tag:blogger.com,1999:blog-72453883447653580522008-09-07T22:52:36.257-03:00rafaella fraga<i>Living is easy with eyes closed, misunderstanding all you see. It's getting hard to be someone but it all works out. It doesn't matter much to me (...) </i>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comBlogger10125tag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-75463998228097954232008-09-02T15:14:00.016-03:002008-09-02T17:27:36.381-03:00Fabulosa Amélie<p align="left"><span style="font-family:trebuchet ms;">Retorno aos estudos, noites bonitas e estágio a mil me distanciam cada vez mais da vida online. Faz até bem, sabe? Durmo menos e produzo mais. Sem aulas nas segundas de manhã, posso descansar perfeitamente do final de semana, vendo tv com café e bolacha na cama (farelo por tudo!) ou tomando um chimarrão na redenção. O clima em Porto Alegre tem contribuído: os termômetros marcam agora 30º. O inverno gaúcho <span style="font-size:180%;"><strong>não é mais o mesmo.</strong> </span><br /><br />Quase 20 ainda com ares de guria. Antes me preocupava. Agora não mais. <em>So what? </em>Nada de extraordinário para os outros. Mas pra mim, sempre é. Os planos de viagem que eu estou estudando, as idéias que vão surgindo, as pessoas que estou conhecendo, essas <strong><span style="font-size:180%;">pequenezas poderosas,</span></strong> tudo faz parte. E agora? É assim, aproveitar a vida até dois passos além do limite. Um sonho de desapego, uma coisa meio "quem manda em mim sou eu", um tanto livre e solta no vento. Deixa eu pintar o meu nariz.</span></p><p align="left"><span style="font-family:trebuchet ms;">Meu chefe aqui ao lado está escutando <em>Dire Straits</em>. Fazia tempo que eu não balançava a cabeça e cantarolava a letra de <em>Walk of life.</em> Assim, exatamente assim, após a ida ao fumódromo com as gurias, eu posso sentar e escrever direto, isso aqui, o que estou escrevendo, sem interrupções, sem pausas ou <em>backspace</em>, embalada pela trilha. Ontem assisti pela enésima vez <em>O fabuloso destino de Amélie Poulain</em>. Sou fã confessa, estúpida e apaixonada. Amélie, minha super-heroína, até de <strong><span style="font-size:180%;">Zorro</span></strong> ela se veste. Comprei o filme semana passada por R$12 reais e 90 centavos nas Lojas Americanas, muito bem gastos. Minha coleção de dvds se baseia em promoções assim. Garimpar e procurar essas coisas é comigo. <span style="font-size:180%;"><strong>Pequenos prazeres.</strong></span><br />Amélie é uma ternura só. Meu amigo paulistano (e palmeirense) tem nojo da França por causa do filme. Não gostou. Tem como acreditar nisso? Ah... até tem. E isso é fabuloso (visão otimista, <em>great!</em>). Com tantas diferenças, neuroses, manias, segredos e <em>habitués </em>excêntricos, mas adoráveis. <strong><span style="font-size:180%;">O ser humano é</span></strong> <em>bizarramente </em><span style="font-size:180%;"><strong>fabuloso.</strong><br /></span><em>Amélie Poulain</em> pode ser, em uma rápida sinopse, um filme sobre uma garota francesa que um dia descobre, em seu apartamento, um tesouro de criança guardado há décadas: em uma caixa enferrujada, um menino escondeu bonecos, figurinhas e fotos de jogadores. Após devolver ao dono e perceber a <strong><span style="font-size:180%;">felicidade e comoção</span></strong> na expressão dele, Amélie decide fazer coisas boas por várias pessoas. Simples e rico. E ainda há muito mais por trás de <em>Amélie</em>. É falar sobre os ridículos e maravilhosos prazeres da vida. Estes, <strong><span style="font-size:180%;">que revelam quem nós somos.</span></strong><br />Amélie gosta de afundar a mão em um saco de cereais, de quebrar a casquinha doce do <em>creme brullé</em> com uma colher e jogar pedrinhas no lago. A aeromoça que freqüenta o café <em>Deux Moulains</em> adora o som da tigela de leite do seu gato tocando o chão. Nino colecionava fotos.