tag:blogger.com,1999:blog-73882092009-07-14T20:19:38.697-03:00Mox in the Sky with DiamondsASI - Autobahn of Stupid Ideas.
Filosofia, rock'n'roll, cachaça, cinema e política. Pra embrulhar teu estômago, filho.-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comBlogger647125tag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-32774462453892225902009-07-14T17:20:00.004-03:002009-07-14T17:29:07.114-03:00<span style="font-weight: bold;"><span style="font-family:trebuchet ms;">LEITURAS DE FÉRIAS<br /><br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqR4DPKxI/AAAAAAAAAnE/zBaDLICZlg4/s1600-h/capaVidasSecas_1ed.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 274px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqR4DPKxI/AAAAAAAAAnE/zBaDLICZlg4/s400/capaVidasSecas_1ed.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358415249488685842" border="0" /></a><br /><br />- </span></span><span style="font-family:trebuchet ms;">Graciliano Ramos, "Vidas Secas";<br />- Ruben Fonseca, "A Grande Arte";<br />- Paul Auster, "A Trilogia de Nova York";<br />- Primo Levi, "É isto um homem?"<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqRhVrAcI/AAAAAAAAAm8/5ZyJezpxGho/s1600-h/capa_asnuvens_300_div.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqRhVrAcI/AAAAAAAAAm8/5ZyJezpxGho/s400/capa_asnuvens_300_div.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358415243391992258" border="0" /></a><br /><br />- J. Saer, "As Nuvens";<br />- Franz Kafka, "Na colônia penal/O veredito";<br />- René Girard, "A violência e o sagrado";<br />- Clifford Geertz, "Nova luz sobre a antropologia";<br /><br /><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqSOkThTI/AAAAAAAAAnM/0wrlPF8wYaY/s1600-h/189636.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 199px; height: 311px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlzqSOkThTI/AAAAAAAAAnM/0wrlPF8wYaY/s400/189636.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358415255532963122" border="0" /></a><br />- Marcel Mauss, "Ensaio sobre a dádiva".<br /></span><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-3277446245389222590?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-11919257335825084002009-07-13T17:11:00.000-03:002009-07-13T17:13:00.111-03:00<a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNmzRT4I/AAAAAAAAAm0/1QDxqHfzHjE/s1600-h/liv-tyler03.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358040242673766274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNmzRT4I/AAAAAAAAAm0/1QDxqHfzHjE/s400/liv-tyler03.jpg" border="0" /></a><br /><div><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNZKW5XI/AAAAAAAAAmk/QJKAQeioo0o/s1600-h/liv_tyler_3t.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358040239012504946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 292px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNZKW5XI/AAAAAAAAAmk/QJKAQeioo0o/s400/liv_tyler_3t.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNOX_M9I/AAAAAAAAAmc/stgSZmjQAI4/s1600-h/liv.JPG"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358040236116882386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNOX_M9I/AAAAAAAAAmc/stgSZmjQAI4/s400/liv.JPG" border="0" /></a><br /><br /><br /><div><a href="http://3.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNm2XGgI/AAAAAAAAAms/Bq4DCylidDc/s1600-h/liv+tyler+11.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358040242686728706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SluVNm2XGgI/AAAAAAAAAms/Bq4DCylidDc/s400/liv+tyler+11.jpg" border="0" /></a><br /><div></div></div></div></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-1191925733582508400?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-82883093421943861882009-07-13T14:35:00.002-03:002009-07-13T14:40:00.440-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">ACABAR COM O SENADO? </span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">NÃO SOU NENHUM ENTUSIASTA da democracia representativa. Por isso, até simpatizo quando vejo movimentos pela extinção do Senado em defesa do unicameralismo. Porém fico pensando: será a melhor solução?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Meu raciocínio é simplesmente o seguinte: se a representação fosse estritamente linear, ou seja, atendesse exatamente o número de eleitores e manifestasse como um espelho o Brasil, os estados muito pobres acabariam completamente sem voz no Congresso. Ficaríamos com uma representação quase que completamente guiada pelos interesses do centro, especialmente São Paulo, e pouco poderiam falar Acre, Paraíba e Roraima, por exemplo. A cena do parlamento reproduziria a mesma violência que sempre deixa o marginal sem fala, à medida que parte da suposta igualdade. Nesse sentido, talvez o Senado, em um quadro de democracia representativa, seja um mal necessário.</span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-8288309342194386188?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-88134777974534598082009-07-11T16:49:00.006-03:002009-07-11T18:01:22.294-03:00<a href="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Slj8xdi2Y3I/AAAAAAAAAmM/OsbZIVCfvO0/s1600-h/alter+ego.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357309683431793522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 372px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Slj8xdi2Y3I/AAAAAAAAAmM/OsbZIVCfvO0/s400/alter+ego.jpg" border="0" /></a><br /><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;">ALTER EGO, "ANTES DO CÉU"</span></strong></div><br /><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></strong></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O ROCK BRASILEIRO não é das preferências da casa. Pouca coisa se salva no imbróglio de irrelevância, pastiche e pouca ousadia na <em>terra brasilis</em>. Salvo um Los Hermanos aqui, um Mutantes lá, as bandas brasileiras oscilam entre um pop insosso e um rock humorístico, incapazes de enfrentar suas inspirações do Norte.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Porém esse definitivamente <em>não</em> é o caso da <a href="http://www.myspace.com/alteregopoa">Alter Ego</a>. Comodismo, pieguice, anacronismo, bunda-molice e bom-mocismo-encomendado-para-o-Faustão são tudo que<em> não</em> se encontra por aqui. Nenhum espaço para esse tipo de concessões: apenas o <em>bom</em> veneno contagiante do velho rock'n'roll. Nada além daquilo que contamina epidemicamente as gerações de jovens desde os anos 50: energia, atitude, vontade de viver intensamente e sem limites a aventura que é a vida. Nenhum medo. Nenhuma mentira. Nenhuma restrição. Apenas tudo como deve ser: vivido até o último suspiro, gritado, cantado, dançado, festejado -- como se saltássemos sobre as fagulhas das chamas do inferno numa festa que vai até o fim da eternidade. Dia de comemorar a hecatombe da vida.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É esse ar de <em>intensidade</em>, sangue borbulhante e energia vital que se sente ao longo de toda obra. As guitarras atravessam a audição como relâmpagos cruzando o céu, rasgando as canções até se transformarem em tempestades povoando todo espaço do horizonte. Da paz celestial até a tempestade que destrói tudo, e disso de volta ao arco-íris da psicodelia que faz relaxar, rir, alucina a existência amarga do dia-a-dia. Ouvir Alter Ego é voltar ao sonho da <em>vida sem hesitação</em>; sem medo, sem receio, mergulhado no abismo do incerto para encontrar lá o que <em>realmente</em> importa -- alheio ao nosso mundo de burocracia, hipocrisia e cinismo. O sonho, de novo, e todo o risco que ele comporta. Boemia, corredores sujos, cerveja, cigarro, barro de banheiro, ressaca, sexo casual, alucinações, viagens, promessas, brigas, esperança, desejo, vinganças -- toda essa vida genuinamente contracultural na risada de quem ainda ousa se divertir. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A melodia é a matéria-prima onde a sonoridade trabalha. Riffs, linhas gordas de baixo, gritos e refrões grudentos vão povoando as canções uma-a-uma, caprichosamente reunidas em um petardo do início ao fim. Dos rockões <em>clássicos</em> como "Muié Lôca", "O Vingador", "Chega" e "Sexo Droga de rock'n'roll" até aventuras mais psicodélicas como "Depois da Tempestade", "Nem tudo vai morrer", "Quando" e "Acomodado", passando por baladas como "Noites Claras" e "Meu lugar" -- a inspiração está no rock'n'roll tradicional: Rolling Stones, Oasis, The Verve, Led Zeppelin, Jet, Kings of Leon. Da energia ao repouso, do repouso à alucinação, da alucinação até mais loucura. "Muié Lôca" e "O Vingador" -- de um blues rock a la Stones até a beira do hard rock -- são poderosas doses de red bull direto no cérebro; "Sexo droga de rock'n'roll" é a própria pulsação da transgressão, brincando com os limites da santíssima trindade que ilumina (ou escurece) a vida dos que compartilham da paixão pela religião de Jimmy Hendrix, Johnny Rotten e Lennon. "Acomodado" é a passagem para o etéreo; "Depois da tempestade", viagem a um mundo distante. "Meu lugar" é espécie de celebração da volta à ingenuidade que convém à vida; "Nem tudo vai morrer", bem, essa eu acho a melhor do álbum, pela inteligência e surpresa que pode gerar aos que prestam atenção na genialidade psicodélica que contém. Enquanto os violões se encontram, vamos embarcando em outra dimensão. "Nada escapa" tem dos melhores versos dos últimos tempos, e que bem explica de onde vêm as coisas: "<em>nada escapa aos olhos de quem enxerga na madrugada</em>". </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A Alter Ego não precisa esperar mais nada, já está <em>pronta </em>para tudo. Não apenas porque faz músicas boas, nem porque o disco soa como um oásis no paupérrimo panorama nacional, nem mesmo porque bebe em fontes sacras do rock e não deixa nada a dever. Não precisa esperar porque<em> sabe viver </em>-- e é essa vida pulsante, intensa, rebelde e indomável que se sente ao longo de "Antes do Céu". </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Georgia;"></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-8813477797453459808?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-45106748697756618312009-07-10T17:14:00.003-03:002009-07-10T17:41:42.919-03:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>FILHOS: NÃO!