pai moraram depois de casar), as luzes todas apagadas para não atrair a aviação inimiga (nunca entendi por que diabos Hitler iria querer bombardear Olinda). E havia uma historieta, provavelmente apócrifa, mas que para mim faz parte das lendas urbanas que um tempo de guerra é mais propício a criar do que um tempo de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hitler costumava aprisionar num país invadido, a Polônia por exemplo, centenas de crianças, e as trancafiava num imenso galpão. Ali os meninos e meninas eram deixados durante dias e noites sem comer, sem nada. Quando o desespero estava grande, entrava um oficial nazista de megafone em punho e gritava: “Vocês estão com fome?!” Havia uma gritaria que sim. E ele tornava: “Pois peçam comida a Deus! Vamos, gritem! Gritem bem alto para que ele ouça!” E saía. Os garotos começavam o maior berreiro: “Deus, me dê comida! Deus, me dê um copo dágua!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por motivos teológicos que não tenho espaço para analisar aqui, Deus não se manifestava, e um dia depois a fome tinha recrudescido ainda mais, devido à reversão da expectativa. Era o momento em que o oficial voltava. Perguntava se ainda tinham fome, recebia a resposta ululante que era de se esperar, e aconselhava: “Pois peçam comida a Hitler”. E ia embora. Os meninos, que a esta altura não tinham mais nada a perder, começavam o coro: “Hitler, me dê comida! Hitler, me dê água!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí (ela gesticulava, encorpava a voz, abria os braços para sugerir uma encenação digna de Spielberg) abriam-se enormes clarabóias no teto e de lá desciam, mediante correntes e engrenagens, vastas plataformas de madeira cobertas com terrinas fumegantes, bandejas de pastéis e sanduíches, receptáculos cheios de macarrão com molho, carnes suculentas, jarras de água, de leite e de suco, frutas em abundância, e doces, doces, muitos doces. Os garotos atiravam-se sobre aquilo, balbuciando orações e agradecimentos ao Fuhrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe não era nazista, caro leitor. Ela usava isto como um conto caucionário, uma parábola acauteladora. No fim da história ela aproximava o rosto, encatitava o olho, erguia no ar o indicador e sussurrava, com intensidade: “Des-con-fie!” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700897360262471527-7815204854356377823?l=mundofantasmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/feeds/7815204854356377823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700897360262471527&amp;postID=7815204854356377823&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7815204854356377823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700897360262471527/posts/default/7815204854356377823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mundofantasmo.blogspot.com/2009/12/1425-hitler-e-minha-mae-7102007.html' title='1425) Hitler e minha mãe (7.10.2007)'/><author><name>Braulio Tavares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05278198384274988294</uri><email>brauliotavares13@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='03890493682491320263'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lyZvyGFRi0k/SyZ7nIPJVmI/AAAAAAAADDc/9g2etjJsoYg/s72-c/hitler+e+crian%C3%A7as.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>