<br /><br />Pequenos grandes prazeres. A vida é isso. Manias e gostos, simples e reveladores. Outras miudezas bem que poderiam ser como no filme: as nuvens em formato de animais e as cores, <span style="font-size:180%;"><strong>tão quentes, lindas e saturadas</strong>.</span> Uma outra hora eu volto falando sobre minhas preferências e incômodos bobos.</span><br /></p><p align="center"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_zA-uoEkorSc/SL2Xo0ETkQI/AAAAAAAAAFg/px5NMDWaFDg/s1600-h/amelie3.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241512268756390146" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zA-uoEkorSc/SL2Xo0ETkQI/AAAAAAAAAFg/px5NMDWaFDg/s320/amelie3.jpg" border="0" /></a></p><p align="center"><em><span style="font-family:verdana;font-size:78%;">- E a vida dela, quem vai arrumar?</span></em></p>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-17518513342821133342008-08-20T16:56:00.005-03:002008-08-21T15:25:17.771-03:00Diálogo estimulante<span style="font-size:100%;"><span style="font-family:arial;">- E agora, o que acontece?<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Eu não sei. Realmente não sei. É engraçado, sabe? Tu acha que com vintepoucosanos tem o poder de decidir cada detalhe da tua vida. Só acha mesmo. Nós não somos nada pra definir algo tão grandioso. As coisas apenas acontecem e podem mudar de rumo. Já entendi, não é culpa nossa. Não adianta. Não sei nem o que vai acontecer nos próximos minutos, quando eu terminar esse cigarro, quem dirá daqui a dez anos.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- O futuro não existe ainda. O hoje é um furo no futuro. Acha que vale a pena tentar então?<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Acho. Agora fiquei decidida. O olhar positivo que eu tenho sobre as coisas não mudou, não muda mais.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Caráter.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Escuta, tu já te sentiu como se tu se conhecesse por completo, convicto dos teus princípios e de quem tu és. E no entanto, fica sem saber o que fazer. Ou como fazer. Já sentiu isso?<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Já, mas eu não tenho a resposta. Essas incertezas aparecem, cedo ou tarde. Tu podia estar com setenta anos fazendo crochê no sofá da sala e te deparar com esse pensamento. Uns culpam a (pouca ou muita) idade. Outros, talvez, a metade da faculdade, o curso se encaminhando pro fim e tu te sentindo tão novo e até imaturo para tanto. É um poder de decisão assustador. Mas a gente não sabe nada da vida ainda. Não dá pra ter pressa.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Eu sei. Quero clarear as idéias. Quando eu comecei a me sentir cansada com tudo isso fiquei triste. Decepcionada comigo mesma. 'Quem tu tá pensando que é?' - me culpando de uma coisa que eu nem sabia exatamente o que era. Se não admitisse, continuaria perdida perdida perdida, na eternidade infinita da nossa condenação. Minha mãe aprovou muito. Ela disse que é experiência de vida. Me abraçou forte, sabe? Preciso agarrar isso com as duas mãos. Se não escapa por entre os dedos e não volta a chance. Daqui a dois anos quero voltar e dizer que absorvi o amor como único alimento e remédio para qualquer ocasião. Todo o tipo e forma de amor. <span style="font-style: italic;">All you need is love</span>. Lennon não estava errado, tenho certeza.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Não estava. Tu não marcaria na tua pele se não acreditasse. Afinal, não há nada que tu possa fazer agora sobre isso, mas tu vai aprender como ser com o tempo.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- E parece que outras coisas contribuíram. Agora que ele foi embora eu vou dar um tempo. Sabe? Quero meus amigos e a mim. Quero juntar eles pra qualquer coisa, música alta, pôr do sol, cerveja em boteco, brindar a cada gole, cigarro até dizer 'chega', noites em claro, filmes no sofá, omeletes de madrugada, alfajor no café da manhã, jogos de futebol, yoga, teatro. Não tento mais ficar analisando e tentando compreender o que passou. Foi muito bom, mas acho que acabou. Chorei. Chorei muito. Passei o outro dia escondida atrás dos meus óculos escuros. Mas a dor vem e passa. Se o sofrimento é opcional, eu escolhi sofrer naquela hora. Mas doeu muito. Agora tá passando. Uma hora passa por completo.