</strong></span><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">APESAR DOS COMENTÁRIOS DO FABS, que foram bem interessantes (e desconfirmaram algumas das minhas "certezas"), tenho que continuar minhas reflexões sobre a vida pessoal e seus tabus. Um deles é o quanto ainda é desconcertante para as pessoas lidar com quem não quer ter filhos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">ATENÇÃO: eu não tenho NADA contra quem quer ter filhos; ao contrário, é uma coisa bem bonita. Mas nós não estamos no meio de uma hecatombe em que o gênero humano está prestes a desaparecer e eu me nego a engravidar a Regina Casé. O mundo não vai acabar se eu não me reproduzir. As coisas continuarão seguindo seu fluxo totalmente normal, sem qualquer problema de escassez humana. Tem gente pra burro para nascer. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Também não tenho nada contra crianças. Não sou muito bobão e brincalhão, nem acho bebês lindos (normalmente são feios). Tampouco tenho muita paciência. Mas as crianças não precisam de nós, adultos, para se divertir. Disse Benjamin uma vez -- sob o efeito de cânhamo -- que o que mais estranham as crianças nos adultos é sua falta de magia. Então, para elas basta que não as incomodemos. Elas sabem <em>brincar</em>, algo que perdemos quando perdemos nossa inocência. Então que continuem existindo e recheando de magia nosso mundo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que é estranho é como uma opção perfeitamente natural, feita com base em uma escolha de vida, pode <em>ainda</em> causar tanto choque. Volta e meia, o sujeito é visto com estranheza, chamado de egoísta, amaldiçoado pela diferença. A questão é, na realidade, muito simples<em>: não ter filhos não é uma atitude egoísta porque se não está privando<strong> ninguém </strong>de nada</em>. O suposto filho <strong>simplesmente não existe</strong>. Portanto, é uma impossibilidade não só lógica, mas fática, de que<em> alguém</em> saia perdendo. Esse "alguém" não existe. O egoísmo só pode existir se alguém está sendo privado de algo. Reitero: esse "alguém" não existe.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Nada contra as pessoas que querem ter filhos, mas tê-los significa uma série de restrições que não estou disposto a comprar. <strong>E ninguém perde nada com isso</strong>. O "outro" - o suposto filho - não existe. Eu sei que tem muita gente que só consegue enxergar sua vida a partir da imagem da família burguesa, organizada a partir dos filhos, com casinha, esposa, tomando café e levando as crianças para o colégio, saindo para trabalhar e depois voltando cansado. BELEZA. É a opção de <strong>vocês</strong>. Não queiram dizer que <strong>eu</strong> preciso aderir a isso. Porque eu tenho outros planos. Porque eu vejo sentido na vida sem ter casinha, crianças e sucrilhos. Porque eu acho que tem um monte de coisas legais para se viver sem precisar recorrer à relação parental. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Desculpem, mas nunca mais me recuperei da leitura de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", do Machado de Assis. Nunca mais. Desde que li "não deixei a ninguém o legado da nossa miséria", jamais sonhei novamente em ter filhos. Esse mundo é cão demais. E, reitero, porque não custa repetir, não estou prejudicando ninguém na sua não-existência, porque "não existir" não comporta, lógica e faticamente, uma privação. A sensação que temos a esse respeito é sempre uma sensação baseada numa "idéia de filho" dona de uma espessura representacional tão poderosa que parece real. Mas não é.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Claro, o egoísmo pode acontecer se a parceira quer ter filhos. Nesse caso, não vejo bem como equacionar as coisas. Mas é outra coisa distinta. O importante para mim é ressaltar que não há nada, absolutamente NADA, de errado em não ter filhos. Lógico, não? É, mas, pensa bem, tu sempre fica com uma pulga atrás da orelha a respeito. Ligue a vigília já.<strong> </strong></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-4510674869775661831?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-57708070779012043012009-07-09T18:46:00.002-03:002009-07-09T18:47:51.275-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">HUMANO, DEMASIADO HUMANO</span></strong><br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlZlXQh_hQI/AAAAAAAAAmE/Yiv07eRHW4s/s1600-h/obama.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356580257052722434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlZlXQh_hQI/AAAAAAAAAmE/Yiv07eRHW4s/s400/obama.jpg" border="0" /></a><br /><div><strong></strong></div><div> </div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-5770807077901204301?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-83977769966143700282009-07-08T15:13:00.006-03:002009-07-08T16:14:49.545-03:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>A FÍSICA VAI NOS DAR TODAS AS RESPOSTAS?</strong></span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">PARA OS ATEUS, como eu, a evolução das ciências é algo extremamente bem-vindo. A cada momento que passa, questões antes sem resposta ganham explicações e nos sentimos menos escravos da transcendência "lá fora", ou seja, daquilo mundo que não é o nosso, pelo qual vivemos com medo durante tantos séculos. A física, particularmente, apresenta respostas para questões essenciais, provocando um desvencilhamento do mundo "sobrenatural".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">No domingo, o ótimo colunista Marcelo Gleiser escreveu na Folha de São Paulo um artigo chamado "Consciência Cósmica". Gleiser afirma que tradicionalmente as questões essenciais eram delegadas a explicações sobrenaturais (míticas ou religiosas), mas que, hoje em dia, a ciência as encara. E procura arrolar um primeiro tema, que é o seguinte:</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><blockquote><p><span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"><em>1. O cosmo é único, resultado de uma estrutura matemática que a física teórica vislumbra em raros momentos. Por trás da enorme diversidade das coisas, em particular da matéria e das suas propriedades, existem leis bem determinadas e eternas que ditam desde a existência do Universo ao valor da carga e da massa do elétron.</em></span></p><p><span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"><em>Se algum dia obtivermos essa teoria unificada, a teoria de tudo, teremos chegado ao ápice da racionalidade, decifrando o código secreto da natureza.</em></span></p><p><span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"><em>(A "mente de Deus" como Hawking e outros afirmam.) Segundo essa visão, a vida e a mente são acidentais, já que a física e a química têm pouco ou nada a dizer sobre a emergência da vida.</em></span></p></blockquote></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span> </div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Fiquei pensando nisso que Gleiser escreveu. Será que, se decifrarmos uma "teoria de tudo", teríamos também a "mente de Deus"? É aqui que aparece a ingenuidade epistemológica do cientista.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A Modernidade, desde Descartes, pensou a relação sujeito/objeto, mediada pela razão, como o vínculo fundamental do Eu com o Mundo. As relações <em>internas</em> desse sujeito seriam a "subjetividade". O objeto, para que bem estabelecido o pensamento científico, deveria ser apreendido na sua "pureza", limpo de qualquer dessas interferências "internas", formando assim a "objetividade". (A "subjetividade" é então delegada à psicologia, que por sua vez investigaria <em>objetivamente</em> essas relações internas.) A "objetividade" nos guiaria ao pensamento absoluto, válido independente do tempo e do espaço, quando confrontaríamos as coisas "nuas", ou seja, "puras", sem referência a qualquer interioridade. Por isso a pergunta fundamental da Modernidade sempre foi a pergunta epistemológica.<br />Pois não é exatamente esse o sonho da "mente de Deus" de Hawking? Encontrar o universo "nu", mapeá-lo para assim controlá-lo, detendo o "pensamento absoluto"? Encontrar a "objetividade última", o último ponto em que o pensamento se desconecta de si mesmo e passa a ser apenas um espelho final do mundo? </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Desde Nietzsche até Heidegger e os demais contemporâneos, parece claro que a "objetividade" não esgota o ente. Ou seja, a dimensão "objeto" nada mais é do que uma faceta do ente - uma específica faceta que permite o controlar e medir -- mas jamais esgota a totalidade desse ente. Ao contrário dos esotéricos, que usam bizarramente filosofia e física quântica para inflacionar o sujeito até sua implosão em uma espécie de mônada-solipsista (leia-se: "O Segredo"), todo esforço da filosofia do século XX -- de Bergson a Adorno, de Benjamin a Levinas, de Husserl a Foucault -- foi justamente recuperar essa esfera fora-de-controle do sujeito e mostrar como ela excede a dimensão "objetiva". Sem desmentir a ciência, sem retirá-la do seu papel fundamental, esses filósofos trabalharam no sentido de desfazer a idéia de que o intelecto é o mundo, que chegou ao poderoso ápice em Hegel -- ou, para Heidegger, na "vontade de vontade" de Nietzsche. Separando razão e realidade, o ente retoma sua dignidade e ganha mais faces. Assim, a dimensão sujeito/objeto não perde sua importância, mas sim o lugar fundamental. A epistemologia continua sendo importante, mas não "filosofia primeira".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É por isso que valorizo a obra de Heidegger, apesar das várias críticas possíveis a ele. Heidegger nos ensinou que a dimensão sujeito/objeto não é fundamental porque ela <em>já pressupõe</em> outra relação mais fundamental. Heidegger parte da premissa de que o pensamento não pode partir da pretensão de exceder o tempo e refugiar-se em direção ao absoluto, procurando o infinito. O pensamento precisa, primeiro, pensar-se a si próprio na finitude. Não transbordar a condição temporal, mas assentar-se nela. Ele traz de volta o pensamento ao concreto, ao "aqui embaixo", não em um pensamento que busca cada vez mais se aproximar do absoluto, mas pensamento que pensa a si mesmo <em>enquanto finito</em>. Essa teria sido a fraqueza fundamental da tradição e a razão da destruição da metafísica. Reconhecer que a metafísica deve ser destruída significa circunscrever cada "princípio epocal" (as idéias de Platão, a substância de Aristóteles, o Deus dos medievais, o sujeito de Descartes, a "vontade de vontade" de Nietzsche, etc.) como uma determinada manifestação do Ser, e não como um mero erro que deve ser descartado a cada passo mais próximo do pensamento absoluto. Cada "princípio epocal" corresponde a uma forma finita em que o Ser foi pensado.