<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Passa. De repente passa. Eu te apóio, sempre. Aqui, lá, na putaquepariu, tu vai ser a minha amiga. Chega de procurar o mundo só aqui!<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Me abraça?<br /><br /></span><span style="font-family:arial;">- Abraço. </span><br /><br /><span style="font-style: italic;font-family:arial;" >If you're going to San Francisco be sure to wear some flowers in your hair.</span><br /><br /><span style="font-family:arial;">Vou lembrar.</span></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-64170846250404275772008-08-12T18:22:00.004-03:002008-08-12T19:26:58.491-03:00Moon river II<span style="font-size:130%;"><span style="font-family:georgia;">"Ela empurrou os óculos para a testa e seus olhos, as diferentes cores deles, os cinza e os traços de azul e de verde, adquiriram uma intensidade que parecia transpor as distâncias".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Seu quarto era coerente com a sala de visitas: perpetuava a mesma atmosfera de acampamento. Caixotes e malas, tudo empacotado e pronto para viajar, como os pertences de um criminoso que sente a lei chegando perto. Na sala não havia mobiliário convencional, mas no quarto havia uma cama, por falar nisso, cama de casal, e bastante pretensiosa: madeira dourada com estofamento de cetim.</span><br /><span style="font-family:georgia;">Ela deixou a porta do banheiro aberta e falava de lá; entre os ruídos da descarga e do cabelo sendo escovado, a maior parte do que ela dizia era inintelígel..."</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"... escondi-me a algumas mesas de distância da que ela ocupava no salão geral de leitura, sentada atrás de seus óculos escuros e de uma fortaleza de literatura que ela erigira na mesa. Ela ia rapidamente de um livro a outro, detendo-se intermitentemente numa página, sempre com a testa franzida como se o livro estivesse de cabeça para baixo. Tinha um lápis pousado sobre uma folha de papel - nada parecia chamar sua atenção, mas de vez em quando, como se achasse que afinal tinha de anotar alguma coisa, ela rabiscava laboriosamente algumas anotações".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"... a personalidade média freqüentemente se transforma; em alguns anos até nossos corpos passam por uma mudança completa - <span style="font-weight: bold;">desejável ou não, é natural que nós mudemos. </span>Ela(s) nunca mudaria(m) porque havia(m) adquirido seu caráter cedo demais".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Na verdade, para sair - sapatos de baile de cetim branco e quantidades de perfume anunciavam intenções de gala.</span><br /><span style="font-family:georgia;">- Bem, idiota - disse ela, e me bateu com a bolsa de brincadeira. Estou com muita pressa para fazer as pazes agora. Vamos fumar um cachimbo da paz amanhã, está bem?</span><br /><span style="font-family:georgia;">- Claro, Lulamae. Se ainda estiver por estas bandas amanhã.</span><br /><span style="font-family:georgia;">Ela tirou os óculos escuros e me contemplou com os olhos semicerrados. <span style="font-weight: bold;">Era como se eles fossem prismas esfacelados, os pontos de azul, cinza e verde como pedacinhos de lantejoulas</span>".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Já que ninguém me impediu, segui-os dentro do apartamento, que estava espantosamente destruído. Finalmente a árvore de Natal fora desmantelada, literalmente: os galhos marrons e secos espalhavam-se na confusão de livros rasgados, lâmpadas quebradas e discos. Até a geladeira tinha sido esvaziada, o conteúdo atirado por toda a sala: ovos crus escorriam pelas paredes e, no meio dos destroços, o gato sem nome de Holly lambia calmamente uma poça de leite. </span><br /><span style="font-family:georgia;">No quarto, o cheiro de vidros de perfume estilhaçados quase me sufocou. Pisei nos óculos escuros de Holly: estavam caídos no assoalho, as lentes já espatifadas, os aros quebrados ao meio. Talvez fosse por isso que Holly, rígida na cama, olhasse para José com uma expressão tão cega e parecesse não ver o doutor, que, tomando-lhe o pulso, falava como quem se dirige a uma criança:</span><br /><span style="font-family:georgia;">- Mas a jovenzinha está muito cansada. Muito cansadinha mesmo. Você quer dormir, não quer? Dormir...</span><br /><span style="font-family:georgia;">Holly esfregou a mão na testa, deixando um rastro de sangue de um dedo cortado. </span><br /><span style="font-family:georgia;">- Dormir - disse ela, e gemeu como uma criança exausta e irritada. <span style="font-weight: bold;">-</span> <span style="font-weight: bold;">Ele era o único que me deixava. Que me deixava abraçá-lo nas noites frias. </span>Eu vi um lugar no México. Com cavalos. À beira-mar".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Não, estou falando sério. <span style="font-weight: bold;">O amor deve ser respeitado. Sou inteiramente a favor da liberdade. Agora que tenho uma idéia bastante boa do que seja amor.</span> Ele é meu amigo, me faz rir quando estou atacada..."</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Já dei uma experimentadinha em maconha. Não tem a metade do poder de destruição do álcool. E é bem mais barato, também. Infelizmente, gosto mais do álcool. Não, o sr. Tomato nunca falou comigo a respeito de drogas. Fico furiosa com o modo como essa gente desgraçada continua a persegui-lo. Ele é sensível, uma pessoa religiosa. Um velhinho querido".</span><br /><br /><span style="font-family:georgia;">"Mas, principalmente, queria lhe contar sobre o gato. Tinha mantido minha promessa: eu o encontrara. Levei semanas e semanas depois do trabalho a palmilhar as ruas do Harlem espanhol e houve muitos falsos alarmes. Por instantes eu via lampejos de pêlo listrado como de um tigre que, após inspeção, demonstravam não ser ele. Mas um dia, em uma tarde fria de um domingo de inverno de sol pálido, eis que era ele. Flanqueado por vasinhos de flores e emoldurados por cortinas limpas de renda, lá estava ele sentado no peitoril da janela de uma sala, parecendo quentinho e confortável. Imaginei qual seria seu nome, pois agora ele na certa teria um nome. Tive certeza, então, de que ele chegara a um lugar ao qual realmente pertencia. <span style="font-weight: bold;">Numa choça africana ou seja lá onde for, espero que Holly tenha chegado também</span>".</span><br /></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-21190465302741267482008-08-08T15:10:00.003-03:002008-08-08T16:52:02.949-03:00Moon river<span style="font-family:verdana;">"Era uma noite quente, quase verão, e ela usava um vestido preto, fresco e leve, sandálias negras e uma gargantilha de perólas. Apesar de sua fragilidade elegante, ela possuía um ar saudável de anúncio de cereal, uma limpeza de limão e sabonete, as faces escurecidas por um rosado vigoroso. Sua boca era grande, o nariz arrebitado. Óculos escuros escondiam os olhos. <strong>Era um rosto além da infância e, no entanto, ainda não pertencia a uma mulher</strong>".<br /><br />"Descobri, observando a cesta de lixo junto a sua porta, que sua leitura regular era constituída de tablóides, folhetos de viagem e horóscopos; que ela fumava um cigarro misterioso chamado Picayunes; que sobrevivia comendo queijo e torradas fininhas".<br /><br />"Além disso, ela tinha um gato e tocava violão. Nos dias em que o sol estava forte, ela lavava o cabelo e, junto com o gato, um macho listrado de laranja puxando a vermelho, parecido com um tigre, sentava-se no patamar da escada de incêndio, dedilhando um violão enquanto seu cabelo secava. Toda vez que escutava a música, eu ficava parado e quieto junto a minha janela. Ela tocava muito bem, e algumas vezes também cantava. Cantava naquela tonalidade rouca e compassada de voz de adolescente. Conhecia todas as músicas de sucesso, Cole Porter e Kurt Weill; gostava especialmente das canções de <em>Oklahoma!