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Partindo da faticidade, ou seja, do <em>tempo </em>[como certa vez disse o Timm (que não gosta de Heidegger) em sala de aula: <strong>"no século XX o tempo se vinga"</strong> (basta pensarmos em Rosenzweig, Benjamin, Bergson, Levinas, Derrida, etc.)], nós percebemos que <em>para chegarmos</em> na objetividade partimos de um ponto prévio, uma pré-compreensão do objeto. Essa pré-compreensão indica que já estamos em um solo prévio antes de começarmos a colocar os problemas científicos. Ser é ser-no-mundo. O mundo precede o empilhado de objetos que a ciência arrola. O sujeito não existe sem um mundo (se não tivéssemos mundo, seríamos como nossos irmãos macacos e gorilas). Assim se resolve a complicada e artificial "ponte" entre Eu e o Mundo que a Modernidade tanto pensou como relação entre "sujeito" e "objeto". Ser já é ser-no-mundo; o mundo já está dado, sem ele, não sou sujeito. Sem uma pré-compreensão do ente não chego ao <em>objeto</em>. Sem mundo (sem ser Dasein - "ser-aí") não sou <em>sujeito</em>. Ser é já estar-lançado no mundo. A "tábua rasa" de Descartes é uma ficção. A condição epistemológica é precedida pela condição ontológica -- é <em>derivada</em>. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">A teoria de Gleiser parte da ingenuidade de que existiria esse "vocabulário final" que seria o da física. Ele toma a objetividade como originária. O que aconteceria se tivéssemos esse "mapa"? Ora, provavelmente muita coisa. Mas também é provável que, quando nos deparássemos com a descrição física da "mente de Deus", perdêssemos todo mundo. Como assim? Significa que a redução das coisas à sua dimensão objetiva não é capaz de apresentar as "coisas nuas", mas apenas <em>uma apresentação dessas coisas</em>. A descrição científica é apenas uma descrição<em>, </em>não <em>a </em>descrição<em> </em>fundamental. Pode ser a mais apropriada do ponto de vista da verdade como adequação, dentro do jogo de linguagem científico, mas não vai além disso. Uma árvore não deixará de ser <em>uma</em> <em>árvore</em> depois que se identificarem seus elementos físicos (e continuará, por exemplo, podendo ser cantada pelos poetas). A física não é capaz de dar conta integral do "mundo" (embora possa provocar milhares de mudanças nele). Essa dimensão originária e essencial<strong> não existe</strong>, é como a cebola que se descasca e não tem centro. A própria descrição física nada mais é do que mais uma casca da cebola. É como se disséssemos que o cérebro da mulher tem a reação Z quando vê um homem de pau duro<em> porque</em> o cérebro produz X e Y reações. Isso é parcialmente falso. Por que, afinal, o cérebro produz X e Y exatamente quando o homem está de pau duro, e não em outras circunstâncias? Porque o desejo já transborda da "natureza", já se circunscreve em outra ordem (da linguagem). Do fato de o cérebro produzir X e Y não é possível deduzir isso como<em> causa</em> da reação Z da mulher. Isso é incapaz de explicar porque ocorre só na situação descrita, e não em outras, se o fenômeno é biológico. Ou seja: a neurobiologia jamais será capaz de mapear o humano, assim como a física da "mente de Deus". Não existe centro na cebola. </span> </div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span> </div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-8397776996614370028?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-57354264474711891062009-07-07T16:27:00.003-03:002009-07-07T16:49:40.813-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">NOVOS BLOGS ADICIONADOS:</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://wunschelrute.blogspot.com/">TPM, Manifestações criativas de impulsos homicidas</a>, por A. Behegaray;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://homocriminalis.blogspot.com/">Homo Criminalis</a>, por Salo de Carvalho;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://distropia.wordpress.com/">Distropia</a>, por Fabricio Pontin, Marcos Fanton e outros;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://marjoriebier.wordpress.com/">Céu da Boca</a>, um universo escrito com batom, por Majoriebier;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/">Brasília, eu vi</a>, por Leandro Fortes;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://hariprado.wordpress.com/">Professor Hariovaldo Almeida Prado</a>, por Hariovaldo;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://rsurgente.opsblog.org/">RS Urgente</a> (novo endereço), por Marco Weissheimer;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://www.ferrez.blogspot.com/">Ferréz</a>, por Ferréz;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://oreduto.blogspot.com/">O Reduto</a>, por Felipe;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/">Luis Nassif</a>, por Luis Nassif;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://luisalbertowarat.blogspot.com/">Casa Warat</a>, por Luis Alberto Warat;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://alexandremoraisdarosa.blogspot.com/">Alexandre Morais da Rosa</a>, por Alexandre Moraes da Rosa;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://criminologiaetc.blogspot.com/">Criminologia e etc.</a>, por Aline Pecharki;</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">-- <a href="http://tudovirahipotese.blogspot.com/">Tudo vira hipótese</a>, por Cristiane Russomano Freire.</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-5735426447471189106?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-41796503438775530432009-07-05T23:33:00.004-03:002009-07-06T00:13:02.958-03:00<a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlFqjPNx9LI/AAAAAAAAAl8/vkSVU6qQFZA/s1600-h/sem+título.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355178585532527794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 298px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SlFqjPNx9LI/AAAAAAAAAl8/vkSVU6qQFZA/s400/sem+t%C3%ADtulo.jpg" border="0" /></a><br /><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;">NOSSO CONSERVADORISMO NAS RELAÇÕES</span></strong></div><div><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong></div><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">COMENTO muito pouco por aqui sobre relações. Os papos preferidos do somepills - pelo menos nos últimos dois ou três anos - têm sido mesmo política, futebol, filosofia, criminologia, música, cinema, livros. Talvez porque eu me sinta bastante inseguro com respeito ao tema. Provavelmente porque acredito saber bem pouco. Mas, de vez em quando, dou uma pitada.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Fico impressionado como nós somos ainda conservadores em termos de relações. Dos meus conhecidos -- amigos e amigas -- não conheço unzinho/umazinha que aceite formas não-clássicas de relação. Todos seguem o mesmo estilo: namoro, casamento, monogamia, ciúmes, projetos de filhos e casa comum. Interessante, pois a maioria dos amigos e amigas, embora não exatamente "exóticos", são pessoas não-convencionais (dá para imaginar a minha incapacidade de relacionamento com gente de fala de "cidadão de bem", por exemplo). Por que raios todos nós seguimos o mesmo modelo? </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É engraçado. Provavelmente propor algo do gênero pode custar bem caro. O outro ou a outra pode se ofender. <em>"Propões isso porque achas que não sou boa o suficiente?". "Tu quer dar para outros magrões?"</em>. Não creio que isso tenha a ver com machismo meu. Porque, na realidade nua e crua, essa da qual nós hipocritamente não conseguimos falar, minhas amigas também tiveram probleminhas bem significativos com as instituições tradicionais. Não ponho nem um centímetro a mais de mão no fogo pelas mulheres em relação a temas como infidelidade, egoísmo, ciúmes ou mentiras. A forma é normalmente diversa. Mas elas também fazem tudo isso. Ontem eu andava de carro com minha irmã e uma amiga e ela falava no telefone: <em>"ah, amiga, estás louquinha para pular a cerquinha... cerquinha, cerquinha!"</em>. É igualzinho.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Lá vou eu com uma afirmativa forte: <strong><em>todas</em></strong> as pessoas que conheço já se envolveram com outras pessoas enquanto estavam namorando. Os mais insuspeitos; as mais fiéis. Isso significa que têm mau caráter? Não creio. A maioria<em> fraquejou</em>. Nem todos ou todas, claro. Alguns foram bastante fdps. Mas a maioria absoluta sucumbiu ao desejo, não resistiu. Continou amando o namorado ou a namorada, se relacionando bem, mas não resistiu ao desejo. Mas toda vez que eu pergunto para eles e elas por que não conseguimos pensar em outro tipo de relação, ou quando afirmo que todo mundo trai, a resposta é a mesma: <em>nem vem querer mexer nisso</em>. <em>"Não tem como". "Impossível". "Só funciona assim". "Se descobrir, paciência, acaba. Se não descobrir, deixa assim". "Essas coisas têm que ficar escondidas". </em></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Entendo o medo. Entendo porque compartilho. Sou bem conservador também. Não admito infidelidade, por exemplo. Mas por que raios -- alguém me explique, please -- se 99,99% dos meus amigos e amigas traíram, e não fizeram de sacanagem, nós não chegamos à conclusão de que as regras são um pouquinho irracionais? Não sei explicar. Não consigo admitir a possibilidade de a minha namorada com outro. Mas isso é uma irracionalidade minha? Meus amigos já ficam bravos comigo só porque <em>toco no assunto</em>. Apanhei verbalmente de mais de cinco magrões porque afirmei que digo para minha namorada que todo mundo trai. Eles são radicalmente contra dizer essa verdade. Mas eu disse: todo mundo. Logo, ela também pode me trair (espero que não). Fato. <em>"Ah, mas tu estás afirmando algo que ela não tinha pensado"</em>. HAHAHA! Vai ser ingênuo assim lá na Arábia Saudita, amiguinho. Um dos principais defeitos do homem é seguir aquele ditado que diz que "amigo de mulher é cabelereiro". Quem pensa isso só pode ser burro. Homem que não tem amigas não entende nada de mulher; não entendendo, é um homem de merda para elas. (Não apenas meus amigos; tenho certeza que a minha namorada também detesta que eu escreva ou fale sobre essas coisas.)</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Uma pergunta que tenho feito e a ausência de resposta é sintomática: é possível uma ética - por exemplo, a ética da alteridade - na relação? Tenho sinceras dúvidas. A leitura de Bauman do "amor líquido", por exemplo, não é uma coisa meio ingênua, conservadora? Será que Sade não sabia mais sobre isso que Bauman sabe? (Vou deixar isso para outro post.)</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não é estranho que entre meus amigos não-convencionais não tenha nenhunzinho que não queira ter filhos? Ou que queira morar em casas separadas? Ou que aceite a infidelidade sob certas condições? Ou que... não importa: o que importa é a ausência de fórmulas novas. vivemos na ditadura de uma fórmula de relação. E isso me irrita. Pois todas as ditaduras e totalidades me irritam. Toda sacralização da instituição é vexatória. E eu digo: nada é<em> <strong>menos</strong></em> profanado hoje em dia que a relação. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-4179650343877553043?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-6229591176793268082009-07-03T20:11:00.006-03:002009-07-03T20:49:51.632-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">É PROIBIDO SONHAR</span></strong><br /><strong><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">CONTARDO CALLIGARIS, comentando as últimas pesquisas realizadas com jovens sobre a sua visão da vida em geral pela Folhateen, chamava atenção para o fato de que estamos diante de uma geração de "sonhos baixos", burocrata, incapaz de se aproximar de grandes projetos, almejando apenas um bom e estável emprego e se definindo, predominantemente, "de direita".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Parece que o grande sonho do pensamento hegemônico na década de 80 se consumou. A minha geração, de fato, é incapaz de <em>sonhar</em>. Perdemos <em>o direito</em> de sonhar. Admitir utopias virou ofensa. Todo interlocutor que quer atirar no discurso alheio afirma: "isso é utópico!". Ou as pessoas se desculpam: "sei que é meio utópico, mas...". Afirmar algo diferente do insuportável cotidiano virou motivo de chacota ou uma piedosa consideração. Desde quando perdemos a capacidade de pensar as possibilidades de um lugar diferente do nosso? A roda do tempo parou de girar? Paradoxalmente, foi o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=x5RqJ2q0Qcg"><em>último</em> <em>profeta</em></a> contemporâneo que decretou: "<em>the dream is over</em>".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Os anos 80 e 90 se aproveitaram do vazio da frustração dos sonhos messiânicos da contracultura. Com um indivíduo desiludido, mas ao mesmo tempo livre das regras tradicionais (portanto, de todas as amarras), pôde se afirmar o tipo de racionalidade que hoje é predominante: o cinismo. "Sei que é errado, mas todo mundo faz". "É um absurdo, mas sempre foi e será assim". "Teremos sempre que conviver com injustiça". "Isso é pensamento de carola". "Bonito seria esse gesto, mas, como ninguém faz, eu também não faço". "Esse pensamento é absurdo, totalmente utópico". "Deixa de ser bobo". "Eles se fazem de coitados". Frases predominantes na minha "pragmática" geração-X, talvez ainda mais poderosas hoje em dia. Pensar a diferença - portanto, <em>pensar</em> - se transformou em algo insuportável. Ofensivo. Dá raiva nas pessoas (mesmo!). É proibido pensar o bem ou a felicidade; é só o cinismo e o cada-um-por-si que vigora. Quem ousa discordar é um hipócrita. Mesmo que não seja. Ou é a figura mais ofensiva de todas: o "<em>ingênuo</em>". (Ingênuo é quem rejeita o cinismo e a perversidade da nossa época.) </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Acho triste isso. Claro, muito foi em razão de circunstâncias políticas contingentes. A queda do Muro de Berlim foi um golpe estonteante na esquerda. Não é "moda" ser de esquerda. Fórum Social Mundial é coisa daqueles "bichos-grilo-fumadores-de-maconha" que não se confundem conosco, os "realistas" (cínicos). (Diga-se de passagem que esse bicho-grilo e sua maconha são muito menos nocivos que alguns empresários que ganham prêmios e são defendidos por teorias políticas conciliatórias.) Os ainda resistentes à direita foram para o liberalismo político, defendendo no máximo uma social-democracia bem-comportada (ou a sacrossanta "Constituição Dirigente"). Questionar o modelo liberal do contrato social, democracia representativa e império da lei virou algo quase "irracional", senão de "dinossauro". Outros resolveram migrar para a direita mesmo e ficar bem engravatados no seu atuarialismo blasé. E outros, finalmente, foram para o fascismo. "Tem que matar tudo!" </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Já é hora de virar o jogo. Obama pode ter mil problemas, mas sua eleição representou uma espécie de rejeição de modelo cínico de política (a chamada "<em>realpolitik</em>"). Não dá para acusar o presidente norte-americano de não ser alguém que atua com princípios, ainda que se discorde deles (e isso desvincula <em>princípios</em> de <em>sectarismo</em> ou <em>fanatismo</em>). É preciso que voltemos a sonhar. A tragédia cotidiana não é inevitável. É pura contingência. Pensadores duros como Foucault, Agamben e Bauman não cansa(ra)m de afirmar: nossas análises não são pessimistas; ao contrário, mostram a contingência das estruturas que produzem infelicidade e a sua reversibilidade. Por que ser utópico virou ofensa? A utopia não é o que nos impulsiona em direção ao Novo? Se o tempo não parou, o Novo continua sendo possível. E, apesar de certo pensamento de "fim da história" ainda hegemônico na mídia (em vias de declínio -- tanto essa "razão ardilosa" quanto a própria grande mídia), <strong>a história não terminou</strong>.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sonhemos. <em>Com ambição</em>. Sem tréguas, sem limites, no pensamento infinito. É tão bom ouvir "Imagine"! Por que ser "ingênuo" virou algo ofensivo? É o maior dos elogios. <strong>A inocência infantil é a força da própria experiência de vida</strong>. E é a vida que o não-pensamento contemporâneo quer colonizar com seus incontáveis dispositivos. Vamos profanar até a última centelha da cultura e pensar sem limites um futuro <em>completamente outro</em>. Esse é o desafio da geração que vem. <em></em></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-622959117679326808?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-84460423109283553562009-07-02T17:12:00.005-03:002009-07-02T17:20:04.754-03:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>MAIS JABÁ</strong></span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;"></span><br /><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Tem tanta coisa legal que a gente lê que dá vontade de reproduzir... Só que a Andréa se puxou demais. Apesar de não ser nenhum Warat, queria reproduzir aqui um poema do <a href="http://wunschelrute.blogspot.com/2009/07/funcao-do-amor-amortecedor.html">blog</a>, com a ressalva da minha mutilação ao estilo belamente concretista com que ele se insinua.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><p></p><p></p><strong>Tecendo Amores.</strong></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><p></p><p></p><p></p>A função do amor?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><p></p><br /><p></p><br /><p></p><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Amortecedor.<br /><p></p><br /><p></p><br /><p></p><br /></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Amor tecer dor?<br /><p></p><br /><p></p><br /><p></p><br /></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Sim, (e)ternamente.</span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-8446042310928355356?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-52763870402563068792009-07-02T14:27:00.004-03:002009-07-02T14:38:10.459-03:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>JABÁ<br /><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/pKlbBgQHPqo&hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed><br />Sonic Youth, "Sacred Trickster" (vale a pena assistir o clipe)<br /><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/AG8fugqFn9Q&hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed><br />Silversun Pickups, "Panic Switch"<br /><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/tjecYugTbIQ&hl=" width="480" height="295" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed><br />Grizzly Bear, "Two weeks"<br /><br /><br /></strong></span><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-5276387040256306879?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-11332090711279536952009-06-26T12:30:00.010-03:002009-06-29T00:06:59.644-03:00<a href="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SkguO1WM72I/AAAAAAAAAl0/murO3H2O6Es/s1600-h/carter2_545x588x300dpi.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352578989503082338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 371px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SkguO1WM72I/AAAAAAAAAl0/murO3H2O6Es/s400/carter2_545x588x300dpi.jpg" border="0" /></a><br /><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;">A FESTA <em>AINDA</em> NÃO COMEÇOU</span></strong></div><br /><div><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">PROMETI que faria dois posts em resposta ao comentário do Zé (depois vi que ele articulou tudo em um <a href="http://sopademoscas.blogspot.com/2009/06/intelectualismo-todo-poderoso.html">post</a>, mais uma vez ótimo). E nem buscava consenso. O Zé e os outros amigos sabem que é agradável, para quem não é narcisista, cultivar diferenças. Apesar disso, chegamos a um solo comum, aparentemente (e isso também é agradável). Porque, como já disse, o lugar onde queremos chegar é o mesmo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Mas também afirmei que o segundo post seria mais duro com a temática -- <em>e será</em>. Se no primeiro texto procurei trazer a política para o espaço micro, ressaltando a não-neutralidade das "tribos" (umas profanatórias, outras sacralizantes), agora vou tocar no outro ponto (que, aliás, é sempre pauta de debate também com o <a href="http://tunelnofimdaluz.blogspot.com/">Mayora</a>): o desprezo pela política tradicional.