</em>, que eram a novidade naquele verão em toda a parte. Mas havia momentos em que ela tocava canções que faziam pensar onde ela poderia tê-las aprendido, de que lugar viera. Melodias errantes, duras e ternas, com palavras que lembravam pinheiras e pradarias. Uma delas era assim: <strong><span style="font-size:130%;">"Não quero dormir, não quero morrer, só quero viajar pelas pastagens do céu".</span></strong> E esta era a que parecia mais lhe agradar, pois muitas vezes permanecia cantando muito tempo depois de seu cabelo ter secado, depois que o sol se tinha posto e já havia janelas iluminadas no crepúsculo".<br /><br />"Ela estava inquieta. Remexia nos tocos do cinzeiro, olhava para as unhas, como se desejasse ardentemente ter uma lixa; pior ainda, quando eu parecia atrair sua atenção, havia de fato um gelo característico nos seus olhos, como se ela estivesse imaginando se devia ou não comprar um par de sapatos que vira numa vitrina qualquer".<br /><br />"É um pouco inconveniente não ter nome. Mas eu não tenho o direito de lhe dar um: terá de esperar até que pertença a alguém. Nós só nos juntamos um dia à margem do rio, não nos pertencemos: ele é independente e eu também sou. Não quero possuir coisa alguma até que saiba que encontrei o lugar onde eu e as coisas pertencemos. Ainda não tenho certeza de onde fica esse lugar. Mas sei como ele é".<br /><br />" - Nunca se apaixone por um bicho-do-mato, sr. Bell - aconselhou-o Holly. Foi esse o erro de Doc. Ele sempre trazia bichos-do-mato para casa. Trouxe um gavião de asa partida. Uma vez chegou a trazer um gato-do-mato adulto com a pata quebrada. Mas não se pode dar o coração a um bicho-do-mato. <strong>Quanto mais amor se dá, mais fortes eles ficam.</strong> Até que estão suficientemente fortes para voltar para o mato. Ou para voar até uma árvore. Depois uma árvore mais alta. E então o céu. É assim que a gente acaba, sr. Bell. Se a gente cai na asneira de se apaixonar por um bicho-do-mato. A gente acaba olhando para o céu".<br /><br />"... ela hibernou como um animal de inverno que não percebeu que a primavera chegara e partira. O cabelo escureceu, ela engordou. Ficou bastante descuidada com as roupas: chegava a sair à rua e dobrar a esquina até o armazém usando uma capa de chuva sem nada por baixo. Isto não significa que ela perdera o interesse pela vida. Longe disso, <strong>parecia mais contente, muito mais feliz do que jamais a vira antes</strong>".</span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-15875723336915655402008-08-06T15:16:00.007-03:002008-08-14T22:13:06.676-03:00Cecília<span style="font-size:130%;">Liberdade - essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda. (MEIRELES, Cecília)<br /></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-85862356426983891162008-07-31T22:23:00.006-03:002008-08-14T16:37:08.739-03:00Artista<span style="font-size:85%;"><span style="font-family:verdana;">O vôo partiria às 19h de uma noite úmida de quarta-feira. Cheguei 18h20 no aeroporto. Eu precisava me despedir. E como dói ver um amigo dar tchau e partir. <span style="font-weight: bold;">“Acho que a razão desse adeus doer tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Por algo maior. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos”</span>. Foi assim há dois anos atrás. E pode ter sido assim há dez mil anos. </span><br /><span style="font-family:verdana;">As filas para o <span style="font-style: italic;">check in</span> eram enormes. O avistei de longe, carregando malas e sacolas. Corri e o abracei forte. Beijei seu rosto, ele retribuiu com outro beijo, acompanhado de um sorriso nos lábios. “Surpreso em me ver? É claro que eu largaria tudo e viria”. Meu amigo, magrinho, de calças justas, vermelhas, a mochila da mesma cor pendurada no ombro. “Estou atrasado, me ajuda! Queria tomar um café e fumar um cigarro, mas não vai dar tempo”. </span><br /><span style="font-family:verdana;">O destino era o Rio de Janeiro. <span style="font-weight: bold;">É lá que se vê livre, salta das janelas para os telhados, livre como um gato que desliza pela cidade ensolarada, gato que corre atrás de rato e não tem medo de cão nenhum.</span> Assumindo outras facetas, construindo histórias. Humano, independente, inquieto, palhaço, poético, dramático, impulsivo, intenso, necessita de gente, pele, saliva, lágrimas, sorrisos, abraços, filosofia, ideais. </span><br /><span style="font-family:verdana;">E ele foi, voar de um céu gaúcho e nublado para um céu carioca e tranqüilo. Como Vinicius escreveu “ele é um bicho igual a mim, simples e humano”. É um adeus, mas não é pra sempre. Nunca vai ser. Acenei através do vidro. A despedida, tão rápida, um aperto no peito, um abraço apertado, beijos, promessas, palavras desejando sorte e alegria. Acordei. Aquele aeroporto cheio de partidas despertou novamente aquela minha vontade de ir e não voltar tão cedo. “Não quero fugir, sabe? Só abrir e bater minhas asas um pouco, por aí”. Acho que estive dormindo uma boa parte da minha vida. Chegou a hora de acordar.</span><br /><span style="font-family:verdana;">Chuva de luz. <span>Outra hora tu volta, uma hora eu te visito. Toda a felicidade do mundo é pouco. Minha metade boa.</span><span style="font-weight: bold;"><span style="font-weight: bold;"> </span>Meu tesouro sem preço, meu gostar sem distância, meu amigo ator, de alegrias e tristezas. Querido Tiago.</span></span></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-60168396499612256422008-07-29T12:21:00.006-03:002008-07-29T12:28:49.253-03:00Adolescente<span style="font-size:130%;"><span style="font-family:verdana;">"I hate the way you talk to me, and the way you cut your hair. I hate the way you drive my car, I hate it when you stare. </span><span style="font-family:verdana;">I hate your big dumb combat boats, and the way you read my mind. I hate you so much, that it makes me sick, and even makes me rhime. </span><span style="font-family:verdana;">I hate the always right. I hate it when you lie. </span><br /><span style="font-family:verdana;"><strong>I hate it when you make me laugh, even worse when you make me cry. I hate it when you not around, and the fact that you didn't call.</strong> </span><br /><span style="font-family:verdana;">But mostly I hate the way I don't hate you.</span><br /><span style="font-family:verdana;">Not even close. Not even a little bit. Not even at all."</span></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-12817239439534916472008-07-01T22:36:00.004-03:002008-08-14T22:12:34.130-03:00Um rabisco longo e muito louco<span style="font-size:100%;"><span style="">Passa o dia, chega a noite, madrugada, são mais algumas horas produtivas. Café sem açúcar, casaco de lã, eu agora, meio bêbada, meio sóbria, arrisco a ordenar palavras num texto.<br />Fazia tempo que não sentia medo. Medo. “Medo de que, mesmo?”. Nem sei. “Acho que é daquele ar de auto-suficiência e insensibilidade”. Eu já entendi muito, pouco, muito pouco, ainda vou entender mais para depois confundir tudo outra vez. <o:p></o:p><br />É um discurso silencioso que vem daqueles olhos. Chega a dar um nó em qualquer coisa que a minha cabeça possa ousar imaginar. Estou vencida só porque não quero mais me defender com desculpas ou negar qualquer sentimento. Não fui derrotada. Não há derrota ou vitória aqui.<br />Observo atentamente, sem queixar, sem lamentar, apenas observo. Agora, deixei de me importar com o que não vale a pena. Agora, amadureço e viro criança com a mesma intensidade. É tão bom poder se libertar de algumas idéias, de algumas pessoas. É um passo para (re)começar a fazer as coisas que eu sinto vontade. Retomar aquela audácia que eu tinha para dançar sem música ou andar na chuva sem pegar uma pneumonia. Sabe quando a gente dá um <i>check up</i> geral na situação e risca fora o que não serve? Permiti voltar ao passado e dele eu ri. "Já ouvi isso antes". Estou agora como já planejei algum dia estar. Com bons amigos, com a minha família, comigo mesma. Sinto que agora me conheço (bem) melhor. O sorriso ainda é a melhor arma. </span><span style="" lang="EN-US"><i>Happiness is a warm gun</i>. </span><span style="">Minha esperança. Meus planos que ainda estão por vir. A manhã seguinte que poderei dormir. Meus desejos. Meus segredos.