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que parece ofensivo em certos autores "celebratórios" como Maffesoli e Lipovetsky é que <em>a festa ainda não começou</em>. Suas celebrações da diferença e do sujeito hipermoderno (nomenclatura que considera a melhor de todas, inclusive melhor que a "Modernidade Líquida" de Bauman) ignoram a existência de um "resto" que está sob os escombros da bela história por eles contada, sem os mesmos requintes e charmes, mas <em>exposto </em>na sua <em>nudez </em>fragilizada e desamparada. A história ainda não está redimida. Pairam <em>sob</em> a nossa felicidade -- supondo que exista essa felicidade no vazio --, por baixo das construções teóricas legitimantes e diferenças tribais, os <em>restos nus da pura barbárie </em>que ainda vivemos. Ainda vivemos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Os miseráveis, refugiados<em>, </em>imigrantes ilegais, as vítimas de guerras e genocídios e tantos outros são testemunhos de que a barbárie persiste. Vivemos em meio a ela. O Brasil -- um país que há apenas <strong>pouquíssimo tempo </strong>resolveu que <em>é indecente passar fome </em>-- ainda vive em meio ao horror cotidiano. Esses "restos" que sempre ficam de fora, no detalhe, não querem apenas ver reconhecida sua diferença, nem exercitar a profanação. Eles estão <em>aquém da dignidade</em>, em um estágio anterior a qualquer reivindicação cultural. Para eles, o narciso de Lipovetsky -- que "abre espaço para diferença na sua indiferença" -- é <em>apenas mais violência</em>. Eles têm fome, morrem de frio, são executados ou espancados pela polícia, rastejam pedindo esmolas ou enfiam-se em uma realidade paralela para fugir da tragédia cotidiana. Para esses, a indiferença é obscena; <em>o amor fati</em> é violentíssimo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É preciso pontuar<strong>: só existe contracultura onde existe cultura</strong>. Para esses "restos", esses que nada importam nas construções teóricas celebratórias ou legitimantes, e tampouco (o que é mais trágico) na <em>realidade</em>, <strong>o que existe é</strong> <strong>barbárie</strong>. Esses não estão interessados em questões (contra)culturais, mas na sobrevivência. Não querem apenas poder se manifestar; querem se alimentar. Não querem ser "reconhecidos" como tribo; querem ter roupas para não morrer de frio. Estão expostos, como vida matável, descartável -- <em>vida <strong>nua</strong></em>. Não têm cultura para oferecer; estão desamparados, jogados no mundo (como todos nós) em uma condição desumana. Desumana porque o que nos faz humanos é o cuidado. É o cuidado que sustenta <em>o logos</em>, nossa capacidade de inventar e reinventar linguagens e gestos distintos, buscando a felicidade. Sem cuidado, morremos. Podemos teorizar o quanto quisermos sobre a "diferença" do bebê, sobre seus gestos, sua linguagem, mas se não lhe dermos comida ele morre. Simples.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">É essa a minha crítica ao desprezo da política. É preciso histeria diante do que é, de fato, um escândalo. É um escândalo que deixemos os outros morrerem. Que desperdicemos vidas. Que estejamos vivendo em um tempo em que algumas pessoas não vejam mais qualquer sentido em viver, atirando-se numa mortificação gradual e devastadora a partir do crack ou outras drogas. Não tem teoria da diferença cultural que sustenta esse zumbi que é o usuário de crack. Ele não quer dizer nada, mal consegue ter prazer na sua droga quase instantânea. É escravo de uma substância destrutiva porque não vê motivos para não se destruir. Sua vida não vale nada. Ele se vê assim E É VERDADE. É VERDADE QUE A VIDA DO "RESTO" NÃO VALE NADA. Temos que encarar isso numa espécie de "psicanálise da cultura" - como diz o Timm - encarar que essa vida para nossa política<em> realmente </em>não vale nada. Que essa vida nua - vida habitante das palafitas, dos morros, das periferias, vida que vive nos esgotos, na selva (como os refugiados africanos), etc -- essa vida <em>realmente vale menos </em>- e por isso <strong>eles sabem e agem como </strong>agem (basta ver os "<a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=C2F59571F22EC4FE&search_query=falcoes+meninos">Falcões</a>" do MV Bill). Aliás, é estranho que precise o MV Bill dizer que quem gosta de pobreza é intelectual. Podem até surgir manifestações culturais admiráveis da favela (o hip hop, a dança, grafite, etc.), mas tudo isso é só detalhe diante do horror coletivo que vivem essas pessoas. Isso só serve para enxergarmos o que desperdiçamos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não nos esqueçamos -- para botar os pés no chão -- que historicamente a contracultura surgiu sobre os ombros <em>do Welfare State</em>. Foi com a extensão do período de educação para os jovens e alargamento da adolescência que começou a surgir a "cultura jovem" dos anos 50 e 60 (Elvis, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Dean">James Dean</a>, os beatniks etc.) que então desembocou nos movimentos de contracultura de 68. Existe contracultura onde existe cultura, e não barbárie. Não por acaso os movimentos contraculturais - diga-se o que quiser - são tão fracos no Brasil. Basta visita a Europa e comparar. A contracultura está sobre os ombros da civilização (a questão "barbárie/civilização" não tem nada a ver com o evolucionista do século XIX, por óbvio).</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Enfim, repito<strong>: só existe contracultura onde existe cultura. </strong>Diante da barbárie, só nos cabe reagir com a política tradicional: ou seja, aquela que busca a redenção dos restos que ficam sob os escombros das lutas históricas -- da vida nua <em>cuja urgência exige a histeria ética</em>. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong></strong></span></div><div align="justify"> </div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-1133209071127953695?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-81638472559796239362009-06-25T11:28:00.008-03:002009-06-25T12:35:14.785-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">FOUCAULT X MAFFESOLI - AS "CONTRACULTURAS" E A POLÍTICA</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">VOLTAMOS. Vou aproveitar a oportunidade para abordar um tema que estamos discutindo há tempos e tentar incendiar ainda mais a discussão. Para isso, vou aproveitar o gancho de um comentário do <a href="http://sopademoscas.blogspot.com/">Zé</a> no blog do <a href="http://anticarcere.zip.net/">Salo</a> que pretendo desconstruir. O Salo nos dá uma pitada do seu artigo sobre a "Cultural Criminology" e o Zé comenta: </span></div><br /><blockquote><p align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><em>Muito interessante Salo, principalmente pelo sentido do que o autor coloca como perspectiva anarquista de ruptura com a autoridade. Me parece que isso possibilita um combate discursivo de dupla via: se por um lado é possível construir um discurso contra aquele empreendedor moral de proposições punitivas institucionais, por outro lado possibilita o combate discursivo contra aquele outro empreendedor não menos violento que é o teórico criticista do que não entende. Como exemplo: grande parte da contracultura que tem me interessado hoje em dia é rotulada como alienada, como se isto fosse um problema, quando a geração da alienação não apenas é contemporânea das gerações existencialistas e anarquistas como hoje em dia é quase uma sedimentação mista destes movimentos.<br />Pra cada resmungo crítico acerca de um grupo fútil contemporâneo acaba aparecendo um olhar mostrando que a alienação na maioria das vezes não é do grupo, mas do próprio pesquisador. A</em><em> Pós-modernidade é uma fábrica de Labellings.</em></span><br /></p></blockquote><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;">Não fosse o comentário do Zé fantástico (sem falsa retórica), não valeria a pena comentar (e também porque acho que, bem ou mal, divergindo em algumas coisas, eu e o Zé queremos chegar no mesmo lugar). Por isso ele vai ganhar dois posts, tratando da questão sob dois ângulos diferentes. O primeiro é menos tenso; o segundo será mais duro (com a temática). Vamos ao trabalho.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Primeiro, me afasto completamente de qualquer perspectiva marxista clássica que trabalhe com o conceito de "alienação" dessa forma. Parece que essa crítica -- da forma mais crua como apresentada -- é privilégio de uns velhinhos que não entenderam a importância de 68 e nem de uma série de autores da segunda metade do século XX. Não parece ser o meu caso.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Vou criticar o comentário do Zé a partir da tensão entre dois autores que acredito serem essenciais na discussão (dois "Michels"): Michel Foucault e Michel Maffesoli. Começando pelo segundo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Faz tempo que li pela primeira vez Maffesoli. E me lembro que me impressionou muito. A primeira vez foi num livrinho bem curto, relato de conferências, em que ele debate a existência da pós-modernidade com Sérgio Rouanet. Maffesoli sustentava que vivemos um período "pós"-modernidade, com valores distintos, etc. (com o que eu concordava); enquanto Rouanet sustentava que o que vivíamos era o mesmo que os medievais viveram na transição da Alta para Baixa Idade Média (--Nunca imaginei que terminaria concordando com Rouanet--). Depois, peguei pelo menos dois livros de Maffesoli - que me lembre - e os devorei: "A Contemplação do Mundo" e "O Tempo das Tribos".</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que sustenta ele nesses livros, em síntese brutal, é que a pós-modernidade se caracteriza pela formação de arranjos múltiplos entre pessoas, sem fixação de uma identidade, reunindo não a partir de contratos, mas de laços emocionais ("nebulosa afetual"). Maffesoli copia de Durkheim a idéia de "religião" (re-ligare) para afirmar que esse "estar-junto" gera espécie de "proxemia sentimental" pela qual os indivíduos fazem redes afetivas entre si, formando as "tribos". Não bastasse isso, Maffesoli também afirma que esses vínculos "subterrâneos" não podem ser confundidos com os vínculos de cidadania típicos do Estado, formando uma espécie de "potência" que se opõe ao "poder". Portanto todos esses novos vínculos -- "subestimados" pela sociologia crítica herdeira da Escola de Frankfurt (e alvo preferencial de parte da sociologia francesa) -- teriam essa capacidade de oposição ao "poder", de formadores de "potência", ligados pelo vínculos emocionais que formam o "cimento" da sociedade de massas pós-moderna, claramente oposta ao "individualismo" moderno.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Todo esse sofisticado discurso parece absolutamente<em> ingênuo</em> para um leitor do outro Michel, o Foucault. O mestre francês já havia identificado <em>há muito tempo</em> que o poder não emana de um centro. Poder não é uma "substância" que alguém detém. Contra Althusser e toda tradição marxista, Foucault sustenta que o poder é uma<em> relação</em> que se distende por <em>todo</em> tecido social, e não um conjunto de prerrogativas do Estado, como sustenta a visão jurídica da Teoria do Estado que os marxistas aceitaram sem crítica. Ou seja, a própria sociedade -- que não é senão uma <em>relação</em> (Norbert Elias ensina isso melhor que ninguém, não há sociedade "lá fora") -- é<em> formada, <strong>constituída</strong></em>, por relações de poder. As relações de poder não são um adorno, detalhe, acidente ou enfeite; são a própria "matéria" com a qual se forma o tecido social.