<br />Ele ainda é aquele que me surpreende com rosas quando espero espinhos. Ele não faz planos ou promessas, só surpresas. Sem preocupação nenhuma. "Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Quanto tempo dura? Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer não”. Eu não tenho certeza do que sinto, mas tenho certeza que quero sentir. <o:p></o:p><br />Dylan escreveu e a <a href="http://gabrielacasartelli.blogspot.com/">Gab </a>me fez o favor de lembrar às 3h da madrugada do último sábado: “quando você não tem nada, não tem nada a perder”. É assim. Sem medo. Pra quê medo? Essa história é um rabisco longo e muito louco. Não tenho nada a perder.</span></span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-16984479670746909652008-06-27T19:05:00.002-03:002008-08-14T22:14:04.547-03:00tempo de menos<span style=";font-family:arial;font-size:130%;" >AH! Ando tão ocupada que no meu retorno ao mundo dos blogs depois de dois anos, o abandonei novamente na primeira postagem. Então, só vou pensar que a internet é muito democrática para se preocupar com isso. Esquecendo todos os acontecimentos da faculdade, do trabalho, provas, a falta de tempo, a dor nas pernas, as olheiras, o sono mal dormido e o fim de mês, estoy feliz!<br />Ando pensando seriamente em retirar os comentários para não me frustrar com a falta de leitores. Bem, tanto faz. Vou fazer uma coisa meio assim, escrever por escrever...</span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-7245388344765358052.post-70407285480771773692008-04-27T21:34:00.013-03:002008-06-27T17:10:59.082-03:00limpando as próprias lentes<span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;" >Não há, para mim, uma única definição para jornalismo. Ao lidarmos com notícia, informação, divulgação e esclarecimento de idéias e (por que não?) denúncia, estamos inseridos diretamente no dia-a-dia dos cidadãos: deles e para eles.<br />Longas conversas com parceiros do curso apenas confirmam minha visão romântica da profissão. Não me envergonho em ter esperança e volto a perguntar: por que é feio, hoje em dia, querer mudar o mundo com as próprias mãos? Idealista, mas estou errada em me preocupar?<br />O jornalista é (deveria ser) um comunicador dos interesses do público que pode sim, colaborar com a formação de um mundo melhor. Sua função é transmitir a mensagem, limpa e clara, de forma que a população se mantenha informada e possa elaborar sua própria visão dos fatos.<br />Há, no fundo do jornalismo, um grande e importante papel social. Mas os jornalistas não podem ser os únicos a acreditar que possa existir uma mudança a partir do seu trabalho. Eles precisam impulsionar essa crença. Acho que a falta dessa noção de responsabilidade do jornalismo é a principal responsável pela crise de credibilidade do setor.<br />O jornalismo se encontra dividido entre informar e clarear idéias e o fato de estar se formando como negócio. A profissão está abandonando o romantismo, focando-se no lucro: transformou-se numa mercadoria para consumo, publicando notícias que venderão milhões de exemplares, raramente de interesse público (vide o caso Isabella).<br />Não acredito em imparcialidade. Cada repórter revela um olhar diferente. Mas acredito em ética e bom senso. Responsabilidade e comprometimento. E acredito em uma mudança no jornalismo. Para os jornalistas, basta abrirem seus olhos, limparem suas lentes e conscientizarem-se sobre o que é mesmo importante e de interesse da sociedade. É uma utopia, que pode se expressar de tantas formas: seja na crença na possibilidade de transformação das relações dentro do jornalismo ou apenas na perspectiva de mudança do papel assumido pela mídia nos dias atuais.</span>Rafaellahttp://www.blogger.com/profile/08717779195380997953noreply@blogger.com