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Por que é então "ingênua" a perspectiva de Maffesoli? Porque ele<em> ainda</em> pressupõe o "poder" como algo do Estado. Mas o poder não é só do Estado. As relações entre as pessoas podem ser poder. Esse "estar-junto" não é neutro. Está contaminado pelas questões de poder desde o início. Ou seja: esse "estar-junto" (o próprio Maffesoli reconhece) pode ser um "estar-junto" fascista, por exemplo. Para ficar em um caso abordado pelo próprio Maffesoli (em "A Contemplação do Mundo"): a televisão, a imagem, produz a "proxemia sentimental", reafirma os laços sociais, forma "potência". <em>Mas que potência</em>? Um "Linha Direta" provoca uma tremenda intensidade sentimental, mas com resultados fascistas e histéricos. Mas é inegável que provoca o "estar-junto". Basta pensar, ainda, nas chamadas "festas da ordem" (ex. as "festas cívicas") que DaMatta analisa, muitas vezes apenas celebrações da <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/11/cronica_de_thanksgiving.php">violência</a> e da ordem.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que interessa ao foucauldiano não é<em> apenas</em> o estar-junto da "potência" contraposto ao "poder" (que pode chegar na imbecilidade do "<em>Cansei</em>"), mas que<strong> não existe estar-junto que não envolva poder e, por isso, política. </strong>Todo estar-junto é relação e, por isso, trata do poder, que é a própria relação (melhor: <em>uma forma de relação</em>). Interessa menos ao leitor de Foucault o quanto esses movimentos se opõem ao Estado do que o quanto<em> eles próprios</em> são relações de poder, e como se relacionam <em>enquanto relações de poder</em>.<strong> </strong>Para um adepto de Foucault não existe <em>ingenuidade </em>maior do que afirmar, como afirma Maffesoli, que a "política está declínio", sendo substituída por esses novos estar-juntos. Não há como evitar a política porque ela sempre estará presente enquanto existir o poder. O próprio termo "micropolítica" -- geralmente com entusiasmo pelos rivais da "política tradicional" -- não está sendo lido com rigor (que eu saiba, os grandes defensores foram Deleuze e Guattari, dois entusiasmados leitores de Foucault): <em>micro<strong>política</strong></em>. Fica-se demais no micro e não se pega o essencial da luta de Gilles Deleuze e Félix Guattari (autores seminais na minha formação): <strong>é preciso estender a política <em>também</em> para o âmbito micro, e não se despolitizar</strong>.<em> </em>Aquilo que antes não era objeto da política (da "grande política" tradicional, do Estado) agora passa a ser.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Hoje o trabalho de Foucault é complementado pela genial contribuição de Giorgio Agamben (que também já até escreveu obra conjunta com Deleuze), que parece pegar o centro da questão ao dividir os movimentos em "sacralizadores" e "profanadores". O movimento de "sacralização" (religião, para Agamben, vem de re-legere, tem relação com "separação", e não "ligação") separa os comportamentos em uma esfera separada, tornando-os indisponíveis aos viventes. O de profanação restitui o sagrado ao vivente, possibilitando o uso, o jogo e a brincadeira. É uma forma de julgar<em> <strong>politicamente</strong></em> para que lado caminha cada comportamento social. Agamben não é defensor da volta à "grande política", da "saída da alienação", mas da inseparabilidade entre o macro e o micro, das relações de poder que se formam a partir de cada comportamento social. A meu ver, é nesse jogo da sacralização/profanação que devem ser analisados os comportamentos sociais em termos políticos, <em>inclusive os contraculturais</em>. O que os foucauldianos -- como eu -- jamais poderiam aceitar é a aceitação pura e simples de qualquer comportamento como "apolítico". A política também está nas pequenas coisas. <strong> </strong></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-8163847255979623936?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-77731706984640815332009-06-19T15:07:00.005-03:002009-06-19T20:46:52.174-03:00<span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>AUSÊNCIA</strong></span><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Ando devedor de textos por aqui. Há duas semanas só enrolo. O motivo é nobre: estou tentando fazer bombar - com algum resultado (e junto com os amigos) - a rede social do nosso Instituto: Instituto de Criminologia e Alteridade (<a href="http://criminologiaealteridade.ning.com/">http://criminologiaealteridade.ning.com/</a>). Isso tem consumido algum tempo.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Espero que os amigos comecem a postar também por lá, colocando debates e, com isso, fazendo funcionar uma verdadeira instância de diálogo em que a alteridade não é engolida por uma totalidade auto-referente.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Semana que vem volto para cá.</span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-7773170698464081533?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-52257649090246667972009-06-18T17:31:00.005-03:002009-06-19T15:11:46.957-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">KASABIAN</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><br />(Tive que tirar o vídeo, que estava bagunçando a formatação do blog). <br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">"Fire" é certamente a melhor música da carreira do Kasabian, que, em "The west rider pauper lunatic asylum" (2009), se recuperou bem do segundo álbum razoável. Parece uma rajada de luz iluminando uma pista de dança em chamas. As sirenas são as trombetas do inferno que soam enquanto a profanação restitui aos corpos a leveza da inocência. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-5225764909024666797?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-67037202722172782122009-06-17T11:43:00.005-03:002009-06-17T11:53:44.636-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">WILCO</span></strong><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"><div align="justify"><br /><embed src="http://www.youtube.com/v/ZUKya3Xip6c&hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></div><div align="justify"><br />Uma banda que compõe uma música como "<em><strong>Solitarie</strong></em>" não tem nenhuma chance de errar. Ouvir o Wilco a cada novo disco é como re-experimentar a sensação de voltar à tristeza suave daquele quem não tem medo de se entregar à experiência.<img class="gl_align_full" alt="Justificar" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" border="0" /> É como um abraço quente em um mundo frio, um agasalho que alimenta a ousadia de quem ainda tenta <em>viver</em>. </span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-6703720272217278212?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-25730976664933029852009-06-15T16:19:00.004-03:002009-06-15T16:39:34.562-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">A BURRICE COTIDIANA NO RS</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">TEM GENTE QUE FICA brava quando falo que o povo gaúcho é uma merda. Alguns por gostarem do "tradicionalismo" (<em>pura alucinação</em>); outros, por considerarem o RS "marginal". Enfim, sei lá. Talvez ache o povo gaúcho uma merda apenas por estar com uma perspectiva mais próxima. É possível. Só que não posso deixar de comentar essa exibição da mediocridade gaúcha cotidiana que é a Zero Hora. Sem ter o toque afetado e propositalmente cínico dos cronistas da Veja, por exemplo (que já identificaram como filão editorial o neoconservadorismo), os gaúchos são <em>sweet neocons</em> <strong>by nature</strong>. "Natural born neocons". Não tem nenhuma afetação nos nossos jornalistas: eles são retrógrados, estúpidos, reprimidos e repressivos mesmo. Fazem o jornalzinho do Texas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Vejam as mais recentes "campanhas". Primeira, o "X da educação". Fica-se debatendo artigos e mais artigos sobre os "limites" do adolescente, sobre a desobediência à "autoridade" do professor e a ausência de "disciplina" dos jovens modernos, mas nada se fala sobre: 1) o salário ridículo e pífio que desmotiva qualquer professor; 2) as condições precárias das escolas, incapazes de atrair os alunos para atividades; 3) as condições sociais precárias desses "alunos-problema"; 4) a grade curricular ridícula e cheia de conteúdos desnecessários, baseada na memorização burra e inútil; e 5) na insuficiência de uma educação baseada no castigo, tradição, disciplina e autoridade nos nossos tempos contemporâneos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">O mesmo com o "Crack, nem pensar". É a coisa mais burra que já li na vida. Crack é algo que devemos pensar, sim. E muito. Pois, se o crack é algo que retira completamente a dignidade do humano, devemos pensar como as pessoas chegam lá. O ser humano abaixo da linha da dignidade - a exemplo do "muçulmano" do campo de concentração - é produto de um experimento biopolítico que estamos construindo. Não é por acaso que são as fatias verdadeiramente a-bandonadas que sofrem do crack em maior intensidade. São, por exemplo, os moradores de rua, paupérrimos, miseráveis, famintos, com frio. Usam a droga para sobreviver como os zumbis dos campos.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Da forma como é construída, a campanha é tão imbecil que é capaz de ter efeito reverso. Adota um enfoque moralista e uma posição besta. Faz parecer que o crack pode ser usado pelo senhor de bigodes e gravata que lê a sua ZH todos os dias de manhã, enquanto passa a manteiga no pão e toma café preto. Relatos de crack na classe média ou na elite são puro pânico moral. Existem. Mas são bastante reduzidos. O crack - que é uma droga-lixo --, é algo bem mais típico da população marginal, da vida nua. O "senhor" lê: "Crack, nem pensar". Aí ele pensa: "ah, bom, fiz a minha parte, não uso crack". E pronto, não? Como é que temos tanta burrice entre nós? Que tal ele pensar sobre como a nossa biopolítica que "desperdiça vidas" (expressão ótima de Bauman) é capaz de produzir esse resultado final, esses zumbis ambulantes que vemos transitar pelas sinaleiras? E o quanto ele - cidadão de bem - contribui para tudo isso sublinhando o contraste que o separa da vida nua e o faz se arrastar na sua mediocridade pequeno-burguesa? </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Um jornal infame para um povo infame. Pelo menos o <a href="http://www.correiodopovo.com.br/edicaododia.asp">Juremir Machado da Silva</a> - não por acaso expurgado do jornaleco - nos salva todos os dias (uma pena a política pré-histórica do Correio de fechar sua edição na net). </span> </div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span> </div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-2573097666493302985?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-2553184790597618332009-06-09T12:04:00.005-03:002009-06-09T12:35:56.045-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">O COCÔ </span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">UM DIA, DÊNIS levantou e sentiu um ligeiro desconforto. Nunca tinha sentido antes, mas de alguma forma aquela sensação começou a tomar cada vez mais corpo. Era algo vinculado ao olfato, uma espécie de atrito, algo que embrulhava seu estômago. Dênis não entendia o que estava acontecendo, mas, após tomar seu café da manhã e começar a se vestir para o trabalho, já não agüentava mais. Começou a caminhar pelo apartamento e ver de onde saía a razão do seu desconforto. Sem muita demora, descobriu que vinha do sagrado cocô. Como? Logo daquilo que era mais importante na sua casa? Sim, aquela coisa marrom e enrugada estava lhe causando seu mal-estar. Sem palavras para definir o que se passava, resolveu chamar de <em>fedor</em>. Aquilo fedia muito. Aliás, ele nunca tinha percebido ter olfato -- achava que o único sentido relevante era mesmo a visão. Só com o atrito do <em>fedor</em> ele conseguiu perceber que seu nariz servia para algo além de respirar.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Quando chegou ao trabalho, Dênis percebeu o mesmo <em>fedor</em>. Enquanto os colegas trabalhavam calma e mecanicamente, Dênis sentia cada vez maior repugnância pelo cocô, chegando quase a ter ânsia de vômito. Os colegas, nem aí. Foi então que ele não agüentou e chamou José para conversar. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">- J</span><span style="font-family:Trebuchet MS;">osé, já percebeste que sai do cocô algo que causa mal-estar?</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">- Quê?, perguntou José. Estás dizendo que sai algo de ruim do SAGRADO cocô? Impossível.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">- Pois é, nunca tinha percebido. Mas hoje acordei com um mal-estar... Nomeei esse negócio que senti de <em>fedor</em>. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">- Fedor? FE-DOR? Hahahahaa, que palavra engraçada. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Foi então que José <em>também </em>sentiu o mal-estar que Dênis mencionava. Ao vislumbrar o sagrado cocô que iluminava a repartição, aquela coisa rugosa, longa, em forma de ferradura, cor um pouco amarelada, José também percebeu que aquilo <em>fedia</em>.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><p></p>A notícia se alastrou em velocidade acachapante. Em poucos dias, milhares de pessoas sentiam mais e mais o <em>fedor </em>do sagrado cocô. Começaram a jogar fora seus objetos sagrados, normalmente postos no centro da sala, porque não agüentavam mais o <em>fedor</em>. A mídia ecoava notícias sobre a catástrofe do cocô. Especialistas eram chamados a discutir. Técnicos afirmavam com <em>certeza científica </em>que a presença do cocô não faz nenhum mal à saúde. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não tardou a surgir a militância do cocô. Os conservadores afirmavam que o cocô é a base da sociedade e que essa anarquia modernosa arruinaria tudo. Desfilavam carregando pedaços da substância marrom - às vezes derretida entre os dedos -- e contavam com o apoio da polícia para reprimir passeatas contra o o cocô. "A bosta é a base da nossa união", afirmavam esses conservadores. Livrar-se dela é romper com a nossa sagrada tradição. </span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">Os movimentos avolumaram-se. A maioria ainda tinha as fezes em casa -- tinham medo de algum castigo caso se livrassem delas, embora já sentissem <em>o fedor</em>. Libertários reivindicavam uma vida menos fétida (<em>sofisticação de "fedor" que rapidamente surgiu</em>), pugnando pela simples eliminação de todo e qualquer cocô da residência. Os conservadores, por outro lado, afirmavam que sem cocô o homem é indomável, que <em>sempre existiu cocô</em>, que essa libertinagem era absurda. Eram apoiados pela mídia - que desenhava a queda do cocô como catástrofe e decadência - e pelo Estado, que reprimiu todo aquele que se rebelava contra a merda. Diante das profanações que eliminavam o cocô em praça pública e da ofensa à tradição e aos bons costumes que aquilo representava, os radicais começaram a comer cocô. Os anti-cocô não raro vomitavam ao ver seus adversários cobertos de merda pelos lábios, queixo e bochechas.</span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><p></p>E assim foi a batalha, até que um burocrata resolveu o problema: em vez de confrontarmos o <em>fedor </em>da merda, deveríamos todos - obrigatoriamente - usar máscaras que nos protegiam do fedor. O cocô continuou no meio da sala, para alegria de todos. </span><span style="font-family:Trebuchet MS;"><em></em></span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-255318479059761833?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-16067150852278829432009-06-08T21:12:00.003-03:002009-06-08T21:16:51.346-03:00<div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>O INSUPORTÁVEL ÀS VEZES VENCE</strong></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><p></p>Às vezes, poucas vezes, a náusea diante da podridão de tudo é tão grande que fico possuído pela impotência de escrever. </span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-1606715085227882943?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-58281305641256861252009-06-03T17:10:00.002-03:002009-06-03T17:18:07.759-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">FACTÓIDES </span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">NADA ME IRRITA mais do que ver o factóide do terceiro mandato de Lula todos os dias na mídia antipetista. Que coisa cansativa! Nunca houve cogitação de terceiro mandato por parte de quem interessava ouvir: Lula. Ao contrário: justamente o superbom FHC, o grande FHC, a quem cabe tantos "avanços" e "estabilidade institucional" foi justamente quem propôs uma continuação do seu mandato. Não sou xiita a ponto de não reconhecer avanços com FHC, mas também não sou cego a ponto de mudar de posição conforme o envolvido. E nem de vangloriar quem não merece. Por isso reproduzo o texto abaixo, que espelha perfeitamente tudo que penso sobre o <a href="http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4214">tema</a>:</span></div><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span><br /><blockquote><em><strong><em>Um terceiro mandato, por favor!<br />01/06/2009<br />14:51:20</em><em></em></strong></blockquote><div align="justify"><blockquote><div align="justify"><a class="autor" href="javascript:showDiv("><em><strong>Leandro Fortes</strong></em></a><em><br />A imprensa brasileira não vai descansar enquanto não arrancar do presidente Lula,<br />ou de algum ministro de Estado, uma declaração favorável ao terceiro mandato. A insistência com que a mídia tem tratado do tema, em ondas ciclotímicas cada vez mais curtas, revela aquele tipo de interesse que nada tem a ver com os fatos ou, no limite, com demandas jornalísticas. Trata-se de uma campanha infernal para colar na imagem de Lula a pecha de “ditador chavista” às vésperas de um ano eleitoral, como se fosse possível, a essa altura do campeonato, estabelecer semelhanças ideológicas e de ação governamental entre o presidente brasileiro e seu colega, Hugo Chávez, da Venezuela. Há mais de dois anos, escrevi uma matéria na CartaCapital (“Eterno factóide”) a respeito do assunto, quando a onda do terceiro mandato tinha como objetivo contaminar as bases eleitorais do governo, com vistas às eleições municipais de 2008, quando ainda rescendiam brasas sobre os escombros do chamado “mensalão”. Lá, pelas tantas, escrevi: “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de ter sido beneficiado com a manobra da reeleição, colocada em prática via mudança da Constituição, foi um dos avalistas internacionais do terceiro mandato de Alberto Fujimori, do Peru. Tanto, e de tal forma, que Fujimori, atualmente às vésperas de ser julgado por crime de corrupção, tráfico de armas e genocídio pela Justiça peruana, arrolou FHC como estemunha”. Incrível, né? Fernando Henrique Cardoso alterou a Constituição Federal, à custa de um escândalo de compra de votos no Congresso Nacional, para<br />emendar um segundo mandato, com apoio irrestrito da mídia nacional. Em outro front, dava apoio político e diplomático a Fujimori, conhecido bandoleiro internacional, dado a censurar jornalistas e assassinar opositores, para que “El Chino” conseguisse um terceiro mandato no Peru. Sobre o que estamos falando mesmo? Ah, sobre o terceiro mandato, idéia rejeitada, sistematicamente, pelo supostamente (vocábulo adorado dos jornais, nos últimos tempos) principal interessado, a saber, o presidente Lula. A insistência sobre o tema, ainda tocado em clima de factóide, é tão óbvia que chega a ser cansativo dissertar sobre ela. Estancado em níveis de popularidade jamais alcançados por outros presidentes na história deste país, Lula vive em franca liberdade de movimento para emplacar seu sucessor, no caso, sucessora, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Feliz, gordo e corado, Luiz Inácio conseguiu estabelecer com o eleitorado uma ponte de comunicação praticamente imune aos ruídos da mídia, de qualquer mídia. A este povo sem mídia, e sobre o qual a mídia nada entende ou atinge, Lula fala a língua da distribuição de renda, da segurança alimentar e da identidade nacional. De certa forma, conseguiu converter em ganho eleitoral todos os males a ele atribuídos pela zelosa elite intelectual e econômica brasileira, da falta de educação formal à aparência física. Quisesse mesmo se empenhar na luta pelo terceiro mandato, Lula teria todas as condições, dentro e fora do Congresso, para conseguir sucesso no intento, sem a necessidade de comprar votos, pelo menos no sentido literal do expediente utilizado na Era FHC. Foi-se o tempo, no entanto, em que o presidente se cercava de assessores que o incitavam a atitudes insanas, como a de querer expulsar o correspondente do New York Times do país, por quem foi acusado de ser cachaceiro militante. Agora, a cada investida da mídia, Lula desmancha-se em desencanto: é contra, diz, o terceiro mandato. Ainda assim, como quem oferece crack a um viciado, o Datafolha gastou tempo e dinheiro na tentação de divulgar uma pesquisa na qual mostra um “país dividido”, 47% a favor, 49% contra o terceiro mandato. A mensagem é clara: então, porque não arriscar, presidente? A resposta também: porque Lula não é bobo. Para uma oposição perdida e enterrada num pré-sal de indefinições, nada seria mais providencial do que o surgimento de um Lula ditatorial, finalmente revelado em toda a sua essência autoritária e aparelhadora, um Chávez tropicalizado e, melhor ainda, a tempo de ser trabalhado em infinitas edições de domingo. Viriam especialistas, cientistas políticos, blogueiros de repetição, colunistas, deputados e senadores a denunciar a quebra das regras democráticas, a incutir pânico na classe média, a convocar as senhoras de Santana a marchar sobre a Paulista, o horror, o horror! De qualquer maneira, não custa deixar essa pauta na gaveta. Quem sabe ela não emplaca no ano que vem?</em></div></blockquote></em></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-5828130564125686125?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-78809902280326219662009-06-01T20:15:00.001-03:002009-06-01T20:18:04.805-03:00<a href="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SiRhgygmI6I/AAAAAAAAAls/xJsmKfFm8_g/s1600-h/CAFÃ+INDISCIPLINAR+-+ICA+-+CARTAZ+DIVULGAÃÃO.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342502273910449058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/SiRhgygmI6I/AAAAAAAAAls/xJsmKfFm8_g/s400/CAF%C3%89+INDISCIPLINAR+-+ICA+-+CARTAZ+DIVULGA%C3%87%C3%83O.jpg" border="0" /></a><br /><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;">PRÓXIMO CAFÉ INDISCIPLINAR: 06/06, 14H. COMPAREÇAM! </span></strong></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-7880990228032621966?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-61968982532543847012009-05-27T17:54:00.004-03:002009-05-27T17:57:09.393-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">INSTITUTO DE CRIMINOLOGIA E ALTERIDADE: PRIMEIRO ATO</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">Participem da nossa rede social: <a href="http://criminologiaealteridade.ning.com/">http://criminologiaealteridade.ning.com/</a>.</span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;">Com ela, temos o primeiro espaço para debates do nosso projeto. Para os que lêem a rede de blogs ao lado, mais um lugar de diálogo.</span><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-6196898253254384701?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-77865387666961765632009-05-22T09:51:00.014-03:002009-05-22T10:47:19.426-03:00<div><div><strong><span style="font-family:trebuchet ms;">DEZ DISCOS-CLICHÊ DO PORTA-CD DE QUEM NÃO GOSTA DE MÚSICA </span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;">(OU DEZ DISCOS QUE NÃO DEVEM SER OUVIDOS)</span></strong><br /><br /><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shan30wKYhI/AAAAAAAAAkc/otz4Mz7gLeI/s1600-h/e11574rtqzw.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338638985789596178" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shan30wKYhI/AAAAAAAAAkc/otz4Mz7gLeI/s400/e11574rtqzw.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>10. PINK FLOYD, "THE WALL". - </strong>Na real, ele(a) nunca ouviu direito esse disco. Ele(a) só gosta daquela música: "we don't need education", tá ligado? E "In the flesh"? Quê?</span></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></div><br /><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>09. QUALQUER COLETÂNEA DO CHICO BUARQUE. - </strong>Ele é bonitão, intelectual e se ouvir serei considerado algum "admirador da MPB". Que ótimo, não? </span></div><br /><a href="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShasFh6rwII/AAAAAAAAAlc/Jy7GK_iZzlE/s1600-h/g85084km3li.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338643619298132098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShasFh6rwII/AAAAAAAAAlc/Jy7GK_iZzlE/s400/g85084km3li.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong>08. IRA, "ACÚSTICO MTV".</strong> O Ira é uma das provas da desgraça que é o rock brasileiro. Pode existir coisa pior do que um acústico gravado com um cara que não sabe cantar? Ou que uma música famosa seja "Feliz aniversário"? Ai meu Deus.</span></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:trebuchet ms;"></span></div><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shaqd3CV_4I/AAAAAAAAAlM/trejqkVv2Og/s1600-h/Australian_Crawl_-_Crawl_File_-_Front.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338641838261010306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 209px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shaqd3CV_4I/AAAAAAAAAlM/trejqkVv2Og/s400/Australian_Crawl_-_Crawl_File_-_Front.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>07. AUSTRALIAN CRAWL - </strong>Ah, surf music, tá ligado!? Uhu! Muito afudê. Eu ainda fui benevolente. Falei do Australian, que é o menos piorzinho. Poderia ter citado as duas PIORES bandas de todos os tempos - UB40 e Men at work -, ou seja, a surf music é responsável pela invasão de detritos hediondos nos nossos ouvidos. Australian Crawl... vai te fuder, velho!</span></div><br /><br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShaoZKE37SI/AAAAAAAAAkk/vhxN5_kXM6w/s1600-h/f55017jdmsg.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338639558449294626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 198px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShaoZKE37SI/AAAAAAAAAkk/vhxN5_kXM6w/s400/f55017jdmsg.jpg" border="0" /></a><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>06. BOB MARLEY, "LEGEND". - </strong>"Could be loved...?". Blah, blah, blah. Na real, não tenho nada contra o Bob Marley. Ao contrário -- acho apenas não existe nada no reggae que não o copie. Só que esse CD já tocou tanto, tanto, tanto, tanto, que fica difícil não rir quando ele começa a tocar. É tão engraçado quando fumar gudang garam.</span></div><br /><br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapDkbJGDI/AAAAAAAAAks/Ys11UT--_oA/s1600-h/f35066rqzc4.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338640287076522034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapDkbJGDI/AAAAAAAAAks/Ys11UT--_oA/s400/f35066rqzc4.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>05. CREED CLEARWATER REVIVAL, . - </strong>CREEDENCE é foda, tá ligado!? Eu até poderia concordar se ele não fosse um dos máximos clichês possíveis. Que agradar público que não gosta de música? Toca um "Suzie Q". É até bacana, tem uns toques de Stones, mas não dá - desculpem, é implicância. Botam um Sticky Fingers aí pra nós.</span></div><br /><br /><br /><br /><a href="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapbbLqu1I/AAAAAAAAAk0/4WxEfjpdGpw/s1600-h/f36426k52jo.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338640696912558930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 195px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapbbLqu1I/AAAAAAAAAk0/4WxEfjpdGpw/s400/f36426k52jo.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>04. U2, "THE BEST OF". - </strong>Ui, o Bono! Tá, eu gosto de U2. Realmente, admiro muito a banda. Mas não dá. É uma bomba de U2 por todos os lugares. Aquela baladinha sabe? "Still haven't found...". Bota um U2 aí! </span></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong></strong></span><strong></strong></div><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapwCP4noI/AAAAAAAAAk8/WCbige5XOGM/s1600-h/f59057z0108.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338641050996612738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShapwCP4noI/AAAAAAAAAk8/WCbige5XOGM/s400/f59057z0108.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>03. ERIC CLAPTON, "UNPLUGGED". - </strong>O daquela música para o filho dele... </span></div><br /><br /><br /><br /><br /><br /><br /><div align="justify"><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong></div><br /><br /><a href="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shardg9-UTI/AAAAAAAAAlU/-GbUDYEnif4/s1600-h/bee.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338642931848728882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 188px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/Shardg9-UTI/AAAAAAAAAlU/-GbUDYEnif4/s400/bee.jpg" border="0" /></a><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>02. BEE GEES, "ONE NIGHT ONLY". </strong>- ATENÇÃO ATENÇÃO! Essa é a maior desgraça ocorrida na face da Terra - o sucesso dos Bee Gees. NADA pode ser pior do que ver dois velhos decadentes -- um de COLETE e outro de CHAPÉU ridículo -- cantando ao vivo músicas bichas horrorosas. O pior ainda é ver o DVD! Dá vontade de fazer o Iggy Pop entrar no palco e cagar a pau esses frescos. Vão tomar no cu, Bee Gees!</span></div><br /><br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShasjdEhzmI/AAAAAAAAAlk/2DQIt1hKhvY/s1600-h/d68503x15yc.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338644133393321570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 197px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_i5lNHLqm6Po/ShasjdEhzmI/AAAAAAAAAlk/2DQIt1hKhvY/s400/d68503x15yc.jpg" border="0" /></a> <div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>01. DIRE STRAITS, "BROTHERS IN ARMS". -</strong> É PROIBIDO ouvir Dire Straits. Regra número 1 do bom gosto musical. Atenção: Dire Straits é uma banda medíocre. Dire Straits é uma banda qualquer. Dire Straits é a unanimidade burra. Dire Straits é a legítima música-para-quem-não-gosta-de-música. Música que não fede nem cheira. Rock sem sal. Rock sem vitalidade. Esqueçam o Dire Straits. </span></div></div></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-7786538766696176563?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7388209.post-70970630978678663812009-05-21T13:18:00.002-03:002009-05-21T13:23:32.916-03:00<strong><span style="font-family:trebuchet ms;">MORALISMO NÃO ADIANTA</span></strong><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><div align="justify"><span style="font-family:Trebuchet MS;">JÁ ESCREVI por aqui que uma coisa é a desonestidade casual, o resvalo, a fragilidade e fraqueza humana. Outra é a Totalidade, a transformação desse casual em sistêmico, total, inumano, técnico. O Marquês de Sade foi o grande arauto desse pensamento que se mistura com a crueldade, como escreveram Adorno e Horkheimer naquele clássico. Esse é o mal que perdura e que, na sua plenitude, multiplica em infinitas vezes os pequenos saques do cotidiano que abastecem todos os dias o noticiário jornalístico. Uma esquerda consciente deveria ser uma esquerda menos preocupada em investigar minúcias e reabastecer o discurso moralista e mais em contestar o roubo sistêmico, a injustiça transparente, a naturalização da estrutura perversa em que vivemos. </span></div><div class="blogger-post-footer">Visite!<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7388209-7097063097867866381?l=somepills.blogspot.com'/></div>-MOX-http://www.blogger.com/profile/04700172544872830860noreply@blogger.com